Desvendando o Diamante Em Estado Bruto

     Minhas ilustres leitoras. Cá estou para falar um pouquinho da vida e de coisas diversas. Também algumas explicações deste escritor sobre as personagens Miss C e Re.
     Confesso que me surpreendi por nunca ter sido censurado ou desconjurado por alguém, seja por via institucional ou virtual. Dou a mão à palmatória por isso; um ponto a favor da postura de muita gente que já se sentiu ofendida com meus textos. Mas, certamente, rola uma leve autocensura, pois eu sabia, mal ou bem, que não poderia, ou deveria, escrever tudo o que penso a respeito de certas experiências que já tive em minha vida - sempre foi uma preocupação legítima, e tive de tomar alguns cuidados com isso.
     Certa vez uma leitora chegou a comentar que, devido ao meu perfil arrojado, eu mais parecia uma metralhadora giratória pronta a ferir certas sensibilidades - o que talvez, por isso, eu acabasse sofrendo alguma pressão de eventuais desafetos. Mas eu apenas esperei para ver no que dava, e não deu em nada. Também porque existem algumas pegadinhas nos textos de duplo sentido, o que acaba semeando uma dúvida. Considero uma pena algumas pessoas não tentarem descobrir o que mais se esconde, o que não se mostra a princípio. Mas cabe aqui um mea-culpa, já que em muitas situações eu faço com que caiam nessa pegadinha sem perceberem.
     É bem verdade que em alguns dos meus textos, principalmente nos contos, há algum despudor no vocabulário; algumas metáforas com descrições muito originais que podem assustar uma pessoa fraca logo de cara. É fácil perceber, se tiver paciência, que vai ficando cada vez mais denso, cada vez mais fluente no clima e nas descrições sombrias e sexuais, ou a busca de um sonho impossível. Fato é que da metade para o final você acaba conquistada por aquele, ou aquela, personagem filha-da-puta em toda sua solidão inconformada. Todos os excessos acabam percebidos nas entrelinhas porque essa solidão é da  “pessoa em cacos”, alguém oco que tem o mundo diante de si mas que odeia a tudo e todos e tenta passar a imagem oposta. E naquilo que descreve vem a imagem de algo muito palpável, aterrorizante e, quando não, muito próximo de cada um de nós. Nessa espiral cada personagem filha-da-puta ou não, vilão ou vítima, apesar de nunca existir 100% de um ou de outro, continua até o final numa existência de solidão incessante. E apesar de que eu tente mostrar isso como apenas mais um dos aspectos humanos tão inerentes a nós mesmos, o fato é que a descrição, em relatos tão vivos, é, a meu ver, a aceitação do próprio destino de cada personagem em não sair do círculo vicioso.
      Talvez fosse possível imaginar que em outra época meus contos devessem ser malvistos pelo vocabulário de baixo calão. Ou, quem sabe, pelo olhar sombrio do narrador para com o mundo cruel que destrói todas as relações. Mas, ele, só por ele mesmo, desenha em linhas tortas um arquétipo do próprio escritor! Que, diga-se em parte, faz dessas descrições uma tensão que leva ao inconformismo. 
     Se a personagem (Miss C) começa como alguém que coloca a mentira, a maldade e o sexo como prioridades, em algum momento ela abandona os homens e opta pela solidão a favor da mais profunda negação do seu mundo cruel que despedaça sonhos e as boas intenções impostas pela sociedade, menos Re, que mesmo não sendo o seu amor declarado fora o que mais mexeu com ela em determinado período da vida.
     O baixo calão usado por mim talvez possa ser entendido com algum lirismo, o tipo de lirismo dos grandes escritores que faz chegar ao sublime ou às lágrimas, depende do humor de cada um. Aparentemente, em meus contos que tratam desta relação insólita e pouco provável entre Miss C e Re, não existe um começo cronológico ou mesmo um final, pois um novo conto se emenda ao outro como se fossem fases e visões de ângulos alternados. As transformações que indicam o começo e o final de cada etapa são interiores, posso até dizer que não existe um tempo físico do primeiro conto, Dear Miss C para este atual, O E-Mail-Carta, e sim várias reflexões esparsas que formam os capítulos. Para alguns pode parecer uma estrutura bem complexa, mas, eu acredito, seja fácil de ler e entender. E apesar de correr o risco de cair na repetição procuro não fazê-lo, apesar das críticas de que discorro somente sobre esse mesmo tema.
