domingo, 28 de julho de 2013

Dear Miss C Part 23



  Caro doutor. Durante muito tempo não me senti confortável naquela situação de idas e vindas. Vivia momentos de tantas incertezas que nunca estava em paz comigo mesmo. A minha facilidade em perdoar os seus erros ia se perdendo a cada vez que me sentia feito de bobo. E sem que eu percebesse a gravidade das minhas atitudes, a resistência interior se desfazia em cacos. Quando no final de ano ela se afastava de forma cruel, sem permitir qualquer contato telefônico ou internet, o meu mundo mudava. Não havia ar para respirar, beleza na natureza, nem cores, nem luz, nada... Nada que fosse importante. Apenas a escuridão pouco a pouco tomando conta dos pensamentos. Não havia segurança para dar o próximo passo e nem retroceder. Passava dias girando no mesmo lugar com ciclos de ideias que nunca eram colocadas em prática. Sentia-me envolvido numa aura de decepção e desespero. Todo deslumbramento acabava na tortura daquele tempo intermediário, - entre o inicio de dezembro e os primeiros dias de janeiro - era uma espera que não tinha fim, até que por sua vontade decidisse voltar a conversar comigo. Eu ficava completamente solitário nas datas, exceto pela companhia da minha própria família, mas como eu sentia a falta dela acabava vivendo com uma dor que era só minha. O pensamento buscava a solução para tudo que me envenenava a mente. Era o momento que levantava a cabeça e olhava para o céu a fim de aliviar o que doía. Recebia mensagens de esperança da brisa gentil, o toque divino guiando os meus passos. O contato com a natureza era o único meio de acalmar o meu espírito, enquanto mantinha firme a fé em Deus e em melhores dias. No entanto, depois de um tempo, todos os sinais vitais pareciam não significar mais nada - na cumplicidade com a abundância de fé ou na crença da vida. Era como se a natureza fizesse de mim um ser que se decompunha na maior parte do tempo, mas que depois tentava se erguer em pedaços que nunca se encaixavam perfeitamente. Isso me deixava cada vez mais triste, choroso e desanimado.
    Enquanto buscava solucionar os mistérios do encaixe geométrico imaginário na minha vida, ouvia ao longe o som da linda voz de Miss C. Ela não era mais gente, virara a personagem das minhas alucinações – a personagem esquisita que descrevo em tantos relatos parecidos com este. Ela tinha sonoridade musical intensa, penetrava e seguia firme até ocupar os espaços da mente preenchida pela dor. Estimulava o corpo e mantinha a imagem viva. Junto com a música dos seus movimentos corporais levantava a voz condenando as minhas cartas. Eu me lembro bem não gostar nadinha do que conseguia entender. O meu sangue congelava enquanto eu respondia pedindo apenas um abraço: “Abrace-me forte. Chore comigo todas as dores, as minhas dores são as nossas dores! Morda, belisque, por favor, me acorde do transe perpétuo em que o corpo flutua sem destino. Venha devagar e me segure firme no chão, mas venha com aquele casaco lindo que você escolheu em nossa passagem por Serra Negra. Toque-me carinhosamente com a boca quente e insaciável, aquele mesmo toque que sempre me leva de volta aos primeiros dias. Você está tão quente e com a pele tão sedosa, parece recém-saída de um banho de espuma. Por onde andou todo esse tempo? Por que me deixou para trás? Senti tanto a sua falta... Como foi que acabamos assim?”.
   Sabe doutor? Eu imaginei que nunca houvesse nesse mundo alguém com esse tipo de sentimento. Eu banquei o tolo mais de mil vezes me esforçando para que tudo ficasse bem. Mas o seu sorriso um dia saiu da minha lembrança. Aquele sorriso que me fez sonhar que um dia ela buscou a felicidade ao meu lado. Jamais me recobrei do buraco em que me joguei por acreditar nessas coisas. Não havia remédio que curasse a dor da queda e os perigos que rondam um coração maltratado. Foi o começo do gosto amargo que desceu pela garganta arrebentando a razão. Senti-me melhor depois que coloquei tudo para fora nas cartas. O meu pensamento correu em alta velocidade, correu como o vento que vira furacão e se vinga do que tem pela frente, deixando atrás de si uma paisagem destruída. Num passe de mágica tudo sumiu e uma nova vida se fez, por isso estou aqui.
