domingo, 30 de julho de 2017

A Escolha

         Se eu começar a pensar a fundo sobre tudo o que acontece com as pessoas que eu conheço, eu fico mal. Porque vejo determinadas pessoas fazendo escolhas que não acho interessantes, e nada posso fazer quanto a isso. Tenho a consciência de não ter o direito de intromissão e muito menos o poder de imposição. Pois, cada um faz as escolhas ao seu próprio jeito e de acordo com o processo de vida que leva.
       Então, diante disso, resolvi fazer uma escolha e falar um pouco de você nesse post.
       Eu imagino que alegria, paz e confiança no futuro não precisam de motivo para existir dentro da cabeça de cada um. A alegria é a força que sustenta a energia boa que damos e recebemos. Acho que essa é uma ideia que todos concordam, não é mesmo? Então... Entenda isso: se você não se dá força, quem vai dar? Você tem que dizer a si mesma: “Vá em frente! Fique no positivo e acredite na vida!”
      Quanto mais confiar em si e em seus propósitos, maior a chance do bem prevalecer em sua vida. Afinal de contas, imagino que você seja uma pessoa de fé e confia na força do universo; inclusive através de tudo que pratica para o lado do bem, não é mesmo? No entanto, você sabe que antes de tudo é necessário ter atitude para que as coisas aconteçam.
      Você sabe que precisa em primeiro lugar promover o seu bem-estar. Não estou dizendo que deva ser pedante, egoísta ou se sentir melhor que os outros. Não é isso. Estar em primeiro lugar significa estar em primeiro lugar consigo mesma e não ficar absorvendo os problemas dos outros.
        Eu sei que você tem uma sensibilidade maior para sentir a dor daqueles que pedem a sua atenção, e procura ajudar. E ao mesmo tempo consegue notar as bobagens que essas pessoas fazem ou já fizeram na vida. Você enxerga que algo não vai acabar bem, mas sabe que não adianta falar e repetir a mesma velha ladainha.
        Então... A sua vontade de participar é imensa, mas reconhece que se falar fica pior e a pessoa vai acabar ficando de cara virada com você. É capaz de dizer que não é da sua conta e é melhor não se meter.
         Você não percebe que se for ficar insistindo em ajudar vai acabar captando para si aquela energia negativa? É bem provável que a carga de energia venha para cima de você e, depois, é você que vai ficar numa pior por causa daquele problema.
        Já observou como certas pessoas que podem viver numa boa vão atrás de confusão sem necessidade? Tem gente que não tem problema nenhum, mas fica toda preocupada com o problema dos outros. Quer pegar para si a solução de um problema que não lhe cabe. E, ao mesmo tempo, não entende que a melhor maneira de lidar com a situação é manter-se um pouco distante - não criando expectativas e nem dependência naquela pessoa. Demora a perceber que o ideal é transmitir uma luz, um carinho ou uma oração para que a pessoa fique na paz vivendo o momento dela.
       Sabe... É duro dizer isso, mas, nem mesmo com familiares podemos interferir, pois, a pessoa está no aprendizado de vida dela e isso tem que ser respeitado. Não é bom tirar de uma pessoa a experiência que só ela tem que ter, e achar com isso que está fazendo o bem. Ela está no momento dela, no processo de vida dela e conforme ela reagir, terá ou não benefícios na vida.
      Você sabia que, quando você faz por uma pessoa algo que ela mesma deveria ter feito, você acaba fazendo mal a ela? Porque aquela experiência que você evitou ia trazer um conhecimento sobre as coisas - ela ia ganhar algo e ia para frente e você impediu isso, você rompeu um ciclo importante daquela vida.
      Pois é... Um tipo de discernimento muito bem medido, no auxilio a alguém que a gente gosta, é extremamente necessário nessa hora. Também porque não há como entrar no íntimo daquela pessoa para fazê-la entender o que está muito óbvio para você. Ela não está madura o suficiente para compreender o que você sente – e isso não tem nada a ver com a idade cronológica que ela tem. Sabedoria não tem idade e tudo tem o momento e hora certa para acontecer. A experiência adquirida é que faz com que a pessoa avance e melhore.
     Às vezes você capta uma carga e não consegue sair daquela energia. Não é fácil sair fora! Ainda mais no seu caso, com toda essa sensibilidade de sexto sentido - quanto mais uma pessoa está voltada para as energias espirituais do mundo ou das pessoas com quem convive, maior a chance de absorver as energias ruins dos outros.
     As forças do universo estão em conexão com a nossa alma, e a alma está ligada ao sentimento mais profundo que vai dentro do peito (ou da mente, se preferir).
     Diante disso, quando é necessário o equilíbrio, o caminho é a busca interior para que venham as ideias boas para solução dos problemas. Nessa condição você está na fé e não no medo, pois o medo é paralisante e inibidor. A confiança com que você entra em seu mundo interior faz com as forças do universo trabalhem a seu favor para que saia da mesmice. A vida exige movimento.
     Então, querida, todos os desafios nos acenam para mostrar que é necessária a mudança. Que é tempo de descobrir novos dons, pois todos têm esses dons em estado latente que não são valorizados por descuido – tenho certeza que você sabe disso.
     Quando aparecer um novo desafio em sua vida, e estiver com a cabeça quente ou de saco cheio com a situação, jogue fora a pressa e aflição. Imagine que, mesmo que seja uma situação difícil de enfrentar, não será de modo aflitivo que tudo se resolverá. O modo correto é ter calma e lidar com sabedoria - de maneira espiritual, e com as escolhas de atitudes feitas com o sentimento verdadeiro. Se for necessário dizer “Não!”, diga com todas as forças que tiver. Mesmo que seja para tomar uma atitude que nunca teve coragem antes. Dizer “não” também é uma escolha sua. O “não” pode ser muito positivo para sua vida, porque é um tipo de sinal de libertação enviado do fundo da alma – e assim não se meter em encrencas ou parar a sua vida em prol do problema de alguém que não é para você resolver. Jamais embarque numa canoa furada que pode lhe levar ao fundo mais rápido do que imagina.
     Bom... A escolha está em suas mãos. E as coisas só estarão bem quando você se colocar em seu caminho com total independência para evoluir. A evolução depende de fazer tudo do seu próprio jeito e com o coração. Do seu jeito mesmo! Também com alma, força e tudo aquilo de bom que você sente aí dentro. Porque a sua força vem do seu sentimento e com o impulso do seu pensamento chegará longe.
     Por que não fazer já? Pense nisso!  
     Aquela conversinha de “pobre de mim” ou “estou sofrendo por causa dos outros e não aguento mais” tem que acabar. Foi você que fez isso a si mesma, principalmente quando ficou perguntando para um e outro como deveria resolver os seus problemas.
      Entenda que só quando a vida manda uma tragédia daquelas bem bravas mesmo, é que a pessoa acorda e percebe que é tarde demais. Não espere isso acontecer com você, não permita que suguem a sua energia. Deixe as pessoas viverem o próprio destino que escolheram. Liberte-se do sentimento de culpa. Largue o passado lá atrás e permita que as forças do universo trabalhem no equilíbrio de tudo o que você não entende. Porque a vida é um eterno aprendizado, independentemente de nossas escolhas ou das escolhas dos outros.

sábado, 29 de julho de 2017

Saudade




Você queria me ligar?
Desejou pedir desculpas por ter sido tão temperamental?
Sabe o número de vezes que pegou o telefone e desistiu?
Como é a dor que está sentindo?
São tantas emoções embaralhadas e confusas, não é mesmo?
Foram as músicas que ouvimos que lhe deixaram assim?
Você se lembra quando fizemos amor ao som de “por enquanto”?
Nós não juramos que “por enquanto” seria para sempre?
Você não disse naquela hora que talvez se casasse comigo?
Por que será que eu acreditei e fiz castelos na areia?
Você se arrepende do que falamos ou por que brigamos?
Nada de novo apareceu depois do rompimento, não foi?

Você queria me escrever?
Leu, releu e sentiu insegurança nas palavras?
Por que desistiu de enviar?
Imaginou: “Será que entre nós pode existir a mesma confiança de antes?”
Sente a dor da solidão e a cruel saudade de quem soube lhe compreender?
Sente falta da risada irônica?
O meu cheiro aparece de repente quando você menos espera?
Quando isso acontece você olha para trás?
Sente falta dos meus olhos expiando você sair portão afora?
Chegam arrepios quando ouve um nome com a mesma sonoridade do meu?
Seria mais uma ironia do destino ouvir esse som todos os dias?
Teme as sensações que lhe acompanham pelo resto da vida?

