Sou de um tempo em que todos os seres humanos queriam ser reconhecidos. No amor isso se revelava pela ideia da conquista. Muitos chamavam o resultado da conquista de troféu. A palavra “troféu” não era pejorativa. Homens e mulheres sabiam que vencer a batalha de uma conquista era receber a pessoa conquistada para namoro e/ou casamento. O horror não era ser troféu, era jamais ter sido cobiçada como troféu. Os homens tinham que enfrentar dragões se quisessem suas princesas. E as mulheres não tinham problemas em serem princesas.
Essa sabedoria vinha do cavalheirismo, que estava acima de qualquer ideologia. Pedia-se a mão das moças para namorar. Não por se considerar a mulher como propriedade do pai (como o que erradamente foi ensinado depois), mas simplesmente por conta de que o namoro implicava uma convivência na casa dos pais e, enfim, em geral eles eram mais velhos que o pretendente. Havia um necessário respeito pelos mais velhos.
Houve um tempo – que não está tão distante – em que os homens abriam portas de carros para as mulheres e puxavam a cadeira para elas sentarem. Ninguém deixava de presentear mulheres com flores e bombons. Um cavalheiro era um cavalheiro. Sou desse tempo.
Quando se quebrava com esses preceitos, saía do ar o cavalheirismo e vinha à tona a cafajestice. Havia gente ruim, claro. Falsos cavalheiros cumpriam as regras com as moças ricas, não com as pobres. Mas os homens que atuavam como cavalheiros independentemente de classe social não eram raros.
Essa cultura foi subvertida quando alguns começaram a achar que todos os homens eram não cavalheiros, mas cafajestes. Um feminino rasteiro e pouco inteligente, que talvez tenha vingado mais que o feminismo das grandes autoras (Simone de Beauvoir à frente), tratou o cavalheirismo como sendo uma farsa, algo que não passava de uma mentira que escondia o machismo do cafajeste. Todo homem era cafajeste e a cultura do cavalheirismo foi tomado como mentira para uns e ideologia para outros. Esse foi o passo em falso. Daí para diante, os homens não puderam mais ser homens e as mulheres não puderam mais ser mulheres. Todas as mulheres foram vistas como potenciais vítimas do cafajeste que se escondia sob o rosto de todo homem. Os homens não podiam mais desejar ardentemente as mulheres. E até mesmo o inverso começou a ser a regra: as mulheres começaram a poder desejar ardentemente os homens para, em seguida, também começarem, elas mesmas, a serem proibidas pelo tal feminismo de assim agir. As pessoas foram sendo empurradas para a vida assexuada. Se isso não ocorreu em toda a sociedade, mas ao menos na classe média escolarizada, essa mudança de comportamento se acentuou.
A sexualidade foi expulsa da classe média. Mas uma boa parte das moças de classe média não perdeu o tesão. As moças de classe média começaram a procurar ou homens mais velhos ou pessoas de classe popular. Todavia, os mais velhos em geral já estavam casados e os mais novos as enganaram: eles haviam sido arrebanhados por alguma igreja evangélica! Tinham sido conquistados pela ideia do demônio de que a luxúria é pecado.
Isso não quer dizer que o sexo deixou de ocorrer. Na verdade, ocorreu até com mais facilidade. Pois motel é algo que se universalizou. Todavia, transformou-se em algo tedioso, antes uma trombada de corpos que um encontro amoroso ardente. Há relatos que não acabam mais, hoje em dia, de mulheres jovens que gostariam de serem disputadas como troféus, de serem possuídas ardentemente por homens com vigor e tesão. Mas não é isso que encontram. Encontram apenas garotos que contabilizam “ficadas” sem saber nada das mulheres com quem saíram. Algumas mulheres, inclusive, se acostumaram a isso. O sexo se banalizou a ponto de muitos se tornarem até desinteressados. O apogeu do sexo sem erotismo foi justamente a decadência do amor.
O cavalheirismo não pode morrer. A virilidade benéfica depende dele. As mulheres gostam e agradecem.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Por favor, deixe um comentário, pois essa ação fortalece o blog nos mecanismos de busca do Google. Isso fará com esse texto chegue para mais pessoas, algumas que talvez precisem dessas palavras.
Se você gosta e valoriza esse tipo de trabalho poderá contribuir com qualquer quantia via Pix.
Essa é também uma forma de incentivar o escritor a dedicar tempo e horas trabalho na produção de novos textos. Agradeço a todos que lêem, incluindo os possam ou não contribuir com esse humilde servo da escrita. Novamente muito obrigado por ter chegado até aqui.
Você já conheceu alguém bem filha-da-puta? Uma pessoa muito mentirosa, interesseira e sem escrúpulos nas relações interpessoais? E que além de tudo ainda usava de artimanhas para seduzir os outros, demonstrando ser encantadora, inteligente e talentosa em alguma nobre profissão? Creio que sim, creio que algum dia já teve esse dissabor em sua vida! Nenhum de nós está livre de topar com esse tipo de pessoa. Um Ser que sempre se apresenta com histórias imaginárias e bem planejadas, nos induzindo a cair numa armadilha a qual encontramos grande dificuldade para sair. Essa pessoa toma o nosso pensamento, principalmente ao criar falsas expectativas naquelas duas coisas que mais buscamos, ou estamos carentes: amor e compromisso. Aos poucos, sem nos darmos conta do tamanho do risco que corremos, acabamos permitindo que esse Ser fdp entre em nossa vida. E só vamos perceber o tamanho do engodo sofrido, quando essa pessoa simplesmente desaparece por uns tempos alegando qualquer motivo que não faz sentido. Mas, isso só é feito quando essa criatura não encontra mais nenhuma serventia para o seu prazer na continuidade da relação. Esse Ser é muito astuto ao usar o medo como arma de imposição, e de sempre semear a dúvida em cada atitude. A ameaça constante ao fim do relacionamento é uma das suas características principais para alcançar novos benefícios dentro da relação, onde, obviamente, sempre se colocará como vítima ou pessoa incompreendida. Geralmente, quando nos vemos envolvidos por uma pessoa assim, demoramos a perceber a realidade desleal em que estamos caindo. No entanto, quando finalmente tomamos ciência dessa condição de infelicidade, é porque já estamos literalmente prostrados, cansados, esgotados e com toda energia sugada. Acabamos diante de um vazio imenso buscando respostas que nunca teremos. É então que paramos para perguntar: “Onde foi que eu errei?”