terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dear Miss C Part 26



   - Hoje amanheci com vontade de filosofar ao estilo do capitão James T. Kirk, doc. Ideias estranhas passaram pela minha cabeça durante o sono na noite passada. Estava viajando através do espaço cósmico; percorria toda escuridão e roçava a poeira estrelar na velocidade da luz, até que finalmente penetrei na atmosfera terrestre caindo diretamente na minha cama no momento presente; senti como se o passado não existisse mais e minhas lembranças de Miss C tivessem sido automaticamente apagadas por alguns instantes. Então, eu me deparei com um novo mundo onde estava tudo tão sereno como o silêncio da via láctea. Ao abrir os olhos, uma luz se acendeu dentro da minha cabeça, a  nova energização foi um fenômeno estranho que me deixou com vertigem. O mundo novo começou a se expandir rapidamente. Imaginei por horas as coisas boas que aconteceram comigo nos últimos tempos; as pessoas maravilhosas que conheci nos lugares por onde andei; gente que me trouxe generosamente amparo psicológico.

    De uns tempos para cá, tenho certeza que não vivo mais sozinho, as coisas da vida parecem mais bonitas quando divididas com a pessoa certa. Como um anjo que veio dos céus, ela apareceu do nada, foi colocada por Deus no meu caminho. Desde então, as cores dessa vida tornaram-se mais vivas e os desejos profundos plenamente correspondidos de forma sincera. Todos os olhares ganharam um sentido amplo e muito diferente de outrora.

    Nós sabemos que Miss C acabou sendo um dos motivos para que eu viesse me tratar, porém, existe o lado bom do acontecido e que se resume no aprendizado que levarei para o resto da vida. Tenho plena consciência que a imagem dela ficará ainda por um bom tempo no pensamento, e o mesmo, creio eu, acontecerá com ela em relação a mim. Eu já consigo conviver com isso tranquilamente sem maiores dores ou lamentações. Tudo graças a bom Deus, ao doutor e ao meu esforço na tentativa de mudar o foco gerador de tristeza. Eu venci! Ganhei muito mais do que imaginava que merecia.

    Além da parte emocional melhor resolvida, também adquiri um aperfeiçoamento intelectual esplêndido com tudo isso, justamente quando já estava sem esperanças comigo mesmo e imaginava que a tendência era só piorar. Mas os ciclos se romperam violentamente e os dogmas foram derrubados. Então este é o momento mais oportuno para dizer que, se algum dia eu tive um sonho ou um ideal firme na vida, chegou o momento de realizar sem medo. De que outra maneira eu poderia ter aprendido a dar valor ao que é tão simples? Com esse mesmo espírito agora me permito fazer coisas nas quais não me sentia bom o suficiente. Imaginava que não existiam outras grandes possibilidades oferecidas pela vida e me sentia um covarde por medo do fracasso. Agora quero que se danem as pessoas negativas, aquelas que nunca acreditaram em mim ou no meu potencial. São essas pessoas que tentam a todo custo desanimar a gente. Elas não têm nada melhor a fazer a não ser falar mal de quem tem coragem para se expor. Eu saí da minha zona de conforto e fui em frente. Aprendi a me doar sem parecer um bobo alegre. E caso não tentasse agir assim, jamais saberia o lucro que teria. E diga-se de passagem: foi excelente o encaminhamento até agora. Desculpe se estou com os olhos cheios de lágrimas, como já aconteceu algumas vezes. Eu sempre fico muito emocionado quando penso sobre tudo o que aconteceu na minha vida nos últimos tempos. Eu já me acostumei tanto em ser assim que nem fico constrangido por isso. Acho que aprendi a demonstrar demais os sentimentos – o quanto gosto de alguém ou o quanto tenho orgulho de ser o que sou - as lições da vida foram os maiores exemplos para mim. Não tinha me dado conta do quão grande seria essa mudança depois de tudo que aconteceu nesses tempos. O mundo criança cresceu e se tornou adulto rápido demais, e diante de mim um monte de exemplos tristes, de pessoas esperando que talvez eu fracassasse nesse mundo, mas, para o desânimo delas, eu não fracassei. Quase caí, mas me ergui a tempo. Sei que frustrei a expectativa de muita gente, mas assim é a vida e só tenho a agradecer todos que passaram por ela até aqui. Os bons e os ruins, sem lástimas. Principalmente aquelas pessoas que me ouviram, que escutaram de verdade o que eu estava falando e tiraram bom proveito das palavras, e, simultaneamente, enviaram de volta as respostas adequadas no tempo certo. Descobri que era alguém amado e que tinha a família para me apoiar. Muitas vezes achei que a minha família era uma aberração, que não era uma família normal dentro dos padrões determinados pela sociedade. Sabe de uma coisa, doc? Vou contar uma novidade: não existe família normal. Descobri que seria muito chato almoçar ou jantar ao lado de pessoas perfeitinhas – ou que aparentassem ser perfeitas – pois todos têm lá os seus problemas. O importante é saber como lidar com essas questões no seio da família. É simples: é só amar e aceitar o outro como ele é. É só aprender a perdoar para ser perdoado. Se Deus perdoa a todos, quem somos nós para impingir martírio ou colocar alguém na cruz? Não custa nada ser simpático um com outro, colocando as rivalidades de lado. Toda manhã agradeço as bênçãos que recebo e não fico mais pensando assim: “E se as coisas tivessem sido diferentes?” ou “Bem que podia ter sido de outro jeito...”. Eu mudei doc. Hoje a minha vida tem sido muito boa por que aprendi a ser diferente com a ajuda de todos. Porém... No que diz respeito aos nossos encontros semanais, sei que ficará triste com o que vou lhe anunciar nesse instante. Bem... Nem sei por onde começar...