     Sei que existem contos que podem ser fascinantes ou enfadonhos. Fato é que, por uma dessas coisas inexplicáveis da energia do universo, eu sinto as mesmas coisas, a mesma porrada ou a mesma meiguice que muitas vezes pode atingir cada qual que continua lendo o que escrevo, e isso me traz um efeito de recompensa. Sei ainda que há quem queria outras coisas mais complexas publicadas neste blog. E percebo que não bastam as descrições de sexo, não bastam palavras impróprias para corar o rostinho de alguém, não basta apenas uma narrativa real e meio forçada como enredo. Não, não! Tudo tem que estar em harmonia, tal qual um livro lindo que desperta um sentimento logo na primeira página. Pois é.... Mas em meus textos coexistem, lado a lado, ligados por um elo sem fim, a falta de sentido da vida, a tristeza, o medo, a solidão e a esperança. Pode parecer terrível. Mas é assim mesmo. Só diante de tudo isso que é possível alcançar o belo, a felicidade e a diversão. Se em meus contos utilizo alguma crueldade que faz alguém imaginar a felicidade que pode ser a vida, digo-lhes, minhas amigas, continuo sendo um felizardo.
     Eu imagino que quem me acompanha há muito tempo sabe que “peguei pesado” quando achei que era necessário, e que talvez tenha até pecado pelo excesso de ousadia, pouca cautela e nenhuma covardia. Eu sei que estava em vias de comprar algumas brigas pelo caminho, mas sei também que, ao mesmo tempo, dei voz a vocês, pessoas cansadas da mesmice; do politicamente correto; do falso moralismo; e daquele tipo de gente cínica que simula postura nobre enquanto, por baixo dos panos, destila profundo ódio, falsidade, inveja e rancor de tudo e de todos.
      Porém, a realidade aqui é outra; é lúdica. Eis o motivo em nunca pensar muito ao publicar o que escrevo. Porque, entre vocês e eu, não há nada, nenhuma censura, teatro ou encenação. É como se fosse uma brincadeira de criança. Aquilo que realmente acredito defendo, e o que efetivamente penso, escrevo. Creio ser esse o meu principal diferencial, meu trunfo, em meio a tanta gente preocupada em agradar demais os outros.
      Sei muito bem que seria desnecessário dizer essas coisas, por ser este um pequeno blog independente, e somando-se a isso o fato de ser o meu “abrigo virtual”.
      Porém, ao estar bem longe de ameaças de alguns detratores inconformados com a minha postura, o meu grau de ousadia só tende a aumentar. Eu confesso que isto me inspira muitíssimo.
      Pareceu-me bem claro que a comemoração de alguns por minha ausência em publicar textos foi prematura demais. Não pretendo dar sossego aos inimigos, - a prole de infames, ícones da hipocrisia; aqueles que falam em suas publicações sobre tolerância e amor, enquanto tratam os outros com ódio e rancor. Serei sempre a pedrinha em seus sapatos, aquele que diz o que pensa e não teme que leiam e se arvorem em pesadelos e rumores baixos. Mesmo que eu ainda continue dando mão à palmatória por suas ações de respeito ao que é artístico.
      Diante disso, o foco principal do meu blog continuará sendo o amor não correspondido e a busca da própria identidade em textos sobre comportamento, sem nunca deixar de lado o aspecto cultural através da música e da arte. Idem aos valores da sociedade, pois entendo que tudo isso é fundamental para o ambiente em que a liberdade pode ou não continuar prosperando. Aqui continuará sendo um espaço de resistência contra o avanço da barbárie dos boçais de plantão. Um ambiente virtual de alerta à civilização e ao comportamento infame, uma reação a tudo que nos agride de alguma forma, e que é vendido como bom só por estar na moda ou por ter boa aparência. Saibam de uma vez por todas que o olhar preconceituoso – sem ética e sem estética – não tem vez aqui, pois eu continuo sendo um diamante em estado bruto.

               Agradeço muitíssimo a quem sempre me prestigia.

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