Palpites... Amar Vale A Pena

   Quero falar hoje com vocês sobre dois assuntos no mesmo texto, mas que no final acabam se unindo um ao outro. A primeira parte é sobre relacionamento e a influência da família, em seguida é sobre valer ou não valer a pena amar.
   São alguns dos meus pontos de vista explicados numa abordagem um pouco diferente de textos anteriores. Espero que gostem dessa prosa em 2 em 1.
     Vamos lá... Um belo dia você encontra alguém; sente que ali pintou um clima e pronto: já está se relacionando.
     Um belo dia você conhece a família desta pessoa e pensa que será super legal. No seu imaginário todos devem ser parecidos com ela, afinal ela é uma pessoa bem interessante, não é mesmo? Enfim, você imagina que terá uma nova família, uma família legal para compartilhar algumas passagens da vida; fica muito empolgada com isso.
Well, well... Pode ser que seja assim ou pode ser que não seja.
      Por isso, é muito bom ter cuidado na chegada. Prepare a sua paciência junto com o seu poder de engolir sapos, cobras, lagartos e outros bichos desta nova família. Esse comportamento poderá manter a relação com a pessoa escolhida um pouco mais pacífica ao relevar certas tribulações.
      Quando ninguém estiver atento olhe discretamente por alguns instantes para a sua futura sogra: assim será pelo menos em 70% a pessoa que você escolheu (com todas as manias de reclamações, praticidade e delicadeza). Olhe também para o seu futuro sogro: assim será pelo menos em 70% a dita pessoa escolhida (em termos de autoridade, grosseria ou teimosia) – claro que existem outras qualidades ou defeitos que poderiam ser citados, mas vamos usar apenas esses, por enquanto.
       Esses traços familiares formam algo que não se pode escolher e nem esconder. São coisas herdadas e quase não se pode mudar nada nesse sistema comportamental - sejam nas atitudes ou nos modos de ver as coisas.
      Voltando um pouco lá atrás em busca de algum entendimento, digo o seguinte: quando crianças todos são praticamente criados em 70 ou 80% do tempo por mulheres; mães, tias ou avós - se as mães forem melhorando com as novas gerações, com toda certeza, os homens e mulheres do futuro serão muito melhores do que nós somos e saberão agir melhor naquilo que ainda não sabemos agora – esses conflitos infinitos que todos têm.
         Todos carregam consigo um reflexo afetivo do meio em que cresceram. E cada qual com seu estilo próprio de chilique e melindres. E haja paciência!
         Quando se tem um relacionamento com alguém é importante observar que todo o círculo emocional, adquirido por anos por essa pessoa, está direta ou indiretamente exercendo profunda influência em suas atitudes e reações diante da vida.
         Bater de frente com um tipo de comportamento em particular, ou com a família da dita cuja cara-metade, é como mostrar a foto de uma corda lá do alto poço para a pessoa que está se afogando. É uma ação que não resolve.
         Imagine só: pai, mãe, irmãs, irmãos e agregados. Eis aí um valente esquadrão de frente que, provavelmente, depois de décadas de discussões infindáveis não conseguiu resolver as suas diferenças internas. E chega você, de origem totalmente diferente, com educação e estilo diferentes, querendo demonstrar qualidades ou razões em algumas coisas. Vixe Maria! Olha, é algo para se pensar muito bem antes de abrir a boca ou como tentar superar esses grandes obstáculos para ser aceito naquele meio.
        Quando se escolhe alguém não se escolhe a família, e sim a pessoa que tocou o seu coração. Tem muita gente que diz que vai se separar por causa da insistente interferência da sogra, sogro, cunhados (as). E são muitos os que realmente se separam por influência dos outros.
       Puxa vida... Unir os diferentes não é tão simples o quanto imaginamos. Isso requer muito respeito aos limites de cada um e muita cautela na conduta. Não se deve dar tanto poder de penetração na vida a dois aos familiares da outra parte. O poder maior deve estar no seu sentimento em relação à pessoa com quem se está convivendo. Essa pessoa, sim, é a sua meta. A família dela pode ser ou não um complemento da relação a dois. Se for, meus parabéns; mas se não for, preserve-se.
       É bom entender que a maioria das famílias carrega consigo uma forte influência de filosofia tradicional antiga – daquele tipo de pensamento que originou a característica básica do núcleo.