Alimenta frustrações pelas coisas que deixou de fazer?
Pensa na possibilidade de ter sido mais paciente?
De ter insistido para mudar a ordem das coisas?
De mudar para melhor um pouco de si ou tudo de mim?
E os dizeres naquela noite fria de luar?
É algo tão nostálgico que faz descer uma lágrima rebelde?
Lembrar faz sofrer, não é?
O que aconteceu para tudo estar tão diferente?
Qual erro causou tanta decepção?
A paciência acabou e a dor de saudade ficou?
Faz tempo que não sente um abraço gostoso como o meu?
Quando se lembra ainda chora?

Teria coragem de contar para alguém que sonhou comigo?
Diria que o sonho foi de sorrisos e olhares maliciosos?
Contaria que foi a melhor cena que viveu nos últimos anos?
Nessa hora esses pensamentos loucos lhe deixam como?
Quem da sua casa disse que você não bate bem?
Quem julga, condena ou perdoa os seus atos?
Por que fazem questão de não entender que você é diferente?
A emoção recolhida fez de você um ser agressivo e arredio?
Alguém além de mim se importou com isso?
Diga de verdade: prefere ligar ou escrever?
Vai conviver para sempre com a dor que está aí dentro?
Vai me deixar viver para sempre sentindo a mesma dor que você? 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

O Mendigo

Tenho sonhos.
Tenho em mim tantos sonhos infinitos.
Fora isso, imagino o pouco que sou, ou o pouco que seria sem eles.
Diante da janela dos meus olhos, o mundo.
Apenas mais um olhar dos milhões de olhares desconhecidos que espreitam o nada.
(E se algum desses soubesse o que é o nada, o que na verdade saberia?)
Sonho com o mistério de uma rua por onde passam pessoas, e que dá para outra rua onde os pensamentos voam pelas janelas dos meus olhos.
Ninguém sabe quem sou.
Não sei mais quem sou.
(E se alguém soubesse quem sou, de que valeria?).
A morte é o destino conduzido pela estrada da vida que leva ao nada,
ao real e ao absolutamente certo.
Não importa quem seja e nem qual ilusão esconda.
Posso estar tão derrotado como aquele que descobre a verdade do que é,
ou tão esclarecido como se soubesse do destino final,
e não tivesse mais intimidade com qualquer coisa além da despedida.
Fui vencido, partido, esquecido.
Essa coisa real por dentro é o meu sonho.
Sensação de que falhei em tudo, no que aprendi e no que me deram - até na lealdade que recebi.
O que posso pensar sobre isso?
Puxo um encosto e penso com boas intenções.
Mas só encontro um tronco torto cheio de espinhos.
Não sou mais a pessoa que conheci.
Não sei o que sou ou o que serei.
Mas sonho tanto...
E há tantos que sonham ser o que eu era ou o contrário de mim.
Milhões sonham, imaginam conquistas e marcos definitivos na história.
Quem pode dizer mais?
Não, não sei nada sobre isso, mas sei que em todo lugar há gente cheia de certezas.
E eu o que tenho além de sonhos?
Não, não tenho nada, em algum lugar do mundo ou dessa rua, apenas sonho para mim.
São tantos desejos realizáveis, lúcidos, causas nobres...
Um mundo aberto diante daquele que nasceu para atingir horizontes distantes, como um desbravador.
Aquele que conquista todo o mundo quando sonha ou quando caminha.
São tantos segredos, tantas filosofias que nenhum filósofo ainda escreveu.
Tantas dores no peito por estar longe de tudo.
Logo eu, que sempre tive certeza do inominável, sou mais certo ou menos certo agora?
Não, nem imagino o que sou.
Talvez apenas mais um maluco carregando tantas incertezas das certezas da vida.
Sempre em busca de um abrigo em si mesmo, sonhando.
Parece que serei o que nasceu para ser assim.
Serei aquele com alguma qualidade reconhecida, talvez na escrita.
Serei o que espera que uma porta seja aberta, mas ela continua fechada, nem existe a porra da porta. Paredes e mais paredes. 
Serei o que canta a canção e assovia com o vento no rosto.
Aquele que se torna ausente e espera que aconteça o que tiver que acontecer ou não aconteça nada.
O que conquista o mundo enquanto dorme.
Mas quando acorda encontra o cinza, levanta-se e tudo é  hostil, enfrenta e está diante do indecifrável.
A vida é tão parecida com essa escrita rápida, com a forma desses versos insipientes.
Ou melhor, o que parte daqui para o que se possa imaginar, até mesmo o impossível.
A mim consolo lavando a roupa suja do que sou.
Consagro em lágrimas o desprezo que recebo.
Não sei do que, mas seja o que for, pode ser o que me irrite ou inspire escrever.
O meu sentimento se derrama assim.
Não sei se é moderno ou ultrapassado, apenas celebro o tempo daquilo que fui, do que sou.
Isso me inspira, esse sou eu enquanto puder ser.
Há o nada diante de mim, na rua que vejo no sonho, na vida.
Chego mais perto e vejo tudo outra vez.
Vejo mulheres lindamente vestidas,
seguranças em preto cruzando olhares,
carros de polícia passando,
cães de madame e letreiros em língua estrangeira com roteiros de viagem.
Estou condenado ao ostracismo!
Ainda que tenha vivido, estudado, amado e acreditado em promessas.
Sou o mendigo que olha a tudo e sonha.
Espreita a mentira, as feridas e adornos.
E pensa: “-----------“ O que se poderia pensar nessa hora?
(Como é possível viver o sonho com condenação?)
Talvez eu seja apenas mais um largado.
Eu fiz de mim o que não sabia que seria.
A promessa que ouvi era errada, ninguém desmentiu e eu perdi.
Quando percebi já tinha envelhecido, cabelos brancos, cabeça ardendo,
o cristo na cruz por toda eternidade.
Queria que alguém lesse tudo isso para provar que tinha valor.
Sou alguém que dorme ao relento e é tolerado pelos guardas.
Pessoas continuam passando e meus escritos parecem toscos, inúteis,
como qualquer outra coisa que já tenha feito.
Mas se eu não ficasse aqui, como um tapete velho que alguém jogou num canto, a vida valeria mais?
Estou diante de uma agência de viagens.
O dono veio à porta.
Olhou com desconfiança sem me reconhecer, sem entender no que penso ou sonho.
Olhando em seus olhos imagino: “Ele um dia irá para o mesmo buraco que eu, ou talvez vire cinzas conservadas num pote, mas ele vai, sim, ele vai”.
Ele deixará a herança e eu deixarei esses escritos.
Quando o tempo certo chegar morrerá sua prole, morrerá a placa reluzente com luz de néon, morrerá o reino herdado e repassado e o mundo que compartilhamos.
Até a língua que isto é escrito morrerá.
Morrerá tudo!
Em algum outro lugar haverá alguém como ele ou eu, gente vivendo sob o mesmo céu ou luzes de escritório, sempre defronte um do outro ou lado a lado.
Um como inútil e outro produtivo.
Sempre assim ou de outro jeito, tanto faz.
Como isto é estupidamente real!
É o mistério impossível em letras.
Isto continua tão certo quanto o meu sono superficial e o sonho inacabado.
Um casal entrou na agência de viagens.
Ergo o pescoço para observar, nem repararam que sou humano.
Estou convencido disso!
Clareio os pensamentos.
Estou liberto e sigo a própria sina - conseqüência de uma grave indisposição com o passado.
Como a realidade é estúpida!
Bebo mais um gole da garrafa de cachaça comprada com uns trocados, saboreio...
Continuo bebendo.
Enquanto eu puder beberei ao destino diante dos meus olhos. (Se eu casasse com a filha do dono da agência de viagens talvez fosse feliz).
Levanto, meio cambaleante, e olho a vitrine.
O casal sorridente retorna em direção à porta. (Ele ajeita o paletó e ela a gola da blusa).
Ah, eu a conheço, é a filha do dono da agência de viagens.
Como num ímpeto incontido grito o seu nome.
Ela volta o olhar.
Acena-me um breve adeus.
Retruco baixinho, adeus para você também, amor da minha vida.
Adeus a todo universo que um dia conhecemos.
Celebro um gole aos nossos grandes ideais sem esperança no final. 
E o dono da agência de viagens sorriu da porta, muito orgulhoso com a escolha da filha.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Filha-Da-Puta Por Natureza