    Devo avisá-lo que terei que parar com as sessões de terapia por uns tempos, ou talvez definitivamente. São dois inconvenientes básicos: o primeiro se resume ao meu novo ritmo de trabalho, que a partir da próxima semana tomará todo o meu tempo disponível; e o segundo: não vejo mais graça em falar de Miss C em tom de desabafo como antes. Acho que tudo o que tinha que ser dito já foi cansativamente repetido. Os conselhos que eu podia dar a ela estão nas cartas, assim como todas as minhas opiniões sobre o seu comportamento.

     Não existe mais novidade nessa historia toda. Um detalhe ou outro que passou despercebido não tem mais tanta importância, e o que ficou para trás poderemos arrematar nessa sessão. Continuarei com as sessões de musicoterapia em casa. Elas me fazem muito bem.

- Parar com as sessões agora não seria a melhor indicação para o seu caso. Não tem como encontrar um horário alternativo? Eu poderia atendê-lo aos sábados no período da manhã. Que tal?

- Eu bem que gostaria... Mas... De agora em diante eu trabalharei nos finais de semana o dia todo, praticamente todos os finais de semana até o final do ano. Seria complicado ter apenas uma sessão por mês. O doutor acha aconselhável um tratamento assim?

- Não seria o ideal, mas pode ser feito.  

- Então doc... Vamos esperar o melhor momento, até que o agito do lado profissional se acalme. Eu tenho necessidade de me dedicar somente a isso nas primeiras semanas, acho que o senhor entende. Talvez daqui alguns meses eu volte aqui.

- Está bem. Se esse é o seu desejo e necessidade, então não tenho como ir contra. Combinado! Então me conte: veio ouvindo alguma música em especial até chegar aqui?

- É claro, né, doutor! Eu não vivo sem música. A música faz parte da minha vida como se fosse uma linha divisória de tempo. Quando olho para o passado vejo uma trilha sonora correspondente aos fatos de cada época. Várias lindas canções passam pela minha cabeça e, de vez em quando, uma delas vem à mente quando me lembro de alguém ou de um caso marcante. Antes de chegar aqui eu ouvia AC-DC (Touch Too Much), até botei no repeat por 3 vezes. Tentava espantar os fantasmas do passado com o agito do ritmo e a letra alegre, porque minutos antes tocava uma música que me causa muita raiva até hoje.