   A velocidade do meu ressentimento foi diminuindo, foi aos poucos se acalmando com o silêncio e o controle que deveria ter persistido nessa vida. O sorriso dela sumiu da lembrança, dando lugar à luz de um novo sol que estava surgindo. Ainda assim, quando toco nesse assunto, sinto uma vertigem que bota os meus pensamentos em conflito com minhas ações. Eu imagino que devesse ser mais bondoso e generoso, ter a cautela que um dia tive antes de conhecê-la - praticamente o oposto na conduta que ela teve comigo. Mas receio que fui contaminado por suas ações desastrosas, e não agi como deveria agir para me proteger.
   Sim, eu sei meu caro doutor, ela ainda é parte de mim, mesmo que eu não quisesse aceitar, não tenho como me livrar desse peso de uma só vez. Imaginei tantas vezes o dia que poderíamos ter uma conversa franca, onde revelaríamos fatos simples e verdades frias que continuam nos atormentando a vida toda. Usaríamos todas as palavras que evitamos durante meses. Então, finalmente, surgiria a revelação dos motivos que a levavam a ser tão reservada, parecendo que ninguém da sua própria família a conhecia a fundo. E o principal: por que fingia o tempo todo que aquele seu mundo era à parte do nosso, ou a vida que adotou para si era de mentiras. Uma enorme sequência de mentiras sórdidas, misturadas com dezenas de fantasias tolas nas conversas intermináveis que tinha comigo. Exato momento em que uma máscara mortuária encobria o seu sorriso aparentemente sincero, e eu nem percebia a farsa por ser um tolo apaixonado.
   Durante bastante tempo fiquei como um espectro que zanza num labirinto escuro. Com uma vida que mais parecia um amontoado sem fim de coisas inúteis e lembranças dolorosas.
   Quando dei por mim da verdadeira situação, uma enorme desorganização tomou conta da minha vida. Esse conhecimento me deixou completamente atônito. Fui tentando superar, mas quando se tem a sensação que brincaram com os seus sentimentos e continuam brincando como num show de marionetes, não há solução animadora quando a verdade dessas más intenções é descoberta. Eu logo notei que tinha sido o brinquedo predileto daquela temporada, um brinquedo que trazia muitas utilidades e com razões muito interessantes para ser usado todo final de semana – reconheço: ficando voluntariamente à disposição para ser manipulado quando necessário e depois encostado num canto. Esse é o maior sentimento de culpa que carrego.
   Depois de tantas batalhas, eu já estava cansado de ser colocado no “freezer” por semanas e até meses, ficando à mercê da sua benevolência para quando quisesse falar comigo.
   A derradeira temporada de nossas viagens havia acabado no meio da primavera. Em seguida as comunicações, por iniciativa dela, foram completamente cortadas – sem motivo algum ou que fosse por minha vontade que isso acontecesse. Se eu morresse ou ficasse doente ela jamais saberia, não atendia os números que percebia serem meus. Chegou uma época que eu queria resolver o que estava incomodando, falar na cara, por mais que doesse, mas, que tudo fosse esclarecido de lado a lado. E, finalmente, cada um seguisse o seu próprio rumo, já que dois anos foram suficientes para percebermos que não daria certo, e tínhamos interesses com visões diferentes do futuro. Seria uma forma educada, descente e civilizada de resolver as coisas. Se isso tivesse acontecido eu teria dito a ela que não se deve zombar dos sentimentos das pessoas que gostam da gente. Falaria sobre esse assunto com uma abordagem geral, não apenas querendo me referir ao relacionamento de namoro. Afinal de contas, pelo que ficou claro, ela nunca respeitou o sentimento de qualquer outra pessoa por ela, já que não poupava ninguém de suas duras críticas. Uma pena que nunca consegui realizar esse feito. Talvez tivesse sido bom, e assim ela pensasse em agir de outra forma na vida. Mas pau que nasce torto...
