sábado, 31 de outubro de 2026

Bruxas Existem!

   

 Quem visse de perto aquela mulher, com os seus
 anos de estrada, dificilmente imaginaria que em outras épocas, - tempo de menos esclarecimento popular – ela teria sido queimada viva numa enorme fogueira em praça pública.
  Uma vez, há muito tempo, ela me disse: “Sou bruxa mesmo, mas e daí?” Garantia em tom jocoso os seus atributos pouco ortodoxos de sentir energias e receber algo parecido com premonições. No mesmo instante me lembrei daquelas bruxas que me faziam morrer de medo nos filmes de televisão, - ainda em preto e branco - isso já por volta dos meus sete ou oito anos de idade. Eram as bruxas pretensamente do mal, vestidas com roupas pretas, mais o chapéu pontiagudo e com uma ou duas verrugas no nariz comprido. Elas afirmavam aos quatro ventos que adoravam sexta-feira 13, especialmente em agosto, e a data 31 de outubro. Nunca esqueço aquela risada horrorosa e estridente que assustava os bichos da floresta (cruz credo!). Sempre no final de tarde tinha aquela bruxinha do bem que eu gostava de assistir, - por que achava muito engraçada e bonitinha - a Samantha, daquele seriado "A feiticeira". Lembram? Bom... De qualquer forma, naquele tempo ou hoje em dia, tudo parece historinha para criança. Acontece que depois cresci e aprendi a observar melhor as pessoas e acabei descobrindo que existem bruxas de verdade. Descobri que elas estão por aí em qualquer canto ou esquina da nossa vida. São muito mais numerosas do que qualquer ser normal poderia imaginar. Elas se parecem com qualquer um de nós e não voam em vassouras. Muito pelo contrário, elas viajam em carros, motocicletas ou barcos, lotam ônibus, metrô e até fazem uma longa caminhada no parque pela manhã. Podem ter curso universitário com várias especializações ou trabalham diariamente em escritórios, galerias de arte ou ateliês. Escrevem livros ou deixam suas opiniões em blogs. Fazem conferências e dão aulas de massoterapia ou se misturam como mestres e aprendizes nos cursos de artesanato e nutrição. Administram grandes ou pequenos negócios e, depois da jornada de trabalho, vão ao terapeuta holístico – onde desenvolvem técnicas de trabalhos naturais em busca do auto-equilíbrio corpóreo / psico / social. Trabalham a correção e a harmonização de seus próprios recursos físicos, emocionais e energéticos com o objetivo de transformar tudo em autoconhecimento.
    A grande diferença entre elas e os mortais comuns (nós) é que as bruxas têm hábitos um tanto esquisitos. Algumas até remexem caldeirões e fazem poções mágicas às escondidas - no melhor estilo de qualquer filme do Harry Potter. Conhecem a cabala e vivem murmurando palavras estranhas em noite de lua negra. São até capazes de inventar feitiços que curam os amados ou que amaldiçoam os desafetos. Usam palavras que transformam qualquer pequeno objeto num grande amuleto que atrai amor e dinheiro (putz... estou precisando de um desses!). Estes são os tipos de algumas bruxas que já conheci de pertinho. Eu disse de pertinho? Sim! Bem de pertinho mesmo! E garanto uma coisa: para os dois lados dessa vida - do bem e do mal.
   Essas pessoas demonstravam a sensibilidade desenvolvida, com o dom que os leigos chamam de “sexto sentido”. Foi assim que depois de muita pesquisa descobri que tive uma geração de bruxas em família.
    Minha mãe contava que durante a época da caça às bruxas, os objetos tradicionais usados pelas feiticeiras, como o bastão de pitonisa e as varetas mágicas, foram banidos para não despertar suspeitas - os quais foram substituídos por instrumentos de cozinha usados no cotidiano que não despertariam o olhar curioso, como, por exemplo, a colher de pau. Era apenas mais uma estória que a mãe contava para o filho pequeno, mesmo assim entendi por que bruxas adotam grandes colheres de pau para mexer no caldeirão. Ela, (a minha mãe) descendente de italianos misturados com um povo cigano que não sei falar o nome, aprendeu a feitiçaria com os requintes das mitologias grega e celta. Por uma dessas coincidências do destino, ela acabou sendo a caçula da dinastia das bruxas e não passou o “bastão” adiante por que não teve filhas e nem sobrinhas. Mas no fundo o seu desejo era ter 7 filhas. Ela me contou que logo aos 5 anos já era uma bruxinha muito malvada e sabia de cor as palavras para enfeitiçar. Foi crescendo e aprendeu entrar em sintonia com a natureza e seus elementos, – terra, fogo, ar e água – rapidamente conseguia transformar os frutos da terra em seus aliados – conversava dia e noite com as plantas e acariciava árvores. Aos 10 anos já sabia fazer um tipo de elixir contra inveja e dor de cabeça. Que maravilha! Uma bela surpresa com grande orgulho para a bruxa velha e caolha que só falava italiano; a minha avó. Ela ainda deu detalhes que na sua infância, dos 5 aos 10 anos, ouvia vozes estranhas, ruídos inexplicáveis pela casa e tinha visões de sombras passando pela parede. Foi assim que começou a se interessar pela bruxaria e outras coisas estranhas ao olhar comum. Afirmou durante anos todos os dias que bruxaria não é um privilégio das mulheres e eu, como seu único filho, deveria seguir os ensinamentos. Mas eu sempre fui muito dispersivo para certas coisas - achava bobagem aquelas alquimias estranhas feitas no fogão a lenha. Para ser bem sincero morria de dó dos gatos pretos presos nas gaiolas individuais lá no fundo do quintal. E fazia questão de passar bem longe dos livros de filosofia Rosa Cruz pendurados na velha estante da sala - alinhados e misturados com os de física Quântica que eu nem imagina o que deveria ser. Depois de anos descobri do que se tratava toda aquela literatura, bem diferente do tempo em que eu mal sabia o alfabeto e via aqueles livros como grandes volumes encostados um no outro. Era muito estranho quando eu pensava que eles voavam por serem livros de magia – mas a mudança de lugar era por conta de tantas consultas noturnas feitas por ela.
Os anos passaram e foram várias as noites que a via debruçada sobre a mesa tentando decifrar a cabala para desvendar o mistério das coisas que a perturbavam. Com base nesses conhecimentos ela preparava talismãs para algumas pessoas que começaram a pagar pelos serviços. As essências de florais viraram uma febre para alguns clientes especiais que pagavam caro por um frasquinho com meia dúzia de gotinhas. A conta bancária cresceu e a vida melhorou – até comprou um carro usado vermelho. Também tinha um tipo de reunião que ela fazia semanalmente com mais 12 bruxas em roupas de cerimônia. Eram organizadas gravuras do sol e da lua sobre a mesa comprida; traduções da energia masculina e feminina para o ritual. Enfileiradas apareciam adagas e, na sequência, vários pentagramas, um cálice, uma espada e pedras brilhantes; símbolos bem tradicionais da magia - que nada mais eram que os veículos da energia concentrada pela força do pensamento. No final faziam orações mentalizando soluções para os problemas individuais e exteriores – como os prejuízos causados pelo homem ao meio ambiente. Pareciam muito unidas e determinadas defensoras da natureza quando saiam juntas à rua. Odiavam, com olhos arregalados, quando algum leigo fazia chacota chamando cada uma de bruxa ou a todas de seguidoras de satã. Poucos passos à frente o infeliz camarada poderia dar uma topada ou cair num buraco enquanto elas se esbaldariam de tanto rir com o acontecimento. Mas se na queda ele quebrasse o pé ou a perna, imediatamente elas prestariam os primeiros socorros, como qualquer pessoa normal a acudir o coitado.
    A moral da história é que existem muitas bruxas que já flertaram com as práticas de satanismo antes de abraçar a bruxaria, a magia ou a crença Wicca - inclusive a minha mãe, mas não garanto que fosse nessa vida.
    Um dia as bruxas acabam ensinando aos incautos que tudo o que se faz de mal aos outros volta em dobro. Usam como filosofia de vida a forma cósmica da força do pensamento e orações transformadas numa energia que transcende o entendimento – e isso independentemente no que se crê.
    Para entender melhor acontecimentos como estes é preciso estudar mais, observar e vivenciar – de preferência por alguns anos. Assim se acaba tomando a Bruxaria como uma arte que é tão necessária à vida quanto outras com a mesma dedicação. No presente os hábitos danosos aos outros devem ser mudados e os pensamentos em constantes transmutações devem ser filtrados. Deve-se sempre estar disposto a enfrentar tempestades emocionais e sociais, ou mesmo – e as piores de todas – as tempestades internas. Eu sei que é difícil entregar-se totalmente quando não se conhece algo, porém, é necessário a entrega com árdua dedicação para vivenciar a magia na plenitude.       Minha mãe explicou que é muito comum a bruxa ter poucos amigos. Não por ser pessoa tímida ou algo assim, mas por gostar de apalpar durante muito tempo o terreno que pisa antes da plena confiança. E se você não for uma pessoa que respeita pontos de vista diferentes ou não sabe guardar segredos dificilmente conseguirá ser amigo de uma bruxa. Ela nunca lhe contará sobre suas experiências mágicas e certeiras. A magia nada mais é que a canalização de energia para um determinado ponto. Enfeitiçar não é privilégio só das bruxas, qualquer um pode ter esse poder que vai da sedução à vingança, da bondade à maldade. Eis aí o maior de todos os seus dilemas: escolha como será na hora que desprender tal energia de si. E saiba que mais cedo ou mais tarde ela voltará bem mais ampliada do que quando saiu”.
    Bom, diante de tudo isso, concluo o seguinte e fico a pensar num velho ditado espanhol: “No Creo en las brujas, pero que las hay, las hay”.  

