segunda-feira, 8 de abril de 2013

Foi Tudo Culpa do Paulo!

  
   Essa narrativa vai além de apenas contar o início de um rico modelo de expressão que aprendi espontaneamente – é acima de tudo um testemunho sobre esse processo de aprendizagem e criação. E segue indo do simples ato de contar algo a alguém para juntar-se a todas histórias e me revelar, praticamente me desvendar... Ilumina todas minhas perdições e escuridões inerentes não apenas à minha vida, mas de todos um pouco. Mostra assim o quanto o dom de escrever pode apaziguar dores. Ou o quanto pode salvar em outros momentos... O quanto essa arte é uma ferramenta importantíssima para a construção do conhecimento.
   Por tudo isso, essa ferramenta em si nada mais é que um chamamento à grande aventura que tenho me empregado. Um propósito feito no aspecto de autovalorização pessoal, vindo da experiência que tive com a leitura, com a escrita e com a vida.
   Foi com o aprimoramento da arte de escrever que descobri um canal de comunicação que eu pouco dominava, ou que era descontinuado nos meus primeiros anos de empenho ainda jovenzinho. Hoje posso afirmar que a escrita me motivou na criação de perspectivas novas e menos sombrias do que estava por vir nessa caminhada cheia de tropeços. Essa motivação eu atribuo ao poder criativo gerando transformações que se seguiram pouco a pouco sem que eu notasse. A principal motivação talvez tenha sido baseada nas relações afetivas frágeis e recorrentes, criando sempre o principal tema do meu discurso. Mas eu imaginava que através dessa arte, e somente através dela, a relação ou a admissão desses sentimentos frágeis comigo mesmo, é que poderia trazer o reequilíbrio adequado à minha vida.
   Durante um longo tempo, já na fase adulta, percebi que eu me tornara um indivíduo “diferente”, isso em virtude da identidade emocional mal construída na infância / adolescência. No decorrer dos anos sentia que o meu semblante se mantinha despedaçado, persistindo aquele olhar triste e desanimado; estabelecido principalmente pela crença na minha pouca valia ao mundo. E assim eu acreditava que seria para sempre... Logo, tornei-me alguém socialmente alheio e desinteressado por anos, - talvez “pouco interessante” aos olhos dos outros fosse o termo mais correto a ser usado aqui – e com uma personalidade completamente destroçada, cheia de incertezas, vivendo à margem de tudo como alguém em profunda depressão. Por isso, resolvi, a partir de então, manter uma relação mais concreta, positiva e absoluta comigo mesmo. Fundi a minha identidade à escrita, até que o tempo fizesse todas necessidades do período seguinte serem supridas. Foi quando percebi um apelo de contenção no ímpeto de rebeldia que se seguiu – estava permanentemente à procura de um agente norteador que representasse bem o meu olhar futuro no contorno das coisas; primando por atitudes positivas ou até mesmo o fim no desinteresse anterior por regras, códigos, medidas e opiniões. Passei a viver concretamente o que se chama autoconstrução, portanto, mais do que “palavras escritas”, o que eu necessitava era a representação dessa afetividade com controle e, essencialmente, com a característica primordial de respeitar as diferenças do outro e ser respeitado no meu modo de ser; e que isso fosse feito através de intenções ou ações básicas da própria percepção em via de mão dupla. Quando a escrita apareceu na minha vida em forma de literatura, com algum conteúdo que me chamasse atenção, foi fora dos livros escolares indicados por professores. Eu jamais imaginava a importância e o espaço que ela ocuparia a partir daí. Naquele tempo, meus interesses juvenis se limitavam ao futebol, - sempre ia ao Pacaembu assistir o Corinthians jogar – também aos shows de rock e festas que os amigos promoviam para bebermos vinho barato escondido dos pais. Até então, não me interessava e também não fazia a menor ideia do forte papel que a literatura exercia na sociedade, no desenvolvimento humano e no intelecto das pessoas. E muito menos, que importância poderiam ter os escritores além de produzirem enormes livros que ficavam acumulando poeira e teias de aranha na estante, ou que serviam como peso de papel.
   Foi quando conheci Paulo. Paulo era da minha idade e com interesses completamente diferentes dos meus – ele detestava televisão ou cinema; quanto ao futebol: só ia ao estádio quando o Santos (o seu time do coração) tinha chances de ganhar do Corinthians. E eu que agüentasse as gozações praticamente a semana inteira se o Santos ganhasse! O seu principal universo de diversão estava baseado em livros, no entanto, para mim como adolescente tímido, ele era apenas o irmão de Isabel por quem eu passei a reunir coragem para me declarar interessado. Mas nunca o fiz. No caso de Paulo, os livros não iam direto para estante para servirem de objetos de admiração para curiosos. Eles se sobrepunham uns sobre os outros em enormes pilhas desorganizadas, ocupando praticamente todos os cantos do cômodo com paredes descascadas que era o seu quarto de dormir. Ainda no meio daquela bagunça, que só ele entendia, havia uma grande caixa com discos de rock e mpb – ele ouvia muito Hermeto Pascoal (slaves mass) e Frank Zappa (Zoot allures). A grande vantagem para mim e outros amigos de Paulo, era que seu quarto ficava do lado de fora das dependências da longa casa térrea no bairro do Ipiranga e toda a sua família era de gente amável e muito receptiva, dando assim uma enorme sensação de bem-estar e acolhimento para quem viesse de perto ou de longe. E naquele quarto se espalhavam todas suas experiências malucas com desenhos escalafobéticos, quadros bizarros e esculturas em argila. Deixando bem claro que o assunto da arte era uma coisa que ocupava inteiramente a sua vida - apesar da juventude dos 17 anos, e fazendo jus às características de bom aquariano nascido no dia 25 de janeiro. Foi quando numa tarde meio chuvosa de um domingo chato de outono, Paulo resolvera apresentar-me duas coisas: a primeira era um disco da banda Tangerine Dream – Stratosfear, que ele comprara naquela mesma semana na galeria do rock; a segunda: um livro. Foi então que descobri algo que me parecia muito distante dos meus interesses. Com o som espacial ao fundo, ele começou a ler em voz alta um longo trecho de Irmãos Karamazov de Dostoievski. Aquilo me fascinou! Com grande intimidade com a