sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Black Sabbath

     Há algum tempo postei aqui alguns textos que falavam de música, e o pessoal, através de belos comentários, pareceu gostar muito dos temas. Naquela época eu me baseei nos estilos de músicos que sempre admirei – e comentar deste assunto é algo que realmente me dá prazer. Então, aproveitando a oportunidade do conto “Vaidade em prejuízo da honra”, que está sendo publicado em capítulos, resolvi intercalar algumas informações que considero interessantes dos grupos de rock, ou de alguns músicos citados no decorrer do conto.
    Espero que gostem de saber mais informações destes artistas; que, sinceramente, apreciem ler esses detalhes tanto quanto eu gosto de escrever para vocês.
     Vamos hoje com um pouco de Black Sabbath.
     A história do grupo começa na cidade de Birmigham, Inglaterra, bem no início dos anos 70.
     Numa sexta-feira, dia 13 de fevereiro de 1970, é lançado o seu álbum de estreia chamado “Black Sabbath”.
    O lançamento - e imediata divulgação por toda a Europa - chocaria a opinião pública e, consequentemente, a crítica da época, justamente por um tipo de brutalidade sonora desconhecida até então.
    Muitos grupos tocavam alto no final dos anos 60: Cream, The Who, Led Zeppelin, Deep Purple e os americanos de Detroit (The Stooges e MC5). O peso do Black Sabbath, no entanto, era diferente – uma expressão musical totalmente crua, mórbida e cruel. Na maioria dos momentos era demoníaca e profundamente enigmática em algumas passagens sombrias. O vocalista Ozzy Osbourne certa vez declarou: “Nossa música é uma reação a toda babaquice de paz, amor e felicidade. Os hippies ficam tentando nos convencer de que o mundo é uma maravilha, mas é só olhar ao redor para ver em que merda nós estamos.”
    Ozzy tinha todas as razões para reclamar da vida: teve uma infância pobre e passou boa parte de sua adolescência indo e vindo de reformatórios em Aston, o bairro miserável de sua cidade natal. Em 1967 resolveu montar um grupo de rock com o guitarrista Tony Iommi, o baixista Terry “Geezer” Butler e o baterista Bill Ward; começaram tocando em barzinhos que pagavam uma merreca de cachê. Como resultado direto de suas frustrações e problemas financeiros, viram seu som se tornar mais sujo e agressivo a cada dia.
     O álbum de estreia tornou-se o catalisador de toda essa revolta acumulada ao longo de três anos de estrada. A violência estava finalmente condensada em vinil. Toda estranheza do som que vem a seguir é anunciada logo de cara na faixa-título; ruídos meio fantasmagóricos de chuva e sinos. Até chegar a última faixa chamada “Warning” temos um festival de acordes ruidosos, vocais ensandecidos e ritmo pulsante. Os temas abordados são: missas negras, encontros com Lúcifer e afirmações de catástrofes num futuro próximo. Frutos, principalmente, da leitura exaustiva das obras do inglês Dennis Wheatley. Três músicas deste disco, ao menos, ficariam marcadas para sempre na história do rock: a já citada “Black Sabbath”, “The Wizard” e “N.I.B.”. Junto a “Behind the Walls of sleep” (inspirada num livro de H.P. Lovecraft), “Evil woman”, “Sleeping Village” e “Warning” formam um álbum fundamental e precursor do se viria a fazer no futuro em termos de rock pesado.
     Dispondo de uma sonoridade única, o som do Black Sabbath não nasceu de nenhum desdobramento de outro gênero ou de influências diretas vindas de Beatles ou Rolling Stones. O seu estilo veio num rompante de ousadia de quatro músicos moldados pelas dificuldades e pela revolta, avessos a um estado de coisas que pareciam inerentes àquela época musical, o tal establishment do som “bicho-grilo”. Enquanto o rock progressivo, através de Yes, King Crimson e Pink Floyd promovia uma viagem por paisagens idílicas, o Black Sabbath oferecia uma passagem sem volta ao inferno. Neste contexto, o grupo viveria momentos de glória até 1975, com o lançamento do seu sexto LP, Sabotage. Depois entrou em lento processo de decadência, movido por batalhas de egos de seus integrantes, até sua primeira dissolução em 1978; quando Ozzy saiu e entrou em seu lugar o fantástico Ronnie James Dio, mas, a partir daí a história é outra. O ápice de magia e carisma inigualável do grupo fica mesmo por conta dos seus primeiros 10 anos de atuação.

     Ainda assim, o Black Sabbath permanece como um dos grupos mais subestimados de todos os tempos. É bem verdade que o estilo musical que chamamos de rock, em todas suas vertentes, tem uma incrível facilidade em gerar mediocridades; dando farta munição aos detratores do gênero. Mas é inadmissível que a importância do Black Sabbath ainda seja colocada em dúvida, quando tanto lixo mal tocado e mal produzido continue exaustivamente sendo imposto por todo tipo de mídia aos nossos sensíveis ouvidinhos. Ouvidos estes que, outrora, desenvolveram grande sensibilidade ao se acostumarem ao incrível som dos anos 60, 70 e 80. Ao relatar tudo isso lamento não existir mais novidades com qualidade e uma boa dose de criatividade. É tudo mais do mesmo piorado. Será que me tornei um saudosista incurável? Se sim, creio, não devo ser o único...




2 comentários:

  1. Patricia Ramos Sodero22 de agosto de 2014 21:46

    Boa noite, Renato!
    Sim,com certeza da minha parte,tenho curiosidade em saber de grupos e estilos musicais que não fizeram parte da minha vida.Sou franca em dizer que não é meu gênero musical.Acho bem pesado, como você mesmo menciona,Re.Mas nada que impeça minha curiosidade"florar".Acredito sim que era a maneira que encontravam de extravasar toda a rebeldia do passado que viveram.
    Muito gostosa esse maneira de intercalar entre os capítulos,vídeos e explicações de uma forma geral,para nós,leitoras,sabermos mais de estórias musicais,bem como o gosto desse autor que nos ensina.
    Parabéns e espero ler mais vezes sobre os anos 60,70 e 80.
    Bjsssss e até!

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  2. Mto legal e mto criativo, Renato!
    Intercalar os txts c/ informações sobre as obras e os artistas citados dará oportunidd de aumentar a bagagem de conhecimentos p/ mtas leitoras!
    Eu, particular/e, gosto mto das suas citações e me interesso em saber +. Na maioria das vezes, eu procuro maiores informações dos q eu não conheço ou conheço pouco.
    Agora vc vai facilitar este processo (thanks! kkkk) e tornar seus txts ainda + interessantes e enriquecedores!
    Parabéns pela iniciativa!
    BJSSS - Edneia

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