 Você já conheceu alguém bem filha-da-puta? Uma pessoa muito mentirosa, interesseira e sem escrúpulos nas relações interpessoais? E que além de tudo ainda usava de artimanhas para seduzir os outros, demonstrando ser encantadora, inteligente e talentosa em alguma nobre profissão? Creio que sim, creio que algum dia já teve esse dissabor em sua vida! Nenhum de nós está livre de topar com esse tipo de pessoa. Um Ser que sempre se apresenta com histórias imaginárias e bem planejadas, nos induzindo a cair numa armadilha a qual encontramos grande dificuldade para sair. Essa pessoa toma o nosso pensamento, principalmente ao criar falsas expectativas naquelas duas coisas que mais buscamos, ou estamos carentes: amor e compromisso. Aos poucos, sem nos darmos conta do tamanho do risco que corremos, acabamos permitindo que esse Ser fdp entre em nossa vida. E só vamos perceber o tamanho do engodo sofrido, quando essa pessoa simplesmente desaparece por uns tempos alegando qualquer motivo que não faz sentido. Mas, isso só é feito quando essa criatura não encontra mais nenhuma serventia para o seu prazer na continuidade da relação. Esse Ser é muito astuto ao usar o medo como arma de imposição, e sempre semear a dúvida em cada atitude. A ameaça constante ao fim do relacionamento é uma das suas características principais para alcançar novos benefícios dentro da relação, onde, obviamente, sempre se colocará como vítima ou pessoa incompreendida. Geralmente, quando nos vemos envolvidos por uma pessoa dessa, demoramos a perceber a realidade desleal em que estamos caindo. No entanto, quando finalmente tomamos ciência dessa condição de infelicidade, é porque já estamos literalmente prostrados, cansados, esgotados e com toda energia sugada. Acabamos diante de um vazio imenso buscando respostas que nunca teremos. É então que paramos para perguntar: “Onde foi que eu errei?”. Lamento informar, mas, você não errou em nada. Foi apenas mais uma vítima dessa pessoa mentirosa contumaz e que tem a habilidade de enganar a todos distorcendo a verdade. Porque mentir, trapacear e buscar objetivos unicamente seus, é o ideal desse indivíduo que faz tudo parecer muito verossímil. Ele usa todo o tempo o lado emocional apelativo para que você tenha uma sensação de pena. Quando você tem pena de uma criatura assim é porque acaba de entregar a sua alma, e resgatá-la de forma íntegra será muito complicado. Tenha a certeza que ao entregar a sua alma (o que chamo de sentimentos e desejos sinceros), você caminhará pelos meandros da escuridão, enfrentando desafios que jamais imaginou pudessem existir em sua vida. Bem... O pior disso tudo é que, invariavelmente, esse tipo de pessoa convive entre nós todo o tempo, e demoramos demais a perceber as suas verdadeiras intenções. E se, por acaso, ainda quiser insistir com alguém assim, porque você se julga um tipo de pessoa sensível que valoriza o sentimento e harmonia numa relação a dois, pode ir tirando o cavalinho da chuva, atente ao fato que essa criatura é desprovida daquilo que você tanto necessita receber para também retribuir: amor e compromisso. Exatamente por essa razão ela jamais terá dó ou pena de você, ela apenas te usará, isso sem o menor constrangimento, e até quando achar que precisa dos benefícios obtidos desse contato. Esse Ser fdp não tem qualquer profundidade nos sentimentos demonstrados, e muito menos consciência genuína do que é afeto. Ele jamais se colocará em seu lugar num momento de dor ou perda de algum parente, jamais pedirá desculpas sinceras por qualquer fato ocorrido e nunca, nunca mesmo, vibrará por um sucesso alcançado por você na vida material ou área profissional. Com o passar do tempo você poderá observar nessa pessoa um profundo desrespeito pelas regras de convívio. Ela sempre se mostrará intolerante e lhe faltará com o respeito por motivos fúteis, mas, não somente a você, também a todos que fizerem parte do seu círculo de amizades. A falta de educação é um dos marcos mais importantes desse Ser fdp na situação que relato aqui, justamente porque essa pessoa sentirá no amor que dedica a ela, a impunidade e a certeza do perdão para os atos inconsequentes. A responsabilidade ética conhecida por cada um de nós é bem diferente da que tem na mente dessa criatura, a sua ética está nas vantagens que consegue angariar com a manipulação de uma ou várias pessoas ao mesmo tempo, ou das situações que consegue conduzir. Sei que cada qual que estiver lendo este relato já terá conhecido alguém assim. Provavelmente já tenha sido vítima desse tipo de manipulação e, infelizmente, por causa disso, já não acredita quando alguém lhe oferece emoções sinceras, atitudes honestas e relações verdadeiras. Ter convivido com uma criatura desse naipe, por qualquer tempo que tenha sido, causa traumas que muitas vezes parecem incuráveis. Esse Ser tem o poder de nos induzir a equívocos que matam a nossa autoconfiança e a confiança que poderíamos ter no outro Ser humano. Jamais pense que conselhos ou punições farão com que esse Ser fdp melhore em suas condutas, isso não funciona. Muito pelo contrário, ele obterá vantagem disso elaborando novos meios para que os seus atos, a partir de então, passem despercebidos, dando a todos a sensação que ali existe outra pessoa bem diferente daquela do passado. E nesse momento, provavelmente, lá estará você de novo caindo na mesma armadilha feita com outros encantos e promessas. Diga-se de passagem, que esse Ser fdp fará tudo de novo, de outra maneira e livre de qualquer culpa ou remorso. Fará porque tem competência e inteligência acima da média, que sempre o levam a mostrar-se totalmente “regenerado” e se apresentando com afinco, como se fosse uma pessoa dedicada ao trabalho, à família e aos objetivos comuns. Mas tudo é trapaça. Um outro jogo sujo criando novas expectativas ilusórias em você e em todos que têm alguma esperança na mudança. Lamento informar outra vez, mas, não existe fórmula mágica nesse caso. Essa pessoa nasceu assim e continuará carregando esse jeito de se conduzir durante toda a vida. Será sempre uma pessoa não confiável e sem sentimentos. Alguém que nunca muda, mas progride bem nos disfarces e nas adaptações ao meio em que vive, e tudo de acordo com seus objetivos de sempre levar alguma vantagem. Analise comigo esse comportamento com a história a seguir:
