terça-feira, 19 de agosto de 2014

Vaidade Em Prejuízo Da Honra Parte 6

“E, quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então ele vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má." (Mateus 12:43-45)

          Ainda no carro das meninas:

     - Hum! Hum! – responde Rita, meio desatenta ao volante, sem saber direito para que lado embicar o veículo.
     - Ufa! Chegamos! – Cristiana suspira com grande alívio.
     - Vamos bolar o seu perfil? Vai ser legal se colocarmos em mais de um site? – insiste Rita durante a caminhada, enquanto Sofia e Júlia vão rapidamente ao encontro dos pais.
    - Não quero. Isso é perigoso. Pare de insistir com isso. Já falei que não quero! E se depois do primeiro encontro o cara se apaixona e vira um grude insuportável? Eu não vou saber lidar com a situação. Vai ser pior. Não insista mais, por favor!
   - O que tem isso? Deixa de ser chata – retruca Rita.
   - O que tem isso? Não creio no que estou ouvindo. Presta atenção: depois da primeira ou segunda vez o cara já se acha meu dono, começa ligando no celular de manhã, depois de tarde e de noite; aí liga em casa, manda torpedos, enche o saco, persegue... E, no caso, se eu não tiver gostado dele o suficiente para continuar e não quiser mais nada, vira um inferno dar desculpas do por que não quero aceitar convites para sair.
  - Que bobagem! Não se preocupe. É difícil de acontecer, mas se acontecer é só ignorar. Se você sair com o cara 2 ou 3 vezes e quiser desistir, mesmo depois que deu os contatos telefônicos, é só não atender mais ou responder e-mails. Ele vai perceber que você não quer mais nada e pronto. Vai ser bom ter esse tipo de experiência, você precisa de diversão, precisa relaxar... Olha bem, por experiência própria eu digo: os homens não gostam de insistir quando se sentem rejeitados. Comigo isso sempre funciona. Com a prática você vai aprendendo a ignorar, se for necessário.
     - E se o cara resolver me perseguir?
     - Ignore-o. O que o perseguidor deseja é a validação da perseguição com sua resposta. Se você ficar quietinha ele logo desiste e a vida segue. É só ignorar, aprenda a lição. Diga apenas uma vez que não quer mais nenhum contato, ou que você precisa de algum tempo sozinha para refletir.
     - Tá. E se ele insistir? E se mesmo assim continuar ligando, mandando e-mails...?
     - Bom... Aí não tem outro jeito de resolver a situação. Você vai à delegacia da mulher e dá queixa dele por perseguição. Inventa umas mentiras, diz que ele te ameaçou de morte, que te cercou na rua, ou fala que tentou te agredir, inventa qualquer conversa, diz um monte de coisa para ferrar ele, e pronto! Faz cara de coitada como se fosse vítima de um maníaco sexual. Chore um pouco se for preciso e mostre desespero no olhar. Eles acreditarão em tudo e farão o registro. Depois eles mandam uma intimação para ele ir à delegacia se explicar, então você não aparece e eles arquivam a queixa. Garanto que depois de passar por isso ele não vai mais querer saber de você. Acho melhor deixar essa parte para lá e bolar as coisas direito, pois, nem arrumamos o namorado e já estamos imaginando como será a solução de qualquer briga. Acho que o tempo perdido de namoro com aquele moleque te deixou fora de sintonia com o mundo. Acorda! Conheça um cara, dê chance a si mesma, e se não gostar pule para outro até achar quem você possa dominar. Fique apenas com um cara que seja do seu agrado e que coma direitinho na sua mão.
   - Tudo parece muito fácil para você, mas comigo não sei se funciona. Tenho medo. Acho melhor não me envolver com isso. Vou esperar a pessoa certa aparecer naturalmente.
   - Não se preocupe. Tudo vai dar certo. Quando você aprender a fazer o homem se apaixonar, você fará dele o seu capacho – e fique sabendo que todos eles gostam – arremata Rita com sorriso de convicção.
   - Vou pensar... – responde Cristiana, mais preocupada em apressar os passos ao encontro dos pais.