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O Virtual e o Real

     Estou cá com meus botões imaginando como a vida é estranha. O quanto somos injustos e indiferentes com os outros, e a nós mesmos, com nossas reações diante das facilidades da modernidade.
     Fiquei horas pensando que a principal e mais antiga forma de expressão é a palavra através da fala. E que em seguida vem o contato físico, o olho no olho, o toque, o aperto de mãos, o abraço, o beijo...
     Essas são relações de afeto que cumprem uma função muito importante para o convívio do ser humano e seu bem-estar. Sendo uma forma original e verdadeira, pois, na palavra escrita, muitas vezes nos cobrimos de máscaras e dissimulações e nos tornamos personagens.
     Infelizmente por mais sinceros que sejamos sempre caímos no mesmo erro de esconder os sentimentos - talvez seja uma das piores fraquezas do ser humano. Essa ação afeta a todos os tipos de personalidade, desde apaixonados a covardes; dos sem senso de iniciativa aos traumatizados. E no final todos esses indivíduos acabam relegados a um quarto, isolados do mundo, vivendo uma vida de farsa e fantasia na internet.
     Ás vezes eu não entendo a razão de tanto isolamento e menos ainda as mudanças no que  se habituou chamar de estilo moderno de vida. Não compreendo a escolha de algumas pessoas que vivem trancafiadas, se achando seguras no próprio mundinho, já que minha tendência é de vivência coletiva, não de dividir mas de ajuntar, colaborar e confraternizar. Acho tão saudável a socialização real!
      Na vida virtual, na qual dispomos muito do nosso tempo, parece-me praticamente impossível tratar assuntos sérios e falar dos prazeres ou dos hábitos do dia a dia com alguma verdade - já que o que vemos são lindas fotos de passeios caros ou banquetes de reis em cima da mesa. Essa vida virtual parece inconstante, frágil e relegada sempre a uma realidade oposta ao “EU’ real.
     Esse isolamento passa a impressão de uma imposição social e de costumes, uma necessidade de se mostrar bonito, importante e realizado; fatos de causar imediata inveja e vontades. Inclusive naquelas fotos da família, reunida em confraternização, dando a falsa impressão de que não existe um escudo para as dificuldades do mundo aos filhos ou entes queridos porta afora. 
      É lógico que é muito mais fácil teclar com alguém do que falar diretamente com a pessoa, demonstrando o que sente por ela ao vivo e a cores. Também porque ao teclar raramente você demonstrará sua emoção verdadeira ou o que diria frente a frente, ainda que desfile desaforos ou faça elogios à beleza ou à personalidade desse alguém. 
      Para quem é mãe, mesmo tendo a maior parte do seu tempo preenchido com correrias e responsabilidades de todo o tipo, ainda é muito mais conveniente manter os filhos com a babá virtual do que correr atrás deles na rua ou passar mercúrio nos machucados dos joelhos e cotovelos. As crianças hoje não empinam pipas, nem jogam bolinha de gude, nem colecionam Barbie, elas praticam e são experts em jogos virtuais. Desde muito cedo desenvolvem a mentalidade de que cada pessoa deve estar focada em seus interesses particulares e prazeres imediatos, nunca em preocupações comuns de um grupo, o qual proporcione interação ao modo antigo. Triste egoísmo e  individualidade! Câncer(es) da sociedade.
      É uma pena que a internet favoreça tanto esse aspecto da individualidade em contraste com a cumplicidade e participação pessoal. Houve um tempo em que vivi, no qual poderia ir à casa de alguém e nem era necessário avisar, muito menos marcar hora, ia chegando e sendo muito bem recebido com um sorriso e um convite espontâneo: “Entra, senta, fique à vontade. Quer uma água ou suco?”. 
     Hoje tudo tem que ser marcado, tem que consultar o outro antes, confirmar se não tem compromisso, tem que ver a previsão do tempo, - se for mulher, namorada ou amiga - tem que saber com antecedência os dias da TPM, o que evita levar uma porta na cara ou algum ato de hostilidade do tipo: “Quem é você? Não lembro de ter feito convite para vir aqui!” Radicalizações à parte. Tem gente que é mesmo muito mal educada no trato com quem diz gostar, mas isso é assunto para outro post, rsrsrsrs.
    Cabe aqui uma pergunta: Nós mudamos ou o mundo mudou? A educação, a cultura, a evolução dos meios tecnológicos e de informação instantânea mudaram as pessoas e seus interesses? Talvez eu não tenha uma boa resposta para parte do enigma. Observando melhor parece que esse excesso de informações e tecnologia colocou todos em um confinamento eterno, como bonecos em uma cadeira giratória criando pneuzinhos na cintura que são provocados pela auto-escravidão virtual. Aí sim, posso acreditar que um pouco de tudo isso contribui para a falta de atitude e socialização. 
     E assim vamos ficando cada vez mais trancafiados em nosso mundinho, vendo a vida passar pela tela do Smartphone, notebook ou PC. E o pior que ainda achamos que vivemos uma vida segura e de qualidade.
         Tem gente por ai que nem se lembra do quanto é gostoso sentir os raios do sol na pele num passeio no parque, ou então que as flores aparecem na primavera e são lindas de se ver e tocar.
       Reconheço que também tenho alguns desses maus hábitos, estou procurando mudar e a vida só muda quando você muda. Estou tentando o máximo para que isso aconteça.O pior é que quando a “ficha cai” vem o pensamento:" Será que vale a pena mudar agora? Talvez seja tarde demais após 10 quilos de gordura em excesso e 10 anos a menos para viver".
       Com esse pensamento reconheço que a idade reforça algumas manias e alguns medos, tornando-as mais evidentes. Hoje minha tendência ao isolamento ficou mais clara, às vezes tenho a impressão que sou alguém rodeado por tranqueiras e tralhas obsoletas, e nunca por amigos. O que tenho de mais moderno e boa companhia são o celular e o notebook. 
     No celular converso no Whatsapp  e ouço música, ambas atividades solitárias. Observo o mesmo em outras pessoas quando estou em transportes públicos ou nas ruas. Pessoas solitárias com o fone de ouvido conectados em seus celulares, vão se isolando cada vez mais.    
     Não existe mais paquera. Como paquerar alguém com fone de ouvido? Não existe mais pedido de informação. É quase uma ofensa pedir à pessoa que retire uma "perninha" do fone para você perguntar o nome de uma rua, já que você dispõe em seu dispositivo de Google Maps e Waze.
        É mesmo um fato melancólico se nos lembrarmos que poucos anos atrás as pessoas se juntavam para andar em grupos, conversar as novidades da vida de cada um, ir ao cinema da praça ou até mesmo para ouvir um disco.
       O que acontece hoje é sinal dos tempos. Tempo em que você pega tudo na internet, busca arquivos e baixa. Tem mp3, mp4 e o raio que o parta. Nunca se sabe a origem, se veio do seu vizinho ou de alguém lá no Japão. Você entra na grande teia, repassa arquivos, fotos, músicas e também nem imagina que caminhos aquilo fará até chegar ao destino, talvez até passe em Marte e volte à terra sem que você saiba. E a vida sem interação física continua. Eu vi num filme tosco dos anos 50 que até os marcianos andam juntos. 
      Imagino que esteja pensando que parece incoerente que eu fique aqui criticando a isolação que o mundo virtual provoca nas pessoas, porque é também a minha ferramenta. Claro! Em parte você tem razão. Graças a ela conheci gente que jamais conheceria de outra maneira. 
      Mas não posso deixar de ressaltar que atribuo grande parte de todo esse conflito ao que isso fez com as pessoas, tudo muito programado e óbvio, pessoas quase robotizadas e escravizadas pela máquina. Claramente existem outros fatores, como a vida profissional e demais conflitos da vida de cada um, mas, em minha opinião é essa preguiça por tudo na mão, por tudo mastigadinho, desde uma fórmula química complicada, até a imagem do cosmo com apenas um click na telinha, o que torna as pessoas pouco esforçadas em aprender a se relacionar eliminando a indiferença ao outro que pode estar tão perto fisicamente.
       Vejo algo bom nessa vida virtual, cultivo amizades e desenvolvo conhecimentos, estou conectado com o mundo e com o universo através de ondas eletromagnéticas que se espalham pelo céu. 
     Vendo por este ângulo jamais ficarei solitário, já que em algum momento alguém em Marte poderá receber alguma mensagem minha. Tenho quase certeza, esse alguém virá até mim para um bom papo sobre como é a vida fora do mundo ao qual pertenço. 


