quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Vida Em Dois Minutos


      Chega um momento que precisamos valorizar bastante o tempo da nossa vida. Dois minutos às vezes parecem muito pouco, assim como: duas horas, dois dias ou dois anos. E multiplicando-se tudo isso até o infinito chega-se ao final de qualquer história. Invariavelmente, é quando tudo escorre ralo abaixo como se não fosse nada, e nem percebemos o dano que causamos a nós mesmos. E assim os sonhos vão embora e a vida se acaba para os que não têm fé em si mesmos.
     É interessante constatar que a maioria de nós fica a “ver navios” ou outros, pelo contrário, se sentem alegres e realizados com a passagem do tempo (esses sim são felizes!).
      Porém, dois minutos bastam para magoar alguém ou até pedir perdão, - claro, quando cabe esse pedido de perdão – ou, inclusive, encerrar e até iniciar uma história nessa vida.
     O que não adianta é insistir em dar murro em ponta de faca quando não existe mais solução.
     Viver é muito mais que a ilusão de tentar arrastar a memória de outra época para o presente, transportando tudo aquilo que foi bom para o agora, como se fosse tudo igual. Tem gente que não se dá conta que não existe ganho algum em ficar se lamentando com frases clichês do tipo: “No começo era diferente... Antigamente que era bom: existia paixão e hoje parece que não existe nada... Você não gosta mais de mim?... Você era tão legal e fazia coisas que eu gostava, mas agora...”
      Puxa vida, penso comigo mesmo: “Dois minutos é muito tempo para se viver. Tempo suficiente para muitas palavras bonitas dedicadas a alguém, ou para algo de bom para se fazer a esse alguém especial. Em dois minutos é possível ter uma grande ideia que muda completamente a vida. Em dois minutos eu até poderia me conectar com as energias do universo e através da força do pensamento me comunicar com você (pessoa que eu tanto amo). Em dois minutos eu poderia ter um pensamento de autodestruição instaurando uma doença no meu corpo com os meus sentimentos ruins, e começar a morrer lentamente por causa disso. Em dois minutos eu poderia me lembrar de você com carinho. Em dois minutos eu poderia odiar você, com um tipo de ódio que durasse a vida toda. Em dois minutos seria possível trazer tantas felicidades ou desgraças para essa vida, que nem se imagina o tamanho da força que tem o tempo ao impulsionar os nossos desejos mais íntimos”.
      A chave de tudo está em valorizar o sentimento produzido em cada segundo, e muito mais: em cada minuto da vida. E nunca, nunca mesmo se desgastar a toa, perdendo energia com quem não vale a pena ou com as convenções familiares e sociais que mantêm imagens estabelecidas e difíceis de romper. Incluindo também a aceitação da doutrina obrigatória que a igreja estabeleceu para que você seja uma boa cristã. E nessa época de natal que já está chegado imagino o frio na barriga que algumas pessoas poderão sentir na reunião familiar obrigatória. Momento que muitos muito bem vestidos em suas roupas novas recém-adquiridas na C&A, terão que compartilhar a falsidade ao redor do peru, com taças de vinho e champanhe de marca. E no momento seguinte da troca de presentes com aquele sorriso forçado, recebendo um abraço desprovido de qualquer carinho ou estima de quem (em circunstância normal) se desejaria nem chegar perto. O pior é que a maioria já sabe que essa é uma situação de hipocrisia que vigora, e vem estabelecida pela tal convenção de costumes. Mas o que tem demais em ser hipócrita? Afinal de contas é natal, e no natal tudo pode, não é mesmo? Até beijo de Judas ou abraço de tamanduá, se não for muito demorado.
      Muito pouco há que se fazer para mudar essa situação, já que a sociedade cobra muito de todos nós.
       Parece que todo mundo é obrigado a estar feliz em família nessa data, até mesmo com aqueles com quem passou o ano todo brigando por qualquer motivo – encarando quem falou mal da gente ou de quem falamos mal. Nessa hora o que é verdadeiro, autêntico e equilibrado se demonstra apenas na superficialidade de cada ato no momento de confraternização, e depois... Ahhh depois... Todos voltam a se odiar até trincar os dentes por pura rivalidade, inveja e tantos outros sentimentos baixos envolvidos. E dois minutos nessas cenas podem parecer muito longos, até mesmo para colocar a fofoca em dia com aquele parente que veio lá do interior, ávido por fazer uma boquinha no peru da Sadia.
       Em dois minutos preciosos é possível mudar ou melhorar o estado de ânimo quanto a todas essas coisas que aborrecem alguns e alegram outros.
       Ainda existe uma chance de enxergar tudo por um ângulo diferente: é possível tentar a felicidade não vivendo de passado, convenções e obrigações. Dando um grito de liberdade para alcançar a graça plena de viver. Mas para isso é preciso coragem.
       O novo, o inédito, o momento presente e o imprevisível estão aí para serem vividos intensamente mesmo por dois minutos, que podem se multiplicar de acordo com o seu modo de se posicionar.