   Como você se sentiu quando percebeu que ela o desprezava?
   Caramba, doutor! O senhor faz cada pergunta.... Olha... Foi horrível ser execrado tantas vezes ou não ter sido alertado que as coisas não estavam de acordo com os seus interesses. Doeu muito, entender com maior clareza, que havia algum objetivo além da minha simples companhia, - e isso foi ficando cada vez mais transparente com o passar dos meses. Até que, por fim, eu enxergasse de vez o que não queria ver.
   No final do nosso último ano, antes do natal, ainda com a comunicação rompida, como prova de civilidade e consideração, mandei cartões no natal e depois no ano novo via e-mail, não obtive qualquer resposta. O tempo passou... Fui tentando esquecer, imaginando que não valia o esforço em insistir pelo menos por uma amizade distante. Mais de três meses depois do sumiço, ela apareceu no msn pedindo uma chance para recomeçar. Acontece que muitas coisas tinham mudado na minha vida, fatos graves começavam a abalar o meu lado psicológico. Eu teria que ser mais forte do que tinha sido até então. Teria que superar a nova fase de problemas que aconteciam na minha casa, na minha família.
   Que problemas eram esses? Pode falar mais sobre isso?
   Sim doutor, eu posso. Mas antes vou concluir essa parte para não perder o fio da meada. Ok?
   Continuando: eu já não podia aceitar, quando pela vigésima vez ela tentava um recomeço perguntando para onde iríamos viajar no próximo final de semana. Então, com dor no coração e sabendo que não havia outro jeito, categoricamente, eu disse: “Não vamos para lugar nenhum! A minha vida mudou, muitas coisas aconteceram nesses meses que você sumiu. E quando a procurei se recusou a me atender, não apenas uma, mas várias vezes. Sinto muito. Não posso me envolver agora. Estou com problemas familiares graves e de difícil solução”.
 Diante da resposta, ela não demonstrou qualquer interesse em saber do que se tratava e novamente rompeu comunicações no instante seguinte que terminamos a conversa.
    Nessa época eu estava em férias do trabalho e com bastante tempo para pesquisar o que quisesse na internet. Profundamente chateado com a repetição das mesmas cenas, resolvi criar um perfil fake para tentar tirar alguma coisa do seu ex-namorado, e entender melhor por que ela insistia tanto em me fazer de palhaço. E assim, de uma vez por todas, confirmar as minhas teorias sobre os seus verdadeiros motivos de me deixar sempre na “espera”. Bom... Veja bem: ela tinha me contado tantas coisas dele, passagens dos momentos felizes, motivos do rompimento, a briga dele com o pai dela, o amor que ela ainda nutria pelo rapaz, a vez que ele quebrou a perna, enfim... Ela falou tanto que eu já me sentia familiarizado com a vida dele, mesmo sem conhecê-lo. Porém, o silêncio dela fez a maior de todas as revelações: aquele fiozinho de esperança que ainda persistia! Até hoje não entendi o motivo de me contar tantas coisas do passado dos dois. Na época fiquei em dúvida se era por algum tipo de ingenuidade burra ou por pura maldade - só para judiar, testando a minha reação com tantas comparações diretas e indiretas entre o comportamento dele e o meu. 