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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

ABC Da Vida

    Pois é, gente. Cá estou novamente com o velho papinho de sempre – momento que considero muito interessante para compreendermos, ou analisarmos com maior propriedade, os mecanismos de abordagem tentando enxergar a vida de outra forma.
     Cito, logo de início, a frase de Bertolt Brecht da peça teatral “Aquele que diz sim”: “O importante de tudo é aprender e estar de acordo”. Creio que esta citação ilustra bem o tema de hoje.
   Vamos lá então...
   Vejo que todo mundo quer acertar e ir em frente; e assim conhecer alguma outra nuance da vida e os seus mistérios. Não é mesmo?
   Porém, nem sempre dizer sim significa estar plenamente de acordo com determinadas situações, ainda mais quando existe o conflito moral atrelado aos costumes desde quando nos conhecemos por gente. E nesse caso a moral está praticamente fadada a falhar quando se entra num conflito em busca da melhor solução quando nos sentimos inseguros.
   Dentro dessa coisa de tentar acertar, quebrando paradigmas impostos, é preciso entender motivações para saber onde está a causa dos problemas que tornam mais difícil uma decisão.
   Às vezes o palpite, ou a opinião de alguém em forma de crítica, pode ajudar nessa parte. E tudo depende muito de como se escuta a mensagem que foi passada.
   Por mais que uma crítica tenha o sentido da maldade, muitas vezes ela está detectando uma coisa significativa que não percebemos em nós.
   Uma pessoa que desabafa numa situação de transtorno pode falar muitas coisas que não falaria em outros momentos. E aí a gente pensa: “Nossa! Essa pessoa me viu de um jeito que eu não sou. “Imágina, eu não sou assim!”
   Uma pessoa transtornada fala (pra gente) muitas verdades; o que, na maioria dos casos, nos deixa ofendidos e indignados.
    Essa pessoa pode fazer uso da sinceridade em praticamente 100% de suas afirmações, mas fora desse momento pode ser muito hipócrita; por uma questão óbvia de sobrevivência ao meio social ou familiar, é claro.
    Sabe por que isso acontece?
    Porque quase sempre não temos noção de como é a gente com a gente mesmo, ou como funcionamos e nos posicionamos diante de circunstâncias delicadas. A gente acha que sabe tudo, mas, no fundo, temos uma visão errada em como as pessoas nos vêem verdadeiramente – vivemos durante anos num modelo de ilusão para o conforto do próprio ego.
   Quando se está envolvido de verdade consigo mesmo, tentando acertar primeiro lá dentro e depois com o mundo, acaba-se vivendo num observar-se e compreender-se bem melhor - não desmoronamos diante de qualquer manifestação de crítica; e apenas pensamos naquele feito como um aprendizado.
    O ponto de vista muda quando a honestidade com a gente mesmo prevalece - apesar de ser uma coisa muito difícil de ser praticada.
     Por oisdo mesmo que no decorrer da vida tem-se sempre a tendência a ser cruel com a gente mesmo, com uma série de auto-sabotagens. Aprendemos a desenvolver culpas e castigos como autopunição por ter feito algo assim ou assado, coisas das quais sempre nos arrependemos depois.
     Fala-se muito da desonestidade dos outros porque é bem mais fácil enxergar os defeitos alheios. Isso é bastante terrível, porém ninguém é desonesto com outros se não for consigo mesmo primeiro. O caráter das nossas ações se baseia no modo como a gente se trata e isso reflete nas outras pessoas através de atos bem previsíveis.
     A causa mais aparente está sempre na questão da ideologia do ideal.
     Existe em nós a ideia fixa do “tem que ser”. Um pensamento desenvolvido através daqueles tempos de aprendizado na infância, e que chega forte à fase adulta. Juntando-se a essa ideia do “tem que ser” vem outra mais forte, e o seu nome é “deveria”. Aí dizemos a nós mesmos, ou aos outros: “Deveria” ser de outro jeito, “deveria” pensar o contrário, “deveria” se adaptar, “deveria” aceitar as coisas como elas são. “Deveria, deveria, deveria”.
     As pessoas vivem nesse mundo de ideologia e pensamentos moralmente perfeitos e se iludem que os outros “deveriam” seguir essas regras.
      Eu, por exemplo, levei vários pitos na vida que eu, obviamente, considerei sem a menor justificativa, justamente por que os outros achavam que eu “deveria” ou “tinha que ser”.
      Tinha gente que vivia me dizendo assim: “Ah Renato, você é um ótimo contador de estórias, um cara tão inteligente... Eu aprendo muito com a sua forma de relatar a vida através dos seus posicionamentos nos textos. Mas eu acho que você “deveria” mudar um pouco seu jeito de ser”.
      Pois é... Engraçado isso. Como a vida é incoerente, não é mesmo? Temos essa mania de sempre idealizar os outros, ditando regras do que “deveriam” ser.
     Eu sou aquilo que dá para ser. E afirmo com todas as letras: Não! Eu não deveria nada. Você é que está se iludindo em pensar que o outro tem que ser o seu idealizado. Eu só posso dar os meus passos de acordo com o que sou e com os meus conhecimentos.
    Claro que fingir todo mundo finge, mas ninguém é o “deveria”. Isso é uma invenção do instinto de dominação do Ser humano, que anda lado a lado com a ideia de subjugar o outro com esse tal “tem que ser”.
   É certo que a gente tem um tipo de crescimento e aperfeiçoamento das qualidades da natureza humana, que vão surgindo com todas as experiências acumuladas. Mas ninguém pode ser o “deveria” dos outros.
   Essas mesmas pessoas ainda hoje me dizem: “Ah Renato, você “deveria” ser mais paciente e tratar a todos com o respeito que cada um merece”. Ou então: “Não adianta, não tem jeito, você não muda mesmo!”
  Olha... Respondendo a quem pensa isso de mim, eu digo: eu tenho muita paciência com certas coisas ou pessoas. Mas, com gente autoritária e pretensiosa fazendo afirmações descabidas, não dá para ter paciência. Não tenho nada que ter paciência com essas coisas. Nessa hora eu resolvo logo a questão e largo para lá e fico cá no meu canto numa boa. E vou sempre dizendo: Chega disso! Eu não ando muito a fim em ter paciência.
   Eu sei que nem todo mundo gosta de mim, assim como eu não gosto de todo mundo. Com gente que não existe afinidade não adianta insistir. Se algo não me agrada, eu não pratico e pronto!
    Pedem que eu tenha respeito. Eu não trato a todos com respeito. Respeito quem merece ser respeitado ou quem me respeita. Será que você é respeitável? Hein? Responde! Está pensando sobre isso, não é?
    Olha... Eu sei ser educado, sim! Conheço muito bem as regras de comportamento e bons costumes. Mas existem pessoas e pessoas. Tem gente que faz por onde não receber o bom tratamento ou respeito.
    É... Diga. Não seria esse o seu caso, por tudo aquilo que um dia já praticou pelas costas dos outros? Ora bolas, faça-me um favor! Caía na real, criatura!
    Imagino que muitos gostariam de dizer esse trecho acima para alguém que passou, ou que ainda está presente em suas vidas. Pois é...  Um dia descobrimos que o Ser que idealizamos é aquele que nos frustra amargamente e a gente se entristece por causa disso.
    Vou dar outro exemplo: você por acaso conhece alguém com aquela mania de perfeccionismo? Uma pessoa que se mete a colocar tudo no lugar numa ordem perfeita, e que de vez em quando aparece com o TOC exagerado daquele personagem de Jack Nicholson no filme “Melhor é impossível”?
    Por acaso essa pessoa (assim como o personagem) não pisa nas riscas da calçada e não suporta que esbarrem nela? Até o cachorro pula as riscas da calçada?