obra, Paulo, mantinha o ritmo da pontuação, sempre dando ênfase dramático quando necessário. Ele me emprestou aquele livro e disse que dali a dois domingos queria de volta. A partir desse acontecimento mesclaram-se na minha cabeça o meu mundo, com um novo mundo que começava a me mostrar que existiam outras formas de pensar e sentir emoções. Por esse processo de desvendamento da arte e mergulho profundo na experiência da leitura com concentração, é que descobri um infinito de possibilidades criativas e comecei a freqüentar teatro popular junto com ele - com a sorte de ingressos presenteados mensalmente do seu irmão mais velho. Foi através desse tipo de ocorrência do acaso com a sugestão, que encontrei o desejo que ia além da leitura ou de ser um mero espectador. Era um verdadeiro achado ser apresentado logo de cara a Shakespeare no teatro e a Dostoievski em letras, – o que considerei uma leitura muito difícil; um livro enorme e complexo para a minha falta de aptidão à época – porém, quase como se eu não percebesse, aquela linguagem ficou gravada na minha memória para sempre. Aquele livro estabeleceu uma linha direta e dinâmica comigo, a ponto de hoje influenciar alguma coisa nos meus escritos. E após a devolução do livro (cerca de um mês depois), vieram outros, desde filosofia indiana até Jorge Amado, passando pelas longas descrições de José de Alencar e a força inspiradora de Machado de Assis. E por uma incrível coincidência, a obra inteira de Henry Miller que em quase todos os seus livros cita Dostoievski como sendo seu ídolo inspirador. Hoje, posso afirmar com orgulho que fui um autodidata nessa nobre arte de contar estórias, justamente por ter lido repetidas vezes os livros emprestados por Paulo e com a oportunidade de freqüentar teatro pela primeira vez. Foram esses livros e essas peças que me inspiraram anos depois, abrindo uma nova visão para o mundo da literatura com a intenção de escrever com mais afinco. Depois de décadas tornei-me alguém que consegue usar elementos aparecidos do acaso ou não, para criar uma relação de dependência da escrita como motivação para a vida.
   Quando resolvi escrever sobre experiências próprias, fantasias ou observação tecida ao longo dos anos, percebi o auxílio que aquele “recital” de Paulo me trouxera. Aprendi a ter o mínimo de compreensão dos pensamentos que sempre me atormentaram. No meu imaginário as minhas estórias continuam repletas de conflitos em personagens “perturbados” e perturbadores; figuras com estranheza de comportamento, loucuras, vícios, pobreza de espírito e sordidez no trato humano; isso ocorreu e ocorre, justamente pelas influências literárias que tive com aquilo que vivi como experiência da observação e conclusão. Foi essa mistura que sempre tentei representar, passando ao leitor as cenas como são montadas na minha cabeça e a relação com a arte e particularidades da vida. Talvez a inquietude fosse o ponto chave dessa questão. Ela sempre foi ganhando espaço em meus personagens através de uma dinâmica fomentada pelo inconformismo, gerando com isso a impressão de repetição e criação de estereótipos. Porém, outra possibilidade a ser considerada, é a importância do peso simbólico de cada uma dessas personagens, o que justifica a sua repetição até quase o desgaste. Isso, no entanto, nunca me impediu de fazer a experiência de contrários para interagirem com o protagonista em diálogos diretos ou indiretos, exemplo: Miss C X Nanda (em Dear Miss C); Pedro X Sandrinha (em Cachimba), Fada-monstro X Shine e Dig (em Uma breve vida). A simbologia do diálogo por si justificou as repetições (o bem e o mal interagindo), porque promoviam novos olhares e incursões no entorno e também no cerne de cada personagem. Ao trazer o jogo dos opostos para o campo de ação (o conto) através de propostas criativas, a ideia nunca foi desviar do foco principal e sim de enriquecer a linguagem envolvida. Uma linguagem que foi sendo descoberta durante o exercício insistente de elaborar ideias e escreve-las como experiência artística. Digo isso aqui porque em geral, quando algumas leitoras iniciam o contato com os meus contos, sem compromisso com a leitura mais atenta, observam alguns detalhes e se sentem incomodadas com a repetição de personagens femininas cruéis e desprovidas de bom caráter. Entendem como se a repetição fosse um tipo de obsessão ou sinônimo de incompetência deste escritor. Acabam rotulando os meus escritos como sendo pobres de repertório, cansativos e desestimulantes. Bem... O que eu entendo é que muitas vezes o interesse da maioria das pessoas por aquilo que escrevo, está justamente na repetição de temas simbolicamente parecidos. O que em algum momento concede caminhos diferenciados, ousados e muito particulares de revisitar ideias que dão certo e mexem com a imaginação do leitor. Imagino que talvez sejam mesmo alguns elementos contraditórios presentes nesses escritos que permitem a alternância entre aceitação e recusa. E o que vale pensar é que assim como na arte que copia a vida, o ser humano não tem um estado único. Ele é formado por opostos, por contradições que tendem a ser constantemente rejeitadas por ele mesmo, ou através do objeto artístico que mexe tanto com seus sentidos, tocando por vezes em assuntos tão delicados que chega a incomodar, causando instabilidade que vai do riso ao choro.
   Hoje lembro de Paulo com seus livros, seus discos, os quadros tortos na parede descascada e o seu grito de gol do Santos contra o Corinthians no Pacaembu. Lembro da bolsa de estopa com alças enormes no estilo hippie com os quatro símbolos do Led Zeppelin e os seus cabelos longos parecidos com os de Robert Plant. Se um dia aprendi, desenvolvendo o pouco que sei de literatura e teatro, foi por insistência deste amigo inesquecível que perdi contato há décadas. Foi tudo culpa do Paulo ter criado em mim essa capacidade de fazer a minha escrita circular entre contrários e admiradores. De fazer dela, em temas objetivos ou subjetivos, o elo de ligação que alimenta a reflexão racional ou emotiva das pessoas. E de proporcionar a mim o que chamo de terapia evolutiva do intelecto.
  Cito aqui as palavras de Eucanãa Ferraz: “A gente leva um tempão para encontrar nossa voz e depois dizem que estamos nos repetindo. Eu custei a encontrar o número, quando encontro tenho que mudar de roupa? Ser o que sou não é repetição. Isso é existir.”