        É bom ressaltar que tenho perfeita consciência que cada um é responsável por quem atraí e o que atraí ou por aquilo que faz e também recebe em sua vida. Não existe o dito “por acaso”. O que acontece é por que tinha mesmo que acontecer e vem como aprendizado necessário nesse ciclo de vida – inclusive a presença daquelas pessoas chatas e interesseiras em certas datas.
       Agora indo para a abordagem de personagens que formam um casal: identifico que a lição chega para ambos com resultados diferentes, mesmo partindo do mesmo ponto.
      Então, me aprofundando mais pelo lado sombrio dos fatos dessa relação a dois, digo que existe também a responsabilidade daquele que usa dois minutos da relação de modo malicioso para fazer mal ao outro. Em muitos casos se aproveitando de certa ingenuidade, crença no amor ou na sinceridade daquele que se torna a sua vítima – o que vem a ser pura covardia ou um jogo sujo, se preferirem essa definição.
       É complicado quando se está com alguém e você tenta viver o presente enquanto a pessoa vive do passado. Ou ainda, além disso, a dita pessoa faz escolhas na vida completamente diferentes das suas. Então é hora de dar um basta por que você está carregando sozinha a relação nas costas (sei bem disso por que já aconteceu comigo).
       E no meu caso em especial, a moça não tinha noção do que era realmente importante ou essencial dentro da nossa relação ou de qualquer outra relação a dois. Um dos seus grandes erros era que além de se achar dona do tempo dela, ela se achava dona do meu tempo também.
        Ela vivia adiando tudo, deixando coisas importantes para depois, ou até para que nunca acontecessem – com a ideia que o tempo passaria eternamente e sempre haveria outra chance para qualquer coisa.
        Se isso acontece ou já aconteceu com você, imagine na sua testa um carimbo bem grande com os dizeres: “Tô amarrada!”.
        Você sabe muito bem que nessa situação passa a viver a vida daquele traste: o momento dele, o gosto dele, a vontade dele de sair ou de ficar... Você até passa a gostar da comida que ele gosta; do estilo de música que ele ouve e da religião que ele diz seguir.
         Ô coisa, acorda! Você se deixou levar. Você abdicou de ser você mesma para viver a vida dele. Tá arrependida, né? Tarde demais, sua tonta! Agora já era e não dá para chorar o leite derramado! O tempo passou e você não aproveitou aqueles dois minutos que podiam mudar a ordem das coisas. Lembra daquela vez? Então...
         No meu caso, quando me dei conta de tudo isso, fui percebendo que deveria aproveitar melhor o meu tempo e a minha energia. Que deveria aprender - com os dois minutos, os dois meses e dois anos que perdi esperando o tempo dela passar sem sentido - uma dura e esperançosa lição: não permitir que se repetisse algo semelhante na minha vida. Por que coisas mal resolvidas adoecem a gente dando um aperto no coração que demora muito para passar. 
        Lá no fundo, mas bem lá fundinho mesmo, ela não dava qualquer importância aos acontecimentos, além de não ter noção que aquela conjunção de fatores do universo que nos levaram àquela relação e - com todos os momentos vividos - nunca mais se repetiria nessa ou em outra vida. Mesmo assim, creio que o medo da rejeição a deixou indiferente, devido aos traumas de infância que a impressionaram muito intensamente (isso parece um lugar comum que justificaria tudo nessa história, mas que explica pouco, não é verdade?). Eu digo isso me baseando naquela situação de incompletude que chegara ao limite (tanto minha quanto dela), pois a relação aparentemente só favorecia um dos lados que tinha medo da solidão, dando a entender que na verdade nunca existiu o sentimento básico e essencial dando sustento ao relacionamento.
       Era tudo feito de “suposto ou suposta”: “um suposto namoro”, “uma suposta amizade”, “um suposto amor”, “uma suposta consideração” e “uma suposta preocupação”.
         Vivendo tudo isso foi quando comecei ter a plena certeza que a vida é feita de um longo aprendizado que dura bem mais que dois minutos, nela se aprende e também se ensina a viver, muito mais por observação e experiência própria e menos por orientação dos outros.
       Eu sempre tive a convicção que não se pode ensinar qualquer um a viver e nem há como reeducar uma pessoa com bons conselhos ou noções básicas de conduta (se ela não quiser ouvir). Isso seria uma obrigação do pai e da mãe lá atrás. E se essa orientação não foi dada adequadamente no tempo certo, não há muito que fazer depois que a pessoa já se tornou adulta e teimosa.
        Aprendi com a experiência dessa vivência que dois minutos servem também para uma reprogramação emocional constante, valorizando bastante o meu tempo e minha vida (penso sempre que seria tão bom se ela tivesse dado chance a si mesma de aprender algo tão simples junto comigo).
      Com essa valorização em foco constante e imediato, chega sempre até mim tudo o que sinto e não apenas o que penso - tudo graças ao bom Deus que toca o meu coração a cada segundo e me livra a cada instante dos maus pensamentos e más companhias.
E que assim seja para todo o sempre, mesmo que todo o sempre dure apenas mais dois minutos nessa vida.

