sábado, 29 de julho de 2017

Saudade




Você queria me ligar?
Desejou pedir desculpas por ter sido tão temperamental?
Sabe o número de vezes que pegou o telefone e desistiu?
Como é a dor que está sentindo?
São tantas emoções embaralhadas e confusas, não é mesmo?
Foram as músicas que ouvimos que lhe deixaram assim?
Você se lembra quando fizemos amor ao som de “por enquanto”?
Nós não juramos que “por enquanto” seria para sempre?
Você não disse naquela hora que talvez se casasse comigo?
Por que será que eu acreditei e fiz castelos na areia?
Você se arrepende do que falamos ou por que brigamos?
Nada de novo apareceu depois do rompimento, não foi?

Você queria me escrever?
Leu, releu e sentiu insegurança nas palavras?
Por que desistiu de enviar?
Imaginou: “Será que entre nós pode existir a mesma confiança de antes?”
Sente a dor da solidão e a cruel saudade de quem soube lhe compreender?
Sente falta da risada irônica?
O meu cheiro aparece de repente quando você menos espera?
Quando isso acontece você olha para trás?
Sente falta dos meus olhos expiando você sair portão afora?
Chegam arrepios quando ouve um nome com a mesma sonoridade do meu?
Seria mais uma ironia do destino ouvir esse som todos os dias?
Teme as sensações que lhe acompanham pelo resto da vida?

Alimenta frustrações pelas coisas que deixou de fazer?
Pensa na possibilidade de ter sido mais paciente?
De ter insistido para mudar a ordem das coisas?
De mudar para melhor um pouco de si ou tudo de mim?
E os dizeres naquela noite fria de luar?
É algo tão nostálgico que faz descer uma lágrima rebelde?
Lembrar faz sofrer, não é?
O que aconteceu para tudo estar tão diferente?
Qual erro causou tanta decepção?
A paciência acabou e a dor de saudade ficou?
Faz tempo que não sente um abraço gostoso como o meu?
Quando se lembra ainda chora?

Teria coragem de contar para alguém que sonhou comigo?
Diria que o sonho foi de sorrisos e olhares maliciosos?
Contaria que foi a melhor cena que viveu nos últimos anos?
Nessa hora esses pensamentos loucos lhe deixam como?
Quem da sua casa disse que você não bate bem?
Quem julga, condena ou perdoa os seus atos?
Por que fazem questão de não entender que você é diferente?
A emoção recolhida fez de você um ser agressivo e arredio?
Alguém além de mim se importou com isso?
Diga de verdade: prefere ligar ou escrever?
Vai conviver para sempre com a dor que está aí dentro?
Vai me deixar viver para sempre sentindo a mesma dor que você? 

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