. Lamento informar, mas, você não errou em nada. Foi apenas mais uma vítima dessa pessoa mentirosa contumaz e que tem a habilidade de enganar a todos distorcendo a verdade. Porque mentir, trapacear e buscar objetivos unicamente seus, é o ideal desse indivíduo que faz tudo parecer muito verossímil. Ele usa todo o tempo o lado emocional apelativo para que você tenha uma sensação de pena. Quando você tem pena de uma criatura assim é porque acaba de entregar a sua alma. Resgatá-la de forma íntegra será muito complicado. Tenha a certeza que ao entregar a sua alma (o que chamo de sentimentos e desejos sinceros), você caminhará pelos meandros da escuridão, enfrentando desafios que jamais imaginou que pudessem existir em sua vida. Bem... O pior disso tudo é que, invariavelmente, esse tipo de pessoa convive entre nós todo o tempo, e demoramos demais a perceber as suas verdadeiras intenções. E se, por acaso, ainda quiser insistir com alguém assim, porque você se julga um tipo de pessoa sensível que valoriza o sentimento e harmonia numa relação a dois, pode ir tirando o cavalinho da chuva, atente ao fato que essa criatura é desprovida daquilo que você tanto necessita receber para também retribuir: amor e compromisso. Exatamente por essa razão ela jamais terá dó ou pena de você, ela apenas te usará, isso sem o menor constrangimento, até quando achar que precisa dos benefícios obtidos desse contato. Esse Ser fdp não tem qualquer profundidade nos sentimentos demonstrados, e muito menos consciência genuína do que é afeto. Jamais se colocará em seu lugar num momento de dor ou perda de algum parente, jamais pedirá desculpas sinceras por qualquer fato ocorrido e nunca, nunca mesmo, vibrará por um sucesso alcançado por você na vida material ou profissional. Com o passar do tempo você poderá observar nessa pessoa um profundo desrespeito pelas regras de convívio. Ela sempre se mostrará intolerante e lhe faltará com o respeito por motivos fúteis, mas, não somente a você, também a todos que fizerem parte do seu círculo de amizades. A falta de educação é um dos marcos mais importantes desse Ser fdp na situação que relato aqui, justamente porque essa pessoa sentirá no amor que dedica a ela, a impunidade e a certeza do perdão para os atos inconsequentes. A responsabilidade ética conhecida por cada um de nós é bem diferente da que tem na mente dessa criatura. A sua ética está nas vantagens que consegue angariar com a manipulação de uma ou várias pessoas ao mesmo tempo, ou das situações que consegue conduzir. Sei que cada qual que estiver lendo este relato já terá conhecido alguém assim. Provavelmente já tenha sido vítima desse tipo de manipulação e, infelizmente, por causa disso, já não acredita quando alguém lhe oferece emoções sinceras, atitudes honestas e relações verdadeiras. Ter convivido com uma criatura desse naipe, por qualquer tempo que tenha sido, causa traumas que muitas vezes parecem incuráveis. Esse Ser tem o poder de nos induzir a equívocos que matam a nossa autoconfiança e a confiança que poderíamos ter no outro Ser humano. Jamais pense que conselhos ou punições farão com que esse Ser fdp melhore em suas condutas, isso não funciona. Muito pelo contrário, ele obterá vantagem disso elaborando novos meios para que os seus atos, a partir de então, passem despercebidos, dando a todos a sensação que ali existe outra pessoa bem diferente daquela do passado. E nesse momento, provavelmente, lá estará você de novo caindo na mesma armadilha feita com outros encantos e promessas. Diga-se de passagem, que esse Ser fdp fará tudo de novo, de outra maneira e livre de qualquer culpa ou remorso. Fará porque tem competência e inteligência acima da média que sempre o levam a mostrar-se totalmente “regenerado” e, se apresentando com afinco, como se fosse uma pessoa dedicada ao trabalho, à família e aos objetivos comuns. Mas tudo é trapaça. Um outro jogo sujo criando novas expectativas ilusórias em você e em todos que têm alguma esperança na mudança. Lamento informar outra vez, mas, não existe fórmula mágica nesse caso. Essa pessoa nasceu assim e continuará carregando esse jeito de se conduzir durante toda a vida. Será sempre uma pessoa não confiável e sem sentimentos. Alguém que nunca muda, mas progride bem nos disfarces e nas adaptações ao meio em que vive, tudo de acordo com seus objetivos de sempre levar alguma vantagem. Analise comigo esse comportamento com a história a seguir:
Rodrigo namorava Manoela. No começo ela demonstrava os mesmos interesses que ele nas coisas que gostava. Manoela conversava com Rodrigo de tudo um pouco, inclusive dos seus conflitos familiares com pais e outros parentes próximos. Dizia que o pai era um tirano e a mãe uma pessoa insuportável que falava demais, reclamando de tudo sem parar. Aos poucos, Rodrigo foi se envolvendo com as histórias de Manoela e experimentando um tipo de sentimento de solidariedade, ao mesmo tempo em que chegava uma atração sexual intensa, misturada com a vontade de dar proteção. Florescia em Rodrigo uma grande paixão que o levava a acreditar cada vez mais que Manoela era uma pessoa injustiçada dentro do lar em que vivia. Rodrigo passou a levar Manoela em restaurantes interessantes para almoçar ou jantar, muitas vezes em companhia dos seus amigos com as respectivas namoradas. Nesse meio de socialização e convivência interativa com pessoas diferentes, Manoela chegava a se comportar bem, conversava e até provava comidas pitorescas que nunca houvera sentindo o sabor antes. Rodrigo se preocupava muito com o bem-estar e conforto de Manoela, tanto que - quando iam dormir juntinhos - ele fazia questão de esticar o lençol e até puxava os cobertores para que ela se acomodasse adequadamente. Rodrigo levava café na cama pela manhã e em outros momentos perguntava se ela queria que ele fizesse alguma coisa por ela. Rodrigo era um namorado dedicado e preocupado. Abria a porta do carro para Manoela entrar e na caminhada na rua a conduzia sempre pelo lado de dentro da calçada. Eles se aproximaram muito nessa convivência de cumplicidade. Manoela não estava acostumada com gentilezas masculinas, exatamente por isso ele se sentia um verdadeiro gentleman ao fazer tudo que ela nunca tinha recebido de outro. Um belo dia foi combinado um encontro romântico, eles iriam passar a noite de sábado num motel. Estava tudo certo quando na tarde daquele dia Rodrigo ligou avisando que não poderia encontrá-la, pois sua mãe, já idosa, estava com crises respiratórias fortes e talvez precisasse ser removida até o pronto-socorro. Manoela silenciou no telefone. Não disse sim e nem não. Ao final da conversa apenas desligou sem ao menos desejar que tudo corresse bem. Manoela sumiu por uns dias, passou quase uma semana evitando contato com Rodrigo. Não atendia telefone e nem respondia e-mails que ele, insistentemente, mandava durante todo esse período. Chegando no sábado seguinte Manoela reapareceu no WhatsApp, Rodrigo questionou o seu sumiço. Ela disse que não tinha visto as ligações e estava sem acesso de internet em casa e sem crédito no celular. Rodrigo gostando muito da moça, relevou. Durante a conversa ela nada perguntou sobre a saúde da mãe de Rodrigo. Ele notou que ela ainda parecia bem contrariada, mesmo assim, sem ter sido perguntado, ele contou que tudo tinha ficado bem, que a mãe estava recuperada e eles finalmente poderiam fazer o programa combinado. Ela secamente respondeu: “Eu queria que saíssemos naquele dia, mas você preferiu ficar com a sua mãe!”. Rodrigo ficou estarrecido com a frieza de Manoela, não era essa a pessoa que ele tinha conhecido. Eles não saíram naquele dia e nem nos dias seguintes. O tempo passou e voltaram ao namoro entre altos e baixos. No íntimo, todos nós procuramos acreditar no lado bom das pessoas e cremos em suas boas intenções. No entanto, tudo é muito subjetivo quando do confiar ou não confiar. Nada impede de cometemos erros de avaliação por um tipo de natureza generosa ou desconfiada. No entanto, é importante saber que ninguém é perfeito. Todos, uma hora ou outra, cometem falhas que, de um jeito ou outro, acabam decepcionando pessoas. Mas, isso nunca será sinônimo de ser filha-da-puta. Porque ser filha-da-puta é muito mais que apenas causar decepções a alguém. É um conceito de vida que algumas pessoas adotam, usando a seu favor a boa emoção que dispomos e lhes oferecemos com sinceridade, para no final, como se estivéssemos com uma arma apontando para a própria cabeça, concluirmos que não valeu a pena tanto esforço ao acreditar em quem é filha-da-puta por natureza.