     Já sei que você conhece e dirá se defendendo: “Eu não sou como ele, mas sei que sou só um pouco perfeccionista. Admito que seja sim. Mas é só porque eu gosto de organização”.
   Ai, ai, ai, ai, ai. Você sabe que estou falando com você, não sabe? É com você sim! E não adianta largar a leitura com a desculpinha que alguém está lhe chamando no whatsapp.
   Não resolve nada torcer o nariz por causa dessas palavras que tocam lá no seu fundinho. Você sabe muito bem que tem mesmo essa mania de tudo certinho e idealizado. Olha... Pare com isso! Não me venha com essa cara, não!
   Os seus problemas são gerados por sua postura e você ainda não parou para pensar o quanto isso custa na relação com os outros. Viu o quanto lhe custou no decorrer dos anos essa arrogância e prepotência do tudo certinho? O curioso é que você se vê o contrário disso e até se acha injustiçada.
    Nunca ninguém lhe chamou de arrogante e pretensiosa como eu faço aqui? Puxa vida.... Sempre tem que aparecer um para abrir os olhos da gente, não é mesmo?
    Ah tá certo, pode me xingar que eu não ligo... Eu a chamo assim mesmo e ainda explico que a pessoa arrogante é aquela que vive na fantasia do ideal e não no mundo real.
    Uma pessoa que sabe a sua própria verdade não precisa de um juiz arrogante e perfeccionista lá dentro da cabecinha condenando qualquer ação feita ou recebida.
    Uso o meu próprio exemplo: ninguém é meu juiz porque eu não sento mais no banco dos réus. Parei com isso faz tempo. Eu acabei com esse juiz arrogante dentro da minha cabeça às duras penas. Mas você.... Ah... Você ainda está com ele ai ditando regras e jogando culpa, não apenas em você, mas também nos outros. Você persegue a si mesma com esse modo arrogante de ser; esse juiz funciona dia e noite. Ele não lhe dá paz e nem sossego, a voz dele está aí dentro, é uma voz contínua que a faz sofrer com os seus problemas e os problemas dos outros.
    Venha cá!  Aproxime-se mais. Chega mais perto. Assim. Mais um pouco. Isso! Assim ficou bom. Não saia de fininho, não. Presta atenção no que vou dizer agora.
    Veja bem uma coisa - senta direitinho e ajeita esse bundão na cadeira que agora eu vou falar com o verbo bem rasgado: se você não parar com essa postura de combater a si mesma, a vida não vai parar de lhe trazer problemas! Tá entendendo? Você está sempre sofrendo com aquilo que considera os seus problemas, como também com os problemas dos outros. Você sofre dessa doença e carrega isso todo dia. É por isso que tudo que você faz nunca é bom, nunca é suficiente. Você faz coisas maravilhosas e com muito zelo na sua casa, no seu trabalho ou em qualquer outro lugar, mas nunca está feliz e satisfeita. Por que será? Eu acho que você considera que nunca é boa o quanto poderia ser. Você não é sua amiga. Aí, por causa disso, as pessoas nunca vêem o que foi feito com tanto capricho e dedicação, ou o quanto você se empenhou naquilo. Então você reclama, esbraveja e se lamenta pelos cantos por essa falta de reconhecimento.
    Entenda uma coisa: as pessoas são o que elas são, sejam elas bonitas ou feias. Elas são reais e você ainda não aprendeu a lidar com essa realidade, porque idealiza um mundo que só existe na sua cabeça. Você vive o ideal.
    Você tem algo que chamo de síndrome de falta de adaptação à realidade; justamente por que fica aí, feito uma tonta, desenhando na sua mente o ideal das pessoas.
    Tem mais: quando você se coloca numa posição, em determinado ambiente, é gerada uma energia que gera circunstâncias contra ou a favor de si.
    Então, se você olhar para trás enxergará, em muitos pontos, o que foi feito da sua vida. Ou o que você fez a si mesma por andar o tempo todo de olhos fechados para o real.
    Parece que você nunca entendeu que as pessoas te tratam como você se trata.  Isso é uma lei, uma constante. Uma verdade que não dá para fugir.
     Você é o seu obstáculo. É a pedra no próprio caminho que atravanca tudo.
      Então, minha filha, não adianta nada aparecer por aí com todos os seus cursos e diplomas, e continuar eternamente mantendo essa cara de cocô.
    Então... O Ser humano só vive satisfeito quando está feliz. E a felicidade está sempre no real e não no ideal. Isso exige uma capacidade de olhar a vida de outro modo.
     Alguém me disse outro dia: “Ah, Renato, eu tenho seus textos guardados no meu arquivo. Você desceu o cacete em mim, me espinafrou até não querer mais. Falou um montão de coisas do meu modo de ser. Eu percebi que falava de mim e aquilo me atingiu. Fiquei tão magoada que nem quero mais nenhum contato com você seu blog!”.     
      Quanta pretensão! Acha mesmo que tudo é dirigido? Todas essas cenas podem acontecer na vida de qualquer pessoa e não apenas na sua. Isto é, se já não aconteceu com muita gente que anda batendo cabeça por aí, sem saber direito o que fazer. Acho muito legal quando esse povo se identifica imediatamente com esses relatos. Fico muito feliz em ajudar as pessoas, ou em ser um ponto de orientação a fim de dar uma pequena ajuda no equilíbrio necessário.
     Olha, vou lhe dizer uma coisa: você está muito enganada ao afirmar essas barbaridades. Eu nunca desci o cacete em ninguém. Você que é muito negativa e insatisfeita com a vida e vê tudo assim. O que tem sido dito é a verdade das minhas observações do mundo. Qual é o problema em ter a verdade revelada? A verdade se tornou o que? Na sua concepção seria um palavrão ou alguma coisa a ser escondida? Lembre-se sempre: a verdade liberta!
     Você acha mesmo que a forma de ajudar uma pessoa é viver mentindo para ela? Não! Não, mesmo!
      Se eu tiver que repetir mil vezes que você é arrogante e pretensiosa, que não se aceita por que é uma criatura esnobe, eu repetirei sim!
      Essa insistência é para que tenha positividade e vá para frente, que deslanche na vida pelos caminhos certos.  
      Você está tão presa dentro de si que é incapaz de perceber que existem pessoas nesse mundão de Deus lutando por você. Você nunca percebeu isso?
     Quando eu uso essas palavras, vou fundo e faço o que faço, é por que estou lutando por algo que nem você luta. Você nunca reparou que está presa aí dentro desse ideal que você mesma criou? Esse mundo de fantasia. Como é que você pensa que irá fazer diferença na vida deste jeito?
     Eu sei muito bem que não é da minha conta, mas eu dou as dicas porque tenho inteligência e senso de observação de algumas situações que já vi.
     Esse senso de observação me levou a entender que, além de você ter se tornado o seu próprio juiz, também se tornou o juiz dos outros.
Você escolheu essa faixa para viver. E vai ter que enfrentar a dor até aprender as coisas.
     Por isso tento transmitir boas palavras aqui, mas não sinto pena de você e nem de ninguém. A vida ensina a todo mundo. A lei do homem tem jeito de manobrar e escapar com vários argumentos, mas a lei da vida é irremediável.
    Que cada um tome a própria lição. O lema diz: “Quem não aprende pelo amor, aprende pela dor” e isso é mais velho que andar para frente.
    Então, voltando a Bertold Brecht, existem duas opções de escolha. Uma diz que aquele que está atrapalhando uma caminhada deve ser largado para trás ou deve ser jogado no abismo; a segunda: a regra de moral ou bom-senso nos ensina que, quando as coisas não dão muito certas, se deve retornar ao ponto de partida buscando novas alternativas práticas com condutas inteligentes para alcançar o objetivo.
    A escolha está a seu dispor. Escolha o seu caminho e seja feliz, pois, o mais importante de tudo é aprender e andar de acordo! 