9 comentários:

  1. Olá! É muito bom saber onde tudo começou essa arte sua de escrever, diga de passagem é maravilhoso! Apesar de temas muito fortes e choca um pouco as estórias aqui que conta, srsrsr. Você mostra a sua superação e auto-estima que possuí em ter montado um blog e dividir com suas leitoras suas obras, quem agradece somos nós.Você é um exemplo, que todos nós temos um"dom" é só desenvolver e ser feliz naquilo que mais gostamos de fazer. Não é toa que tem muitas seguidoras, sr. Parabéns, desejo de coração que faça sucesso e seja reconhecido merecidamente, são poucos que conseguem desenvolver e serem criativo Renato. Bjs.

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  2. A culpa foi do Paulo! Que bom foi isso hein!! Quem dera ter amigos assim que incentivem o que temos de melhor e é verdade fica pra sempre no coração da gente. Um rapaz tímido e sem muita convicção pra vida sem esperança, era só um pensamento isolado de um homem que não tinha ainda uma direção definida. Posso chamar você "mente brilhante" autodidata são pra poucos e quando se desenvolvem ficam no maior patamar de alguém doutorado. É um privilégio ter esse dom de escrever e expressar tudo aquilo que sente, vai apurando ainda mais cada escrita sua. Continue assim vai chegar longe e conseguir alcançar seus objetivos! Adriana.