6 comentários:

  1. Em dois minutos é ás vezes tempo demais, pra cometer algo q podemos nos arrepender pro resto da vida! Temos o defeito de não pensar e por impulso cometemos erros q acarreta o desafeto. Seja qualquer tipo de situação.... silenciar daquilo q não está agradando é a melhor atitude de uma pessoa equilibrada!
    Magoar alguém por comportamento q não condiz com seu.... é a pior coisa, a decepção vem de um jeito, q fica difícil acreditar no ser humano de novo.
    Gostei do texto Renato, muitos deviam refletir mais antes de agirem!!

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  2. Patricia Ramos Sodero23 de novembro de 2013 16:09

    Dois minutos: será que realmente é necessário algum tempo para saber o que queremos?
    Tudo em nossas vidas - acredito eu - deve ocorrer no tempo certo.
    Pode perceber, quando nos precipitamos em alguma atitude, - seja ela qual for - provocamos o inevitável.
    Ainda se for por um bom resultado; maravilha. E quando não? Então acabamos ofendendo e magoando o outro com palavras, gestos e atitudes impensadas.
    Quando falamos em relacionamento - o que já bem diz o nome - isso é feito entre duas ou mais pessoas. Pode ser relacionamento de namoro,casamento; relacionamento de família e amigos.E nessa parte cabe a cada um aceitar o outro como ele é - nada de transformar a todos em "bonecos"manipulados, só porque um ou outro acha que cada um deveria ser exatamente como esse ou aquele.
    Quando se gosta ou ama alguém, é do jeito que já conhecíamos a pessoa - mas é claro que aprendemos muito um com o outro.
    Eu acho que é muito positivo quando somos criticados para nosso crescimento - isso é bem aceitável.
    Mas, se você não sabe dar conselhos a alguém, mantenha o silêncio, o que nesse caso vale ouro!
    Agindo assim você não correrá o risco de dizer algo que depois seja tarde para consertar.
    Difícil falar sobre esse tema, Renato.
    Mas, é fácil entender como dois minutos - ou qualquer medida de tempo - se tornam importante em nossas vidas. Devemos aproveitá-los como se fossem os últimos!
    Parabéns por mais um texto tão lindo de reflexão.
    Você anda mesmo inspirado nesses últimos dias.
    Beijos.
    Fico no aguardo do próximo com muita ansiedade.