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Pios De Coruja

   

  Numa noite de setembro o céu estava limpo e a lua crescente. O seu brilho marcava revelações de um amor com muita entrega, - bem além do habitual – sem contar, as experiências imaginárias de cada um com a magia romântica do luar, que sempre parece mais encantador no alto da serra.
      A porta da entrada rangia um pouco nas dobradiças, a noite não estava fria e nem quente, parei, ainda do lado de fora, e me acostumei com a claridade mínima do lado de dentro. - "Eu gostaria da escuridão total, mas para isso eu teria de voltar e recomeçar do zero, mas me pareceu impossível na atual circunstância da vida em que preciso usar óculos". Dei dois ou três passos e me aprofundei, até marcar o meu novo ponto para uma experiência romântica cheia de novidades.
     Fitei o ambiente repleto de ideias e sugestões, fiz até a metade, porque seria pedir demais que ele estivesse tomado por todos os cantos até o teto. Descobri que o tom azul-pálido que iluminava o céu foi capaz de produzir mais loucura do que medo durante a viagem, e assim prossegui com o olhar altivo e as mãos suando.
     Parei os pensamentos por um segundo e tentei respirar fundo, mas como sempre acontece, não consegui. Senti um enorme desespero pela ansiedade do passo seguinte.
     Olhei, desta vez a porta totalmente aberta atrás de mim, parecia que a lua ficou lá longe, me convenci de que não haveria perguntas inconvenientes e muito menos picuinhas. E para falar a verdade, se houvessem, eu não saberia o que responder, porque me vi perplexo diante da mesma conclusão que sempre volta quando penso nisso: estou completamente envolvido! 
     Então me pus a imaginar como seria se eu soubesse desenhar e alguém me pedisse um retrato seu. A resposta viria  rápidamente: não conseguiria nem que fosse com traços simples. No máximo ficaria limitado a um risco, a uma simples tentativa de intenções de traçar no papel a sua imagem que me cativa. E esse pseudo-desenho que nunca existiria seria como uma espécie de arrependimento, uma declaração de que ainda não a conheci o suficiente para poder desenhar uma imagem fiel aos seus traços físicos magníficos.
      Certas coisas quando faladas dessa maneira, podem até dar a impressão de nunca termos conseguido construir um enredo consistente o suficiente para irmos além da vida comum. Mas somos criativos, isso somos, é óbvio! 
       Parece bem simples quando dito assim. Mas ainda há tantos pontos difíceis para se apoiar e ter a verdadeira convicção para acreditar que um dia ainda seja possível irmos adiante no que temos...
     Voltando ao tal desenho, digo o seguinte: além de todas as dificuldades que chegam no dia a dia, seria preciso que eu fosse dotado de uma memória poderosa para guardar tantos detalhes, ou cada particularidade dos seus trejeitos depois de tantos anos - para desenhar, riscar, rabiscar e não deixar tudo parecendo um rascunho mal acabado.
      De volta à serra: olhando de dentro do quarto para fora, o horizonte estava escuro e vazio, bem quieto e sem surpresas. No entanto, por mais estranho que parecesse, desta vez o silêncio não apenas me impacientou, como até mesmo me tranquilizou. Essa circunstância trouxe a serenidade, que por sua vez refletiu uma nova dimensão ao meu perfil de outrora, contraposto ao fundo do céu e da lua brilhante, o que fez meus olhos cintilarem com o fogo da paixão.
      Continuei assim por um bom tempo. De repente, me dei conta de que não entendia o que pensava. Voltei ao princípio e comecei de novo, mas não cheguei a um acordo comigo mesmo. Percebi então que estava muito tenso, com várias partes do corpo em contração, em especial o pescoço e o ombro esquerdo. Eu ri de mim mesmo ao descobrir o motivo do incômodo: toda a minha atenção deixara de pertencer à lua crescente maravilhosa e se voltara para você. Talvez alguém me chamasse de louco se soubesse o que eu pensei naquele exato momento. Poderia inclusive pensar que lá dentro de mim tivesse algo extraordinário ou, quem sabe, trivial, e ao acaso, me olhando de rabo de olho, houvesse algo excepcional em meus  pensamentos para ser chamado apenas de diferente. 
      Bem... Imaginei: "- Melhor deixar essas tolices de lado e parar de fazer conjecturas, me sinto cada vez mais ridículo tentando tirar conclusões definitivas sem testar as coisas antes'. Em seguida fui eu a arriscar o olhar, mas não de rabo de olho, foi firme e com um grave desvio de cabeça para a direita. Então eu a vi. Estava com os olhos fixos em mim se mantendo por algum tempo. A distância entre nós era suficiente para que eu percebesse que o seu nariz sempre teve contornos parecidos ao meu. Voltei a olhar a lua e você me acompanhou, ficamos na mesma posição por um longo instante. 
     Em seguida você se virou e tentou percorrer o corredor das minhas ideias deixadas para trás. Apontei para a escuridão e prossegui no jogo, feito uma criança encantada com o brinquedo novo que acabou de ganhar. Você arqueou-se e iniciou um sorriso. Pareceu uma coisa tão sem importância, tão boba, e de repente, sem que eu pudesse dominar, abriu-se um fluxo para lhe receber: uma trilhazinha estreita, tímida, mas capaz de fazer disparar o coração e propor à imagem desse afortunado o olhar adiante como se jamais houvesse vida antes.
       Eu, pela segunda vez naquela noite, a vi; pensativa, séria, examinando um ponto indefinido no meu semblante, explorando o corredor das ideias imediatas e os degraus das minhas memórias. Não me movi e continuei a olhar o seu perfil sutilmente questionador e passageiro. Mas novamente passou e logo chegou novos sorrisos. Ficamos perdidos um no outro, mirando como se nada mais existisse no mundo, ou como se a nossa vida se resumisse a pedaços de marshmallows no espeto parcialmente derretidos no fogo de brasas da lareira. Se alguém me pedisse uma definição menos absurda, eu não saberia como dá-la. Mas nunca deixo de pensar que o instante de olhar a lua ao seu lado, seja qual for o significado, é um desses mistérios infinitos do Universo; o qual se iguala a dois pares de olhos fixos um no outro, tentando se conhecer melhor e, pouco a pouco, se entendendo, para depois penetrar ao fundo da retina e se entregar ao prazer. 
      O movimento das mãos e lábios molhados, era como se me dissessem, fique quieto, fique aí, não diga nada, não queira nada, não pense em nada; eu adivinharei o que você precisa; deixe os detalhes por minha conta; nem sequer viva, eu farei por você; observe e sinta meus movimentos; faça com todos os seus sentidos e por sua existência inteira, estamos sob a luz da lua encantada e aquecidos com a chama da lareira. Agora você está comigo e a paz nos acompanha, a ansiedade inicial desaparecerá lentamente sob seus olhos.
       Seguiu-se um beijo longo, quase cruelmente tentador, que fez segundos parecem horas. A minha respiração foi se amainando, os pensamentos se estabilizando, ficando mais suaves, profundos, até o limite possível de lembrar que um dia, lá atrás, por um motivo tolo, o peito estava apertado.
      De repente, ela se moveu e se colocou ao meu lado, segurou a minha mão enquanto continuávamos banhados pelo calor das últimas brasas e disse:
       “Agora está tudo bem?”
      Fiz que sim com um aceno, levantamos e demos dois ou três passos à frente e ela continuou:
      “Nós comemos, bebemos e cuidamos das nossas coisas, agora vamos encarar um novo desafio? É o destino de cada um que deve ser somado”.    
      Fez-se um longo silêncio, durante o qual nos olhamos com brilho nos olhos, mas sem uma expressão definida no rosto. Ela suspirou, largou a minha mão e retornou até a porta para observar a escuridão que a lua crescente insistia em tentar iluminar. Eu passei por ela e me postei na pequena varanda, sentei-me na mureta para me perder apurando os sentidos enquanto ouvia vários pios de coruja vindo das árvores. Tentei imaginar a vida com novas modificações, novos modos de agir, anseios e movimentos. E aos poucos fui ampliando o olhar para as pequenas coisas, aquelas mesmo! As quais sempre havia sido alertado e nunca parei para observar. Dessa forma tentei chegar às maiores e depois de volta às pequenas, juntando tudo para depois separar - esperando para o que viesse desse futuro imaginário, deveras promissor, feito por um raro momento de quando alguém sente um aperto no peito e olha ao redor com atenção, absorve todas as energias e raras experiências trazidas pelo destino.  Experiências tais e quais podem apenas ser proporcionadas aos sonhadores e corajosos que se atiram. E assim podem sentir-se completos, através da magia da lua crescente de setembro, juntamente com a sonata noturna de pios de coruja que envolvem mistério, inteligência, sabedoria e conhecimento um do outro.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Coração Puro

   





 Um dia, novamente nos encontraremos para um passeio, com o pensamento tranquilo e o coração puro. 