Quando numa situação, por qualquer motivo ou razão, você sente a tal rejeição, podem haver duas possibilidades: ou você está muito ligada(o) nesse alguém que você gosta de paixão e admira pra c..., mas esse alguém não está nem aí com você; e essa rejeição lhe dá um mal estar danado - causando por um longo tempo um amargo na boca e uma tortura mental infinita - tanto, que até fica parecendo que não há mais solução para o caso e só o tempo poderá curar. Ou, então, por outro lado, mudando o ângulo de visão com o entendimento que a pessoa lhe quer sim, mas o que passou foi apenas um momento ruim e, obviamente, pensa até encontrar uma fórmula para que essa pessoa não a(o) rejeite mais. Com essa simples ação, agora você é alguém que tenta amadurecer enquanto ser humano para, enfim, entender melhor o que fazer com suas questões internas; essas mesmas que parecem incontroláveis e podem atrapalhar uma relação saudável com quem você gosta. Eu, sinceramente, espero que você esteja no segundo grupo, porque se você busca dentro de si uma solução para a situação de quem a(o) está rejeitando, aí sim, você poderá ter o seu valor reconhecido e, se essa pessoa gosta mesmo de você, ela virá atrás para nunca mais usar a estratégia de rejeitar por causa de bobagens ou de situações esdrúxulas que você ou ela criaram por não saberem lidar com diferenças. Eu sei que isso pode até parecer uma fórmula pronta muito simplória, mas com essas fórmulas prontas, que chegam do aprendizado de vida de cada um, o qual só se adquire durante décadas de vivência, é uma maneira de você não ser mais rejeitada(o) em sua vida. Sabe... É como ir desconstruindo e reconstruindo o seu conceito do que significa ser rejeitada(o). Na hora que você entender melhor isso nunca mais se deixará afetar por essas situações e nunca se colocará no papel inverso, o de incompreendida(o), para justificar uma ação sua de rejeitar alguém. E, com certeza, o seu modo agir e pensar será fundamental e muito importante, porque logo de saída a coisa funcionará se usar os recursos certos para não se deixar abalar e muito menos minar a confiança do outro em você, caso use dessas mesmas armas. Sabe por quê? Simples assim... A tal rejeição que você sente vindo do outro na verdade é um processo interno somente seu! E se acaso ele também sentir vindo de você, será só por conta dele. Então, não adianta querer mandar no desejo do outro, ou na vontade do outro, inventando artifícios para chamar atenção e fazer-se de vítima do amor, porque isso resultará, no final das contas, em muito pouca coisa ou em nada de lado a lado. Mas, quando você parar para pensar e se conscientizar que a sensação de rejeição nada mais é um fenômeno interno, os ponteiros vão se acertar. Sempre chegará a hora de parar e perguntar por que persiste o hábito horrível de transferência de culpa, em vez de olhar para dentro de si e tentar resolver antes de colocar tudo para fora em forma de agressão injusta ou indiferença. Eu não estou com isso querendo dizer que de fato o outro pode não ter culpa ao ter provocado uma situação limite, ou de simplesmente não lhe querer mais por ter acabado a admiração, o gostar, enfim.... E essa mesma situação podendo acontecer com você em relação a ele. Mas, sendo de um lado ou do outro, a pergunta é: por quê chegou a tal ponto? Chegou ao limite quando você passa a viver e sentir tudo como uma rejeição, já que só na sua cabeça a tal situação precisa ser vivida desta forma para justificar alguma estupidez ou falta de paciência, já que você não tem poder sobre o outro lhe querer, ou em deixar de lhe querer, seja pelo amor ou a falta dele. Essa sensação de impotência diante dos fatos incomoda pacas e dá um nervoso danado. Mas saiba que existe um filtro de como tudo isso entra em você. Na hora que souber lidar com esse filtro é que entenderá como ele faz bem e aí, sim, jamais tornará a sofrer da dor da rejeição e, de certa, também não fará alguém sofrer por seus atos. É certo que podemos até ter deixado de ser tão queridas(os) como antes, mas nunca rejeitadas(os), afinal, se o outro não quiser mesmo ceder, é por ter os motivos dele que nem sempre são claros para você. Pense nas vezes em que você não quis determinadas pessoas em sua vida, ou nas vezes que deixou de querer pessoas que até pareciam legais e muito amorosas com você. Nessas situações, muitas vezes, talvez nem teve nada a ver com outro, tinha, única e exclusivamente, a ver com você e o seu momento que não era bom consigo mesma(o). O fato é que o passar dos anos fez você mudar, o seu rosto mudou, o seu corpo mudou, os seus valores mudaram. Quem poderá dizer o por que você não ficou com uma pessoa ou por que foi uma escolha silenciosa dela não ficar mais com você? Acho em diversas situações ninguém tem essa resposta de forma convincente. Na verdade o que quer que seja pode ser tudo, menos manter-se indefinidamente na posição vitimista de rejeição para todos saberem e compartilharem e sentirem um pouco de dózinha de você. Então comece entendendo e aplicando, quando necessário, o seu conceito de altivez, esse mesmo, que a duras penas foi desenvolvido pela vida no interior da sua mente e do seu coração, para nunca mais se sentir desvalorizada(o) quando o outro não lhe quiser. Certo? Eita nóis... Olha aí a hora boa de você começar a repensar porque o seu valor sempre foi dado pelos outros e nunca por si mesma(o). Querer ou não, ser querida(o) ou não, tanto faz... Quando o outro diz: "Olha, vou desistir de você. Não tenho mais interesse. Você pensa muito diferente de mim. Não concordo com sua visão de mundo!". Se diante dessa situação você sente como se perdesse o chão e o seu valor, não se engane, o seu valor existe em si mesma(o).O outro não lhe querer não muda nada no seu valor, olha só que bela contradição temos aqui: Nem mesmo se o outro lhe quisesse faria de você alguém mais valiosa(o). É preciso aprender que o seu sentimento não é capaz de criar sentimento no outro, não é porque você deseja alguém que a pessoa vai lhe desejar automaticamente. Geralmente temos a fantasia que se eu amo eu vou ser amado. Mas se eu não for amado como imagino é porque estou sendo rejeitado. Isso me afeta? Será verdade mesmo que algo muda em mim? Será que você sempre quis, com a mesma intensidade de sentimento, o tempo