quarta-feira, 13 de março de 2013

Dear Miss C Part 20

  Olá minha musa, esse é um momento de glória para todos nós. Finalmente chegou o tempo de onde relatei o que vivemos, incluindo todo caminho que trilhei e os motivos dos meus conflitos. Saiba que sua imagem ainda permanecerá gravada em minha memória por muito tempo, mesmo após esse final. Lembrarei dos passeios que fizemos, das brigas que tivemos e todos desencontros. Lembrarei com saudades que foi minha companheira em muitas noites frias de inverno e nos dias de sol escaldante. Inclusive, todas contradições nas opiniões definitivas que criamos um do outro. Talvez a lição a ser pensada por seus pais e também por mim, seja a seguinte: “Tem gente que recebe de mão beijada oportunidades de ouro, mas, não demora muito, transforma esse ouro em latão. Seria o mesmo que jogar pérolas aos porcos”. Mas, antes de continuar, gostaria que lesse dois trechos que extraí do livro: A fascinante construção do Eu. Escrito pelo médico psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor; Augusto Cury. 1 - Quem tem consciência da virtualidade dos pensamentos e seus processos construtivos é muito mais cuidadoso em julgar. E não apenas isso, é mais habilidoso em se proteger. Nenhuma ofensa, decepção, traição, provocação pode nos atingir, a não ser que permitamos. Se me sinto ferido, chateado, angustiado pelo comportamento do outro, não foi o outro que invadiu a minha emoção, pois ele emitiu pensamentos virtuais através de suas palavras e gestos, que não têm esse poder. Fui eu mesmo que construí minha mazela emocional. A raiva, o ódio, o ciúme, a inveja não se transportam essencialmente pelos códigos lingüísticos e visuais, precisam de cumplicidade do processo de interpretação para se aninhar. Se alguém o ofender muitíssimo numa língua que você desconhece, não ficará perturbado, a não ser pelos gestos e pela tonalidade da voz.
2 - A ansiedade tem nos deixado em débito nas relações sociais; débito de generosidade, compreensão, paciência e tolerância. Não conheço uma pessoa que não tenha tais débitos com aqueles que mais ama. E não poucas têm um débito enorme consigo mesmas, têm uma péssima relação com seu próprio ser. Por mais inacreditável que pareça, há muitos pais que, mesmo vivendo com seus filhos, os sepultam ainda vivos. Dividem a mesma casa, mas estão muitíssimo distantes uns dos outros. Não sabem chorar, se aventurar ou sonhar juntos. E nesse caso, no final, sempre acontece o pior...
      Minha musa; aqui estou eu outra vez, arduamente imitando o estilo dos velhos mestres –todas nuances e técnicas, em outras palavras – saiba que os meus mais profundos sentimentos se levantaram revoltados com tudo o que aconteceu conosco. Eu fui obrigado a escrever esse conto sem pensar em conseqüências, e em sua homenagem eu diria: “Sinto muito, você não me deu outra escolha!”. Mas o que seria de mim depois de tudo dito? O que sentiria quando os meses e anos passassem? Prazer pela vingança ou tristeza pelo sonho de liberdade frustrado? Talvez a melhor imagem fosse algo como uma terra devastada e sem sol. Durante essas vinte cartas os meus ídolos foram oferecidos a você em sacrifício. Eles me concederam o poder de expressão para que eu finalmente pudesse alcançar a liberdade tão esperada. Somente a quem não descobriu o seu próprio caminho é permitido duvidar, optar por atalhos, esperar ou, quem sabe, rezar pela não destruição do próprio ego. Que a tempo venha a salvação para nós dois! Tenho aqui onde estou, uma vida literária praticamente forçada. Talvez se não fosse assim eu não teria progredido tanto intelectualmente. Carrego comigo as ferramentas, a técnica e os sentimentos necessários para um excelente relato. Meu Deus! Essa parece ser uma batalha interminável que teve um começo, mas que não terá um fim como tanto esperei. Quanto a iniciar essa labuta, sei que um dia a coisa aconteceu sem controle. Foi da noite para o dia, e sendo bem realista, foi quando perdi a inocência. Então tudo assumiu uma forma diferente no meu pensar. Comecei a analisar e recompor cenas, afirmando a própria vontade como nunca o fizera antes. A ideia de escrever cartas a você, minha musa, mantinha-me em estado de alerta dia e noite e com a esperança de que tudo voltasse ao normal na minha vida. E quando eu fechava os olhos todas as cenas surgiam como uma visão da realidade. Colocar tudo em palavras escritas foi muito mais difícil