 Nós caminhamos por muitas ruas e estradas, e eu amei tudo aquilo. Minha vida parecia um furacão com tantas idas e vindas, e você sabe que eu não tinha descanso.
     Quando nos vimos pela última vez, você sequer imaginou como as coisas terminariam, e depois disso tudo se foi.
      Hoje, olhando você assim tão presente na internet, vestindo trajes diferentes, fico feliz por parecer tão bem.
      Sabe a sua timidez? Ela ainda persiste e acho que é para a vida toda. Apesar disso, você está melhor agora, e poucos vêem isso, por que, lá atrás,  você se refugiava em seus dramas.
      Quanto a mim: eu sempre fui diferente, mas era tudo defesa. No fundo das minhas polêmicas e reivindicações sempre esteve a pessoa assustada com a possibilidade do amor. E, diga-se de passagem, eu me intoxiquei de muitas coisas, principalmente com minhas razões e certezas absolutas. E, se hoje eu sei disso, entendo com clareza que era tudo para fugir da realidade, porque minha vida era como flashes luminosos que necessitavam de admiração.
       Você sabe que em nossos momentos bons havia criatividade e nos maus era destruição.
       Tenho total consciência que ainda hoje você vive sob o peso da minha imagem na lembrança, mesmo depois de todos esses anos. Eu entendo que você não merece arrastar isso, porque agora é uma pessoa melhor que eu, e fico feliz em imaginar a sua vida  completamente refeita.
     Quero que saiba que não tenho raiva de nada.
     Quando a minha ilusão foi derrubada e meu corpo sentiu, o coração se partiu em pedaços, mas isso não me matou e nem matou a minha inspiração.
     Posso afirmar que ainda recebo  coisas boas daqueles que se compadeceram comigo. E essa energia me fez transformar palavras em sensações reconfortantes, talvez por isso a criatividade nunca acabou.
     Se agora eu pudesse, seguraria a sua mão e caminharíamos abraçados, admirando com empolgação o céu salpicado de estrelas. A vida não nos permite isso novamente, mas as palavras me levam ao infinito e me fazem sonhar essas coisas.
      Eu sei que compreenderá com parcimônia o que há aqui, pois tem bom coração. Tenho certeza que na ocasião certa falaremos sobre tudo isso - talvez durante seu sono ou via energia cósmica.
      Um dia, num lugar especial, nos reencontraremos para uma reconciliação espiritual, pode esperar. Nessa ocasião eu lhe abraçarei, citarei versos do livro que lhe dei e você nunca leu.
      A novidade do momento é que você está tão bem nas fotos do quintal. Continua a mesma pessoa tímida e com o olhar para o vazio, permanece em busca das coisas que nunca encontrou - em busca do seu Eu.
    Creio que isso vale para você bem mais que a fama, o sucesso ou o reconhecimento que espera por seus esforços. Você sempre soube que no fundo tudo é ilusão.
    Nós andaremos de mãos dadas novamente como antes, e isso será maravilhoso. Você me sentirá com o seu coração e não mais apenas com a cabeça, e então você verá a luz. Mesmo que permaneça de olhos fechados você saberá que sou eu, como se fosse um raio rasgando a noite para guiar seus passos. Por que, um dia, eu aprendi com você como fazer a palavra virar luz de forma espontânea.
    Não pense em mim no passado, pois eu estou no presente e torço por sua vida refeita e iluminada. Amo você mais do que nunca. Sua imagem estará para sempre guardada em meu coração, bem juntinho daquela nossa canção especial, a canção do refrão apaixonado.
    Que aquela trilha sonora de estrelas, que sempre salpicou de luz o nosso caminho, continue guiando o seu. E jamais esqueça que para voltarmos a passear juntos, basta um pensamento luminoso e um coração puro.


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Quatro Passos


           
Existe um grande lema do conhecimento universal dividido em 4 passos “saber, querer, ousar e calar”. Quando você sabe o que quer, é o primeiro passo para que tudo comece a se manifestar; o segundo passo é o quanto você quer determinada coisa e está disposta a colocar foco naquilo abrindo mão de outras coisas importantes; ousar é trilhar com sabedoria o caminho, ainda que seja para travar os duros combates até a superação; calar é estar em vigilância dominando o mais que puder o cenário ao seu redor e depois se guardar em sua fé não aceitando a interferência dos outros.
      Uma coisa eu digo: quando se tem fé você tem certeza absoluta do “eu” que você é.
      Tudo na vida é treino. Ter fé é a absoluta concentração através dos 5 sentidos que fazem parte da essência de cada um e são sempre aliados prontos a nos servir. Viver o presente pleno de forma radiante e envolvente é como deveria ser para todo mundo. Bastaria aprender a observar, tocar e sentir os cheiros, e também ouvir com sabedoria qualquer palavra que se desse ou recebesse.
     Acompanhando esse raciocínio eu digo que dentro de cada pessoa deve existir um espaço vazio que precisa ser preenchido, pois quando esse vazio se apresenta existe a chance de ser envolvido com coisas boas. Enquanto o espaço permanecer lotado de preconceitos, dogmas, crenças e certezas absolutas sobre tudo, não haverá como colocar mais nada para dentro. Aprender a excluir, expurgando o que não serve parece uma boa ação. Desta forma se abrirá uma grande porta para que tudo comece a acontecer de forma satisfatória – talvez até com uma nova postura.
      Viver o presente sem pensamentos atormentadores e em estado de alerta, é importante para qualquer situação se transformar, é acima de tudo o caminho que leva ao amor. É bem obvio que a primeira coisa é aprender a amar a si próprio para amar ao próximo e saber respeitar. Quando você ama e respeita o próximo também será amada e respeitada. E por amar e ser amada tudo passará a acontecer de uma forma muito simples, sem sacrifícios, desavenças ou renúncias.
      Outra coisa: nunca é apropriado se remeter ao passado com comparações ou lamentações, muito menos se basear em experiências de vidas alheias em comparação ao que acontece com você agora. Viva o presente, pois, o futuro é incerto e quase uma profecia. Ou, dependendo de como enxerga a vida, pode ser uma energia jogada adiante para que ela se manifeste para você no tempo certo. Mas, na dúvida, do tipo de energia que está emanando, o ideal mesmo é viver o presente para chegar a algum lugar, só poderá fazer isso voltando toda a atenção para dentro de si. Quando se coloca essa atenção de forma interior tudo acontece, pois, o que se busca está dentro de nós, seja pelo lado sentimental, espiritual ou material.
     Quando se quer muito alguma coisa, mesmo que não a tenha, de tanto querer, um dia ela acontece. Então, se você deseja chegar a algum lugar, atraía essa energia para si. Tudo o que está buscando vem de dentro para fora. Quando ocorre o oposto a vida parece amarrada e chega uma frustração danada.
     Veja bem: logo que acontecerem algumas coisas chatas, ou alguém passar a depender de você, e isso for superior às suas forças, não imagine que o pior seria abandonar a luta, o pior seria esquecer que pode enfrentá-la. É muito triste quando uma pessoa começa a reclamar e se torna rabugenta, ou seja, quando não se dá conta que tem o dom do intelecto para infinitas possibilidades através de sua criatividade nata.
     Tudo o que se vive tem que ter foco e atenção definida, não se pode duvidar nunca daquilo que está buscando. Se por acaso a vida mudar e surgir um clima de tempestade não tem problema, não reclame, pois quando há o domínio daqueles 4 passos essenciais (saber, querer, ousar e calar), logo a tempestade passa. É importante sempre caminhar olhando adiante e em direção ao horizonte, e nunca, nunca mesmo, voltar para trás. Trabalhe apenas em cima dos seus sonhos e desejos mais profundos. Não olhe para os outros, olhe apenas para você. Entende o que eu quero dizer? Não é egoísmo. A vida dos outros não interessa, eles escolheram o próprio rumo, eles não têm a sua energia pessoal e não vivem a sua realidade, não estão na sua pele. Olha só: não importa como está a vida daqueles que contam que vivem bem ou dos que reclamam a todo instante, o mais importante é a sua vida que precisa crescer e ter uma base sólida onde manter o equilíbrio. Tem um momento na vida de todo mundo que se torna necessário entender uma série de coisas que passaram despercebidas. E se um dia alguém lhe prejudicou, e você se magoou por muito tempo com isso, e continua magoada, com certeza houve um por quê. Tudo tem uma motivação que vira um aprendizado quando nos damos conta do acontecido, e acabamos tirando novas energias não se sabe de onde para aguentar, ainda que possa ser muito dolorido.
   Pois é... Dominando aqueles 4 passos e entendendo melhor os 5 sentidos, tenho certeza que fará de você, ou quem quer que seja, uma pessoa melhor. Dê atenção a si mesma, não espere isso dos outros, não crie expectativas, tenha paciência com aqueles a quem considera diferentes de você – isso é uma grande virtude. Porém, nunca faça a alguém o que não deseja para si própria. Faça movimentos para enxergar a luz além da escuridão e nunca o inverso. Largue mão dessa visão turva ou de procurar por desespero crenças infundadas.
    Eu acredito que tudo na vida pode ser uma ilusão criada por nós mesmos, essa ilusão muitas vezes ultrapassa a realidade, e é nesse momento que a fé e o autodomínio são testados, pois parece muito difícil “se desiludir” ao abrir mão de tudo que já foi estabelecido – que foi ensinado. Principalmente na forma de encarar as pessoas; suas incoerências e contradições; os sentimentos alheios, as próprias ações, reações, orgulho ou arrependimento tardio diante do caminho escolhido. Sempre há tempo. E se você não pode controlá-lo, com certeza, poderá administrá-lo, basta querer e agradecer por existir nesse universo que lhe propicia experiências a respeito de tudo. Esse é o princípio da vida e o caminho que cada um tem para trilhar. Quando você sabe de verdade o que quer e sabe como tratar disso, abrem-se todos os caminhos. Tente, vá em frente, atravesse as fronteiras, quebre os bloqueios, não permaneça no deserto! E que a sua vontade sempre prevaleça para o bem.

