domingo, 8 de junho de 2014

Voo Da Borboleta

Caminhos da solidão são toscos, um labirinto de emoções que levam pra lá e pra cá.
Em busca de algum rumo dei várias vezes de encontro às paredes  - caminhos falsos.
Não havia pinturas ou adereços, - nenhuma orientação - nem a mesma velha cara lambida de sempre.
Em meio às palavras surgiu em mim um certo arremedo de intolerância.
Pairou uma excitação num breve momento; me contagiou como rubéola.
Tudo vibrou em cores fortes no fraco olhar cansado da espera.
A velha sensação bucólica chegou diante do nada na lembrança - quase reprimida pela leviandade da descrença.
Esse ser incauto esperava um novo milagre que não acontecia.
Desistiu do impossível e adorou o sugestionável.
Tinha a aparência inerte de quem nada via, de quem nada ouvia e de quem nada sabia.
Manteve a mesma indiferença na nova festança da vida.
Concluiu experiências e recuperou o tempo perdido. 
Estava livre diante de um novo ideal.
Encontrou o jeito de fazer e voltou com sonhos eróticos.
Como é bom ter voltado aos sonhos impublicáveis! 
Uma nova remuneração afetiva real sempre cai muito bem nessa hora! 
Mas, para ir adiante foi necessário adivinhações, olhares ternos e suavidade.
Tremeu e suou frio; quase desmaiou com tal emoção; teve ciúmes e outras inseguranças; disse que não era bem assim.
Criou aquele olhar de compaixão e falso entendimento na indecisão.
Sentou no banco da praça para pensar e admirou pombos brancos.
Dividiu o sanduíche da padaria (com eles) como se fosse um banquete.
Transou  tudo com carinho, acariciou seus medos e relaxou com prazer.
O maior pacto de verdade com a própria felicidade saiu do sonho - novas sensações chegando.
Imaginou passear de mãos dadas com aquela pessoa - mesmo que fosse por um percurso de dois metros.
E sonhou mais: viajar de carro para se surpreender na troca de olhares maliciosos.
Durante o percurso, só por acaso, ouvir aquela música que conta a realidade desse amor -  e gargalhar muito por causa disso.
Na viagem, ir planejando uma nova viagem - querendo compartilhar o prazer de estar junto.
No motel de beira de estrada: dormir, cansados e bem abraçadinhos, fazendo a mesma sonata de roncos - e sonhos de felicidade.
Acordar cedinho para papear diante da bandeja com pão e bule de café. O assunto: admiração de um pelo outro e planos - olhando nos olhos, novos toques, novas descobertas. 
Descobrindo a cada palavra os mistérios da própria alma - contando sem parar o que sonhou e depois apenas ouvir.
Trazer de volta a criança que há dentro de si, fazendo desse convívio um momento lúdico - e rolar pela cama brincando de pega-pega.
Comentar que aquela outra música especial (aquela em Inglês) também tocava o coração na solidão - fazia imaginar as árvores, estradas e cachoeiras que enfeitam esse caminho.
Comentando com euforia e riqueza de detalhes, o encanto da lua cheia e aquela estrela mais brilhante na noite mais especial - as primeiras juras de amor nos beijos molhados. 
Ato incondicional!
Ah... Que falta me faz esses momentos!
Na sua presença queria que as horas passassem bem devagarinho.
Abriria mão de todos meus rancores e egoísmo por causa disso - esqueceria vez por todas o que não precisa ser lembrado.
Não quero mais ter medo de amar - conquistei sua confiança assim.
Quero novas alegrias à moda antiga sem suspeitas infundadas.
Diante do espelho quero vestir a roupa mais bonita para escovar o ego - receber seu olhar de admiração.
Como é bom sentir que essa fé continua lá dentro. 
Voltei a ouvir os mesmos sons que um dia me cativaram,
sigo o voo da borboleta com asas coloridas - símbolo de beleza, felicidade e transformação.
Nesse chão de pétalas de todas as cores sinto você chegando cada vez mais perto.
Assim enlouqueço, (e sonho) viro pra lá e pra cá.
Estou no mesmo lugar de onde espero o passo a passo de cada cena, de cada novo sinal - enquanto divido com pombos brancos (e todo o simbolismo que carregam) os mais belos sonhos que falam de você. 
Só por isso assovio e encaixo aqui os versos do poeta-cantor: 
É só o amor, é só o amor;
Que conhece o que é verdade;
O amor é bom, não quer o mal;
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.


6 comentários:

  1. Falam q amor não dói! Mas, eu digo q dói, ainda mais quando não está na mesma sintonia. Sempre assim.. Lindo texto! Parabéns!