todo, todas as pessoas que fizeram parte da sua vida amorosa no decorrer dos anos? Creio que seja óbvio que não. Pois, algumas pessoas podem querer outras por determinado tempo e esse tempo chega uma hora que se esgota, outras pessoas nem o mínimo de tempo têm ao lado de alguém. E isso não precisa ser um problema, nem precisa ser encarado como rejeição. Tudo faz parte da vida e de suas escolhas feitas dentro daquele momento de conveniência, do gostar, de sentir confiança e atração. Lendo tudo isso você poderá dizer: "Ah tá... Mas aqui no seu blog tem um texto recente que diz como se portar em encontros para passar boa impressão e não ser rejeitado e assim seduzir as pessoas". Acontece que os argumentos que eu coloco naquele texto só farão sentido e serão efetivos se o outro estiver na mesma vibe que você. O que estou tentando dizer aqui é que temos que fugir dessas pequenas armadilhas que criamos para nós mesmos.... Essa coisa de: "Me dê logo a resposta, porque eu tô sentindo muita dor. Aquela pessoa não me quer e me rejeitou. Não aguento isso, quero transformar a situação, quero desfazer o mal-feito. Preciso da fórmula para voltar tudo como era antes!". Saiba que somos absolutamente donos de tudo que pensamos e sentimos. Porque tudo o que se sente é uma interpretação interna do mundo externo, é tudo aquilo que o mundo nos envia e temos que filtrar. Caberá a você decidir se deixa ou não entrar, e assim encontrar as respostas para suas necessidades e frustrações imediatas. É preciso entender logo, antes que o seu tempo esgote, quem é você, quais são suas necessidades emocionais e capacidade de dar e receber amor e qual é a profundidade da sua essência amorosa. E, prioritariamente, quais são os seus valores e objetivos na vida perante a circunstância de ter alguém para compartilhar tudo o que vier. Ou será que, na realidade, você prefere não se modernizar, se adequar e crescer enquanto uma potência amorosa? É isso mesmo?... Então... Se a sua visão for de acreditar que tudo deve andar para frente, nunca mais permita que a realidade e atos dos outros entrem em você como uma rejeição, e nem rejeite alguém apenas por rejeitar, porque, aqueles fatos chatos que aconteceram, aquele desentendimento, aquela rusga, aquele tom agressivo cheio de insuportáveis contrariedades, poderão ser administrados e corrigidos simplesmente como um desencontro, um mero conflito momentâneo de personalidade que passa logo. E dessa forma a vida sempre segue. Uma hora alguém desencontra de você e outra hora você desencontra desse alguém. E nesse desencontro de ambos é o momento que se encontram mais ainda. E é por essas coisas que eu sempre digo: "Por esse novo olhar que chega de dentro para fora, ao receber o que é oferecido, faço dessa minha nova realidade a capacidade de ter o direito de jamais sentir rejeição ou rejeitar, já que o outro me entrega o que quiser entregar e eu recebo como quiser receber, e vice-versa. Pois, mesmo diante dessa circunstância aparentemente incontrolável de um momento ruim, vivo feliz. Assim vou tentando cada vez mais amadurecer como um ser humano melhor, tanto para mim e para os outros e, essencialmente, como sendo o único dono de mim mesmo.
Se você gosta e valoriza esse tipo de trabalho poderá contribuir com qualquer quantia via Pix.
Essa é uma forma de incentivar o escritor a dedicar tempo e horas de trabalho na produção de novos textos. Agradeço a todos que leram, incluindo os que possam ou não contribuir com esse humilde servo da escrita. Novamente muito obrigado a você por ter chegado até aqui e não esqueça de deixar seu comentário. É muito importante o seu relato a respeito desse texto.
Foi numa quinta-feira, no inverno, fim de tarde de um dia de trabalho estressante, estava eu, confortavelmente sentado em minha poltrona preferida, que fora estrategicamente colocada entre duas caixas de som - para o efeito estéreo pudesse ser perfeitamente apreciado. Cuidadosamente, manuseava de um lado a outro a capa - e mais o encarte - do Lp do Led Zeppelin, o Led 4, enquanto ouvia “Going to Califórnia”. Teimosamente, mais uma vez, para desvendar o significado dos quatro símbolos místicos – há décadas tento entender se os símbolos pertencem ao ocultismo e à magia ou astrologia egípcia e cultura celta – nunca consegui encontrar resposta que me convencesse.
No momento mais profundo da minha atenção, mergulhado em pensamentos e em "viagens" através da linda sonoridade acústica, a luz do celular avisa que chegou mensagem. Eu me aborreço um pouco, pois não gosto de ter o clima interrompido quando escrevo, ou em "viagens" imaginárias pelos mistérios do pensamento. "Viagens" que sempre me levam de volta aos anos 70.
Na mensagem duas perguntas: - Tá ocupado? Pode falar agora?
Imediatamente saio da poltrona, abaixo o volume do aparelho de som vintage – que é cuidado como joia rara - retiro cuidadosamente o braço do toca-discos de cima do vinil, e vou responder a mensagem, dando continuidade ao assunto que parece sério.
- Oi, meu amor, linda gata manhosa. Conte tudo.
- Vamos viajar nesse fds?
- Viajar?
- Sim! Tem uma pousada legal para irmos amanhã.
- Como assim? Mas, já?
- É.
- Para onde?
- Surpresa. Diga primeiro se aceita. Em caso positivo, faça sua mala e venha me pegar às 17h. Quando chegar aqui direi qual o destino. kkkkkk
- Explique as coisas direito.
- Já expliquei. Aceita ou não?
- Não acredito numa coisa dessas! - Está bem, gata, eu vou, às 17h e buzino no seu portão. Esteja pronta!
A viagem:
- Gatona, olha que céu lindo! Adoro quando o azul vai ficando mais clarinho no horizonte. E aqueles filetes de nuvem coloridos nas pontas, então? O céu claro no inverno sempre é mais bonito, você não acha?
- É bonito mesmo – sussurrou ela, de olhos meio fechados.
Tudo parecia estar acontecendo rápido demais. E a jornada naquela rodovia estava apenas em seus primeiro quilômetros.
- Tá bom, tá bom, já entendi. Você quer que eu fique em silêncio para não atrapalhar seus pensamentos e a admiração do céu. Mas é legal a gente ir conversando um pouco. Saber mais um do outro, já que nosso namoro tem pouquinho tempo – tentei estimular o diálogo que parecia difícil diante de tanta beleza da natureza sendo exposta gratuitamente ao nosso testemunho, como se fosse a imagem de um quadro que só se vê em exposições.