      E no passado, digo uns 30, 40 ou 50 atrás, nem tudo era esse mar de modernismo e comodidades que vivemos hoje. A mentalidade das pessoas sempre acaba se modificando com o progresso tecnológico (até das pessoas mais velhas) e isso provoca uma evolução ou, pelo contrário, um travamento no pensamento comportamental. Por exemplo: naquele passado as pessoas namoravam muito tempo antes de terem um contato mais íntimo, mas hoje é tudo diferente. Aliás, muito diferente. Hoje os dois mal se olham e já vão “ficando”. Ao olhar dos pais isso é um comportamento reprovável, o que para os filhos é algo normal.  Às vezes, eu até entendo que é muito difícil para os pais tentarem compreender que a pessoa ideal escolhida por um filho ou filha não é exatamente como eles imaginaram. Uma família tem o forte poder para unir e aceitar um casal, mas tem o triplo deste poder para separar esse casal com críticas, intrigas e maledicências. Aceitar uma convivência repleta de desafetos ou diferenças, com raros momentos de alegria e olhares maliciosos ao seu par, é um verdadeiro desafio na reunião de família – por isso tantos casais acabam se afastando do convívio familiar de ambos.
     Tem gente que não repara que é muito importante utilizar o formato tradicional da família para harmonizar as coisas, fortalecer os elos e criar novas raízes. Acima de tudo acreditar que o amor pode vencer se a família sempre for aliada do casal.
     As pessoas se esquecem que no futuro próximo o relacionamento de namoro pode gerar uma nova família, que algum tempo depois dará origem a outras tantas – sempre levando adiante a filosofia de comportamento que veio embutido com o reflexo de tudo que foi aprendido e passado adiante.
     Olha... A nossa história sempre é escrita com letras do próprio punho, com palavras da própria boca, com o brilho do olhar e com os melhores sentimentos do coração. Por isso, é melhor sermos bons hoje para sermos melhores amanhã. A aceitação de quem é diferente da gente deve ser feita com muito respeito e dignidade - algo muito importante nesse contexto todo e que deveria prevalecer.
      Estar com alguém determina muita coisa nessa vida - pode nos colocar em um estado de graça, ou não. Porém, se há o real interesse de atrair coisas verdadeiramente importantes para a relação, é bom fazer tudo que for possível para que as ações não contradigam os desejos mais íntimos.
       Quando se colocam dúvidas numa relação, elas criam vida própria – e dúvidas só têm uma função: afastar as pessoas tornando a relação cada vez mais insegura.
       O nosso sentimento em relação à pessoa que amamos determina o tipo de qualidade no comportamento, essencialmente naquilo que damos e recebemos. Quando nos sentimos bem numa relação criamos um futuro compatível com a nossa necessidade de felicidade. Quando se queixa muito da outra pessoa, - fatos que podem ampliar uma maneira negativa de ver as coisas – aumenta-se a chance de discórdias e separação.
       É de praxe numa relação, termos concentrado dentro de nós muito do que podemos dar; algo que vai muito além do que realmente aquilo que damos. O amor é um evento espiritual com uma energia que muda de forma de acordo com a essência e a doação de quem o estabelece.
        Quando damos uma forma sofredora à nossa relação devemos lembrar que somos nós mesmos que estamos criando esta forma. Quando só encontramos pessoas com as quais achamos difícil de conviver e manifestar os nossos sentimentos, somos nós que estamos criando isso.
        Precaver-se demais para não sofrer pode trazer mais infelicidade do que imaginamos.
        Às vezes, antes de encontrar a pessoa com a qual nos relacionamos, já vestimos a armadura imaginando como ela irá reagir com algo que será proposto – talvez um passeio ou a compra de algum objeto de uso comum. Chega-se ao encontro já com a pré-disposição de brigar por algo que ainda nem foi discutido pelo casal. A mente entra num devaneio infinito imaginando mil teorias para o que o outro irá dizer ou fazer. Você já vai pensando: “Hoje será um dia daqueles!”.
       O amor possui um magnetismo para unir pessoas, mas precisa ser decifrado para mantê-las unidas. A união é como encontrar o mapa, porém, para percorrer aqueles caminhos tortos são necessárias habilidade, dedicação, perseverança e muita esperança - mas muita esperança mesmo na felicidade. Acreditar piamente que para fazer o seu anseio amoroso acontecer, você deve colocar o melhor de si à disposição da outra pessoa; e aquela pessoa colocar o melhor dela ao seu dispor. Acredite! Lembre-se que esse magnetismo tem a forma que damos a ele. Imaginar que influências externas podem atrapalhar o seu relacionamento é o mesmo que colocar uma placa pendurada no pescoço com os dizeres: “Influências externas sejam bem-vindas!”. O mesmo acontece com qualquer tipo de ação que faça do seu terreno amoroso um campo minado. A energia investida para se resguardar de tudo que pode dar errado numa relação tem o mesmo potencial da energia que podemos investir para tudo dar certo. O esforço é o mesmo e o nosso direcionamento é que precisa ter definição positiva. Gastamos a mesma quantidade de energia quando emburramos com a cara-metade assim como quando sorrimos para ela. Existe algo no nosso comportamento que precisa ser compreendido e usado ao nosso favor - esse é o poder de fazer melhor aquilo que nos faz felizes.
       Podemos querer da vida muitas coisas diferentes no plano material, mas no plano sentimental as necessidades são lineares. Buscamos apenas o prazer de sentir que somos importantes para alguém, e também a certeza que nos sentimos amparados por um coração; com a perspectiva que o dia de amanhã será muito mais interessante que o de hoje.