- Que música é?

- É da Legião Urbana, chama-se: “As flores do Mal”.

- Por que essa música mexe com você?

- Ah, doc... Talvez seja a letra e o sentimento que o Renato expressa no canto. A letra diz muito do que eu queria ter dito para Miss C. Estou me referindo a um determinado tempo após o término da nossa relação. São coisas que ficam guardadas e só encontramos as palavras certas em músicas. O Renato Russo tinha um lado rude e, digamos, poético, que eu gostava muito. Transmitia sinceridade nos gestos malucos no palco e especialmente na vida. Foi tão verdadeiro que morreu sozinho.

- Você também deseja morrer sozinho?

- Sinceramente? Não sei. Nunca pensei em morrer. Sei que a morte é a única coisa certa e absoluta na vida. Mas não penso nela. Quero apenas viver o melhor que puder, oferecendo aos outros tudo o que tenho de bom; sem neuras, controle ou perseguição. Sem intimidar ou ser intimidado com palavras ásperas ou ameaças. Eu quero apenas ser feliz! Entende, doc?  

 - Já que a música faz parte da sua vida farei uma pergunta delicada sobre isso: tem alguma música que o faz lembrar com carinho de Miss C?

- Bem delicada mesmo essa pergunta, hein..r.rs.rs.rs Bom... Deixa ver.. Vou pensar... Tem sim! É uma canção do Lynyrd Skynyrd chamada FREEBIRD. Eu costumava traduzir os primeiros trechos desta música para Miss C, fazia quando ela ficava emburrada comigo. Eu iniciava assim: “Se eu partisse amanhã, você ainda se lembraria de mim? Preciso seguir viagem agora. Há muitos lugares que ainda preciso conhecer...”

- O que ela dizia quando você fazia isso?

- Não dizia nada e continuava emburrada num canto. Era muito difícil conviver com ela em determinados momentos, e por mais que eu quisesse quebrar o gelo, - para botar as coisas nos eixos - nunca dava certo.

- Imagino que fosse mesmo difícil para você. O seu filho ainda acredita que Miss C nunca existiu em carne e osso?

- Não, doc. Essa fase já passou. Agora ele acredita em mim. E como acredita! Finalmente consegui provar que ela existiu e existe de verdade. Eu recuperei o HD onde guardava os arquivos com as conversas e brigas que tivemos na internet.

  Antes da internação eu estava meio neurótico e acabei desmontando o computador. Retirei o HD e escondi no forro da casa - coloquei dentro de uma lata de leite em pó, bem debaixo da caixa de água. Nessa época eu também tinha guardado cinco mídias de DVD de outros arquivos; são as fotos dos passeios e acampamentos que fizemos em Serra Negra, Pedra Bela, Pinhalzinho, Vinhedo, Atibaia, Lindóia, Pedreira, Leme, Várzea Paulista, Indaiatuba, Capivari, Monte Mor, Lavrinhas, Guarujá, Santos, São Vicente, Praia Grande e tantas outras cidades do Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais. Eu tive um tipo de amnésia parcial, não sabia ao certo onde tinha guardado as coisas, parecia um bloqueio proposital com esses itens. Há algumas semanas eu me lembrei que as mídias estavam dentro de uma caixa de sapatos, bem no meio de papelada antiga e inútil. Finalmente o meu filho confirmou que Miss C existiu e que ela fez parte da minha vida por um tempo. Ele leu detalhadamente todos os e-mails e ficou pasmo com o jeito que ela me tratava. Ao passar foto por foto dos arquivos, ele comentou que ao lado dela eu parecia feliz. E que nunca me vira com aquele brilho no olhar de homem apaixonado. Logo me perguntou por que eu não apresentei Miss C a ele ou a nossa família. Eu justifiquei que, - bem no comecinho - quando tudo parecia apenas uma curtição, notei que ela não tinha um gênio fácil. Em poucos  dias de relacionamento já me deixara falando sozinho por um questionamento tolo e saíra do carro batendo a porta com toda força. Achei melhor dar um tempo para observar o comportamento posterior da moça. E, é claro, as conclusões não foram das melhores. Fiquei com receio que ela viesse a maltratar os meus filhos ou a minha mãe idosa. E isso não seria nada bom. Ele entendeu, mas reforçou que eu errei em insistir na relação, já que desde cedo percebera os desajustes dela. Eu respondi que quando a gente está dentro é difícil sair sem a certeza dos acontecimentos. Eu agi como São Tomé e paguei muito caro por isso. Bom... Com a descoberta das mídias e do HD, ele acabou se sentindo culpado por não ter me dado ouvidos, e mais ainda, por tomar uma decisão drástica no meu encaminhamento à casa de repouso. Eu percebo que ele anda meio jururu, um pouco sem jeito ultimamente. Tem passado muito tempo dos seus dias cuidado da finalização do conto para publicação. Parece algum tipo de fuga ou penitência por não ter acreditado em mim o tanto que deveria. Talvez em breve ele precise de algumas horas com o doutor.