           O Auditório:

     O grupo de Marco Antonio percebeu que não seria possível continuar com as conferências em ambientes pequenos - lugares sem acomodações adequadas para idosos, senhoras, jovens e crianças.
   As reuniões tomaram uma dimensão que iam além do mero debate de ideias ou da atribuição de novos cargos aos membros participantes. Agora era quase como um show tomado de pirotecnia tecnológica e lances teatrais.
   Em sua entrada ao recinto Marco Antonio parecia bem-humorado e, enquanto se dirigia aos bastidores, pessoas o cumprimentavam dando parabéns. Alguns diziam frases de apoio com efusivos apertos de mãos e tapinhas nas costas:
    - As pessoas que estão aqui gostam muito de você! – repetia várias vezes um dos admiradores que seguia seus passos bem de perto.
   Isso deixava Marco Antonio meio desconcertado, mas, ao mesmo tempo, atendia a todos ao seu redor com calma e delicadeza; agradecia educadamente a boa receptividade. A imagem de generosidade era a que ele mais se esforçava em passar aos presentes. Maria e filhas buscaram seus lugares reservados na primeira fileira e ali se acomodaram tirando fotos e digitando mensagens em seus celulares ultramodernos.
    Naquele grande auditório não havia anúncios e nem faixas dos patrocinadores que mantinham durante décadas o grupo de amigos que crescia cada vez mais. Os empresários e endinheirados de plantão estavam ali, porém, como se fossem um tipo de gente comum e sem rosto perdida na multidão. Iam fazendo de conta que eram meros participantes em trajes de simplicidade - desapegados do culto à personalidade ao qual estavam acostumados no dia a dia de mimos e bajulações.
    No canto alto à esquerda no fundo do palco havia um grande telão e do lado oposto do recinto outro telão menor. Os dois transmitindo imagens de famílias felizes no jardim da vida; como sempre assistimos em propaganda de margarina. Outras vezes a imagem saía do foco da família e fechava em close numa flor desabrochando com raios de Sol. Música instrumental suave tomava conta do ambiente enquanto as pessoas aos burburinhos se ajeitavam nas cadeiras com estofamento azul. Tudo indicava que neste evento Marco Antonio se superaria ao marcar um pedaço a mais do seu território dentro do clã; motivado principalmente pelo poder do discurso que fazia tantas pessoas convergir ao mesmo propósito. Pessoas que outrora, assim como ele, tiveram pensamentos perturbadores, aflições e preocupações. Gente com tantas coisas dolorosas acontecendo na consciência do mundo real. E com a igualdade nos confrontos da inconsciência com atitudes à boa e à má existência.
     A aceitação da necessidade do sofrimento como redenção, por mais paradoxal que isso pudesse parecer, tornou-se o seu lema. E assim ele ensaiou sair da concha e floresceu; começou a enxergar em toda parte um mistério, uma cura, uma curva ascendente na vida do estado de submissão para a dominação. Um belo dia criou coragem e resolveu seguir adiante. Passou a ler teologia, se aprofundou na teologia da libertação, estudou livros de filosofia e revelações de sociedades secretas. Comprou um exemplar de I ching e do livro dos mortos. Ele sabia que a mente das pessoas sonhadoras era um campo muito fértil, o qual poderia ser preenchido de artimanha ou de emoções ilógicas. Muitas destas pessoas sequer admitiam seus próprios erros e viviam algemadas em maus pensamentos, dúvidas e solidão – em sua maioria, imersas num passado que desejariam esquecer. Mas que as perseguia constantemente. Para ele o livre arbítrio agora tinha outro nome. E a filosofia praticada ali jamais poderia sofrer um revés, contestação, ou, quem sabe, uma ameaça em sua harmonia.
    Com o ribombar de tambores saindo pelas caixas de som veio o anúncio de silêncio para o início da cerimônia. Ele finalmente saíra do anonimato. Ele finalmente era aquele que tinha o holofote sobre si.
    O apresentador que caminhou de um jeito meio desengonçado para o centro do palco era alguém bem próximo da família Borges. Era Michael trajando um terno branco impecável. Aproximou-se do pedestal do microfone e não citou os nomes de autoridades presentes ou gente de destaque. Apenas acenou juntando as palmas das mãos ao público, numa forma muito carinhosa de agradecimento pela lotação do ambiente. Agiu com a simplicidade que merecia o evento. Caminhou de um lado a outro, como se estudasse a metragem do palco ou a resistência do piso e em seguida, com uma voz de locutor de rádio FM, começou a apresentação. A platéia focou-se nele e o silêncio tomou conta das crianças que, até então, não paravam de correr por todos os cantos.
       - Meus amigos, família e discípulos da nossa ordem aqui presentes; fui incumbido desta enorme honra – o que me deixou profundamente orgulhoso por ter entrado recentemente nesta família. – Estou aqui para apresentar a pessoa que tem influenciado demais a minha vida para melhor. Este homem surgiu um dia do nada e nos atingiu em cheio com uma proposta inovadora, moderna e cheia de virtudes. O seu altruísmo e sensibilidade são incríveis. Ele tem uma família linda; esposa e filhas aqui presentes – inclusive a minha noiva, e muito em breve esposa, Sofia, por quem sou profundamente apaixonado– todas muito gentis, educadas e dotadas de uma extraordinária lisura de caráter  – e tenho certeza, aqueles que conhecem essa família de perto sabem disso. Esse homem fez passo a passo do seu discurso coerente suas atitudes e de suas atitudes o seu próprio marketing pessoal. E garanto a vocês, sem precisar se esforçar para ser entendido. Ele é bem mais que um simples alguém que nos contagiou com sua exímia capacidade de nos fazer enxergar adiante; de fazer com que nos sintamos bem em qualquer lugar ou ocasião desta vida. Ele é indubitavelmente um fenômeno que nos trouxe um objetivo maior, e fortaleceu os pilares da nossa pequena sociedade existente há séculos. E acima de tudo nos ensinou a sonhar outra vez. Ele, com toda certeza, tornou-se mais importante para nós que qualquer palavra elogiosa dita aqui nesse momento de empolgação. Por isso, eu finalizo essa curta apresentação anunciando o homenageado da noite: - senhoras e senhores que venha ao palco o Sr. Marco Antonio Borges. Pois todos aqui estão ansiosos para ouvir sua mensagem.