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  3. Quando se chega a determinado momento em nossas vidas parece que o tempo corre ao contrario, percebemos que esses dois minutos fazem falta, contudo temos responsabilidades que não nos deixam utilizar o tempo de forma leviana. Tudo o que fazemos tem consequências, não digo positivas ou negativas, somente consequências e precisamos avaliar se nossas atitudes não irão magoar as pessoas que mais amamos.
    As convenções sociais existem, mas cabe a cada um querer ou poder vive-las. Quantas vezes fui "obrigada" a vivencia-las em nome da harmonia e felicidade (dos outros). Hoje, graças a Deus, posso escolher!
    Parabéns por colocar em palavras aquilo que sentimos e que muitas vezes não podemos dizer!

    Rosangela.

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  4. Ah, o Tempo!!!
    O tempo nesta vida pode significar td ou nd...
    O pouco tempo bem vivido, bem aproveitado, pode valer por uma vida inteira, oferecendo aquela deliciosa sensação de q aqueles momentos valeram por uma eternidade, independente do tempo exato q tenha passado, 2 min, 2h, 2 dias ou 2 anos...
    Em contrapartida, qtas vezes vemos o tempo passar e nd acontecer por mais q a gente faça? Isto sempre acontece naquelas relações em q só um se dedica, não é? E este sempre acaba perdendo um tempo precioso da vida acreditando q "desta vez será diferente...". Não acontece nd de diferente qdo não há reciprocidade, esta é a verdade! Qdo não há dedicação de tds os envolvidos, nem adianta!...
    Vc e tnts outros e outras já passaram por situações semelhantes, Renato! Acredito q cd uma de suas leitoras tem uma história assim p/ contar. E acredito tbém q msm tendo passado por isto ainda haverá outra e mais outra situação em q acreditaremos q "desta vez será diferente". Isto pq vamos crescendo ao longo das experiências e o sofrimento já não causa tnt dor qto antes; e tem tbém aquela velha mania nossa de acreditar q "... se Deus quiser td td vai dar pé...".
    Cm vc msm disse "a vida é feita de um longo aprendizado q dura bem mais q dois minutos", e cm o tempo é algo mto peculiar de cd um, se for bom, então " q seja eterno enqto dure"!
    BJSSS - Edneia

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  5. Como é aquele ditado! "O tempo é o senhor da razão", se vamos amargar algum prejuízo emocional não é de imediato que vamos saber! Vai levar tempo mesmo que inicie uma relação, sempre apostamos pra quê desse certo! Mas, infelizmente não acontece assim, sempre surge surpresas que ao invés de abrilhantar a relação, vai tudo por água abaixo!

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  6. Uma única palavra pode mudar o rumo na vida de uma pessoa, pesar na balança o que vamos dizer, para não ter consequências drásticas! Somos humanos e imperfeitos isso é fato mas magoar e brincar com sentimentos alheios é falta de caráter mesmo, sendo tão frio a ponto de achar normal. A vida tem um jeito estranho de mostrar quem é quem. Se pudéssemos adivinhar muitas coisas seriam evitadas, mas temos que passar na pele e sentir como dói ser enganado e manipulado por pessoas tão sórdidas. Nesse atual mundo em que vivemos quem vive um amor verdadeiro, deve sempre preservar e cultivar todos os dias, para que a chama nunca se apague.

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