Ela abriu um pouco mais os olhos e eles iam de um lado para o outro, como se quisesse absorver pela retina todas as imagens. Estiquei o braço e fiz um carinho em seu queixo descendo o dedo indicador pelo pescoço.
- Um fato que ainda não conhece é que também sou bonito e muito carinhoso, brinquei e ela riu ficando mais solta.
Ela hesitou um momento e moveu a mão para colocar sobre a minha perna, e disse em tom mais sério:
- Já se passaram algumas semanas desde que nos conhecemos de verdade, pessoalmente, sabe? Depois que saímos a primeira vez a gente se viu pouco. Quero saber o que fez de bom nesse meio-tempo. Muitas paqueras? Você é um homem atraente que chama a atenção da mulherada. Deve ter muito trabalho respondendo mensagens no Whatsapp de pretendentes.
- Espere um minuto, deixe-me pensar – murmurei - Hum... O que fiz de melhor foi pensar em você. Fiquei imaginando como seriam bons os nossos momentos quando você sugeriu a viagem para a pousada.
- Só pensou e não fez mais nada?
- Sim. Fiz minha mala e estava ansioso por isso.
- Tá bom... Eu também estava. Eu precisava sair um pouco de casa.
- Eu senti saudades. Acho que estou gostando de você. – interrompi a mim mesmo para chamar a atenção para coisas que só se vê uma vez - Nossa! Olha só... Veja como a estrada fica bonita com a sombra das árvores no asfalto... Adoro dirigir no fim de tarde com o Sol se pondo. Isso dá uma sensação de liberdade maravilhosa. Nada se compara a esse visual que nunca se repete e fica guardado na mente da gente para sempre. Não é mesmo?
Ela endireitou-se no banco e não respondeu; apenas me encarou por um instante esperando o próximo comentário.
- Então... Diga uma coisa – tentei perguntar.
- Sim.
- Como soube dessa pousada?
Suas bochechas coraram e ela me olhou de um jeito como se, de repente, eu achasse que seu QI tivesse caído pela metade. E arrematou suavizando a voz:
- Uma amiga me indicou, já faz um tempo. Ela passou um final de semana lá com o namorado.
- Entendi. Você fez a reserva no meu nome ou no seu?
- No meu, é claro! Você falou, mas nem lembro o seu nome completo.
Ela ainda não me conhecia direito e dava sinal que estava achando o assunto extremamente chato.
- Avisou em casa que iria passar o fim de semana comigo? Um cara praticamente estranho...
- Falei mais ou menos. Não costumo dar muita satisfação. Assim evito perguntas que me cansam.
- Como assim?
- Eu não fico explicando as coisas lá em casa. Quanto mais detalhes eu dou, mais querem saber. Então só comunico quando estou de saída.
- Ninguém se importa? Nem questionam?
- Nem dou ouvidos. A minha mãe tem a mania de repetir a mesma coisa várias vezes como se ainda não tivesse falado.
Era estranho. A única coisa que poderia deixar duas pessoas instantaneamente mais distantes parecia, na realidade, deixar mais próximas com o crescimento da cumplicidade e das revelações que iam surgindo..
O Sol estava se pondo e o vento frio da noite começava soprar com mais intensidade conforme íamos chegando perto do trecho em que a rodovia ia ficando deserta. Os últimos raios de luz insistiam em dançar em meio às finas camadas de nuvem no horizonte, tingindo todo o céu de tom alaranjado e vermelho claro. A estrada parecia mais calma à nossa frente, nos seduzindo a traçar com mais ansiedade o caminho que nos levaria ao céu.
Era embaraçosa a situação de querer saber mais um do outro – mais eu dela do que ela de mim. Talvez suas respostas parecessem bem ensaiadas, o que, por enquanto, fazia o entendimento mais amplo ficar fora do meu alcance – para minha total frustração.
Ela não parecia querer culpar ninguém diretamente, exceto a si mesma, por suas atitudes de se preocupar demais com os outros. Porque a única coisa verdadeira que carregava dentro de si era o seu passado.
Lá estava eu de novo para mais um item da longa lista de coisas que eu achava não apenas necessário saber, mas que merecia saber, e ela não pensava ser necessário contar.
Ela não demonstrava estar com frio nem com medo. Agora se sentia livre do tédio do seu lar. Estava livre, livre de todas as dores que já sentira no passado. Livre dos olhos que a seguiam e condenavam a todo instante.
- Adoro momentos como este – disse eu -, faz a vida da gente realmente valer alguma coisa.
- Oi? – sussurrou ela.
- Eu disse que acho esses momentos maravilhosos.
- Ah tá. Eu também gosto disso.
- Desculpa perguntar, mas você se dá bem com sua mãe?
- Que pergunta é essa?
- Ué... O que tem perguntar?
- Não tem nada. A gente se dá bem, sim. Ela é bem sistemática e teimosa – o que me irrita bastante. Tem alguns probleminhas de saúde, mas, infelizmente, não aceita minha orientação para melhorar. Já elaborei um cardápio para que faça alimentação bem equilibrada. Deixei na mão dela, mas ela não deu muita importância. Ela se faz de tonta por não querer saber que a alimentação equilibrada é tudo o que ela precisa para ter boa saúde, mas não adianta ficar toda hora falando. Ela não me ouve e nem segue orientações do médico. Todos na minha família são teimosos. Quando eu era mais jovem avisei que cigarro matava e bebida comia o fígado. Mas, que o vinho, que por sinal eu adoro, podia ser tomado sem exageros. Fiquei cansada de repetir as mesmas coisas por anos a fio. Minha família nunca colaborou, eles achavam que era implicância, só pensavam em si mesmos e em suas opiniões por se julgarem com mais experiência de vida. Velhos antes do tempo, isso sim!
- Nossa! Sério? O que sua mãe tem?
- Ela está com palpitações de vez em quando, pressão arterial alterada e probleminhas de estomago. Eu já conversei, expliquei tudo direitinho, falei sobre a alimentação e exercícios físicos. Ela precisa caminhar mais, parar com essa mania de ficar sentada na cama ou no sofá assistindo TV.
- Sua família tem tendência à alguma doença? Você parece muito saudável.
- Não tem. É relaxo mesmo. Avisei que tem que tomar cuidado – isso causa prejuízos irrecuperáveis à saúde; ela nunca me ouviu e menos ainda agora que está mais velha. Diz sempre para eu me meter com a minha vida. Vou dizer... Larguei mão de ficar me preocupando com os outros. Agora vou viver do meu jeito.
- Você parece chateada.
- Não é pra menos. Um dia desses coloquei um cartaz sugestivo e muito bem humorado na porta da geladeira. Era com informações básicas de alguns alimentos:
Aviso:
Não desgaste demais os seus neurônios pensando no que comer fora de hora.
