terça-feira, 23 de abril de 2013

Poeira Nos Olhos

Lembrar de tudo: fatos desnudados.
A verdade: coisa longe da realidade.
Era o que eu queria acreditar.
Mágoas: lembrança distante.
Caindo no mesmo erro: se recompondo.
Engano trágico: desconfiança.
Outra desilusão na doçura do tempo.
Subjetividade: limite do entendimento.
Em respostas imediatas: destino calculado.
Movimento estranho e cruel; sem data ou local.
Por um instante: poeira nos olhos.
Caminho inóspito com cheiro de folhagem.
Barreiras naturais: pedras, buracos..
Árdua caminhada; rumo perdido.
Viagem acidentada em dias sossegados.
Sintonia silenciosa; disposição maliciosa.
Conflito de personalidade, comportamentos distintos.
Coração com escudo; armas empunhadas;
no olhar da verdade: revelações...
Sequência:
ato de hostilidade em defesa do nada.
Fatos de outra época: humilhação.
Punição: 
fisionomia fechada, olhar altivo.
Pairou sob a luz da tarde:
uma estrada sem fim. 
Pose irredutível; pensamento demorado...
Pausa mansa, tudo se foi devagar.
Persistiu: 
raiz amarga no fundo do pensamento.
O coração colheu o chamado;
envenenado por mentiras e prazeres imediatos.
Excitação sexual: um belo sentir.
Cegueira e luta com ardor.
Cavando uma trincheira: suor escorrendo...
Propósito inglório; tudo ficando pior...
Satisfação atroz no sexo.
Sentimento bom: prazer pela desgraça.
Ações num disfarce,
momentos incontroláveis: medo.
Angústia: um ser confuso.
Doloroso demais, momento de desespero.
Atos diferentes do discurso.
Pedido de justiça: confronto de pensamentos.
Ideais descumpridos.
Insulto e desabafo.
Uma advertência!
Espelhos da vida destruídos.
Estilhaços: imagens perdidas no tempo;
um grande quebra-cabeça.
Falta de virtude: risada cínica.
Tempo de terror, frustração e dor.
O sentimento bom agonizou...
Um sorriso: defesa astuta.
Fatos desnudados: julgamento!
Timbre tosco, voz diferente:
caminho para loucura.
Fracasso!
O veneno do delito.
Culpa: uma mente doente.
Ferida incurável.
Morte lúcida.
Secura: poeira nos olhos.
Ultimo olhar: piedade.
Tempo: único apelo.
Palavras: juras falsas.
Recompondo o amor próprio:
grito de liberdade.
Livrando-se das culpas.
Justiça: momento de lucidez.
Coração bate normal: sanidade.
Continua assim.
Cheiros: coisa degradante;
mofo na memória viva.
Sentimento estéril...
Existência abandonada.
Condenação sumária: poeira nos olhos.
No íntimo o saber:
tudo perdido desde o principio.
Decisão interior: entrega à solidão.
Exílio!
Nada o que se possa alcançar:
mente turva.
Olhos em silêncio:
indagações no pensamento.
Momento de busca:
apenas um corpo.
Lamento: morte.
De joelhos:
uma imagem; pecados e omissões.
Tentando entender...
Cinzas: ausência.
Salvação: choro.
O resto dos dias.
Final de tudo.
Apodrece: a vida floresce.
Pensamento: poeira...
Olhos: para sempre cerrados...

5 comentários:

  1. "Poeira Nos Olhos" um tema de muita reflexão, cabe a cada um de nós se queremos ficar lembrando ou apagarmos situações amargas do passado ou mesmo do cotidiano. Estamos sempre expostos a tipos de situações desse extremo.

    ResponderExcluir
  2. Faz sentido ou não expôr seus sentimentos ou dúvidas nos dias de hoje?! Ninguém se preocupa mais com isso, tanto faz querem é se dar bem e o resto que exploda! Pessoas frias e calculistas é o que tem mais nessa vida cheia de mistérios. Aqueles de bons sentimentos acabam topando com isso e sofrem as consequências por se entregarem demais. A vida é um espetáculo seu autor, cabe a cada um decidir se deve ou não tirar "as vendas dos olhos"! Adriana.

    ResponderExcluir
  3. “Poeira nos Olhos”, a meu ver, elucidou a trajetória humana nessa terra, desde a vida até a morte. Passando pelo inferno do sofrimento, da angústia, da dor, da desilusão, finalmente chegando até o fim de tudo, paraíso talvez, recompensa? Será? Alegrias em coisas efêmeras, saudades de coisas vividas, sentidas...
    Todo ser humano nasce, com o propósito da felicidade, mas são tantos os percalços, são tantos os obstáculos, é tanta coisa a viver, a sentir, a sofrer, felicidade que às vezes nem aproveitamos da maneira que deveria ser, pois são tantas as preocupações, são tantas as batalhas a serem travadas. A eterna busca da "real" felicidade, que muitas vezes nem chegamos a encontrar e acabamos fadados a uma vida sem sentido e sem razão de ser.
    Belíssimo texto Renato! Parabéns mais uma vez! Bjus.

    ResponderExcluir
  4. Seu texto tem um peso significativo, Sr. Autor! Ele me remete a um tempo em q jovens insatisfeitos c/ as exigências de um governo austero, ansiavam por seus direitos e pela sua liberdade! Aquele tempo tenebroso e obscuro q foi a ditadura militar, sabe?
    Muitos jovens, alguns bem conhecidos por nós como Gil, Caetano, JK, Rubens Paiva e tantos outros, c/ seus ideais revolucionários, tentaram chamar a atenção do povo através de suas músicas, seus discursos políticos, suas produções literárias, e outras manifestações artísticas. Porém, foram podados e forçados a calar-se, ou ainda a abandonar sua pátria e sua família exilando-se em terra desconhecida p/ q seu destino não fosse a loucura ou coisa pior; obrigados a fugir e renegar as suas vontades, os seus valores e as suas verdades!
    Hj não há mais ditadura, mas há ainda mtos querendo ditar duras regras de conduta q alienam e enganam da msm forma cm faziam os militares. Ainda há mta poeira nos olhos..., e vc deve saber disto mto bem, não é Renato?! BJSSS - Edneia

    ResponderExcluir
  5. Patricia Ramos Sodero29 de abril de 2013 22:05

    Poeira nos Olhos...texto que podemos analisar de duas formas,ao meu ver.A primeira,onde lembramos das alegrias e coisas vividas no passado...saudades.Saudades pelo fato de saber que,essas passagens mais simples da vida,onde a criança era criança de verdade,onde a maldade existia,mas era escondida de tal forma,que ainda podíamos ficar soltos nas ruas,brincando...Existia a ingenuidade,o respeito verdadeiro.E hoje em dia?Tudo tão podre,tão futil,tão sem importância...não se vê mais os valores reais da vida!Então,procuramos a expressão do texto,para tentar lembrar mais das coisas boas que ficaram em forma de recordações.E a segunda,na maneira de dizer mesmo que,o pior cego,é aquele que não quer enxergar!Que será muito difícil o ser humano mudar em suas atitudes e pensamentos,no mundo em que vivemos hoje!Um texto que fala muito da realidade e nos faz pensar em cada atitude.Parabéns!Até o próximo.
    Bjs...

    ResponderExcluir