       Nesse instante, as pessoas aplaudem efusivamente enquanto Marco Antonio se encaminha ao meio do palco agradecendo ao mestre de cerimônias que, de saída, passa por ele trocando tapinhas de mãos como se fossem meninos.
       Após uma pausa para respirar, Marco Antonio inicia sua fala com as seguintes palavras:
     - Agradeço a presença de todos. Não imaginei que hoje o lugar pudesse estar tão lotado. Fico honrado com essa celebração. Não me considero um homem visionário, intuitivo, criativo ou qualquer outra qualidade que enalteça a minha capacidade. Eu sou apenas alguém que aprendeu controlar os próprios venenos internos e esse medo que cada um carrega dentro de si mesmo. Eu não sou diferente. Quem verdadeiramente me conhece sabe disso.
     A platéia sussurrou e aquele som de espanto ecoou pelo auditório. Ele fitou o público e olhou para sua família na primeira fila e continuou:
     - Antes de mais nada, e como não poderia deixar de ser, o meu mais profundo agradecimento vai ao Criador de todas as coisas. Ele nos dá desígnios que, muitas vezes, surpreende a todos que não têm fé. Acho que isso se deve mais pela limitação do nosso curto entendimento do que é a vida, e de como Ele atua sobre ela, do que sobre o conhecimento do que cada um de nós se torna em seus propósitos mesquinhos. Agradeço aos meus estimados familiares por me prestigiarem e apoiarem em todas as horas. Por me incentivarem a desenvolver a dialética construtiva em busca de melhores resultados para minha existência e a de todos nós. Os meus agradecimentos se estendem ao nosso grupo de amigos que considero como uma família baseada nas mesmas leis e princípios; família esta que me acolheu desde cedo como aprendiz do corpo filosófico e de toda sabedoria que continuo recebendo. Agradeço a todos que admitiram, naquela ocasião, o meu ingresso nisso que chamo de família, mas que no fundo nada mais é que uma instituição muito bem alicerçada.
      Com grande satisfação recebi a comunicação que devo ocupar uma cadeira por onde passaram por décadas e décadas grandes expoentes da nossa sociedade iluminada. A esses faço questão de honrar a memória, por que mantiveram acesa a fulgurante chama da liberdade, da verdade e do conhecimento.
      Gostaria de revelar a todos que passando dos 50 anos tive mais tempo de reflexão para interpretar minha história – a história da minha vida – e todas as inspirações que foram e voltaram da grandeza à pequenez. Aprendi, a duras penas, que a vida parece a cada um muito curta para se viver, mas longa demais quando se comete erros ou se insiste neles. Mas, o que no fundo importa é que, - como todos somos iguais na essência, - cada um ao seu estilo – infalivelmente terminará diante de uma reunião de gente bem vestida com sussurros, lamentos e lágrimas nos olhos. O futuro é o algoz de todos. O presente não permite retorno, mas nos faz enxergar o que somos e o que seremos.
       Tenho diante de mim todos os amigos, a minha família, o solo que cultivei e o sonho que realizei. Se eu pudesse retornar ao passado valorizaria mais meus pais, daria mais beijos na minha mulher, pediria perdão a quem feri. Procuraria ser menos estúpido e mais esclarecido. Eu fui um tapado, um pragmático idiota que só pensava em trabalho, viagens e dinheiro. Se eu pudesse retornar daria asas à imaginação, bateria mais forte as asas do tempo para aproveitar tudo melhor. Brincaria mais com minhas filhas quando pequenas, seria mais presente na vida delas, e lhes daria o mundo se assim desejassem. Aquele mundinho só nosso. Eu mostraria que estava vivo e seria bem mais que um vulto passageiro ou uma presença escondida nas sombras. Ah! Como eu gostaria de ter relaxado, de ter conquistado, de ter sido eu mesmo. Como eu gostaria de poder desvendar todos aqueles mistérios. Será que um sonho nunca volta? O que temos a fazer agora? Aonde iremos depois daqui? Estarei presente em breve nesse mesmo palco para contar outras histórias a cada um de vocês?
      Nesse instante algo aconteceu com a platéia. Todos se envolveram numa atmosfera de saudosismo e afetividade. Alguns começaram a relembrar das pessoas que já se foram. Outros mais emocionados baixaram a guarda abrindo as portas do inconsciente para se depararem com sua mais pura fragilidade interior. Pessoas aparentemente muito determinadas e seguras de si agora se sentiam relés mortais.
      Um dia eu disse a mim mesmo que ninguém me seguisse, pois eu estava perdido. Ainda estou perdido e perdi o medo de me perder, mas adoro essa vida e a minha família. Coisas que eu sei dessa vida nunca aprendi com meu pai. Não o conheci. Nunca pude agradecê-lo por ter me dado a vida. A sua ausência bloqueou grande parte dos meus sentimentos durante bastante tempo. Cresci numa cidade onde ninguém se preocupava em melhorias. A imagem que cada pessoa pobre dali carregava, era que estava pronta para o serviço pesado em grandes capitais deste país. O máximo que poderia conseguir ficando ali seria um padrão de vida baixo e sem qualquer perspectiva de melhora. Numa grande capital talvez tivesse mais chance como mão de obra na construção civil. Muitos poderosos da minha região nos rotulavam como preguiçosos e queriam usar a força bruta para nos obrigar a trabalhar de sol a sol em suas fazendas - enfraquecendo pouco a pouco o nosso físico e o nosso espírito - um povo visto como uma frágil massa de manobra.  Mas eu aprendi, guardei aquelas marcas e sobrevivi. Todo dia reservo 10 minutos do meu tempo para meditar. Separo uma passagem da Bíblia antes de iniciarmos o jantar. Na última semana escolhi Mateus - o que tem agradado muito a todos. Sei que as minhas meninas se apegam nesses dizeres. Elas ficam tão ansiosas para saber do trecho escolhido que silenciam, e depois do trecho lido voltam a conversar entre si com o olhar manso.    