- Seria mesmo muito bom! O que ele diz dos seus amigos imaginários?

- Na verdade doc, ele já conhecia pessoalmente Zé Louco e todas suas mulheres, conheceu também Nanda, Tom e todos os personagens do camping com outros nomes. A única pessoa que ele não conheceu foi Nina. Ela é uma amiga que me ajudou muito. Uma amiga imaginária no meio de tantos personagens reais, uma herança permanente da balinha mágica que Zé Louco me ofereceu no camping.

- Ela ainda é sua amiga imaginária?

- É sim doc, mas apenas nos meus sonhos loucos e eróticos.

- Deseja mudar de assunto e falar um pouco do seu novo trabalho?

- Sim. Vamos lá! Ele é basicamente igual ao que eu fazia antes, com algumas inovações no método de atuação. A minha namorada está comigo nessa empreitada – (ela não gosta quando eu uso o termo “empreitada”, acha feio..rs.rs). Nós vamos rodar muito pelo interior, pegaremos estrada ouvindo rock and roll o tempo todo nas viagens. Nem contei, né? O senhor acredita que ela já foi atrás dos ingressos do Monsters of Rock que vai rolar em Sampa em outubro? Ela insiste em ver o Aerosmith e Whitesnake. E fica de bico quando digo que o David Coverdale está só o pó da rabiola e o Steven Tyler muito parecido com o Serguei. Vai ser legal, pacas. É mais um grande evento para irmos depois do show do Bon Jovi; assim passaremos muito tempo nos divertindo, curtindo as coisas que gostamos, e dando muitas risadas com as provocações bem-humoradas de lado a lado. Sei muito bem que vou voltar para casa com os dedos dos pés acabados de tanto levar pisadas. Mas faz parte da diversão.

   Voltando ao trabalho... Ela vai me acompanhar nos contatos comerciais para a venda de artigos raros relacionados com música dos anos 50 e 60. Ela não entende muito sobre essa época, mas é esforçada e aprende rápido. Vai ser muito boa a nossa convivência dividindo tarefas, tenho certeza disso!