Rodrigo namorava Manoela. No começo ela demonstrava os mesmos interesses que ele nas coisas que gostava. Manoela conversava com Rodrigo de tudo um pouco, inclusive dos seus conflitos familiares com pais e outros parentes próximos. Dizia que o pai era um tirano e a mãe uma pessoa insuportável que falava demais, reclamando de tudo sem parar. Aos poucos, Rodrigo foi se envolvendo com as histórias de Manoela e experimentando um tipo de sentimento de solidariedade, ao mesmo tempo em que chegava uma atração sexual intensa, misturada com a vontade de dar proteção. Florescia em Rodrigo uma grande paixão que o levava a acreditar cada vez mais que Manoela era uma pessoa injustiçada dentro do lar em que vivia. Rodrigo passou a levar Manoela em restaurantes interessantes para almoçar ou jantar, muitas vezes em companhia dos seus amigos com as respectivas namoradas. Nesse meio de socialização e convivência interativa com pessoas diferentes, Manoela chegava a se comportar bem, conversava e até provava comidas pitorescas que nunca houvera sentindo o sabor antes. Rodrigo se preocupava muito com o bem-estar e conforto de Manoela, tanto que - quando iam dormir juntinhos - ele fazia questão de esticar o lençol e até puxava os cobertores para que ela se acomodasse adequadamente. Rodrigo levava café na cama pela manhã e em outros momentos perguntava se ela queria que ele fizesse alguma coisa por ela. Rodrigo era um namorado dedicado e preocupado. Abria a porta do carro para Manoela entrar e na rua a conduzia sempre pelo lado de dentro da calçada. Eles se aproximaram muito nessa convivência de cumplicidade. Manoela não estava acostumada com gentilezas masculinas, exatamente por isso ele se sentia um verdadeiro gentleman ao fazer tudo que ela nunca tinha recebido de outro. Um belo dia foi combinado um encontro romântico, eles iriam passar a noite de sábado num motel. Estava tudo certo quando na tarde daquele dia Rodrigo ligou avisando que não poderia encontrá-la, pois sua mãe, já idosa, estava com crises respiratórias fortes e talvez precisasse ser removida até o pronto-socorro. Manoela silenciou no telefone. Não disse sim e nem não. Ao final da conversa apenas desligou sem ao menos desejar que tudo corresse bem. Manoela sumiu por uns dias, passou quase uma semana evitando contato com Rodrigo. Não atendia telefone e nem respondia e-mails que ele, insistentemente, mandava durante todo esse período. Chegando no sábado seguinte Manoela reapareceu na internet. Rodrigo questionou o seu sumiço. Ela disse que não tinha visto as ligações e estava sem acesso de internet em casa. Rodrigo gostando muito da moça, relevou. Durante a conversa ela nada perguntou sobre a saúde da mãe de Rodrigo. Ele notou que ela ainda parecia bem contrariada, mesmo assim, sem ter sido perguntado, contou que tudo tinha ficado bem, que a mãe estava recuperada e eles finalmente poderiam fazer o programa combinado. Ela secamente respondeu: “Eu queria que saíssemos naquele dia, mas você preferiu ficar com a sua mãe!”. Rodrigo ficou estarrecido com a frieza de Manoela, não era essa a pessoa que ele tinha conhecido. Eles não saíram naquele dia e nem nos dias seguintes. O tempo passou e voltaram ao namoro entre altos e baixos. Em pouco tempo um novo fato surgiu, o bicho de estimação de Manoela ficou muito doente. Manoela estava desempregada e com todo o tempo livre para cuidar do animal. Passava dias observando a movimentação do bicho e dizia que as noites eram quase em claro devido à preocupação. Ela nunca convidou Rodrigo para ir até sua casa nesse tempo, muito menos se encontrou com ele, mesmo que fosse por cinco minutos. Mais de mês se passou e Manoela ainda dizia pela internet que tinha que cuidar do bicho. O pobre animal morreu, Manoela ficou arrasada e reclusa. Rodrigo queria dar apoio, mas a moça se recusava a recebê-lo. Manoela se recuperou do baque e depois de um tempo voltou novamente a namorar Rodrigo. Eles pareciam se dar bem agora. Ela estava mais solta e muito empenhada no objetivo de uma boa união. Novamente um fato surgiu no caminho dos dois. Manoela percebendo que Rodrigo era um homem apaixonado, começou a humilhá-lo publicamente fazendo pouco caso da sua inteligência. Rodrigo estranhou a posição na mudança repentina do comportamento da moça. Mas ele estava cego de amor e acabou ignorando o sinal de alarme. Finalmente um dia Rodrigo se encheu de tanto Manoela usar e abusar. Ele agora resolveu parar para refletir sobre a situação. Depois de uma semana sem manter contato com Manoela (ele estava usando o mesmo método tão praticado por ela na relação. E ela, como boa fdp, odiando provar do próprio veneno) ele reparou que havia sido excluído das redes sociais na internet. Nesse meio tempo a mãe de Rodrigo piorou da crise pulmonar, Rodrigo ficou muito preocupado, correu com a mãe para cima e para baixo em busca de uma cura. Tudo estava tomando contornos dramáticos na vida dele. Foi quando recebeu a notícia dos médicos que a sua mãe tinha poucos dias de vida. Com essa notícia tentou entrar em contato com Manoela. Ela não atendeu. Ele mandou muitas mensagens. Nada! Perto da data da morte da mãe, Rodrigo mandou uma última mensagem a Manoela dizendo sobre o sentimento de perda que carregava, tanto pelo afastamento dos dois quanto da morte iminente do seu ente querido. Finalmente Manoela respondeu, o texto da resposta foi mais ou menos assim: “Não espere que eu tenha qualquer consideração por você nesse momento!”. Rodrigo finalmente viu com que tipo de gente estava lidando. Desde então, nunca mais se falaram. De certa forma essa criatura fds feriu e destruiu tudo aquilo que Rodrigo carregava de bom. Ela fez com que ele jogasse fora toda fé nas boas intenções das pessoas, provocando um incrível dano na vida futura do rapaz. Mesmo que ele quisesse ou fizesse muito esforço, jamais seria o mesmo de antes.Não é preciso analisar profundamente para reparar, que ela só dava valor aos seus interesses imediatos, não se importando com nada fora desse âmbito e, com toda certeza, continuará sendo assim pelo resto dos seus dias. No íntimo, todos nós procuramos acreditar no lado bom das pessoas. Cremos em suas boas intenções. No entanto, tudo é muito subjetivo quando do confiar ou não confiar. Nada impede que cometamos erros de avaliação por termos um tipo de natureza generosa ou desconfiada. No entanto, é importante saber que ninguém é perfeito. Todos, uma hora ou outra, cometem falhas que, de um jeito ou outro, acabam decepcionando pessoas. Mas, isso nunca será sinônimo de ser filha-da-puta. Porque ser filha-da-puta é muito mais que apenas causar decepções a alguém. É um conceito de vida que algumas pessoas adotam, usando a seu favor a boa emoção que dispomos e lhes oferecemos com sinceridade, para no final, como se estivéssemos com uma arma apontando para a própria cabeça, concluirmos que não valeu a pena tanto esforço ao acreditar em quem é filha-da-puta por natureza.         