      O primeiro perfil que inventei foi de um homem com os mesmos gostos que ele - era na tentativa que houvesse alguma identificação de hábitos e costumes, mas não deu certo. O segundo foi o perfil de uma mulher. Uma jovem na faixa dos 30 anos, bonita, com fotos ousadas; bem formada intelectualmente; uma fêmea comunicativa se mostrando liberal e disponível. O rapaz tinha em suas redes sociais centenas de mulheres em cada perfil. Em 90% dos casos: moças jovens, bonitas e universitárias. Eu precisava me superar com extrema simpatia e habilidade feminina de comunicação, e assim conseguir arrancar alguma coisa dele.
   Por que você fez isso? Por que foi atrás de informações com alguém do passado dela?
     Ahhh doutor, foi por que ela disse que ainda gostava dele. Ficava fazendo essas comparações que eu detestava. Deixava bem claro que ela se sentia mais feliz com ele do que comigo. Entendi que ela se aproveitava da minha boa vontade, com a certeza do meu sentimento por ela. Eu considerei aquilo como humilhação. Eu sei que é errado vasculhar a vida alheia, mas eu estava revoltado. Quando a pessoa se sente usada o sentimento que fica é de revolta, era só o que eu tinha dentro de mim naquele momento.
   Ok. Continue.
 Quando ele finalmente começou a se abrir ficou tudo mais fácil. Eu disse que precisava terminar o TCC de psicologia, que faltavam algumas entrevistas que podiam ser feitas via internet. O tema era sobre relacionamento amoroso e seus conflitos: estresse e abalo pós-traumático por separação. O rapaz prontamente começou a contar os casos de outras pessoas que conhecia, mas nunca falava da sua relação com Miss C. Então um dia, depois de quatro entrevistas numa mesma semana, resolvi perguntar se ele podia colaborar com alguma situação que fosse da sua própria vida. Foi quando contou, com alguma mágoa, o que viveu com ela e o que passou dentro daquela casa. Ele dizia que nunca mais queria ouvir falar o nome do pai dela. Que aquele homem era um idiota, estúpido e arrogante. A única pessoa de lá com quem ele ainda conversava era com Miss C. Tinham contato via telefone, msn ou e-mail. Ligava periodicamente no celular ou no telefone fixo para perguntar como ela estava. Eles conversavam o necessário em várias vezes na semana. Em cada contato, principalmente por MSN, ela contava o que se passava com a família, todos os conflitos, suas mágoas com as irmãs, com o pai e a coitada da mãe - detalhe por detalhe de cada situação nova que acontecia. Mas nunca dizia que estava namorando alguém. E ele por sua vez contava o que de importante acontecia em sua vida, o seu dia a dia, e coisas relacionadas com as pessoas que um dia ela conhecera quando eram namorados, falava também dos bichos de estimação que ele criava. Ele, assim como ela, não tocava no assunto de ter compromisso com outra pessoa. Bem... Doutor.... Depois de ter conquistado a confiança dele achei que estava na hora de fazer a pergunta chave de todo “interrogatório”. Quando perguntei se eles ainda se encontravam pessoalmente, ele se esquivou. Disse que preferia não responder essa pergunta, que eu fosse para a próxima. Segui o conselho: “Você ainda tem namorada ou está sozinho”? A resposta demorou a sair: “Eu namoro, sim. São três anos muito felizes. Nós viajamos muito. Dei sorte de encontrar alguém que gosta de viajar tanto quanto eu. Nas minhas férias no começo deste ano ficamos numa pousada muito acolhedora, queríamos conhecer a nascente do rio Tietê”. - Que legal  esse passeio, um dia também quero conhecer esse lugar! - Mas, vem cá. Uma dúvida. Mesmo estando bem com a sua atual namorada, você se comunica com a ex para que? – perguntei jogando um verde. “Apenas por consideração. A gente nunca deixou de se comunicar depois do rompimento.” – respondeu tranquilamente.