do que quando eu a via em minha mente. Na verdade parecia uma tarefa opressora. Porém, de uma coisa eu tive certeza, assim que eu começasse a escrever tudo iria se encaixando e quando terminasse teria a recompensa. Desde então fiz muitos progressos, embora, aparentemente, poucos além de mim reconhecessem o quanto me ajudou estar com você ao meu lado. Por mais mentirosa ou verdadeira que você tenha sido; por mais enigmática ou incomum que pareça, continuará desfilando diante de mim até que todo repertório se esgote. Por isso, eu jamais conseguiria omitir todos os distúrbios por que passei – sendo praticamente censurado todos os dias – como se fosse eu o culpado por alguma conduta perniciosa. No entanto... Fiquei tocado com as pessoas que passaram por aqui suplicando, chorando; alguns sendo postos completamente nus e outros desolados, implorando caridade antes do banho de salmoura. As feridas provocadas pelas setas dos meus pensamentos - nesses vários personagens com os quais me confrontei - precisavam se fechar. Eu sempre soube que os nomes dessas personagens poderiam ser facilmente identificados, digo, quando toda a criação fosse finalmente lida e digerida - talvez parecessem canibais comendo uns aos outros no final da luta motivada por tanta raiva. Imagino que nenhum outro autor fosse capaz de relatar em linhas tão fiéis tais acontecimentos. Você ainda acha que eu quis alterar o seu mundo ou da sua família? (Quero que esse mundo morra e apodreça... Que desapareça!). Foi esse mundo que me trouxe e continua me mantendo aqui, sou o escravo de uma fonte de criação que não pode cessar, porque ela é a única esperança que me resta. Às vezes penso o que mais eu poderia criar, que já não tivesse sido criado, e ao mesmo tempo me libertasse de vez de tudo isso. Imagino que nada mais resta a dizer. Eu me sinto como se estivesse no caminho oposto a qualquer tipo de criação; apenas imito a realidade, enquanto os meus problemas com o mundo continuam martelando. E, infelizmente, não encontro outras armas que não sejam as palavras que consolam.
     São dez da manhã de uma segunda-feira, poucos minutos depois de eu ter acordado encharcado de suor. Como faz calor nessa época do ano em São Paulo! Ruth bate de leve à porta e já vai entrando. Talvez fosse melhor ter batido e esperado um pouco, já que a cena não foi das melhores para os seus olhos cansados de sessenta e poucos anos.
- Ai caramba viu! De novo pelado? Não consegue parar nunca de se masturbar? Pode tirar a mão desse pinto e vestir uma roupa adequada? O senhor tem visitas!
- Quem é?
- É o seu filho e um outro rapaz... Ele pediu que levasse os papéis.
- Diga que esperem um pouco. Assim que eu terminar irei até lá.
     Ela parecia a ponto de espumar de raiva por eu estar de volta, e ela, como boa enfermeira, novamente presenciando a mesma cena diária que sempre abominou.
- Oi pai. Como está hoje? Acordou bem?
- Estou cansado, mas estaria melhor se tivesse me deixado continuar a caminhada em busca da caverna dos morcegos.
- Infelizmente não há mais tempo. Nós temos prazos. O Lucas veio comigo para finalizar o que ficou pendente.
- Não gosto do seu amigo. Ele me tirou do meu objetivo. Será que você não sabe que eu tinha uma missão? Não consegue respeitar isso?
- Claro! Eu sei, sim. Mas você fugiu e a gente tinha que ir atrás até encontrar, não é mesmo?
- É muito fácil falar assim. Não é você que está privado de liberdade. Além do mais eu não fugi daqui. Eu estava em casa e vocês mandaram uma ambulância me buscar.
- Pai! Não delira! Você não tem mais casa. A sua casa é aqui, e isso já tem mais de dois anos.
- É mentira! A sua avó chamou a ambulância para me trazer para cá. Eu lembro bem.
- A vovó morreu! Por favor, não começa com isso de novo!
- Ela não morreu. Você está louco. Todos aqui estão loucos. Inclusive esse seu amigo com cara de porco.
- A vovó morreu e você ficou assim... Acabou precisando de cuidados. Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance, e ainda estou fazendo o que posso com muito sacrifício. Você não tem ideia de como custa caro mantê-lo aqui. Tive que vender a sua caminhonete abaixo do preço para cobrir tantos gastos.
- Pare! Não quero saber mais nada! Ela me ligou no celular no fim de semana. Estava bem preocupada comigo.
- Pai, por favor, você nem tem celular. Colabore. Se não fizer isso, tudo será mais difícil, vai demorar mais tempo para terminar o tratamento.