       Quando plantar um pensamento rumo ao coração de outra pessoa, terá que criar uma ação com o mesmo destino. Metaforicamente seria como dizer que é muito mais simples sentir o vento do que tentar aprisioná-lo, fazendo uso dele apenas quando lhe fosse conveniente.
        A liberdade quando imposta em regras unilaterais é apenas uma esperança de felicidade. O magnetismo do amor quando existente pode ser utilizado como uma esperança de tudo dar certo.
        Tem muita gente que me diz: “Será que diante de tudo isso, amar realmente vale a pena?”.
        Imagino que talvez você já tenha passado por uma desilusão sentimental que deixou feridas difíceis de cicatrizar. Talvez o sonho de amar tenha sido desfeito por alguém que você pensasse ser merecedora de toda sua dedicação e daquelas declarações sentimentais.
    Talvez você já tenha conhecido de perto a dor do amor e prometeu a si mesma que isso jamais ocorreria novamente. Depois disso trancou-se em sua vida, isolou-se de tudo e de todos. Radicalizou o seu comportamento. Empedrou o seu coração como uma dama de concreto que apenas enfeita um jardim de flores mortas, e placidamente aguarda que algo mude na energia do universo para você mudar junto.
     Hoje a pergunta que você mais se faz é: “Será que amar realmente vale a pena?”.
     É bom que saiba que sofremos por amor quando apenas um dos dois se prepara para amar. Sofremos por amor quando apenas um dos dois se propõe a fazer o que precisa ser feito para que o relacionamento dê certo.
      Uma pessoa que ama não fica esperando que o melhor aconteça, ela luta pelo melhor acontecer na vida dos dois.
       Procurar entender o amor e suas tênues linhas é como tentar decifrar um mistério que não pode ser decifrado, pois, ele é feito apenas para ser vivido. Muita gente tenta decifrar quando deveria apenas viver os seus sentimentos. E com isso, torna-se uma pessoa limitada na compreensão da sua cara-metade. Lá no fundo, aquelas pessoas sem maturidade emocional suficiente tentam sistematizar o sentimento, sempre desejam alguém que possam controlar - de preferência com um botãozinho de liga e desliga para manipular e aprisionar.
    Sofrer por amor não é fácil. Só quem trilhou esse caminho sabe o tamanho da dor. Mas, quando uma luz acende nessa escuridão uma nova esperança bate no coração. Talvez a mais sublime característica do amor seja a esperança que ele se mantenha sempre vivo.
       O amor nunca morre naturalmente; ele é assassinado aos poucos pela negligência, pela indiferença, pela omissão, pelo tédio e por inanição.
       Sentimos o pulsar da vida quando respiramos; assim é o amor. O amor é aquilo que acontece enquanto perdemos tempo com detalhes que fazem parte da vida e não dos sentimentos - quando não nos preocupamos que ele aconteça.
       O amor não amadurece com a idade, mas sim com a intensidade que ele é vivido.
       Precisar de alguém é diferente de amar. Obrigar-se a tolerar alguém não é amar. Condenar-se a uma situação de tortura psicológica não é amar.
       Muitas pessoas vivem essas situações e aí, eu entendo, pensam que amar não vale a pena.
        Amar é cooperar na direção dos sentimentos mútuos que afloram no seu coração pela pessoa que você escolheu - deixando que a delicadeza das atitudes possa definir o seu interior. O medo de entregar-se sufoca o prazer de estar amando. Muita gente fica atropelando os seus sentimentos com medo disso, daquilo e daquilo outro.
        Quando a vida a dois é limitada a um convívio passivo ou por conveniência, amar realmente não vale a pena, pois é uma relação castradora e sufocante.
        Quando uma atmosfera de segurança se forma numa relação, tudo começa a valer a pena criando um equilíbrio entre emoções e atitudes. 
       Ao mostrar e perceber que cada um está tentando fazer o outro feliz, dando o melhor de si, ambos entendem o que está acontecendo e fortalecem as suas convicções amorosas e seus planos.
      É muito triste saber o que precisa ser feito, mas não fazer. Além de causar um vazio imenso, nos afasta daquilo que desejamos viver com a pessoa que está ao nosso lado.
         Vale a pena amar, mas só quando você prepara o seu coração, o seu intelecto e o seu jeito de ver as coisas - e procura meios de tornar-se melhor com o objetivo de ser feliz. A felicidade precisa de investimento, ela não vem sozinha. Ela está lá onde a colocamos e trabalhamos por ela. Eu nunca encontrei alguém que afirmasse categoricamente que amar não vale a pena - mesmo quando a família de um ou outro insiste em ficar dando palpite para atrapalhar a relação.
Em geral os casais que se dão bem sempre dizem: “Isso é muito bom, mas dá um trabalhão danado para manter!”.
É isso! 

 

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