Não culpe outra pessoa quando não tiver seu prato preferido no almoço ou jantar.
Que tal usar a tática do “faça você mesmo” e mudar um pouco a sua alimentação?
Tenha paz na mente na hora de fazer a comida. Não faça nada após uma briga ou atrito com alguém. Espere algum tempo até a mente se acalmar.
Lembre-se que o alimento que você ingere se transforma de acordo com o seu temperamento. A sua acidez de pensamentos e emoções influenciam o bom aproveitamento das substâncias que servem para manter a boa saúde. Muita calma nessa hora.
Quando você se atrai por um determinado tipo de alimento existe um grande significado por trás da sua personalidade. Pense antes de comer.
Semelhante atrai semelhante.
Quem gosta de comida gordurosa é pessoa vingativa. Menos gordura, por favor.
Quem gosta muito de mel tem sentimentos nobres e tem o dom da caridade – troque o açúcar pelo mel.
Quem gosta muito de feijão é uma pessoa agressiva – coma o suficiente.
Quem gosta muito de arroz trabalha pela paz – coma o quanto quiser.
Quem gosta de batata em toda refeição é pessoa avoadinha que se perde nas ideias, e vive nas nuvens – mantenha os pés no chão.
Idem para quem gosta muito de chocolate – controle a ansiedade e o humor.
Muito sal e muita pimenta também fazem mal – quem gosta de muita pimenta é “pimentinha” na vida.
Muito doce e chocolate é típico de gente carente – você tem uma vida sem prazeres e precisa de serotonina para não ficar amoadinha num canto?
Sempre muita atenção aos alimentos e ao preparo.
- Você fez isso mesmo? Não acredito!
- Fiz! O cartaz ficou lá por uma semana, depois minha mãe jogou no lixo.
- Ela não vai ao médico para ver esses probleminhas?
- Ela vai, sim. O médico fala umas coisas sérias pra ela e passa receita.
- Ela tem mãe viva?
- Não tem. Morreu há anos. A minha avó morava perto da gente. Ela estava muito doente, eu ia até lá de vez em quando conversar, fazer companhia.
- Você sempre foi bem ligada à família. Legal isso.
- Eu sou.
- Você tem irmãs?
- Quanta pergunta hein? Isso parece um interrogatório. Acho melhor me contar alguma coisa de você. Você quer saber muito de mim, mas não revela nada da sua vida.
- Desculpa. É que precisamos conversar qualquer coisa. Ok então, falarei de mim: a minha vida é comum. Sigo rotina de trabalho e deveres do lar, nada muito especial. Sou sossegado, não curto a noite e nem saio para baladas. Vivo praticamente de casa para o trabalho e vice-versa. Raramente faço algo diferente num fim de semana. Mas agora que conheci você, parece que tudo vai ser mais legal. Uma pergunta, para não fugir do assunto: alguém em sua casa é chocólatra? Estou perguntando por causa do aviso na geladeira. Despertou minha curiosidade a parte do chocolate.
- Eu adoro chocolate.
- Então quer dizer que não dispensa um chocolate?
- Bem mais que isso. Eu escondo as barras de chocolate nas gavetas para minha mãe não me criticar. Certa vez, ela estava fazendo aulas de natação para a terceira idade, e ia comendo chocolate no percurso de casa até lá. Eu avisei que não podia. Que poderia ter hipoglicemia. Que não se deve comer chocolate antes ou durante atividade física. Ela não me ouvia, só pra variar é comum ninguém me ouvir. Por isso eu escondo. Se ela descobrir dirá: "Eu não posso, mas você pode, né, mocinha?".
- E antes de transar pode comer chocolate? – joguei a piada dando risadinhas no final.
- Também não pode! – respondeu secamente.
- Xi... Então fiz sempre tudo errado – tentando a todo custo arrancar um sorriso para tentar sair do clima pesado de histórias dos conflitos filha e mãe.
- Minha mãe é quase uma filha para mim, com o passar dos anos a coisa se inverte na relação. A gente é muito amiga, muito próxima. Já fizemos várias coisas junto. Eu me dou bem com ela, basta não pegar no meu pé ou ficar repetindo as histórias que já sei de cor e salteado. Ela sofreu demais na juventude. Achava que o pai não gostava dela como dos outros irmãos.
- Entendo... É bem complicada esse tipo de rivalidade. Olha só... Estamos quase chegando à divisa de municípios. Colocou direitinho no GPS o caminho da entrada da cidade até a pousada?
- Está tudo programado. O dono da pousada me disse que se nos perdêssemos era só ligar que ele viria ao nosso encontro.
- Beleza, então. Estamos quase lá, faltam poucos quilômetros. Falando em comida, de repente me deu fome. Tem algum chocolate aí na bolsa? Continua na próxima postagem....
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Por favor, deixe um comentário, pois essa ação fortalece o blog nos mecanismos de busca do Google. Isso fará com esse texto chegue para mais pessoas, algumas que talvez precisem dessas palavras.
Se você gosta e valoriza esse tipo de trabalho poderá contribuir com qualquer quantia via Pix.
Essa é também uma forma de incentivar o escritor a dedicar tempo e horas trabalho na produção de novos textos. Agradeço a todos que lêem, incluindo os possam ou não contribuir com esse humilde servo da escrita. Novamente muito obrigado por ter chegado até aqui.
Acho que foi num shopping
Center no centro de São Paulo que nos conhecemos. Eu pedi um café expresso, ela
um capuchino – ou talvez ninguém tenha pedido nada e ficamos apenas conversando.
De qualquer forma prefiro dizer que pedimos cafés e escolhemos uma mesa perto
da janela. Logo fomos servidos e trocamos algumas palavras sorrindo – aquele
tipo de sorriso misturado com insegurança e timidez.
Na verdade, talvez, nós poderíamos ter nos conhecido numa fila de banco - na qual a espera e a falta de paciência levam muitas pessoas a conversar. Ou em alguma dessas festas estranhas na serra da Cantareira pertinho da
casa dela. Ou, ainda, quem sabe, lugares semelhantes, onde servem porções de fritas e
contra filé em fatias - um tipo de ambiente com meia luz, próprio para namorados. Pensando melhor... Talvez fosse legal num bar escuro e enfumaçado onde tocasse jazz com saxofone ou heavy metal com guitarras estridentes. É... Talvez... Poderia ser em qualquer
local onde iríamos curtir juntos pela primeira vez “November Rain do Guns & Roses”, e essa canção se tornaria a nossa trilha sonora predileta – (Poxa vida, nem gosto
tanto do Guns, mas pode ser essa mesmo! Fazer o quê?).
Não importa. A verdade é que não me
lembro direito como aconteceu, porque agora parece nao ter tanta importância.
O que me lembro é que nunca viajamos em
férias para Argentina ou Chile e nem passamos o final de ano num Cruzeiro pelo
litoral brasileiro. Não tiramos fotos um do outro, - foram pouquíssimas juntos - e
muito menos escrevemos declarações num tronco de árvore, tipo, “Eu te amo”.