Nesse final de semana estivemos no Sul de Minas Gerais a passeio. Passamos rapidamente em Extrema para seguirmos até Pouso Alegre. De lá entramos pelo trecho conhecido como borda da mata, e chegamos até Ouro Fino - pousamos na noite de Sexta para Sábado num hotel de beira de estrada. O céu estava limpo e era mais ou menos meia-noite quando cruzou o céu uma chuva de meteoritos. Estrelas cadentes doc! A gente se cansou de tanto fazer pedidos. De manhã seguimos para Bueno Brandão, passamos antes em Inconfidentes para um lanchinho ligeiro numa vendinha parecida com padaria. Percorremos o dia todo por estradas de terra em busca de cachoeiras nas trilhas - tudo debaixo do sol quente, quase estorricando. Sem querer acabamos em frente a uma pousada com vários chalés pintados em azul e branco. Uma senhora muito gentil nos atendeu e ofereceu café com pão caseiro que acabara de sair do forno. Nós aproveitamos o convite e nos hospedamos ali para passar a noite - já estávamos cansados e famintos do dia movimentado. Ela, muito gentilmente, nos indicou uma pizzaria diferente que funciona na noite de sábado: "É na beira da estrada de terra que vai para Socorro. Um lugar chamado vizinho das estrelas. Provem o brigadeiro de capim-santo que é uma delícia!” - disse ela. Achamos curiosa a indicação e depois do banho fomos até lá provar o tal brigadeiro de capim santo tão recomendado por nossa anfitriã. Foi sensacional, doc! Um ambiente aconchegante, com luzes externas parecidas com pequenas lamparinas de antigamente. Muito, mas muito romântico mesmo. Sabe doc? Eu evito bebida alcoólica, mas, não resisti e tomei um pouquinho do vinho local na taça do meu amore... Eu a chamo sempre de amore... Parece mais meigo e carinhoso do que chamar pelo nome... Quando ela fica brava eu digo que é Miss C cover, aí ela fica mais brava ainda e me xinga aos montes... Eu dou risadas com as caretas que ela faz tentando imitar uma bruxa. Tudo acontece assim sem maldade e com toda naturalidade. Contei-lhe as partes mais importantes dos momentos que tive ao lado de Miss C e ela entendeu perfeitamente. Claro que jamais poderei contar tudo como faço aqui... Isso estragaria o relacionamento, e acima de tudo eu jamais falaria nos detalhes, porque a respeito e gosto demais dela para magoá-la com essas barbaridades. Então é melhor poupá-la dos detalhes mais sórdidos, porque ela não merece ouvir tantos desacertos e maldades... Os erros de avaliação que cometi com Miss C são tristes, e passaram já faz um bom tempo. É tudo passado agora, doc. E esse passado serve apenas como uma lição que não deve ser repetida.

- Pensando no que passou... Se pudesse dedicar uma música a Miss C qual seria?

- Bem... Eu me imagino no lugar do pai dela tomando conhecimento de tudo que aconteceu conosco. Então mandaria uma versão traduzida e adaptada de SIMPLE MAN do Lynyrd Skynyrd. Cada frase cairia perfeitamente em todas as circunstâncias em que ela agiu fora de propósito nessa vida.

- Por onde andam os seus amigos que eram imaginários e agora existem de verdade?

- Zé louco criou um bar temático em Jundiaí. Um lugar super decorado com pôsteres e peças artesanais representando a era hippie dos anos 60. Ele está com novas namoradas. Vai de vez em quando com uma delas aos encontros de motociclistas. Ele é muito esperto! Larga a esposa tomando conta do bar, enquanto se diverte com a outra nos eventos.
    Nanda e Tom foram para Nova Iorque por uns tempos, são os novos ocupantes do quarto em que ela ficava quando era pequena; é a casa da avó excêntrica e milionária num lugar chamado Upper East Side. A gente conversa pela internet de vez em quando e ela sempre me mostra pelo skype a sua menina chorona que nasceu lá. O bebê deles está muito lindo e gorduchinho nas bochechas, é uma menina com a cara do pai. Tom finalmente realizou o sonho de ser pai. Sente saudades do Brasil e não vê o momento de voltar para mostrar a mocinha aos parentes em Maceió.

- Sabe como anda a vida de Miss C?

- Bom... Pelo que fiquei sabendo, ela está firme no projeto dos biscoitos da sorte com a irmã. Se ela namora alguém eu não sei. Mas se estiver namorando acredito que o pai deve ter colocado algumas restrições. Deve ter dado orientações quanto ao comportamento, educação e, acima de tudo, sobre ter a língua comprida. Que tenha aprendido a nunca mais sair contando intimidades do passado da família ou dela mesma ao namorado. Acho que as regras daquela casa mudaram e se tornaram mais rígidas para todos, com uma nova imposição de limites. Talvez Miss C tenha recebido lições do pai ou da mãe de como respeitar ao próximo; como tratar carinhosamente as pessoas que gostam dela e falar a verdade em qualquer circunstância. Afinal de contas, a mentira quando é descoberta cobra um preço alto na reputação daquele que mente e acha que passará impune. Depois de toda reviravolta ocasionada pelas cartas que enviei, parece que as irmãs estão se dando bem na parte comercial e de convívio, tanto que, até ampliaram a produção, divulgação e distribuição dos biscoitos da sorte.