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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Falta cavalheirismo nos tempos atuais.

     
     Sou de um tempo em que todos os seres humanos queriam ser reconhecidos. No amor isso se revelava pela ideia da conquista. Muitos chamavam o resultado da conquista de troféu. A palavra “troféu” não era pejorativa. Homens e mulheres sabiam que vencer a batalha de uma conquista era receber a pessoa conquistada para namoro e/ou casamento. O horror não era ser troféu, era jamais ter sido cobiçada como troféu. Os homens tinham que enfrentar dragões se quisessem suas princesas. E as mulheres não tinham problemas em serem princesas.

    Essa sabedoria vinha do cavalheirismo, que estava acima de qualquer ideologia. Pedia-se a mão das moças para namorar. Não por se considerar a mulher como propriedade do pai (como o que erradamente foi ensinado depois), mas simplesmente por conta de que o namoro implicava uma convivência na casa dos pais e, enfim, em geral eles eram mais velhos que o pretendente. Havia um necessário respeito pelos mais velhos.

   Houve um tempo – que não está tão distante – em que os homens abriam portas de carros para as mulheres e puxavam a cadeira para elas sentarem. Ninguém deixava de presentear mulheres com flores e bombons. Um cavalheiro era um cavalheiro. Sou desse tempo.

Quando se quebrava com esses preceitos, saía do ar o cavalheirismo e vinha à tona a cafajestice. Havia gente ruim, claro. Falsos cavalheiros cumpriam as regras com as moças ricas, não com as pobres. Mas os homens que atuavam como cavalheiros independentemente de classe social não eram raros.

     Essa cultura foi subvertida quando alguns começaram a achar que todos os homens eram não cavalheiros, mas cafajestes. Um feminino rasteiro e pouco inteligente, que talvez tenha vingado mais que o feminismo das grandes autoras (Simone de Beauvoir à frente), tratou o cavalheirismo como sendo uma farsa, algo que não passava de uma mentira que escondia o machismo do cafajeste. Todo homem era cafajeste e a cultura do cavalheirismo foi tomado como mentira para uns e ideologia para outros. Esse foi o passo em falso. Daí para diante, os homens não puderam mais ser homens e as mulheres não puderam mais ser mulheres. Todas as mulheres foram vistas como potenciais vítimas do cafajeste que se escondia sob o rosto de todo homem. Os homens não podiam mais desejar ardentemente as mulheres. E até mesmo o inverso começou a ser a regra: as mulheres começaram a poder desejar ardentemente os homens para, em seguida, também começarem, elas mesmas, a serem proibidas pelo tal feminismo de assim agir. As pessoas foram sendo empurradas para a vida assexuada. Se isso não ocorreu em toda a sociedade, mas ao menos na classe média escolarizada, essa mudança de comportamento se acentuou. 

     A sexualidade foi expulsa da classe média. Mas uma boa parte das moças de classe média não perdeu o tesão. As moças de classe média começaram a procurar ou homens mais velhos ou pessoas de classe popular. Todavia, os mais velhos em geral já estavam casados e os mais novos as enganaram: eles haviam sido arrebanhados por alguma igreja evangélica! Tinham sido conquistados pela ideia do demônio de que a luxúria é pecado.

Isso não quer dizer que o sexo deixou de ocorrer. Na verdade, ocorreu até com mais facilidade. Pois motel é algo que se universalizou. Todavia, transformou-se em algo tedioso, antes uma trombada de corpos que um encontro amoroso ardente. Há relatos que não acabam mais, hoje em dia, de mulheres jovens que gostariam de serem disputadas como troféus, de serem possuídas ardentemente por homens com vigor e tesão. Mas não é isso que encontram. Encontram apenas garotos que contabilizam “ficadas” sem saber nada das mulheres com quem saíram. Algumas mulheres, inclusive, se acostumaram a isso. O sexo se banalizou a ponto de muitos se tornarem até desinteressados. O apogeu do sexo sem erotismo foi justamente a decadência do amor.

O cavalheirismo não pode morrer. A virilidade benéfica depende dele. As mulheres gostam e agradecem.


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domingo, 26 de julho de 2026