Eu acabei odiado pela família dela e ela nem conheceu o meu
cachorro, que, tenho certeza, faria festa toda vez que ela me visitasse, por que, afinal, ela gosta de cachorro e leva o dela para passear pela vizinhança numa rua de ladeira - a cadela usando uma linda tiarinha na cabeça e roupinha de cachorro sob medida feita pela mãe dela.
Nunca assistimos os clássicos de Hollywood; apenas aqueles desenhos e
filmes antigos que dão sono depois de meia hora. Por isso nunca paramos para discutir
sobre o teor de qualquer daqueles filmes chatos. Justamente por não haver o que discutir
de tão ruim que eram e, por outro, porque ela não parava de falar de como é maçante ouvir sempre a mesma ladainha em casa.
Ela
fez uma única vez fondue de queijo com pão italiano, foi lá no Guarujá e, eu, nem
sabia escolher o vinho que combinasse com aquilo, – sempre fui totalmente
ignorante no conhecimento de vinhos – mas, para minha salvação, ela trouxe a garrafa certa para a ocasião.
Nunca passamos a noite entrelaçados e aconchegados – dormíamos um virado de costas para outro, quase caindo da cama. Nem
observávamos um ao outro enquanto dormíamos para sentir se aquilo poderia
proporcionar algum prazer ou admiração furtuíta. Acho que poderíamos ter dormido de conchinha ao menos uma vez. (Que coisa mais insensível não ter sido assim, não é mesmo?).
Talvez a relação não tenha sido como
deveria, pois, com o passar do tempo, não permitimos, por nossos bloqueios e preconceitos, que isso acontecesse. Não
nos envolvemos o suficiente e, lá no fundo, acreditávamos que não éramos as “pessoas
certas” um para o outro. Nem sequer nos conhecemos direito, pois escolhemos o
pragmatismo para não perder tempo com quem pudesse ser indiferente ou excessivamente apegado.
Em alguns momentos preferimos a simples
troca de ofensas ao invés da troca de carinho. Foram muitas e muitas noites com cara
emburrada e mal dormidas quando deveriam ter sido de amor, sexo e melhor vividas.
A despedida aconteceu fora de tempo para ambos. Havia à espera uma nova
vida totalmente independente. Nem pensamos que poderíamos ter aproveitado mais um final de
semana, mais um mês, mais um ano...
Deixamos tudo passar, esquecemos se algo foi
bom...
Agora nos mantemos distantes e solitários imaginando
encontrar alguém com quem ouvir “November Rain” - (Não poderia ser outra
música? Acho essa muito comprida e dramática.)Ou, quem sabe, passar alguns
dias na cordilheira dos Andes e, depois de pisar nas águas geladas do oceano
Pacifico, voltar para casa com um enorme sorriso no rosto e muita história para
contar.
Ela nunca percebeu que já tinha
encontrado esse alguém e a oportunidade passou.Mas, de uma coisa eu me lembro bem, de um
lance marcante que aconteceu em
São Pedro. Foi numa manhã de sábado no começo de Julho. Lá íamos nós passeando devagarinho de mãos dadas enquanto admiramos as árvores da praça principal, logo entramos
numa sorveteria por quilo chamada Oasis, pertinho da Igreja Matriz. Eu escolhi bolas de
sorvete sabor pistache e morango, e ela foi de creme e chocolate. Atravessamos
a rua e nos sentamos em um dos bancos antigos de madeira, que era bem desconfortável, com ripas brancas (já com a tinta descascando). Olhamos um para o outro, trocamos e
destrocamos os potinhos algumas vezes e, sem trocar uma só palavra, nos comunicamos através de olhares e gestos que determinaram cada atitude. Talvez tenha
aparecido uma ou outra frase solta meio assim: “Eu dizia: adorei esse de
pistache! E ela retrucava: não gosto muito de pistache”). Mas de resto era o
silêncio e apenas aquele olhar. Não houve reclamações, nem reprimendas,
tampouco exaltação; nada com duplo sentido ou má interpretação. Era apenas o
sorvete nos unindo de uma forma que até então nos era desconhecida.
A derradeira cumplicidade
aconteceu num raro instante: um beijo gelado, tipo selinho, bem descontraído e sem pretensão. Agora eu percebo que o começo do fim aconteceu em São Pedro, logo após aquele último selinho embalado por um gole de sorvete. Quando o sonho de ambos se foi para sempre.
Por favor, deixe um comentário, pois essa ação fortalece o blog nos mecanismos de busca do Google. Isso fará com esse texto chegue para mais pessoas, algumas que talvez estejam precisando dessas palavras.
Se você gosta e valoriza esse tipo de trabalho poderá contribuir com qualquer quantia via Pix.
Essa é uma forma de incentivar o escritor a dedicar tempo e horas de trabalho na produção de novos textos. Agradeço a todos que lêem, incluindo os que possam ou não contribuir com esse humilde servo da escrita. Novamente muito obrigado por ter chegado até aqui.