      Quando eu seguia para cá ao lado da minha adorável esposa, ouvíamos no carro uma música de Richard Wagner para nos acalmar; um pequeno trecho de Tristão e Isolda. Isso me inspirou muitíssimo para as palavras que direi a seguir. Lembrávamos ainda, durante o percurso, de um momento curioso que passamos juntos no último sábado; foi quando fizemos uma visitinha a um restaurante de comida típica nordestina. Um lugarzinho aparentemente muito aconchegante num bairro de classe média e com comidas maravilhosas que me trouxeram muitas recordações da minha origem. O nome deste lugar é Chapéu-de-couro, e nunca tínhamos ido lá. Tem fama internacional. Achei o atendimento requintado demais para o tipo de proposta. O tipo de comida e sua localização não combinam com a aura de finesse que quiseram passar. Talvez na Avenida Paulista, Rua Augusta ou Bela Cintra ele caísse melhor. O lugar passa uma falsa impressão no ambiente de sertão nordestino e rusticidade rural. Algo meio forçado aos olhos de quem conhece o verdadeiro sertão e o agreste nordestino. Um pouco caro também. Quase sugeri que fizessem um cardápio em Francês, já que querem parecer chiques cobrando preços em nome da fama que ostenta o chefe de cozinha. 
     Essa prosa parece meio fora de propósito né? Mas estou contando isso por que quando eu era criança comia buchada de bode feita pela minha mãezinha querida. Ela também sabia preparar divinamente um sarapatel muito caprichado com temperos frescos do nosso quintal. E de manhã, logo cedinho, ela botava na mesa o mungunzá e um prato de inhame com jabá. A gente só não comia calango porque não éramos tão pobres a esse ponto. Alguém aí sabe o que é Calango? Levante a mão quem souber. Puxa vida... Bastante gente conhece o bicho. Podem abaixar os braços. Alguém aí já comeu inhame com jabá? Ninguém? Vocês não sabem o que é bom! Até me dá água na boca de pensar naqueles sabores, o cheiro dos temperos... E era o que nos deixava fortes e saudáveis. Crianças cheias de saúde para nadar no açude e se pendurar em balanços de cordas feitos nas árvores. Fico meio indignado quando comida de gente pobre agora vem com grife. Desculpe gente, estou parecendo um velhote rabugento e meio-desvairado reclamando do preço da comida. É que agora eu posso me dar a esses luxos de excentricidades descabidas. Bem diferente do meu tempo de calças curtas remendadas e chinelos de tiras que se soltavam a cada dois passos. Talvez esse saudosismo fora de hora seja um pouco de nervosismo e ansiedade da minha parte; não estou acostumado a receber tanto reconhecimento. Vocês são o máximo! Eu me emociono demais ao dirigir a vocês minhas experiências de vida.
      Enfim... Foi maravilhoso o passeio. Confesso que fazia tempo que não compartilhava algo tão interessante junto com minha esposa. E, garanto, ficamos felizes, pois foram momentos muito prazerosos em que rimos muito. nós voltaremos lá qualquer dia destes para provar tapioca e a famosa cachaça artesanal vinda de Pernambuco. Agora vamos ao que interessa.
     Essa mensagem chega com esse exemplo e vai a todas as pessoas que fecharam os olhos para a vida, e toda a existência em seu significado maior. Devemos cada vez mais seguir juntos e procurar nossos ideais em novos momentos e sensações. Sempre tivemos em mãos a oportunidade de quebrar dogmas e paradigmas, principalmente a espinha dorsal de víboras da sociedade que nos envenenam o tempo todo com sua cultura de aberrações. Aqui está a oportunidade. É simples. Nós temos a virtude. É nossa obrigação porque fomos contemplados com essa honra.
      Então, querida família. Elevo todos vocês a um nível superior. Vocês são inigualáveis porque vocês são da minha carne, são do meu sangue. Temos um pacto, uma tarefa a cumprir. Todos que aqui estão fazem parte de um pequeno segmento daqueles que estão lá fora colocando silenciosamente em prática nossa filosofia. Desejo que todos absorvam o que esperamos para um novo tempo nessa terra. Devemos estar sempre unidos, e vocês serão capazes disso. No futuro não desejamos testemunhar injustiça com algum dos nossos. Vocês têm o dever de impedir isso. Vocês têm o dever de impedir que indesejáveis se infiltrem entre nós. E nos maculem. Vocês precisam ser hábeis e educados para evitar que isso aconteça. Queremos que as pessoas que não cabem aqui nos sejam obedientes. Vocês devem praticar isso. Peço que sejam corajosos e mantenham a nossa harmonia interna. Não queremos enfraquecer o nosso grupo, ele deve ser sempre forte, e vocês precisam mentalizar isso. Mentalizar e praticar. Vocês precisam - se necessário - aprender e aceitar privações sem esmorecer. Não importa o que façamos ou o que criamos, mas em vocês, a família sobreviverá. E quando nada mais restar se levantarão desse nada e lutarão por nossos princípios. E sabem muito bem que isto está na mão de cada um de vocês e não pode ser de outro modo. Devemos estar sempre juntos! Porque todos aqui presentes, são carne da minha carne e sangue do meu sangue. E a mente de todos vocês está repleta do ideal que nos orienta e nos obriga a ser o que somos. Estamos unidos na mesma marcha que outros cedo ou tarde se juntarão. E nós sabemos, mais do que nunca, que o futuro que podemos construir está diante de nós. Ao voltarem para suas casas levem consigo os sete ensinamentos e repitam a cada dia como um mantra. Isso protegerá a todos nós de todo mal que assola nossa caminhada.