Olhos Vazios

   Diante do espelho, com esses olhos vazios, vejo algo me corroendo lentamente por dentro, é como se fosse uma faca afiada cortando as entranhas. Em certos momentos torturo o pensamento sobre essa dor, mesmo que faça rápidas mudanças de atitude que me ajudam a esquece-la no dia a dia. Ainda assim, nada consegue cessar essa sensação tão inquietante que fustiga de um lado para o outro e quase nunca se modifica. E para ser exato, com isso me torturo sem dó indo direto da geladeira para a fornalha. A minha carne se estorrica quando lembro das histórias que um dia escrevi. Lendo outra vez toda a porcaria que sempre escrevo sobre isso, mais uma vez me arrependo por estar tão entregue, e por tanto tempo. Parece que me maltratei de propósito me deixando maltratar. Olhando no espelho vejo que não foi pouco o que mudei. Muita coisa pode ficar diferente no semblante de um ser atormentado pela tristeza. Hoje eu sei que não faz nenhuma diferença para quem dediquei meus bons pensamentos e intenções. Essa pessoa nunca teve qualquer interesse na mudança dos vincos mais definidos desse rosto, e muito menos na desilusão dos olhos vazios que insistem em permanecer molhados. Não sei se consigo botar algum sentimento nessas palavras ou, se de repente, decorei tanto o mesmo discurso que o faz parecer vazio e sem significado, mas mesmo assim continuo.
     Com o passar do tempo, percebo o quanto alguém que foi ferido pode se tornar duro por dentro. O quanto um amor que não foi cuidado, pode virar uma marca permanente de decepções e rancores. São por essas cenas que vão e voltam, ecoando na mente dia e noite, que explode esse vulcão de insatisfação que existe em mim. Ele transborda algo incandescente por toda natureza singela que existia aqui; torna tudo áspero, duro e praticamente morto. Enquanto isso acontece, tenho a nítida sensação de ouvir vozes gritando, vozes do infinito encobertas por um sentimento de perda. Esses sons surgem como ondas enormes de calor até o momento que todos se calam. Acontece que o meu pensamento desconhece esse silêncio. Ele insiste em funcionar ininterruptamente pelo desejo da salvação de uma dor que permanece. Antes que eu tenha tempo de imaginar qualquer nova solução, logo me vem outro pensamento trazendo outras coisas, e é como se tudo estivesse acontecendo agora. Essa imagem é do microssegundo em que nossos corpos se cruzaram numa esquina qualquer. Puxa vida... Foi naquele momento que as constelações giraram sobre nós. Dessa memória viva ainda guardo aquele céu, ele se desdobrou e nada mais que importasse existia. Era, apenas e tão somente, você e eu, e com todas vibrações positivas magnetizando o mesmo interesse. Olhando, eu imaginava que finalmente tinha encontrado a felicidade abaixo desse céu tão lindo. O meu mundo acabava de entrar numa viagem fantástica e cheia de encantos. O som dos anjos fazia a trilha sonora do meu espírito. Nós imitávamos os anjos enquanto voávamos de mãos dadas com mil novas sensações. Finalmente estávamos aceitando que o abismo entre nossos mundos acabara de se estreitar.
       Quando fico mergulhado assim nos sonhos desconheço que essas são minhas palavras. E somente minhas. Palavras que vagueiam pela mente alcançando um passado que deveria ser esquecido e que se parece com o seu. Eu sei. Sei sim... Sei que na metade do tempo essas palavras duras são melodiosamente disfarçadas em fantasia e a outra metade em ilusão tola. E que meus lábios nunca acompanharam o desejo interior, por isso sempre fiquei com esse silencio profundo da alma. Queria tanto que um dia essas palavras soassem encantadoras e esperançosas para você. Que fossem um estimulo à sua vida e daqueles que se entristecem por tanta tragédia. Mas quando começo a relatar tudo isso de novo, fico meio perdido sem saber o que posso lhe oferecer, mesmo que ainda tente de alguma forma encontrar ajuda nos outros. Têm horas que esqueço que palavras e fatos são como vozes distintas que entoam o mesmo canto. É como se fosse uma nota musical de duas pontas soando uma interrogação eterna. Talvez somente aqueles com o coração cortado em pedaços entendam o que isso quer dizer. Talvez você e eu entendamos agora o que isso quer dizer.
      Fico por horas pensando o que restou daqueles dias. Nunca encontro nada que me alegre de verdade ou me faça esquecer; tudo porque foram os melhores dias que já tive. Hoje, quando acordo de manhã, estou cheio de feridas que não são curadas pela noite. Feridas feitas após aquela vida que um dia vivi com toda emoção sincera que pude oferecer. Existe um rosto que insiste em permanecer solto nessa mente, ele aparece quando lembro de tudo isso. No entanto, eu sei que por estar mergulhado em sonhos, nada me acontecerá além das próprias ilusões que carrego. Mesmo que a realidade dessas angustias ainda insistam em correr pra lá e pra cá. O meu desejo sempre foi o de permanecer eternamente imerso usufruindo lembranças alegres. Isso poderia durar um tempo infinito e brando, como aquele beijo imaginário que trocamos na última vez. Você ainda se lembra disso? Foi ele que selou para sempre a lembrança dessa ferida que ainda tenho aberta. Quando tento acordar e viver outra vida, vejo que é inútil. Constato friamente que a única coisa que ficou em mim, foi um restinho de tristeza com a lembrança daquela realidade bucólica e profunda, éramos nós dois olhando nuvens passando no céu. Luto todo santo dia para não cair nessa condição de lamentador outra vez. No meu pensar, isso tem que ter algum significado maior além de apenas mais uma neurose. Já sabendo que a minha vontade é insuficiente para dominar essa dor, sinto como se fosse um idiota que não faz outra coisa além de contar o que viveu.
      Esses sonhos trazidos diariamente para a realidade me fazem morrer por dentro mais um pouco. Vejo neles o meu corpo jogado num piso frio onde muitos suplicam misericórdia. Como posso me deitar novamente tendo sonhos assim ou sabendo que tenho que encarar essa realidade todos os dias? Como posso seguir adiante com tantos sentimentos cortantes? Estou numa esteira interminável de dor e esperança, e não tenho como escapar. Sinto como se o diabo perseguisse meus pensamentos, ocultando nessa escrita misteriosa a vida que tive; sempre relatando tudo tão cruamente para me manter no inferno. O meu alívio é que, depois de um certo tempo, as imagens ficam como fragmentos e as palavras dos momentos que nunca se completaram, somem. Novamente a única coisa que se destaca claramente no pensamento, é um rosto. Com esse rosto tudo se explica. Por ele são esses sonhos com causas variadas, e que vão do ódio ao amor, da traição ao perdão e terminam com um pensamento permanentemente belo. Por esses motivos existem mentiras confrontadas num eterno viver na indecisão. Um lugar onde tudo finalmente aparece com um significado maior que vai além de meras desilusões. Nessa hora o rosto esbanja temor e tranqüilidade, o pensamento carrega paz sem carregar culpa. Como eu queria me convencer de que tudo foi para o seu bem e sem remorso, ou achar que o destino nunca se enganou em nos colocar no mesmo caminho.
     Eu entendo que muitas vezes não usei palavras exatas, que talvez me faltou um jeito lento e delicado de expressão, e que fiz tudo como se estivesse falando de nós dois numa eterna confissão íntima. Saiba que esse foi único jeito que consegui me acalmar. Bom... Agora farei um repouso a fim de me tranqüilizar um pouco mais de todo esse desgaste desnecessário. Depois de alguns instantes terei fechado os olhos para seguir os sinais. Eles me farão chegar num lugar onde poderei começar tudo de novo, e claro, de um jeito melhor. Vou pelo mesmo caminho todos os dias quando quero lembrar de você de um jeito meigo e dolorido.  Quero que saiba que agora retorno outra vez para dentro de mim, e por um único motivo: aqui é o lugar que restou para refletir toda a tristeza desses olhos vazios.

terça-feira, 25 de julho de 2017

O Princípio Da Recíproca


     Pode parecer o máximo conduzir, ao seu bel prazer, uma relação com alguém que admira pacas e você não está nem aí para a pessoa. Esse seria o relacionamento dos sonhos de muita gente que não se sente presa a um sentimento mais forte com esse alguém. Nesse relacionamento dos sonhos você poderia enfim ter as rédeas da situação. Ditaria como e onde as coisas devessem acontecer. É bem provável que não se sentiria usada e muito menos ansiosa esperando o telefonema do dia seguinte, não é mesmo? Seria uma situação maravilhosa se fosse tudo tão simples assim. Mas, pena que certas coisas existam somente na teoria. Ao invés de ser uma situação que faria bem para o seu ego, isso poderia fazê-la sentir-se um lixo na hora que a ficha caísse, percebendo tardiamente o quanto fez mal frustrando as expectativas do outro e, principalmente, a si mesma por se julgar superior ou dona da situação.
            Infelizmente, quando se trata de relacionamento amoroso, não somos nada racionais. Pois, mesmo que não haja qualquer paixão envolvida nessa cena, acabamos nos corroendo em remorsos quando bate aquela sensação horrorosa de vazio ou sujeira. Justamente porque o sexo não é simplesmente um processo mecânico desvinculado do sentimento; é preciso que exista cumplicidade com uma dose de desejo pelo outro nessa ação. (Bem... Pode até ser independente de algum sentimento, mas só para psicopatas ou profissionais do ramo). O sexo raramente funciona bem por muito tempo, digo: como instrumento de dominação dentro de uma relação dita normal. Mas, ainda nos dias de hoje, tem gente que insiste em achar que isso causa efeito positivo. Mas esse engano pode acabar tragicamente, principalmente para aqueles que são adeptos ao tipo de relacionamento iô-iô. Um tipo de relação que na primeira discussão uma das partes resolve “dar um tempo para refletir”. Quase sempre um tempo sem data prevista para acabar. Então, essa pessoa que age assim some do mapa, rompe com toda forma de contato. Desaparece do orkut, facebook, msn e para completar não atende suas ligações. Caso, ao se preocupar com o sumiço, porque você nutre sentimentos bons por esse alguém que não está nem aí pra você, resolva bater na porta dessa pessoa insensível, saiba que ela simplesmente mandará alguém avisar que não quer conversar com você, ou pior, mandará dizer que não está em casa. Uau! Isso é mesmo o máximo para o ego dessa pessoinha perversa, não é? Tá certo... Mas depois de uns dias, talvez semanas, essa caricatura de gente abre os canais de comunicação, isso como se nada tivesse acontecido. Então ela lhe chama para um passeio porque mudou de ideia e quer reatar o namoro, e você aceita. Depois de uma maratona sexual, com direito até aquela famosa posição do canguru perneta, essa personagem caricata vira e diz: “Quando der a gente se vê de novo”. Isso quer dizer: “Quando eu sentir vontade de transar te chamo”. Xiiiii... Parece que ficar na horizontal, vertical, perpendicular, côncavo e convexo não foi uma boa ideia. Você é apenas uma muleta! Sinta-se num circo, você merece porque se deixou usar. Você agora sabe que essa transa só existiu porque não havia ninguém mais à mão. Quanto tempo pretende continuar fingindo que gosta do que lhe faz mal? Ainda vai continuar representando que é alguém que não é na vida dessa pessoa? Ou mais, que esse comportamento não afeta em nada a sua vida, porque o que importa é estar ao lado de quem você acha que ama? Que droga de autoestima você tem! Lembre-se que o ato de fazer amor é um instrumento medindo todo o tempo como o casal funciona, não só na cama, mas na vida fora dela também. Muitas vezes, a prática do bom sexo com quem temos algum tipo de afeição, pode realmente significar fazer amor, e desse fazer amor vem o compromisso e o companheirismo recheado de respeito e admiração. Mas, tem coisas que nunca acontecem sozinhas ou por acaso, concorda? É justamente por isso que é necessário ter a maneira certa de se posicionar sobre aquilo que realmente quer manter no momento presente ou adiante da sua vida amorosa. Tudo por que, para chegar até o estágio seguinte, que é o de fazer amor e ter cumplicidade, é preciso que exista confiança. Essa confiança vem da certeza de que esse alguém que está ao seu lado, nunca irá trair estando com outra pessoa, seja pessoa recém-chegada ou, quem sabe, até mesmo um tipo de flashback com ex - isso durante os períodos de ausência nas falsas brigas, com a desculpinha de “dar um tempo para refletir”. Quando se tem ao lado alguém sincero, partilhando dos mesmos desejos e fantasias, tudo transcorre de uma forma muito mais harmoniosa e confiante. Quando se faz amor é importante ter a convicção que não existe nenhuma dúvida. Que não existe nenhuma comparação ou ameaça de qualquer pessoa do passado emocional, seja com a presença constante na lembrança ou, até mesmo, na vida prática atual. Somente transmitindo essa convicção e recebendo o mesmo em troca, é que será possível ter a segurança que ninguém sairá machucado ou enganado. Pois quando confiamos coisas tão particulares a alguém, e deveras valiosas, - que são os sentimentos e todos segredos mais íntimos guardados a sete chaves por anos a fio - é por acreditar que pelo menos uma parte do que nos cabe foi feita do jeito certo. Esse ciclo só poderá ser rompido caso alguém constate ter sido traído, principalmente no princípio básico de qualquer relação; o princípio da recíproca do outro naquilo que sentimos e acreditamos.   