Estou cá com meus botões imaginando como a vida é estranha. O quanto somos injustos e indiferentes com os outros, e a nós mesmos, com nossas reações diante das facilidades da modernidade. Fiquei horas pensando que a principal e mais antiga forma de expressão é a palavra através da fala. E que em seguida vem o contato físico, o olho no olho, o toque, o aperto de mãos, o abraço, o beijo... Essas são relações de afeto que cumprem uma função muito importante para o convívio do ser humano e seu bem-estar. Sendo uma forma original e verdadeira, pois, na palavra escrita, muitas vezes nos cobrimos de máscaras e dissimulações e nos tornamos personagens. Infelizmente por mais sinceros que sejamos sempre caímos no mesmo erro de esconder os sentimentos - talvez seja uma das piores fraquezas do ser humano. Essa ação afeta a todos os tipos de personalidade, desde apaixonados a covardes; dos sem senso de iniciativa aos traumatizados. E no final todos esses indivíduos acabam relegados a um quarto, isolados do mundo, vivendo uma vida de farsa e fantasia na internet. Ás vezes eu não entendo a razão de tanto isolamento e menos ainda as mudanças no que se habituou chamar de estilo moderno de vida. Não compreendo a escolha de algumas pessoas que vivem trancafiadas, se achando seguras no próprio mundinho, já que minha tendência é de vivência coletiva, não de dividir mas de ajuntar, colaborar e confraternizar. Acho tão saudável a socialização real! Na vida virtual, na qual dispomos muito do nosso tempo, parece-me praticamente impossível tratar assuntos sérios e falar dos prazeres ou dos hábitos do dia a dia com alguma verdade - já que o que vemos são lindas fotos de passeios caros ou banquetes de reis em cima da mesa. Essa vida virtual parece inconstante, frágil e relegada sempre a uma realidade oposta ao “EU’ real. Esse isolamento passa a impressão de uma imposição social e de costumes, uma necessidade de se mostrar bonito, importante e realizado; fatos de causar imediata inveja e vontades. Inclusive naquelas fotos da família, reunida em confraternização, dando a falsa impressão de que não existe um escudo para as dificuldades do mundo aos filhos ou entes queridos porta afora. É lógico que é muito mais fácil teclar com alguém do que falar diretamente com a pessoa, demonstrando o que sente por ela ao vivo e a cores. Também porque ao teclar raramente você demonstrará sua emoção verdadeira ou o que diria frente a frente, ainda que desfile desaforos ou faça elogios à beleza ou à personalidade desse alguém. Para quem é mãe, mesmo tendo a maior parte do seu tempo preenchido com correrias e responsabilidades de todo o tipo, ainda é muito mais conveniente manter os filhos com a babá virtual do que correr atrás deles na rua ou passar mercúrio nos machucados dos joelhos e cotovelos. As crianças hoje não empinam pipas, nem jogam bolinha de gude, nem colecionam Barbie, elas praticam e são experts em jogos virtuais. Desde muito cedo desenvolvem a mentalidade de que cada pessoa deve estar focada em seus interesses particulares e prazeres imediatos, nunca em preocupações comuns de um grupo, o qual proporcione interação ao modo antigo. Triste egoísmo e individualidade! Câncer(es) da sociedade. É uma pena que a internet favoreça tanto esse aspecto da individualidade em contraste com a cumplicidade e participação pessoal. Houve um tempo em que vivi, no qual poderia ir à casa de alguém e nem era necessário avisar, muito menos marcar hora, ia chegando e sendo muito bem recebido com um sorriso e um convite espontâneo: “Entra, senta, fique à vontade. Quer uma água ou suco?”. Hoje tudo tem que ser marcado, tem que consultar o outro antes, confirmar se não tem compromisso, tem que ver a previsão do tempo, - se for mulher, namorada ou amiga - tem que saber com antecedência os dias da TPM, o que evita levar uma porta na cara ou algum ato de hostilidade do tipo: “Quem é você? Não lembro de ter feito convite para vir aqui!” Radicalizações à parte. Tem gente que é mesmo muito mal educada no trato com quem diz gostar, mas isso é assunto para outro post, rsrsrsrs. Cabe aqui uma pergunta: Nós mudamos ou o mundo mudou? A educação, a cultura, a evolução dos meios tecnológicos e de informação instantânea mudaram as pessoas e seus interesses? Talvez eu não tenha uma boa resposta para parte do enigma. Observando melhor parece que esse excesso de informações e tecnologia colocou todos em um confinamento eterno, como bonecos em uma cadeira giratória criando pneuzinhos na cintura que são provocados pela auto-escravidão virtual. Aí sim, posso acreditar que um pouco de tudo isso contribui para a falta de atitude e socialização. E assim vamos ficando cada vez mais trancafiados em nosso mundinho, vendo a vida passar pela tela do Smartphone, notebook ou PC. E o pior que ainda achamos que vivemos uma vida segura e de qualidade. Tem gente por ai que nem se lembra do quanto é gostoso sentir os raios do sol na pele num passeio no parque, ou então que as flores aparecem na primavera e são lindas de se ver e tocar. Reconheço que também tenho alguns desses maus hábitos, estou procurando mudar e a vida só muda quando você muda. Estou tentando o máximo para que isso aconteça.O pior é que quando a “ficha cai” vem o pensamento:" Será que vale a pena mudar agora? Talvez seja tarde demais após 10 quilos de gordura em excesso e 10 anos a menos para viver". Com esse pensamento reconheço que a idade reforça algumas manias e alguns medos, tornando-as mais evidentes. Hoje minha tendência ao isolamento ficou mais clara, às vezes tenho a impressão que sou alguém rodeado por tranqueiras e tralhas obsoletas, e nunca por amigos. O que tenho de mais moderno e boa companhia são o celular e o notebook. No celular converso no Whatsapp e ouço música, ambas atividades solitárias. Observo o mesmo em outras pessoas quando estou em transportes públicos ou nas ruas. Pessoas solitárias com o fone de ouvido conectados em seus celulares, vão se isolando cada vez mais. Não existe mais paquera. Como paquerar alguém com fone de ouvido? Não existe mais pedido de informação. É quase uma ofensa pedir à pessoa que retire uma "perninha" do fone para você perguntar o nome de uma rua, já que você dispõe em seu dispositivo de Google Maps e Waze. É mesmo um fato melancólico se nos lembrarmos que poucos anos atrás as pessoas se juntavam para andar em grupos, conversar as novidades da vida de cada um, ir ao cinema da praça ou até mesmo para ouvir um disco. O que acontece hoje é sinal dos tempos. Tempo em que você pega tudo na internet, busca arquivos e baixa. Tem mp3, mp4 e o raio que o parta. Nunca se sabe a origem, se veio do seu vizinho ou de alguém lá no Japão. Você entra na grande teia, repassa arquivos, fotos, músicas e também nem imagina que caminhos aquilo fará até chegar ao destino, talvez até passe em Marte e volte à terra sem que você saiba. E a vida sem interação física continua. Eu vi num filme tosco dos anos 50 que até os marcianos andam juntos. Imagino que esteja pensando que parece incoerente que eu fique aqui criticando a isolação que o mundo virtual provoca nas pessoas, porque é também a minha ferramenta. Claro! Em parte você tem razão. Graças a ela conheci gente que jamais conheceria de outra maneira. Mas não posso deixar de ressaltar que atribuo grande parte de todo esse conflito ao que isso fez com as pessoas, tudo muito programado e óbvio, pessoas quase robotizadas e escravizadas pela máquina. Claramente existem outros fatores, como a vida profissional e demais conflitos da vida de cada um, mas, em minha opinião é essa preguiça por tudo na mão, por tudo mastigadinho, desde uma fórmula química complicada, até a imagem do cosmo com apenas um click na telinha, o que torna as pessoas pouco esforçadas em aprender a se relacionar eliminando a indiferença ao outro que pode estar tão perto fisicamente. Vejo algo bom nessa vida virtual, cultivo amizades e desenvolvo conhecimentos, estou conectado com o mundo e com o universo através de ondas eletromagnéticas que se espalham pelo céu. Vendo por este ângulo jamais ficarei solitário, já que em algum momento alguém em Marte poderá receber alguma mensagem minha. Tenho quase certeza, esse alguém virá até mim para um bom papo sobre como é a vida fora do mundo ao qual pertenço.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Por favor, deixe um comentário, pois essa ação fortalece o blog nos mecanismos de busca do Google. Isso fará com esse texto chegue para mais pessoas, algumas que talvez precisem dessas palavras.
Se você gosta e valoriza esse tipo de trabalho poderá contribuir com qualquer quantia via Pix.
Essa é também uma forma de incentivar o escritor a dedicar tempo e horas trabalho na produção de novos textos. Agradeço a todos que lêem, incluindo os possam ou não contribuir com esse humilde servo da escrita. Novamente muito obrigado por ter chegado até aqui.