   Sabe se ela namora alguém? “Não sei, e nem me interessa!” – parecia meio irritado, foi mudando o tom querendo encerrar a conversa. Logo eu o acalmei dizendo que se não sentia bem falando do passado, não tinha problema... Poderíamos continuar outro dia, se ele aceitasse. Mas para minha surpresa ele continuou falando dela: “Quando nos separamos retirei de dentro de mim uma força que, até então, eu não sabia que tinha. Eu ainda a amava, mas não podíamos continuar por causa da implicância do pai dela comigo. Com o passar do tempo fiz uma constatação muito triste: ela se tornou uma pessoa diferente com o nosso afastamento, uma pessoa pior. O significado daquela união não valia mais nada a partir de determinado tempo. Chegou a me dizer depois, que jogou fora todos os presentes que lhe dei durante os anos que namoramos. Comecei a ter a sensação que seria mesmo um erro ter continuado a relação. Primeiro: devido suas oscilações de humor. E segundo: porque parecia que nunca compartilhávamos dos mesmos sonhos. E para completar: a família dela não colaborava para que tudo desse certo entre nós. No meu sexto sentido eu sabia que talvez um dia pudesse ter grandes decepções insistindo naquele namoro. Acabei notando que passei maior parte do tempo sozinho. Ela não se preocupava comigo como deveria, porque se preocupava mais com ela mesma – eram ausências por conta da sua formação profissional e cursos de culinária. Ela demonstrava que tinha coisas mais importantes para cuidar em sua vida, do que saber se o namorado estava bem. Mesmo que ainda soubéssemos que sentíamos um tipo de atração mágica que atraía os nossos corpos, a vida insistia em ir separando a gente pouco a pouco, digo fisicamente. Mas, o tempo passou e comecei a ter comportamentos estranhos e ideias estranhas sobre tudo aquilo. Quando a gente dorme acaba tendo pesadelos horripilantes sobre o que deixou as feridas abertas. Eu tive esses pesadelos praticamente todas as noites durante um mês. Essas sensações me causavam muitos momentos ruins e mudaram a minha forma de encarar desafios. Até que um dia, finalmente, esqueci um pouco dela e me dediquei aos estudos para me formar na faculdade com pouco mais de trinta anos. Se continuasse envolvido naquele romance, talvez nem tivesse me formado. Ela fazia uma espécie de chantagem emocional, criava brigas horrorosas por ciúme doentio das minhas colegas de curso. Hoje, eu aprendi que a vida cobra os nossos erros e a cada dia o tempo diminui para todos nós. Tento esquecer o que vivi com ela. Procuro aproveitar melhor a vida me libertando das lembranças. Fui forte e, pouco tempo depois do rompimento, achei uma pessoa que combinava mais com meu estilo e, graças a Deus, acabei ficando com ela até hoje. Estamos juntos e muito felizes. 
      Eu acho que as pessoas deveriam beijar mais, namorar, passear e viver tudo de bom sem neuras. A minha ex não pensava como eu, se pensasse não criaria tanta confusão na nossa relação. Por isso, prefiro deixar que o destino resolva tudo, mesmo sabendo que segredos devem ser guardados a sete chaves. Durante o tempo que estive ao lado dela me senti dentro de uma jaula. Era tratado como se fosse um idiota; uma pessoa que perdeu a consciência, a razão e a noção do que é a vida. O pai dela queria “fazer” a minha cabeça tentando me levar para participar das suas reuniões com amigos - um tipo de sociedade fraternal esquisita, e, para falar a verdade, eu nunca consegui entender se aquela sociedade tende para o lado do bem ou do mal. Ele é o tipo de homem que adora quem aceita suas regras e ensinamentos. Por isso se dá tão bem com o noivo “puxa-saco” da irmã dela. Mas, eu nunca me submeti, e por isso acabei mal visto por quase todos da família. Fui mais forte e consegui “sair fora” antes que fosse tarde demais. Foi assim! Acho que você conseguiu tirar de mim o que queria nessa entrevista rs...rrs.sr..rs.rs.sr.rs. Por hoje chega. Alguém me chama, preciso sair. Tchau.”