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Bateu, levou!


Pensar hoje e fazer amanhã – assim todos nós deveríamos agir quando provocados. Pois, amor, desejo, raiva e medo são emoções com grande potencial para transformar qualquer tipo de relacionamento, seja para melhor ou para bem pior. Muitas vezes somos tomados por iniciativas extremamente prejudiciais a nós mesmos e que no fundo acabam provocando arrependimento. Mesmo que saibamos estar com a razão, não vale a pena agir por impulso, ou abrir mão de uma arma tão poderosa que é o raciocínio na hora de adotar uma posição. É sempre bom saber quais motivos levaram a outra pessoa a agir de certo modo com você, isso, antes de tirar conclusões precipitadas. Sei que é difícil, porém, é adequado analisar a situação com um certo distanciamento emocional; já que os objetivos escolhidos podem ser definitivos e até traumáticos para as partes envolvidas. A fúria, sem dúvida, é uma reação complicada e impulsiva. Através dela fechamos os olhos para o perigo, ainda sabendo que no fundo ele existe na resposta daquele a quem atacamos ou ignoramos. Na grande maioria dos casos, nosso ímpeto faz com que ultrapassemos limites; infringindo leis de comportamento e respeito ao próximo, ou até mesmo a familiares do próximo que nunca chegamos a conhecer. A reação a isso sempre vem por um ato mais primitivo, principalmente quando gritamos, esmurramos móveis ou até partimos para cima daquele indivíduo por quem nos sentimos afrontados. Em alguns casos acabamos injustamente fazendo acusações contra o modo de ser daquela pessoa que um dia gostamos admiramos; com toda certeza nos precipitamos nessa cegueira. Ficamos obcecados por uma resposta de que temos razão.  Na hora que os músculos retesam, o coração dispara, a mão sua e a respiração fica ofegante, é que devemos reconhecer o sinal de que se deve contar até 10, ou até 1000 antes de falar uma besteira para qualquer alguém.
     Sim... Eu sei... Existe aquela voz interna que pressiona todo o tempo. E não ouvimos nada além do: “Vá em frente, ferre essa besta-fera que te feriu não reconhecendo o seu sentimento tão belo!”. Ou então: “Ligue e diga que não consegue viver sem esse amor”. Olha só... Que dúvida cruel é essa que nos toma de sopetão num momento de repensar os fatos? Obviamente, não há como antecipar as conseqüências daquilo que fazemos aos outros nesses momentos impensados. Na minha opinião: autocontrole não é repressão de emoção. É apenas um jeito de dimensionar aquilo que pode ou não fazer bem a nós, ou a um grupo de pessoas que nos cerca, incluindo a família. Mesmo sabendo que ao engolir desaforos acabamos praticamente jogados ao chão como um trapo, é melhor elaborar bem as respostas antes de tomar qualquer atitude. Justamente porque pessoas que ofendem gratuitamente e com ar de superioridade, só respeitam quem tem algo muito forte e bem embasado para um contra-ataque que pode acabar mal para um dos lados ou para ambos. Ainda sabendo que tudo que tenha dado ensejo a um grande trauma, fosse baseado em acontecimentos verdadeiros que tomaram a forma de crítica construtiva.
Trocando em miúdos: é sempre melhor pensar antes de agredir verbalmente alguém com palavras de desprezo e falta de consideração, porque nem todo mundo tem sangue de barata e aguenta seguidamente humilhações. Eu mesmo fui um dia testemunha de fatos assim - acho que coisa semelhante já aconteceu com muita gente – isso por ter convivido ao lado de pessoas com grande dificuldade para aceitar um não como resposta em situações bobas e até mesmo receber algum tipo de crítica contra um comportamento fora do padrão aceitável; isso em termos de bons modos e compreensão de fatos corriqueiros.
     Certamente, a satisfação imediata que sentimos ao ceder a um impulso de desforra com alguém que nos maltratou, em nada se compara ao desejo fraco de ter autocontrole nessa hora. Tudo porque queremos nos sentir de alma lavada. E a única recompensa completa por isso é o prêmio obtido por ter conseguido devolver na mesma moeda. No entanto, sabendo que isso eleva a auto-estima de um jeito ruim, é melhor resistir a tentação de fazer algo pior para sentir orgulho de si mesmo. Agindo assim, com certeza absoluta, demonstrará ser superior àqueles por quem foi ofendido. E saberá que não existe alguém tão ruim que não possa piorar ou uma dívida que não possa ser paga com um sorriso sarcástico de satisfação. Afinal de contas, o caráter leviano de uma pessoa pela qual nos iludimos, a gente só reconhece vendo de perto e bem de pertinho mesmo. Confesso que eu vi um dia tudo isso numa criatura esnobe e solitária que vivia limitada por uma vida medíocre, porém, segura materialmente. E o que mais buscava em qualquer pessoa era criticar as qualidades que lhe faltavam. Quando alguém age assim e quer  destruir o outro psicologicamente, você aprende que, nessa situação, a melhor forma de enfrentamento é por meio do conceito de reciprocidade. Bateu, levou! A raiva e o ressentimento são emoções com grande potencial para transformar qualquer tipo de relacionamento para pior do que já era. Então... Por que não ser legal? É bem melhor, você não acha? Faz bem para saúde e não causa escândalos vexatórios. Sorria, viva a vida com felicidade e não com melancolia! Faça o bem. Respeite as pessoas. Faça amor, não faça guerra. É dando que se recebe... Coisas boas sempre. É assim que deve ser, assim que deveria ter sido sempre. 