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  2. E qdo a gente menos espera, bem naquela fase da vida em q o reservatório de forças já tá no vermelho e a nossa crença se perdeu pelo caminho, a vida nos surpreende oferecendo uma nova oportunidade de reescrevermos a nossa história.
    Seja aquela cobiçada vaga numa multinacional, ou a tão aguardada mudança de endereço p/ a cidade dos sonhos, ou ainda aquele romance q chega p/ abalar e embalar a nossa estrutura...
    A chance é única e a emoção tbém!
    E qdo chega no formato de um novo Amor, passamos a sentir a vibração das cores em td parte, os sonhos tornam-se possíveis, os caminhos adornam-se de flores e os problemas parecem + leves..., assim cm aconteceu ao personagem!
    Parabéns, Renato! Uma bela descrição das transformações q só o Amor é capaz de fazer!
    BJSSS - Edneia

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  3. Nem sempre estar sozinho significa solidão. Podemos senti-la mesmo quando se esta rodeado de pessoas. A solidão é um sentimento que machuca. Muitas vezes é difícil sair desse caminho, pois depende apenas da pessoa. Ela precisa ser forte, ter determinação, coragem... e não pode perder a fé e nem se desesperar, pois se isso acontecer poderá pegar o caminho errado e nele se ferir, se magoar... irá decepcionar-se, talvez perder a confiança nos outros e em si e a escuridão se fará mais presente. A única saída é sonhar, lutar contra esse sentimento, acreditar em si e nunca desistir. É preciso uma metamorfose, como a borboleta, que se transforma. Não é uma transformação fácil, pois do ovo, nasce a lagarta, na fase adulta ela para de comer e sua pele fica feia e ela transforma-se num “casulo” chamado de crisálida e preso nele vai se transformando até virar uma borboleta. Aí o casulo de abre e a borboleta sai com as asas enroladas, depois suas asas se abrem e surge uma linda borboleta. Um processo fascinante, que nos transmite uma grande lição de vida. Dessa forma, quando estivermos no casulo temos que aproveitar para nos fortalecermos e nascermos novamente e a partir daí sairmos e “batermos as asas” descobrindo novos caminhos, onde será encontrado o amor de alguma forma.
    Esse texto relata algumas transformações e principalmente a causada pelo sentimento mais puro que existe, o amor. Ele transforma as pessoas e muitas coisas. Faz com que voemos levemente como as borboletas com suas asas coloridas, dando um encantamento especial por onde passam...
    Vera

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  4. Quando descobrimos a alegria de ser viver o simples, estamos prontos para amar. O amor nao pode ser complicado e nem necessitar de grandes coisas para existir. O mais importante é o estar juntos e compartilhar todos os momentos sejam eles grandes ou pequenos. Amar é estar um ao lado do outro em todas as ocasiões......é o permitir ao outro estar conosco e estar disposto a estar com o outro. simples assim

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  5. Ola Re,
    “O voo da borboleta com asas coloridas - símbolo de beleza, felicidade e transformação.”
    Adorei a imagem que usou para ilustrar seu texto, adoro borboletas, identifico-me com esse inseto. Por que nós seres humanos estamos sempre buscando em nós essa capacidade de transformação, o que nem sempre vem de forma fácil. Além da transformação, simboliza também beleza, felicidade e diria também liberdade, pois com suas asas tem o poder de ir vir, o que todos nós buscamos. Nessa nossa busca pelo bem estar, seja nas conquistas profissionais ou pessoais muitas vezes nos machucamos, decepcionamos, principalmente quando o assunto é amor, o palavrinha pequenininha mas que exerce um poder enorme sobre nós, não mesmo? rs..rs
    Há pouco tempo atrás, vivi essa experiência, de buscar avidamente esse sentimento, essa mesma vontade que você descreveu em seu texto, de uma maneira tão simples e verdadeira: andar de mãos dadas, olhar nos olhos, sorrir entre beijos, sentir o coração acelerar ao simples som de uma voz, ou receber aquela msg de bom dia no seu celular, que para você fará toda a diferença. Como é bom desejar e mais que isso poder viver isso tudo. Mas ainda não era o momento, então tive que recolher minhas asas e voltar para meu casulo e esperar o momento certo, pois de alguma forma sinto que ele ainda virá, quando e como, não tenho a mínima ideia...mas sei que virá.
    Obrigada por esse texto maravilhoso, e por ele nos trazer esperança de que transformações são possíveis em qualquer momento de nossas vidas.
    Bjos...bjos.
    Sônia

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  6. Patricia Ramos Sodero21 de junho de 2014 22:39

    Olá,Sr.Autor!Borboletas representam em nossas vidas,o simples fato de querer mudar,transformar pensamentos e atitudes.Todos nós sofremos decepções,por esperar o mesmo do próximo,ao menos em delicadezas.Nem todos retribuem.Acredito que se cada ser humano tivesse essa vontade de ser uma "borboleta",ou seja,sair do casulo mostrando que realmente quer lutar por algo melhor em sua vida,seja no amor ou qualquer outro ponto que lhe desse satisfação,seriam mais felizes e quem sabe,fariam pessoas felizes também.Afinal,nada é melhor e mais prazeroso do que ver alguém que amamos ou admiramos,sentindo-se bem e feliz por ter feito a escolha da transformação.
    "Saudade é uma borboleta que vem desfrutar no jardim dos nossos pensamentos".
    Um texto maravilhoso que nos faz refletir mais uma vez.
    Bjs e até....

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