                       A viagem:          

     - Veja aquela luz vermelha lá no alto do morro. Aquilo deve ser a tal igrejinha que a mulher falou.
     - Sim. Vou dar marcha-ré e manobrar. Vamos até lá conferir.
     - Ufa! Finalmente chegamos! Estica o braço e aperta a campainha do interfone – Cristiana suspira aliviada.
     - Olá boa noite. Reservamos um chalé.
     - O portão está apenas encostado. Retire a corrente e siga até poste de luz – responde a voz feminina do outro lado.
     Uma porta lateral se abre e uma moça de trinta e poucos anos nos atende.
      - Venham comigo para preenchermos uma ficha com os dados de vocês. É coisa rápida. Reservei um chalé bem espaçoso. Têm 2 quartos, uma saleta e cozinha com fogão, geladeira e utensílios. Eu morei nesse chalé por mais de um ano com meu marido e filhos.
      - Você é a dona? – perguntei.
      - Não! Os donos moram em São Paulo. Eu e meu marido cuidamos de tudo aqui. O Sr. preenche a ficha?
      - Melhor a Cristiana preencher, os meus óculos para perto estão na mala.
      - Eis a chave. Chalé número 5. Trouxeram cobertores? Aqui faz bastante frio de madrugada.
      - Trouxemos sim – respondi.
      - Qualquer coisa que precisarem podem me chamar aqui na porta. Boa estada!
      - Ficamos gratos.