    Ele deu tchau e desligou imediatamente sem me dar a oportunidade de dizer tchau também. Doutor, essa foi a ultima conversa que tive com o rapaz. Depois disso ele nunca mais apareceu para ser entrevistado. Bom... Pelo menos consegui pontos importantes nesses desabafos.
      Mas esse não era o pior de todos os acontecimentos naquele tempo. Eu vivia outro drama paralelo a todo esse rodamoinho que ela provocou na minha vida. Esse drama familiar que citei anteriormente mudaria tudo a partir daí.
   Recebi a notícia dos médicos que a doença das vias respiratórias da minha mãe, doença que estava estabilizada e não causava sérias preocupações durante os últimos anos, começava a dar sinais de piora. Estava se espalhando um tipo de tumor. Seria necessário um tratamento intensivo com internação por um tempo mais prolongado - quase um sacrifico em busca da cura. Os mais de quarenta anos como fumante acabaram com a saúde dela. O tratamento que fazia mensalmente no hospital das clínicas já durava cinco anos desde o diagnóstico, mas, devido a sua idade avançada, e principalmente o estado físico debilitado, um tipo de procedimento como, por exemplo, a cirurgia tornou-se muito temerosa. Os dias seguintes foram de angústia e incertezas. Ela já estava internada por mais de duas semanas. As minhas visitas eram diárias no acompanhamento da evolução ou estabilização da doença. Sabe doutor, eu sou filho único assim como a minha mãe também, e tudo era mais complicado. Não tinha a orientação de ninguém, não sabia como proceder e nem como encaminhar as coisas. Nessa época os meus filhos estavam viajando a trabalho, o mais velho no Japão e o outro no Ceará. Foi muito difícil encarar tudo isso sozinho. Eu estava em condições financeiras precárias, sem qualquer amparo psicológico e ainda abalado pelos problemas anteriores com Miss C. A vida ficando muito complicada para o meu lado naquele tempo. E as portas se fechando. Até os amigos sumiram quando fui atrás de algum dinheiro que serviria para cuidar dela. 
      Eu sabia que quando ela voltasse do hospital, eu precisaria montar uma estrutura diferente em casa, inclusive contratando uma enfermeira e mantendo em estoque todos os remédios receitados – remédios nem sempre encontrados no posto de saúde. Diante da situação cada vez pior - com os médicos demonstrando pouca esperança que ela pudesse se recuperar - tive uma ideia quando retornava para casa, vindo do período de visitação: escrever para Miss C. 
     Eu buscava algum consolo, mesmo com as comunicações rompidas há mais de quatro meses. Relatei no e-mail o que estava acontecendo, e como era o meu estado de total desânimo com a situação de poucas esperanças na salvação da mãe. Estava com o coração dolorido por dentro e precisando de uma palavra de apoio. 
      Eu dizia nessa "carta" que nem precisava vir ao meu encontro, podia me dar alguma palavra pela internet mesmo; via MSN ou e-mail, do jeito que ela escolhesse. Mas ela não respondeu. Tentei novamente no dia seguinte. Ela não respondeu outra vez. Tentei várias vezes nos dias subseqüentes, no mínimo por mais sete dias, e nada. Finalmente, quando eu já estava desistindo, mandei um último e-mail num sábado, pedia que me desse uma palavra amiga, que fizesse uma oração para minha mãe, porque a situação era crítica. 
     Pois é, meu caro doutor... Qual não foi a minha surpresa quando ela prontamente respondeu a mensagem daquele dia, e veio conversar comigo no MSN.   


8 comentários:

  1. Quem nunca se sentiu "feito de bobo" por alguém, principalmente por aquela pessoa a quem dedicou um sentimento mto especial? E são justamente estas pessoas q tem o poder de nos proporcionar a maior das alegrias, mas tbém a + profunda e cruel das tristezas!
    Qdo existe um gde amor em questão, o sofrimento mtas vezes nem é percebido ou é sempre relevado, em nome da esperança em q este amor cresça e se eternize "até q a morte os separe"...