Filha-Da-Puta Por Natureza


   Você já conheceu alguém bem filha-da-puta? Uma pessoa muito mentirosa, interesseira e sem escrúpulos nas relações interpessoais? E que além de tudo ainda usava de artimanhas para seduzir os outros, demonstrando ser encantadora, inteligente e talentosa em alguma nobre profissão? Creio que sim, creio que algum dia já teve esse dissabor em sua vida! Nenhum de nós está livre de topar com esse tipo de pessoa. Um Ser que sempre se apresenta com histórias imaginárias e bem planejadas, nos induzindo a cair numa armadilha a qual encontramos grande dificuldade para sair. Essa pessoa toma o nosso pensamento, principalmente ao criar falsas expectativas naquelas duas coisas que mais buscamos, ou estamos carentes: amor e compromisso. Aos poucos, sem nos darmos conta do tamanho do risco que corremos, acabamos permitindo que esse Ser fdp entre em nossa vida. E só vamos perceber o tamanho do engodo sofrido, quando essa pessoa simplesmente desaparece por uns tempos alegando qualquer motivo que não faz sentido. Mas, isso só é feito quando essa criatura não encontra mais nenhuma serventia para o seu prazer na continuidade da relação. Esse Ser é muito astuto ao usar o medo como arma de imposição, e de sempre semear a dúvida em cada atitude. A ameaça constante ao fim do relacionamento é uma das suas características principais para alcançar novos benefícios dentro da relação, onde, obviamente, sempre se colocará como vítima ou pessoa incompreendida. Geralmente, quando nos vemos envolvidos por uma pessoa assim, demoramos a perceber a realidade desleal em que estamos caindo. No entanto, quando finalmente tomamos ciência dessa condição de infelicidade, é porque já estamos literalmente prostrados, cansados, esgotados e com toda energia sugada. Acabamos diante de um vazio imenso buscando respostas que nunca teremos. É então que paramos para perguntar: “Onde foi que eu errei?”. Lamento informar, mas, você não errou em nada. Foi apenas mais uma vítima dessa pessoa mentirosa contumaz e que tem a habilidade de enganar a todos distorcendo a verdade. Porque mentir, trapacear e buscar objetivos unicamente seus, é o ideal desse indivíduo que faz tudo parecer muito verossímil. Ele usa todo o tempo o lado emocional apelativo para que você tenha uma sensação de pena. Quando você tem pena de uma criatura assim é porque acaba de entregar a sua alma. Resgatá-la de forma íntegra será muito complicado. Tenha a certeza que ao entregar a sua alma (o que chamo de sentimentos e desejos sinceros), você caminhará pelos meandros da escuridão, enfrentando desafios que jamais imaginou que pudessem existir em sua vida. Bem... O pior disso tudo é que, invariavelmente, esse tipo de pessoa convive entre nós todo o tempo, e demoramos demais a perceber as suas verdadeiras intenções. E se, por acaso, ainda quiser insistir com alguém assim, porque você se julga um tipo de pessoa sensível que valoriza o sentimento e harmonia numa relação a dois, pode ir tirando o cavalinho da chuva, atente ao fato que essa criatura é desprovida daquilo que você tanto necessita receber para também retribuir: amor e compromisso. Exatamente por essa razão ela jamais terá dó ou pena de você, ela apenas te usará, isso sem o menor constrangimento, até quando achar que precisa dos benefícios obtidos desse contato. Esse Ser fdp não tem qualquer profundidade nos sentimentos demonstrados, e muito menos consciência genuína do que é afeto. Jamais se colocará em seu lugar num momento de dor ou perda de algum parente, jamais pedirá desculpas sinceras por qualquer fato ocorrido e nunca, nunca mesmo, vibrará por um sucesso alcançado por você na vida material ou profissional. Com o passar do tempo você poderá observar nessa pessoa um profundo desrespeito pelas regras de convívio. Ela sempre se mostrará intolerante e lhe faltará com o respeito por motivos fúteis, mas, não somente a você, também a todos que fizerem parte do seu círculo de amizades. A falta de educação é um dos marcos mais importantes desse Ser fdp na situação que relato aqui, justamente porque essa pessoa sentirá no amor que dedica a ela, a impunidade e a certeza do perdão para os atos inconsequentes. A responsabilidade ética conhecida por cada um de nós é bem diferente da que tem na mente dessa criatura. A sua ética está nas vantagens que consegue angariar com a manipulação de uma ou várias pessoas ao mesmo tempo, ou das situações que consegue conduzir. Sei que cada qual que estiver lendo este relato já terá conhecido alguém assim. Provavelmente já tenha sido vítima desse tipo de manipulação e, infelizmente, por causa disso, já não acredita quando alguém lhe oferece emoções sinceras, atitudes honestas e relações verdadeiras. Ter convivido com uma criatura desse naipe, por qualquer tempo que tenha sido, causa traumas que muitas vezes parecem incuráveis. Esse Ser tem o poder de nos induzir a equívocos que matam a nossa autoconfiança e a confiança que poderíamos ter no outro Ser humano. Jamais pense que conselhos ou punições farão com que esse Ser fdp melhore em suas condutas, isso não funciona. Muito pelo contrário, ele obterá vantagem disso elaborando novos meios para que os seus atos, a partir de então, passem despercebidos, dando a todos a sensação que ali existe outra pessoa bem diferente daquela do passado. E nesse momento, provavelmente, lá estará você de novo caindo na mesma armadilha feita com outros encantos e promessas. Diga-se de passagem, que esse Ser fdp fará tudo de novo, de outra maneira e livre de qualquer culpa ou remorso. Fará porque tem competência e inteligência acima da média que sempre o levam a mostrar-se totalmente “regenerado” e, se apresentando com afinco, como se fosse uma pessoa dedicada ao trabalho, à família e aos objetivos comuns. Mas tudo é trapaça. Um outro jogo sujo criando novas expectativas ilusórias em você e em todos que têm alguma esperança na mudança. Lamento informar outra vez, mas, não existe fórmula mágica nesse caso. Essa pessoa nasceu assim e continuará carregando esse jeito de se conduzir durante toda a vida. Será sempre uma pessoa não confiável e sem sentimentos. Alguém que nunca muda, mas progride bem nos disfarces e nas adaptações ao meio em que vive, tudo de acordo com seus objetivos de sempre levar alguma vantagem. Analise comigo esse comportamento com a história a seguir:
Rodrigo namorava Manoela. No começo ela demonstrava os mesmos interesses que ele nas coisas que gostava. Manoela conversava com Rodrigo de tudo um pouco, inclusive dos seus conflitos familiares com pais e outros parentes próximos. Dizia que o pai era um tirano e a mãe uma pessoa insuportável que falava demais, reclamando de tudo sem parar. Aos poucos, Rodrigo foi se envolvendo com as histórias de Manoela e experimentando um tipo de sentimento de solidariedade, ao mesmo tempo em que chegava uma atração sexual intensa, misturada com a vontade de dar proteção. Florescia em Rodrigo uma grande paixão que o levava a acreditar cada vez mais que Manoela era uma pessoa injustiçada dentro do lar em que vivia. Rodrigo passou a levar Manoela em restaurantes interessantes para almoçar ou jantar, muitas vezes em companhia dos seus amigos com as respectivas namoradas. Nesse meio de socialização e convivência interativa com pessoas diferentes, Manoela chegava a se comportar bem, conversava e até provava comidas pitorescas que nunca houvera sentindo o sabor antes. Rodrigo se preocupava muito com o bem-estar e conforto de Manoela, tanto que - quando iam dormir juntinhos - ele fazia questão de esticar o lençol e até puxava os cobertores para que ela se acomodasse adequadamente. Rodrigo levava café na cama pela manhã e em outros momentos perguntava se ela queria que ele fizesse alguma coisa por ela. Rodrigo era um namorado dedicado e preocupado. Abria a porta do carro para Manoela entrar e na caminhada na rua a conduzia sempre pelo lado de dentro da calçada. Eles se aproximaram muito nessa convivência de cumplicidade. Manoela não estava acostumada com gentilezas masculinas, exatamente por isso ele se sentia um verdadeiro gentleman ao fazer tudo que ela nunca tinha recebido de outro. Um belo dia foi combinado um encontro romântico, eles iriam passar a noite de sábado num motel. Estava tudo certo quando na tarde daquele dia Rodrigo ligou avisando que não poderia encontrá-la, pois sua mãe, já idosa, estava com crises respiratórias fortes e talvez precisasse ser removida até o pronto-socorro. Manoela silenciou no telefone. Não disse sim e nem não. Ao final da conversa apenas desligou sem ao menos desejar que tudo corresse bem. Manoela sumiu por uns dias, passou quase uma semana evitando contato com Rodrigo. Não atendia telefone e nem respondia e-mails que ele, insistentemente, mandava durante todo esse período. Chegando no sábado seguinte Manoela reapareceu no WhatsApp, Rodrigo questionou o seu sumiço. Ela disse que não tinha visto as ligações e estava sem acesso de internet em casa e sem crédito no celular. Rodrigo gostando muito da moça, relevou. Durante a conversa ela nada perguntou sobre a saúde da mãe de Rodrigo. Ele notou que ela ainda parecia bem contrariada, mesmo assim, sem ter sido perguntado, ele contou que tudo tinha ficado bem, que a mãe estava recuperada e eles finalmente poderiam fazer o programa combinado. Ela secamente respondeu: “Eu queria que saíssemos naquele dia, mas você preferiu ficar com a sua mãe!”. Rodrigo ficou estarrecido com a frieza de Manoela, não era essa a pessoa que ele tinha conhecido. Eles não saíram naquele dia e nem nos dias seguintes. O tempo passou e voltaram ao namoro entre altos e baixos. No íntimo, todos nós procuramos acreditar no lado bom das pessoas e cremos em suas boas intenções. No entanto, tudo é muito subjetivo quando do confiar ou não confiar. Nada impede de cometemos erros de avaliação por um tipo de natureza generosa ou desconfiada. No entanto, é importante saber que ninguém é perfeito. Todos, uma hora ou outra, cometem falhas que, de um jeito ou outro, acabam decepcionando pessoas. Mas, isso nunca será sinônimo de ser filha-da-puta. Porque ser filha-da-puta é muito mais que apenas causar decepções a alguém. É um conceito de vida que algumas pessoas adotam, usando a seu favor a boa emoção que dispomos e lhes oferecemos com sinceridade, para no final, como se estivéssemos com uma arma apontando para a própria cabeça, concluirmos que não valeu a pena tanto esforço ao acreditar em quem é filha-da-puta por natureza.         

Bruxas Existem!

      Quem visse de perto aquela mulher, com os seus  anos de estrada, dificilmente imaginaria que em outras épocas, - tempo de menos esclar...