 Continua...



3 comentários:

  1. Patricia Ramos Sodero19 de agosto de 2014 21:44

    Boa noite,Re!
    É incrível como no passar de cada capítulo,vamos analisando os protagonistas de uma outra forma.Sr.Marco Antonio,no princípio,me parecia um homem meio que egoísta,que não dava importância a sua família e vivia em seu "mundinho",com suas preferências musicais.A linda homenagem feita a esse homem,onde lotou auditório e todos que ali estavam,fizeram questão de ouvir toda sua estória de vida,e como fez para vencer,é realmente enriquecedor.Nós,leitoras,conseguimos vivenciar cada momento,como se lá estivéssemos.Agora,consigo ter outra visão dessa família.Cada um dos membros com suas características,porém,unidos em todos os momentos.
    Um capítulo bem marcante,Renato.Tudo que fala sobre família é complicado.Sentimentos,expressões,personalidades diferentes....E a estória da família Borges,está nos ensinando um pouquinho mais do assunto.
    Belo capítulo!Muito bem escrito e desenvolvido,como sempre.Adorei!
    Sempre esperando mais novidades nos próximos capítulos,sem demora!
    Bjsssss....até!

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  2. Cm eu já desconfiava, o Sr. Marco Antônio está se revelando, mostrando aos poucos o q está por baixo da pele de cordeiro q usa.
    Num discurso “emocionante” (dá até a impressão de q os ouvintes estão c/ os olhos marejados!), ele mente tão descaradamente e c/ tnt convicção q Hitler deve ter “virado no caixão”! E Wagner tbém! Ozzy comemoraria o feito c/ um Black Sabbath! Afff!...
    Isto é q eu chamo de ter o dom da persuasão!
    Estas pessoas tem o poder de levar outras a realizar atos inexplicáveis, até contra si msms! Convencem pela emoção, exibindo um lado “divino” q na verdd não existe, ou existe apenas p/ usar os outros em benefício próprio.
    Seria cômica se não fosse absurda a capacidd q pessoas cm ele (talvez exista mto + do q imaginamos) tem de convencer os outro e fazê-los acreditar piamente na nobreza de sua índole, qdo a verdd é extremamente oposta!!!
    A palavra p/ este capítulo é SINISTRO, Sr. Autor! Tô até ficando c/ medo do q pode acontecer ainda! Kkkkk... E tbém mto bem escrito, parabéns!
    BJSSS - Edneia

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  3. Discurso notório pra quem não o conhece de verdade. Homem inteligente q conduz uma margem do discurso pra mexer com os convidados presentes ali.. A mulher e filhas, o q estão pensando sobre isso? Foi uma revelação, armação? A viagem do casal q chegou ao seu destino planejado.. Vamos saber se tudo ocorreu conforme o combinado pelo casal....
    Andréa Cardoso...

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