    Os produtos aparecem com uma nova roupagem e propaganda mais criativa que a anterior. Elas estão empenhadas em participar de programas de televisão onde vão apresentar a novidade. Ouvi dizer que se inscreveram para entrevistas com Ana Maria Braga, Jô Soares e Danilo Gentili. O pai e a mãe talvez apareçam no programa do Amaury Junior no mês que vem. Eles estarão misturados às socialites e empresários de sucesso, numa grande festa de bacanas. Não tenho dúvidas que irão contar vantagens de suas viagens pela Europa e os momentos divertidos nos cassinos dos navios. Eles estão com tudo e não estão para prosa!

- Muito bem, Re! Esse nosso papo foi excelente. O tempo da sessão acabou. Mas vou deixá-lo pensando sobre uma frase dita por James T. Kirk. Vou aproveitar a deixa, já que chegou aqui falando dele. Vamos encerrar assim para ficar mais ao seu estilo de hoje: “Você sabe que o maior perigo que enfrentamos é nós mesmos, um medo irracional do desconhecido. Mas o desconhecido não existe – apenas coisas temporariamente escondidas, temporariamente incompreendidas.”.  
    Vá lá, Re! Siga sempre em frente sem olhar para o retrovisor! A enterprise o espera no estacionamento, vi quando chegou praticamente flutuando. Ela parece prontinha para levá-lo onde desejar.

Espero que esteja de volta em breve para continuarmos de onde paramos.

Mande lembranças ao seu filho e peça que passe aqui assim que puder.

- Com certeza farei isso, doc. Tchau e obrigado por tudo.



        xxxxxxxxxxx    Fim    xxxxxxxxxxx



Nota do autor: “Agradeço a todos que acompanharam e incentivaram este humilde contador de histórias na conclusão de mais uma obra. 

“Deus abençoe a todos vocês.”

10 comentários:

  1. Parabéns meu lindo autor pelas escritas aqui, um final feliz pro Re, merecido mesmo depois de tantos sofrimentos, encontrou caminhos e voltando a normalidade, vivendo isso que importa, Miss C ficou no passado, não mais com tanta força. Está apaixonado de novo, uma companheira que está dando todo apoio possível. Deixa como lição que podemos sim superar e recomeçar sempre que for necessário. Letícia.

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  2. Opa! Quer dizer que o Re, finalizou sua terapia a respeito de Miss C?! Interessante, momentos torturantes relembrando fatos, que eu acredite não tenha sido fácil, mas vamos falar de coisas boas. Vejo que arrumou alguém especial, que bom, conseguiu enxergar a felicidade de novo, isso contribuiu e muito na sua recuperação, vai voltar a pegar estrada de novo, trabalhando naquilo que gosta e com sua nova companheira juntos ainda. Mesmo que passe anos, Re. sempre terá uma vaga lembrança de Miss C, querendo ou não teve convívio. Mas, será de uma forma mais branda e com mais clarezas aos fatos, Gostei de saber, que colocou a par sobre o seu passado a atual, isso claro o necessário. Espero que Re. não precise mais de terapia, e vá ser feliz de verdade!