domingo, 23 de julho de 2017

Coerência

     Talvez esse texto não tenha a mesma coesão narrativa dos anteriores, ou até pareça incrivelmente confuso e sem coerência em alguns aspectos – no entanto, o tempo passa e as coisas mudam, as pessoas mudam e se ajustam ou desajustam de vez. Talvez, por alguma dessas opções seja um fracasso desde a primeira até a última linha, mas, posso garantir que, como (des) organizador das próprias idéias, eu tenho, ao meu modo muito especial, absoluto controle sobre (quase) tudo que tento expressar. Porém, advirto: quanto à fluência na sua interpretação, ou de muitos outros, não tenho controle algum.
     Espero que entenda que há um turbilhão de coisas se passando na minha cabeça, minha personalidade interna conversa comigo mesmo e com o mundo lá fora, mostra como é estar completamente fodido, digo, em qualquer situação da vida, seja por: problemas no trabalho, no relacionamento amoroso, na escola, na família ou na vida financeira. Porém, prevalece um sentimento que, no fundo, bem no fundinho mesmo, ainda existe alguma coisa que vale a pena descobrir e pela qual vale a pena lutar. Então, ao ler isso, você poderá perguntar: “Se você se considera tão ferrado na vida, como não enxerga solução para isso?” Interessante observação.. mas, ainda assim será difícil definir o que tem verdadeiramente aqui dentro e a motivação que leva a essas palavras porque ainda não encontrei o que vale a pena lutar.
    Sei bem que há aqueles momentos em que reagi com raiva mal-direcionada na maior parte do tempo ou, simplesmente, porque era uma raiva quase impossível de canalizar para outras vias (ou pessoas) que considerava merecer mais do que outras - com o conhecimento pleno que práticas estabelecidas em tratar as dificuldades dos outros não funcionam tão facilmente como se pensa. Aí que as coisas embolam porque a sociedade não permite, o sistema político não ajuda e estressa, o médico não atende, o padre (ou pastor) não aconselha, os parentes não apoiam, os amigos viram as costas, a escola não ensina como se portar, ninguém ajuda e todos sugam um pouco até que não sobre nada.
     A voz interior diz insistentemente que é preciso se virar sozinho - com o objetivo único de preservar a saúde mental, pois parece muito complicado tentar a comunicação ou receber a comunicação dos outros, sem que pareça algo fútil e superficial.
     Assim vou... Mas sinto que isso está mais parecendo um desabafo ou um assunto pessoal mal-resolvido no qual, de repente, alguém percebe de relance que está passando pela mesma merda todo dia. Então, um dia qualquer um outro alguém acorda injuriado, deprimido e, por uma dessas coincidências do destino, acaba lendo com atenção tudo isso e afirma: “Pôxa, eu tenho esse problema, eu tenho aquela outra dificuldade e esse cara passa pelas mesmas coisas que eu”, e quando esse outro alguém nota esse detalhe, e entende melhor o mundo em que nós estamos, sente um alívio ao saber que não está sozinho apesar de tudo parecer meio cinzento.
     Eu sei e compreendo bem que talvez ao seu olhar ainda esteja faltando uma parte nessa narrativa, e a linguagem parece necessitar de uma reestruturação para melhor entendimento. É bem compreensível e concordo, mas a realidade é que sinto as coisas assim como me expresso, é como se estivesse num asilo de lunáticos, tomado por uma paranóia incurável. É o que acontece... É o sentimento que persiste quando não há ninguém por perto para ajudar e eu fico nesse diálogo imaginário comigo mesmo. Mas isso cria uma angústia, e a história nada mais é do que sobre essa angústia interior, e sobre a sensação de que a coisa mais polida a fazer seria aceitar tudo de cabeça baixa e sair de cena. Livrar o caminho e parar de causar problemas aos outros, ou, quem sabe, livrar a própria visão encontrando um jeito de re-focalizar em apenas uma coisa. O ideal seria juntar, dispersar e juntar de novo, despedaçar-se e recompor-se como outro ser. Isso seria reinventar-se.
     Há um mundo imenso lá fora para ser descoberto e tantas coisas mais para ter ou para tentar ter ainda que tudo pareça meio chato, sem graça e repetitivo. E às vezes você reconhece pelo silêncio de alguém os traumas aparentes que essa pessoa carrega. Isso parece uma forma intuitiva de não-comunicação, aparentemente com algum sentido raivoso e vingativo, dentro daquela pessoa que se sente incompreendida. Ou que se coloca na situação de temerária e insegura, que diante de tantas dúvidas faz um apelo, mas não encontra qualquer conexão com desejo real do que está por vir ou do que poderia fazer para mudar tudo. Chama-se isso de impotência na habilidade de mudar as coisas que estão erradas e ter vergonha de si e do mundo ao redor.
     Há uma parte que não responde, que não é consciente ou está cheia de futilidade e desamparo. Existem pessoas que conseguem com sucesso tratar dessas realidades que eu muitas vezes não consegui encarar com conselhos, então me pergunto: “O que posso fazer, como pode estar tudo bem?” Isso se parece com uma situação obsessiva em que os doentes mentais (porém, funcionais socialmente) se encontram, que é pegar todos os problemas do mundo, e tentar resolve-los como se isso bastasse, e agem com um tipo de bipolaridade ante a dificuldade de entender qual o lugar de cada um nesse mundo. A minha bipolaridade dentro dessa possibilidade imaginária pode ser aumentada um pouco mais para três ou quatro personalidades, onde coexistem em perfeita harmonia e confusão o romântico, o niilista, aquele que ouve vozes e o descrente. Esse alguém que vê o mar e enxerga nele o universo ao qual pertence e se sente uma gota. O imenso oceano é o universo da própria vida pequena e restrita, é o símbolo do cosmo e todas as aspirações que um dia foram frustradas, e, de repente, do nada, se transforma em alguma coisa que pode ser sadia. Por quê alguém deveria se importar com isso, já que não é a interpretação de um personagem, não é um filme tosco; é apenas a pura e simples realidade de alguém como eu?
     Eis aí o que há. As portas de uma mudança num rito de passagem para incríveis emoções extremas que, sabe lá Deus, por que acontecem. São sensações praticamente universais que todos passam, até mesmo em casos extremos de lucidez. Talvez eu seja um caso extremo de transformação, um mutante que vira Ogro num mundo perfeitinho de gente bonita que segue o padrão imposto pela sociedade. Eis aí novamente a magia de imaginar que não se está sozinho, que existem outros na mesma condição (ou fora dela) com esse sentimento de incompletude quase adolescente.
     Uma hora chega o momento de não apenas confrontar os demônios internos, mas de perceber que é preciso encara-los.
     Se Dr Jeckyll e Mr. Hyde levam a duas facetas extremas fazendo perder o foco com excesso de poder, vingança e arrogância ou, por outro lado, a bondade condescendente talvez pareça algo difícil de administrar e perigoso demais se manter assim. Toda a dor pode estar ai, toda a raiva, toda falta de romance, todo o abandono, todos os elementos que separados se juntam e coexistem formando um só no isolamento. E quando tudo se junta qual parte do caráter deve surgir e prevalecer na luz?
     Por vezes o mar fica revolto e é preciso ajuda de algum lugar quando começa a chover, a trovoar e a ventar, ainda mais se está sozinho em cima de uma pedra no meio do oceano. A ideia que vem disso é a de que o caminho do amor espiritual é também uma possibilidade romântica- não falo do amor filial, ou amor romântico (homem / mulher), mas o amor espiritual em sua mais pura essência. Uma jornada que faz chegar a algum lugar e cresce até quase dar um nó na cabeça quando se nota a falta que ele fez. É algo extraordinário e quase sublime, e se torna possível realmente entender ao que leva o isolamento e a frustração (juntamente com a falta de aceitação de que a realidade é muito mais simples do que se pensa).
     O que é possível obter de melhor na vida é o amor das pessoas... Não sei se você já percebeu que existe uma coisa entre os humanos chamada amor, e, no final, é tudo o que interessa para as coisas darem certo. Todo o resto é bobagem. Até é possível ter muito dinheiro e viajar por lugares maravilhosos, mas, se não se tem alguém com quem falar, alguém para amar e compartilhar, não se tem nada. E é basicamente esse o caminho enquanto você luta freneticamente em busca da coerência, para finalmente se libertar do Dr Jeckyll e Mr. Hyde que há aí dentro, e eu tento fazer o mesmo por aqui. 



