Perseguição!

   O acontecido completou mais de um ano. Foi num dos intervalos entre o final de um conto e começo de outro, quando um pequeno incidente, que poderia muito bem ter passado desapercebido, tornou-se um tormento sem fim na vida deste escritor, o que influenciou decisivamente na sutileza das minhas abordagens.
      Atribuo a isso o resultado à desinformação, ou até mesmo conflito de interesse de gente sem noção que não respeita o semelhante, ou a quem pensa e age diferente de seus propósitos mesquinhos. Por isso, hoje, retomo o assunto como pretexto para resgatar a figura oculta dos que se escondem pelas sombras como vagabundos ou ratos de esgoto. Tento ao mesmo tempo, evitar que a ignorância e o preconceito uma vez mais me conduzam às fogueiras da inquisição, que há muito eu imaginava extintas.
    Na verdade, o que realmente se evidencia no pensamento dessa gente cretina citada constantemente em meus temas, é que todo mal se imponha sobre o incompreendido, o agredido, o traído; sobre o artista e sua arte. Oprimindo-lhe ameaçadoramente o sentimento obstinado que incansavelmente, durante um tempo, tentou entender a vivência cheia de máscaras desses escroques. A principal motivação dessa explicação foi reclamada na sexualidade explícita dos meus escritos. Incomodando, e parece que muito, a esses intolerantes, que através de toda covardia que lhes é bem peculiar, avançaram furtivamente temendo que seus atos de tortura psicológica fossem cada vez mais denunciados e explicitados com todos detalhes sórdidos. No entanto, não observaram que aqui existe "abundância de vida", sinceridade, verdade e respeito. Sem que seja necessário optar por qualquer dos "ismos" que justifiquem essa inspiração e conduta. É importante saber que a minha busca é tão intensa como é a vida. É uma luta permanente que não me deixa esquecer do que tentaram fazer e as conseqüências advindas desses atos.
    A obscenidade, tão presente nos meus escritos, deveria ser entendida como uma reflexão profunda sobre a natureza da existência de todos nós, e não como uma reprimenda ou "conselhos" de conduta moral a quem quer que seja. A narrativa da sexualidade escrachada serve unicamente como alerta, é quase uma alegoria crítica na forma de ataque à hipocrisia e ao puritanismo da sociedade, ou, alguns núcleos familiares vistos de fora como estruturados, mas que vivem de soberba, aparência e vaidades. Na verdade, os meus escritos giram em torno do retrato exclusivo e corajoso da miserável condição humana imposta por algumas mentes doentias, com suas tonalidades negras e recônditos deploráveis, em sua pobreza de espírito e atos reprováveis. Insisto vorazmente que para compreender melhor o que é dito aqui, é preciso despir-se de um tipo de esquizofrenia cartesiana na busca exclusiva da razão de tudo. Pois nisso existe sentimento. Deve-se entender, sobretudo, que nesses temas residem exercícios de literatura e algo que vai muito além, usando a arte como caminho, sim, o caminho para denunciar o tipo de tortura a que fui submetido durante meses. Nesse sentido, alguns aspectos foram muito reveladores e relevantes. Principalmente ao expor aqui o algoz que me motivou uma tremenda decepção. Desse momento em diante estudei os fatos, analisei os sinais e me senti derrotado, abandonado e recebedor de uma injusta agressão. Somente em pensar que alguém como aquela pessoa, - minha conhecida - de família aparentemente com conduta tão exemplar, pudesse em algum momento estar preocupada em cometer arbitrariedades a um admirador sincero - o que é pior, com a conivência, proteção e defesa dos seus familiares - foi mesmo muito triste!
    Então, aqui surge mais uma oportunidade para denunciar o estereótipo perverso dessa gente sem caráter e com isso tentar contribuir para sua melhor compreensão dos meus textos e motivações. Insisto que, longe de ser algum tipo de pervertido que alguns consideram, os meus escritos promovem a liberação dos costumes e a liberdade de pensamento. Por outro lado, a crítica que recebo desses já citados com tanta adjetivação, é avassaladora com respeito aos impactos que todo conteúdo causou e causa em suas mentes fechadas e em suas vidas medíocres. Exatamente por essa percepção aguda é que em determinados pontos da minha escrita aparece um gênero de sarcasmo sem paralelo, que supera o retrato feio dessa gente sem humanização e refém de uma alienação retrógrada.
     É surpreendente perceber na visão e atitudes desse povo, a opinião que têm do escritor, principalmente se imaginarmos que, a certa altura, o mundo deles se prepara para despedaçar-se novamente, porque toda intimidação e tortura funcionam com tempo certo para acabar e um dia no reverso para prestação de contas - assim como já aconteceu.
   O meu apelo é direto e objetivo: certas mensagens nos fazem reconhecer quão próximos podemos estar um do outro ou das trevas - da gentileza ou da insensibilidade. A dependência material, aliada à incapacidade de observação, transforma algumas pessoas em órfãos, gente que não é gente, e sem o conhecimento dos códigos primordiais de ética, generosidade e educação, e que ao mesmo tempo nunca se permitem colocar-se no lugar do outro ou olhar-se no espelho.

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