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  3. "É caindo q se aprende a levantar", diz o velho ditado q, apesar de velho, é sempre mto contemporâneo pois se encaixa em mtos momentos da vida da gente, passe o tempo q passar!
    Somos imperfeitos. Aprender é o q temos q fazer sempre, nas boas e más situações, para sermos seres humanos cd vez melhores. Nosso amigo Rê nos mostrou q isto é possível msm qdo parece q a vida está contra nós, q não há + chance, q nosso tempo acabou...
    Sempre há esperança e, mínima q seja, c/ fé, podemos realizar feitos inimagináveis! E ainda melhor será se deixarmos as mágoas e rancores p/ trás!
    A simplicidade deste capítulo final é comovente, Sr. Autor! Ela transmite a leveza da alma do protagonista já livre das tristezas e sofrimentos do passado, assim cm a felicidade da vida e esperanças renovadas, ao lado de alguém realmente especial!
    Vários momentos desta estória pude comparar aos da minha própria vida e refletir bastnt sobre mtas coisas. Tbém me diverti em algumas passagens e vibrei c/ o ritmo Rock and Roll q embalou outras!!! (e tbém "fico de bico" se vc falar mal do Jon Bon Jovi e do Steven Tyler, heim?!... Kkkkk)
    Renato, cm leitora e admiradora tbém tenho mto a agradecer-lhe pela oportunidade de vivenciar os momentos especiais q suas estórias proporcionam! Mais uma vez, Parabéns! E q Deus continue a iluminar sua vida! BJSSS - Edneia

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  4. Achei o máximo aqui saber que finalmente Re. encontrou uma companheira de verdade, solícita traçando juntos uma nova vida. Depois de tudo que passou foi merecido esse final, voltando a ser como era antes. Família, amigos e terapia ajudaram nessa empreitada. Agora quando, faz menção dela não sofre mais, o tempo ajuda a cicatrizar as feridas e pode entender que nunca poderiam ser felizes. Ela vive o mundo que criou, sozinha anestesiada de qualquer sentimento. Parabéns, aqui adorei esse final, quem agradece somos nós leitoras, dessa maravilhosa obra escrita por você!!! Adriana.

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  5. Onde só se via cinzas agora se vê cores, quando estamos amando nos sentimos assim, né! Fica tudo mais fácil e despojado, não tendo mais sombras do passado, Re. saiu a tempo da loucura que estava pela Miss C, mesmo com toda ajuda que teve tinha que partir dele essa atitude. Pena, que ela preferiu continuar a vagar no seu egoísmo. Depois de muito tempo ele conseguiu aceitar, o fim da relação e viu que não perdeu nada, a não ser seu precioso tempo. Ana Paula

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  6. Tudo que escreveu aqui foi sensacional do começo ao fim, quero dar os parabéns. Tudo muito bem escrito e elaborado!!!
    O final foi uma grata surpresa em ver o admirador recuperado e mais, ter uma mulher de verdade ao seu lado. Foi um aprendizado pra que no futuro seja mais prudente; evitando sofrimentos futuro!

    Beijo!

    Lúcia Bilbau

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  7. Patricia Ramos Sodero28 de agosto de 2013 23:02

    Ah....o tempo!Sim,o tempo é o melhor remédio para muitas coisas em nossas vidas!No caso do nosso protagonista,Re,foi uma pessoa que se mostrou persistente e forte em todas as situações que passou,durante sua caminhada,até a vitória.Fora humilhado,ameaçado,acabou internado,por um egoísmo que não conseguia entender,da pessoa que achava que o amava,e que no fim,foi só decepção.Quando temos a certeza de que podemos superar os obstáculos que a vida nos prepara,e lutamos por isso,dia a dia,uma hora,nos é mostrado o nosso valor!E isso foi provado nesses belos capítulos,escrito por esse autor,que sempre nos propõe reflexões,em suas belas estórias.Adorei ver toda a recuperação do Re,sem deixar as mágoas do passado o comprometerem,e renascendo para uma nova vida a dois.Isso sim é viver!Saber que seus amigos,família e um amor verdadeiro,fazem parte dessa VITÓRIA!
    Parabéns,Renato!Se pudesse,falaria muito mais a respeito de seus textos,pois são divinos!Escreve como ninguém!Um grande beijo e agora,ficamos aguardando um novo texto...uma nova estória...
    Patricia