    Porém, qdo não há reciprocidade, chega o momento em q o desprezo começa a minar este sentimento, e quem ama demais começa sentir o peso e o cansaço da dedicação sem retorno.
    É mto difícil fazer tal reconhecimento e aceitar a realidade tão cruel. Entender a insignificância dada a tnt dedicação e amor é praticamente impossível e faz qlqr mente turbulhar cm fez c/ nosso amigo Rê. Pena q ele não teve a oportunidade de uma última conversa c/ Miss C p/ q pudesse descarregar tds as palavras de ressentimento contidas e embargadas na garganta!... Mas, para seu alívio, pode descobrir q não estava sozinho no buraco escuro em q fora atirado por ela. Começava a juntar as peças deste imenso quebra-cabeça, formando a imagem triste de uma pessoa q a tds despreza e q só se importa consigo msm.
    Será q esta pessoa tão amarga e insensível, q não soube valorizar um sentimento tão bonito a ela dedicado, conseguirá oferecer algum consolo ao machucado coração de Rê? Será, Sr. Autor? As pessoas sempre encontram motivos na vida p/ se redimirem, será o caso de Miss C? Aguardo ansiosa pela resposta! Belo capítulo! BJSSS - Edneia

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  2. Amei esse texto, grande revelações aqui!!! Aplausos! Não é todo escritor que dá continuidade a contos. Mesmo com todos os turbilhões que Re passou nas mãos de Miss C, e fazendo outro perfil pra descobrir quem de fato era, apenas só confirmou sua personalidade imatura... O ex dela fez o melhor seguir em frente e tirou forças pra ser feliz e conseguiu!

    Lúcia Bilbau

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  3. Desculpe aqui Renato, mas achei tudo tão esquisito esse modo do admirador ir em busca de respostas! Não seria mais lógico perguntar a Miss C, o que sentia de fato por ele? Fazer outro perfil e saber mais dela?? Penso que não teria muito o que perguntar, sabendo que tanto a família e ela são totalmente arrogantes e sem caráter. Erro dele por ter dado tantas chances, sabendo que não iria ter retorno, vivendo de migalhas trágico essa relação, que só tinha na cabeça dele. ela queria alguém de conhecimento que pudesse ajudá-la na sua nova empresa foi isso. Agora vamos saber de fatos o que sucedeu para o total rompimento do casal!!

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  4. Patricia Ramos Sodero30 de julho de 2013 13:48

    É,Sr.Autor.Quando nos sentimos desprezados de alguma forma,por uma pessoa que nos é importante,buscamos respostas diversas...a tais comportamentos que não entendemos.Fazemos de tudo para ver essa pessoa feliz,achamos que a mesma está disposta a seguir seus passos...mas,nem sempre é assim.Tanto é que,nosso personagem,dispôs-se a se fazer de outras personalidades,para que soubesse e entendesse o perfil de Miss C.Sabe-se bem que,sua musa,viera de uma família arrogante,onde os "membros" só olhavam para seus próprios umbigos.Não existia comunicação.Será que essa é a razão que tanto faz Re insistir?Quem sabe,em constante convivência,poderia mudar algo...Fazer com que as regras de seu pai,fossem "quebradas"...àquela coisa que tudo tinha que ser a sua maneira.Acredito que esteja mesmo na hora desses dois terem a tão esperada conversa...a decisão final.Somente em situações difíceis,como Re passa,em questão da sua mãe,que saberá o verdadeiro sentimento que Miss C tem por ele.É nas horas de tristeza e desespero que nos vêm as respostas.Um capítulo um tanto quanto complexo,onde nós,leitoras,podemos avaliar as atitudes de cada um dos personagens,com mais convicção.Cabe ao nosso Autor,nos mostrar como será o desfecho desse casal.Parabéns,Renato!!!Bjs...