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  3. Patricia Ramos Sodero9 de abril de 2013 20:08

    Sem dúvida nenhuma,uma grande surpresa desse autor,Renato.Com sua simplicidade,porém,com um jeito todo misterioso em criar seus personagens,que,para cada uma de nós,leitoras,revela um caminho,um sonho,um destino...É incrível saber que,através dos costumes de um velho amigo,nosso autor despertou toda a ênfase escondida em si.É fato que algumas pessoas não sabem se expressar verbalmente.E com isso,desenvolvem o dom intelectual através das palavras escritas....em textos.Mais fantástico ainda,foi a criação desse blog,onde o autor pode compartilhar de tudo isso,fazendo com que nossa desenvoltura "se aqueça" mais e mais,e,pessoas que já haviam se desinteressado por leituras,"acendam"suas curiosidades para o SEMPRE ESTAR DISPOSTO AO NOVO.Meus parabéns,Renato!E sucesso hoje e sempre...bjs.

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  4. Que bacana, seu autor falar sobre o início do seu talento de escrever, apesar que você disse que foi seu amigo Paulo que o incentivou indiretamente mas ao meu ver já tinha essa aptidão só não sabia por onde começar. Sua coragem foi o início de tudo e passou para a escrita descrevendo seu teor de lógica e raciocínio é magnífico seu trabalho no blog. Quem acha que montar um blog e escrever meia dúzias de palavras seja tão simples assim se enganam precisa saber realmente o que está fazendo pra não cometer erros. Adoro seu blog Renato, através de uma amiga que conheci e valeu a pena e muito! Abraços! Letícia.

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  5. Realmente, Sr. Autor, ler e escrever são artes importantíssimas na vida de tds. Quisera cada pessoa tivesse pelo menos um resquício desta sua vontade e dedicação e tbém caísse de cabeça nesta aventura!... C/ certeza a vida seria mto mais enriquecedora e prazerosa!
    Assim como fez c/ vc, Renato, essa aventura pode proporcionar àquele q se arrisca uma infinidade de benefícios tanto para a compreensão do mundo qto para o entendimento de si mesmo. Em mtos casos, é uma verdadeira terapia q reorganiza a órbita das emoções desestruturadas ou, como vc mesmo chamou, é uma "terapia evolutiva do intelecto".
    É mto corajoso e nobre da sua parte expor aqui suas motivações e inspirações tão particulares! Esta é uma atitude daqueles q não tem vergonha de si e do q pensa, daqueles em q a humildade cumpre seu verdadeiro papel e reconhecem q serão eternos aprendizes! Acredito q é assim q temos a chance de crescer como seres verdadeiramente humanos!
    Parabéns, Renato, pela beleza, suavidade e emoção aqui estampadas! Ainda quero ter a oportunidade de prestigiar a noite de autógrafos do lançamento de seu livro, heim?! E como seria ótimo encontrar o Paulo por lá depois de tanto tempo, não?!!!... Ednéia

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  6. Quem pudera seu autor ter uma evolução dessa! Um rapaz de poucas palavras ser hoje um grande blogueiro e reconhecido sim, mesmo que por pessoas anônimas mas são seguidoras fiéis e isso que importa. Gostam e respeitam suas escritas, ser um autodidata é um privilégio sinta-se honrado e agradecido por Deus te iluminar e poder fazer tão bem. É um reconhecimento pessoal mostrando que todos tem capacidade cada qual no seu estilo. O mundo é uma roda-gigante as coisas mudam e quando isso acontece é merecedor do seu esforço e luta.
    Tem um trecho que me inspiro e muito e é bem aqui o seu caso; É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas e anima o gênio". Ana Paula.

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  7. O destino nos leva a um caminho desconhecido e quando desenvolvido podemos entender tantas coisas que agora fazem sentido. Você narrando um pouco do início de amar a escrever e por sinal são belíssimas, é a vida pregando peças e muito boas por sinal, que alegria e ao mesmo tempo gratificante, saber que várias pessoas lerem os seus textos e eu sou uma delas. Adorável Renato, estimo muito sucesso no seu blog. Rosana.

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  8. Acenderam a luz da sua criatividade, de certo estava apenas adormecida. Foi só se revelar anos depois no momento certo e deu resultado! Com louvor, é demasiado excelente e parabéns!!!!

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  9. A criatividade é algo bem interessante. Não tornamos ninguém criativo, ele já surge criativo, alguns casos precisam de alguns empurrões.. Entendo que vc já nasceu com este dom, só precisava de pessoas, lugares, sentimentos e tudo no momento certo. Ler e escrever vira paixão, as vezes se torna decepção. Um momento também conheci alguém que foi o alarme para minha leitura e escrita. Me ensinou muito. Aprendi a expressar todo e qualquer sentimento em uma tela de computador. Chorei, sorri, fiquei brava e me emocionei. Algo deu errado e escapou pelos vãos dos dedos. Derrepente foi a repetição ou obsessão. Não importa! O que vale é que você deu certo. Você cria e dá vida aos seus personagens. Você espalha letras, frases, sonhos e cultura neste blog. Bendito seja Paulo! Parabéns mocinho, você sempre surpreendendo. Bjks no coração

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