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  8. Quando tudo parece perdido, sempre haverá a luz no final do túnel, e qdo nos jogamos nela, c/toda a fé e confiança na solução de todos os problemas, aí sim, encontraremos o caminho certo a seguir. Acredito q isso aconteceu c/o Re, qdo ele pensou q td estava perdido, q nada mais faria sentido em sua vida; a reviravolta se fez e ele encontrou e seguiu a luz. A partir daí surgiram novas perspectivas, novos caminhos, novos e verdadeiros sentimentos. Encontrou alguém c/quem poderia dividir todos os momentos, fossem eles bons ou ruins, reassumiu seu trabalho, sua vida, sua razão, sua alegria de viver. E todos seguem suas vidas,” Miss C” segue seu caminho e receberá de volta td o q plantou, cedo ou tarde ela terá q colher os frutos dos seus atos, é a lei da vida e se cumprirá no momento certo, assim como todos de sua família, cd um responderá por seu próprios atos. Seus amigos imaginários ou não, tb seguem e seu filho, após a confirmação de td, tb segue seu caminho, agora c/a certeza da lucidez do pai. Enfim, nada está perdido, td na vida tem altos e baixos, as posições se trocam, os caminhos se cruzam, o q hoje faz todo sentido, amanhã não significa mais nada, o bem acaba, mas o mal tb, nada é p/sempre... Parabéns Renato, final c/chave de ouro p/este conto! Bjus.

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  9. Bom demais saber que Re finalmente voltou a ser quem era antes... maduro, inteligente e seguro dos seus sentimentos, bravo!!! Aplausos aqui seu Autor, colocou um final justo pro nosso sofrido admirador, pena que Miss C, não teve uma mudança, mas a vida segue cada qual com seus ajustes e erros. Foi de grande importância pra nós leitoras esse desfecho, nem tudo está perdido apesar dos pesares... Lembranças de um relacionamento nada feliz que trouxe grandes experiências, cicatrizes que ficará pra sempre, mesmo que tomou outro rumo ela sempre estará no seu passado, mesmo que ouvindo uma música, lugares, enfim difícil de apagar. Espero que Re. tenha aprendido, que não dá pra confiar e ser tão ingênuo. A vida tem uma maneira cruel de mostrar verdades, que nem todos aguentam e ficam sem estruturas, pra aguentar o ocorrido. Valeu a espera desse conto que foi espetacular e sensacional, amei!! Caroline. :))))))

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  10. Saber esperar, difícil atitude pra quem foi enganado pela namorada,né! Mas, nessa vida não sabemos o final delas, sempre seremos surpreendidos e foi o caso do protagonista aqui... grandes revelações foram feitas aqui que chocou certas atitudes, mas que foi o seu modo de ser ouvido pela família e pela própria Miss C, se foi bom esse comportamento, tenho que convicção do malefícios que causou ao Re. ela extraiu o outro lado da personalidade do admirador vingativo... Depois da alma lavada veio a solidão e devaneios sobre ocorrido, indo ao ponto mais caótico que poderia chegar a internação. Depois de meses de tratamento, veio o reencontro com amigos do camping que ajudaram e foi formidável.
    As revelações aqui feitas foi mais pra entender o porquê de tais atitudes de Miss C uma mulher ambiciosa e calculista se aproveitando dos sentimentos de uma homem totalmente rendido a esse amor, e brincou perigosamente imaginando que iria sair ilesa da história.
    Entendo perfeitamente a revolta dele e tudo que fez, apesar que teve muita coragem pra seguir adiante. Achei o máximo dele ter encontrado outro amor, mais compatível e que são mais que namorados "AMIGOS", demonstração de afeto e respeito mútuo unidos... Quando relata de Miss C não tem grande força como antes, ficou lá atrás, Re. está esperançoso com a nova vida e projeto que tem pela frente. Mostrando-se capaz de dar continuidade a viver e ser feliz. Quero dar os parabéns aqui Renato, apesar de não lhe conhecer , vejo que tem sensibilidade nas suas escritas e bem elaboradas também, transmitindo os 2 lados da vida!!!

    Juliana

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