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  5. Tantas vindas e idas desse relacionamento só poderia dar nisso, foi trágico e traumático para o Re, tem que reconhecer que foi culpa por ter ocorrido isso, percebendo desde o início a personalidade constante de Miss C! Dar chances acho no meu particular um erro grande, ninguém muda de atitude, pode camuflar por um tempo mas depois volta até pior. Isso foi comprovado quando fez outro perfil, querendo saber mais sobre o antigo relacionamento dela, a mesma atitude. Ela tem um sério e problemático distúrbio, que, se aproxima acaba aniquilado psicologicamente.... Momentos difícieis na vida do Re, sua mãe doente precisando de cuidados, sem ninguém por perto pra ajudar ou apoiar nessas horas tão complicadas, imagino a sua dor e força ao mesmo tempo ter que superar pra dar assistência naquele momento. Fico aqui na expectativa de saber o que aconteceu, quando Miss C respondeu ao seu e-mail!! Será que foi tão desastroso assim, que levou a ser internado pelo filho??
    Acabou surtando pelo fato de ouvir a verdade e não acreditar do que ela foi capaz de fazer??? Quero lhe dar os parabéns, pela continuação e compartilhar com nós leitoras sobre os motivos da separação entre Re e MissC! Adriana.

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  6. O destino nos empurra de uma forma absurda, querendo ou não aprendemos com os erros do passado. Tudo o que Re passou pelas mãos de Miss C foi tão somente conveniências não só pra ela. Vamos admitir que curtiu bons momentos ao lado dela, mesmo que fosse SEXO, aproveitou do que era oferecido. Nos dias de hoje é super complicado viver um relacionamento onde pessoas estão totalmente, trocando ou misturando vida pessoal com a profissional. Por isso digo "Atrações físicas são comuns, conexões mentais são raras". Deve ser por isso que nunca deu certo entre os dois. Mas, quem sabe agora depois de algum tempo Re voltando a fazer terapia e revelando o motivo da separação, possa finalmente seguir sua vida, sem lamúrias. Ana Paula.

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  7. O q dizer deste conto, q a cd revelação nos deixa de queixo caído? Por essa eu não esperava, sempre achei q Miss C amava o ex e q o tratava de tal forma. O q essa mulher esconde? Será q tem desvio de caráter? Seu pai fez um belíssimo trabalho e ela aprendeu a lição direitinho. Egoísta, oportunista, mentirosa, mesquinha, o q mais se esconde por trás desse ser tão perturbado? Será q ela é feliz, sendo como é? Será q ela por si só, se basta? Teria feito c/o ex, o q fez ao Re, mas ele foi mais esperto e saiu de cena, assim q viu q não valia a pena qq tentativa no intuito de fazê-la mudar. Re ainda sofre muito, mas está se dando uma chance de expurgar de uma vez por todas de sua vida, essa pessoa q só lhe trouxe dor e sofrimento. Ela chegou até ele em um momento de muitas dificuldades, qdo ele mais precisava de alguém q o apoia-se, creio q isso a permitiu manipulá-lo e destruí-lo aos poucos. Poxa Renato,estamos cd vez mais curiosas. Bjus.

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  8. Será que é tão comum assim nos relacionamentos um se entregar, amar mais que o outro? Isolar-se de si mesmo, para viver em função da vida do outro. Até que ponto isso é saudável?
    Fico me perguntando que tipo de sentimento é esse, que ao invés da pessoa sentir-se feliz, leve, vive angustiada, sem rumo, totalmente perdida, esperando por uma palavra, um olhar, um sorriso do outro... Vive de migalhas... Isso é triste e deprimente.
    E mais uma vês lá está nosso personagem todo feliz e esperançoso por que enfim após meses de silêncio e diante de tanta insistência por parte dele, ela resolve voltar e lhe dar alguns minutos de atenção. Lamentável meu caro Re.
    Ou será que tem algum motivo ainda oculto a nós leitores de Miss C agir assim de forma tão cruel com seu Re? Mistério ainda a ser revelados...
    Beijos, caro autor.

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