sábado, 22 de julho de 2017

O Celular Chama Sem Parar

O celular chama sem parar; é um momento de novas expectativas em nossas vidas.
     Sei que antes de atender é necessário pensar sobre todas as circunstâncias da situação, e o que afeta um pedacinho do meu orgulho.
    Sem dúvida, nos tornamos insensíveis e incompreendidos um com o outro no tempo que passou, até finalmente rompermos as grandes muralhas que nos separaram.
     Olhando as coisas com essa simplicidade percebo a raridade da situação e fico pensativo com o que vem pela frente.
     É bem verdade que  quando tive uma nova pessoa em minha vida, mantive a atmosfera misteriosa e desafiadora; controlei a ansiedade para que todas as ações ficassem tímidas e incompletas. Porém, às vezes, pensamentos loucos começavam a se mover dentro da minha cabeça, passando feito raio que ilumina a escuridão e explode em  flashes de sensatez num minuto, e de loucura em outro; o que  permanentemente me guiou pelo caminho do improvável.
     Quando me lembro do mundo que deixei para trás, me condeno por ter me permitido a tantas experiências ruins – esse  mundo seria inimaginável para uma pessoa que tivesse alguma lógica de comportamento sadio, mas na minha ilusão ele parecia perfeito.
     Durante um longo tempo notei que toda a visão se apequenava enquanto o meu mundo se paralisava aos poucos; assim criei o medo de coisas boas e de pessoas que pudessem se aproximar. Todos pareciam inimigos prontos a arrancarem o pouco da crença e dos bons sentimentos que ainda restavam no meu interesse de ser feliz – (em certo sentido, esses momentos constituíam um grande deserto, uma época totalmente desolada de solidão e inércia).
      Sem você, a vida se tornou cheia de inconstâncias e rotinas intermináveis - eu estava me sentindo derrotado; e não era um derrotado comum, era sim um perdedor na pior forma que pode existir: no pensamento.
     Vivendo na cegueira das sensações me tornei recluso entre quatro paredes; esperando indefinidamente que a divina providência trouxesse soluções. Mas não era entre as paredes do meu quarto e nem tampouco do pensamento que as soluções viriam, era a visão obstruída que me acompanhava pelo mundo afora que me fazia errante.
     Esse modo de viver sempre foi o principal mote no raro convívio com as pessoas e nas frequentes viagens astrais. Pela força da razão fazia prevalecer atitudes e opiniões, ainda que tudo caminhasse na contra mão do bom senso. Um bom exemplo disso é que eu gostava de discordar das coisas que diziam de você e argumentava aparentando sabedoria e seriedade, mesmo que no fundo eu soubesse que era um palhaço divertindo platéias que esperavam a próxima cena de defesa hilária e desastrada da sua pessoa. Por essas e por outras era natural que eu me sentisse triste, taciturno, derrotado e desesperado. E apesar de achar que já tinha o suficiente  faltando na vida, os pensamentos insistiam em dificultar tudo um pouco  mais, fluindo na direção oposta do que dita as regras básicas da natureza humana.
     Ao mesmo tempo reconheço que minha família, apesar de aparentar união, era partida ao meio e cada um tinha um propósito diferente. A nossa casa sempre foi um local de convivência totalmente insípida e cheia de esquivas, e os problemas cotidianos eram sempre os mesmos. Sempre haveria um vazamento na tubulação, um fio em curto para isolar, uma maledicência para tratar, uma novidade perversa para ouvir ou contar. Mas que situação triste! Tudo soando tão falso e desolado. Alguns fatos a serem contados com empolgação eram ouvidos com desdém; tudo o que era feito com cuidado era  usado com indiferença. Nada poderia ser planejado a longo ou médio prazo, pois, sempre haveria alguém para desfazer os sonhos com sugestões de impossibilidades e maus agouros. No exato momento em que estas coisas aconteciam, eu sentia vontade de chegar e acender a luz - uma luz em minha vida. Eu sabia que as privações eram temores da alma e, de quando em vez, me debatia em lamurias ao perceber que não havia solução. E acabava, sem querer, me envolvendo em tramas engendradas por um ou outro, que faziam com que alguém saísse de casa para refletir e retornasse depois de algumas horas como se nada tivesse acontecido.
    A casa de parentes na região serrana de Minas Gerais, pertinho de Pouso Alegre, era o meu destino predileto para as fugas, ou as viagens a trabalho pelo interior paulista.
     Eram essas e outras situações que faziam cada um sair com as malas feitas e mal trocando uma palavra – é bem verdade quando dizem que todos precisam respirar ar fresco e se aliviar da poluição que impregna a alma e judia o pensamento – é sério isso!
     As minhas crises de tristeza se avolumavam de tempos em tempos quando eu pensava em você e me tornava recluso - o meu mundo era o do pensamento. E o meu pensamento era a única forma de colocar em dia as minhas esperanças de equilíbrio. Nessa época toda e qualquer inquietação que eu pudesse ter ficava restrita ao meu ambiente exclusivo cheio de perseguições e das traições elaboradas na mente; até que eu mesmo pudesse finalmente admitir que seria capaz de fazer muitas coisas insuspeitas.
     Enquanto volto a mim, o celular insistentemente chama e eu observo minhas mãos inchadas sobre a mesa. Elas estão tremulas, os dedos deformes e a palmas suadas. O movimento para atender é lento, tão lento que parece uma barra de ferro sendo movimentada por um guindaste. Sinto num milésimo de segundo que no momento seguinte a  minha personalidade poderá mudar e embalará os mais loucos sonhos através dos pensamentos incongruentes, e toda perversidade cairá como uma luva nas minhas intenções. O movimento em direção ao celular, que continua chamando, é como o disparo de um gatilho numa roleta russa, e no momento fatal o cérebro poderá estourar sem o estampido ser ouvido. Mas ao imaginar que é possível ouvir o ruído seco se conhece o motivo de estar salvo mais uma vez. O gatilho automático está disparando de novo, lá vem o som que eu desejava  não ouvir. Se tudo acontecer novamente do mesmo modo, eu estarei bancando o palhaço da sociedade, e todos poderão mais uma vez chorar de tanto rir por dentro. E, no momento mais oportuno, todos diriam que me tornei uma celebridade caricata na hora da decisão.
    Eu sei que alguém até poderia sentir orgulho por eu agir assim, mas ninguém saberia ao certo o que foi feito de mim depois de uma ou outra opção. O que entendo de toda essa motivação, é que na vida sempre haverá uma grande surpresa reservada para alguém na hora de atender o celular;  para mim ou para você, quem sabe....
     Novamente sinto que vou desmaiar e rolo pelo chão só de imaginar o seu corpo nu diante de mim. O seu olhar é erótico e convidativo, a boca sussurra baixinho uma doce melodia, e em seguida os movimentos dos corpos fazem esse chão tremer com a imagem do sangue descendo pelas paredes - sombras com contornos perfeitos no teto observam como dois se transformam em um num segundo. A minha energia que move o pensamento agride a sua carne e transcende além da mera imaginação da luxúria ou qualquer outro pecado, pois o destino me enganou muitas vezes, assim como a você também, e tenta nos enganar novamente. Então, na nuvem de vapor que sempre embaçou o espelho da minha vida, vou surgindo na penumbra como um ser errante em busca de saciar a fome de prazer em você e de você em mim, quando quiser e puder.
     Ainda vivo e respiro meio entorpecido e me vejo incapaz de um único movimento.
    Na imagem seguinte caminho sobre cadáveres de desconhecidos, pulo de um em um como se fossem entulhos empilhados em montes. Onde estão os assassinos de emoções? Onde estão os salvadores e carregadores de corpos? Alguém ajude com isso, eles estão atrapalhando;  fedem e vertem líquidos purulentos. Os olhos de alguns parecem esbugalhados e de outros fora das órbitas. Na penumbra os seres da escuridão estão de boca aberta gritando por misericórdia, pedindo a cura de suas feridas abertas pela culpa. Sou salvo dali e vôo com os pássaros da noite para os confins do mundo ao seu lado quando o gatilho automático dispara mais uma vez. A mira continua apontada contra a minha cabeça na mesma velha rotina de antes. “Vida de merda!” “Que Jesus Cristo salve a todos!” Tenho a leve sensação que vou adormecer enquanto o celular não para de chamar, estou em estado inanimado e com um fio de sangue descendo do canto de cada olho.
     Uma nova imagem surge no mesmo lugar de onde todos os corpos foram removidos, enquanto eu caminho num corredor de flores claras que desabrocham lindamente entre os arbustos; a vegetação rasteira é viva e balança ao vento com as cores do arco-íris ao fundo. Ainda assim não demonstro qualquer emoção nessa cena. Sei que lá na frente haverá a chance de alguma alegria ou arrependimento e continuo esperando a próxima imagem tal qual o fanático que reza de joelhos diante da santa encravada num buraco na pedra.
     Sou tirado do transe pelo celular que insistentemente chama sem parar.
     Agora todos os músculos do meu corpo estão sob controle, mesmo que eu caía na armadilha da roleta russa saberei como me livrar. Só eu conheço a significação de cada movimento, de cada toque programado, de cada inércia do pensamento na escuridão.
     Sei que a minha história parece um tanto horripilante, e o que mais lamento foi ter prosseguido desta forma tão triste.
    E... Depois de tudo, eu sorrio e vejo o quão seria interessante levar esta farsa adiante, de como seria confortante continuar desempenhando o papel de palhaço outra vez. Seria? 
     Novamente está tudo na mais perfeita ordem, a minha ordem, mesmo que eu saiba, de uma forma muito misteriosa, que a sua intenção afeta o meu equilíbrio e um pedacinho do meu orgulho enquanto o celular chama sem parar...


Aconteceu em Vinhedo

       Você se lembra dos beijos e carinhos que trocamos lá no parque da uva em Vinhedo? Você se lembra da caminhada pela trilha em meio a...