- Vão embora, quero ficar sozinho. É bem melhor ficar só do que ter alguém que distorce a realidade. Assim acabarei mesmo ficando louco. O que veio buscar? Diga logo porque eu estava muito ocupado quando você chegou.
- Não se faça de desentendido. Preciso da última parte do conto. O Lucas veio comigo a pedido do editor. Você sabe muito bem que ele precisa levar o final hoje, senão pagaremos uma multa altíssima.
    Olhamos um para o outro. Longos segundos sem dar um pio.
- Não fiz tudo! Não tenho nada para entregar. Não terminei ainda.
- Então o que são essas folhas?
- É apenas um rascunho.
- Posso olhar?
- Não! – disse eu – Toda a minha vivência está presente aqui. É melhor que não veja ainda. Preciso burilar o que de verdade aconteceu com o Re e Miss C, talvez eu nem pudesse revelar esse final... Na minha caminhada cheguei a triste conclusão que aquilo que a gente pensa e escreve é o que desejamos que aconteça. Está tudo acontecendo do jeito que escrevi. Sinto muito, mas... Quer saber? Definitivamente não posso lhe dar esse final. Acho que você está arrumando um jeito para que eu passe o resto dos meus dias nessa casa de loucos escrevendo contos, enquanto isso você ganha fama e dinheiro às minhas custas. Quantos mil exemplares foram vendidos dos dois últimos contos que escrevi?
- Pai, pai... Novamente você está delirando. Eu nunca ganhei nada com isso. Todo dinheiro foi revertido para o seu tratamento.
- Mentiras e mais mentiras! Chega de conversa! Você prometeu que me tiraria daqui ano passado. Depois disso já escrevi esse conto inteiro. Eu preciso voltar para casa. A sua avó é muito idosa e precisa de mim.
- Ela já morreu! Será que nunca vai aceitar isso? Quando sair daqui você irá morar comigo.
- Não quero morar com você nem que a vaca tussa! Prefiro mil vezes morar com Miss C. Talvez ela esteja à minha espera em algum lugar. Eu sei que ela nunca teve muito senso de iniciativa para coisas boas, quem sabe se eu ligasse ou mandasse um e-mail...
- Ai ai ai... Pai, por favor, pare com isso. Miss C não existe. Você criou a imagem dela por sugestão dos médicos, não está lembrado? Eles disseram que seria ótimo para sua recuperação se tivesse um amigo ou amiga imaginário. Você fez tantos amigos imaginários que acabou criando tramas interessantes com eles. O doutor aconselhou que escrevesse tudo em detalhes. Isso o deixou bastante calmo melhorando a concentração. Miss C foi apenas uma entre tantas personagens de quem já escreveu. Os médicos me disseram que talvez Miss C fosse aquela que mais reforçou o seu espírito criativo, porque a considerou sua namorada. Existe uma magia muito grande naquilo que escreve sobre ela. É algo tão vivo e espontâneo que parece fruto da realidade. Isso emociona e envolve as pessoas que leem o conto. Elas se colocam no lugar de cada personagem, imaginando a própria vida sendo descrita nessas linhas. Um dos doutores me confidenciou que Miss C é um tipo de alter ego da sua personalidade conturbada. Que algumas características da fala dela também são suas. Em momentos da narrativa isso fica bem aparente ao leitor. Foi fantástico ter feito assim. Foi do namoro virtual com a sua musa, que acabou expondo todas emoções necessárias para a terapia bem sucedida. E ao mesmo tempo possibilitando que publicássemos mais uma parte da sua obra. O fato é que, as lembranças boas e os conflitos imaginários estimularam o seu ego de forma positiva. Eu não cheguei a crer muito nessa análise tão otimista da equipe médica. Esses médicos, às vezes, não falam coisa com coisa e batem cabeça, apesar de terem estudado muito para isso. Vai saber...
- Você está me irritando com esse blá blá blá... Miss C existe sim, ela faz parte da minha história de vida. Exatamente por isso não posso dar o capítulo final agora; toda a verdade sobre nós dois seria revelada; isso não pode acontecer, é comprometedor demais, entende? É o relato mais dramático da minha experiência ao lado dela. Agora eu entendo tudo... Olha... Bem que Zé Louco me avisou que eu passaria por uma provação. A minha provação é você com seus interesses escusos. Você me envergonha! Eu quero falar com a Nina. Para onde ela foi depois que me pegou na estrada?
- Pai... Não complica! Miss C, Zé Louco, Nanda, Nina e todos demais são personagens da sua mente criativa. Eles não existem de verdade.
- Claro que existem. Nina estava comigo na estrada, você não viu? O seu amigo com cara de suíno até deu um “oi” para ela.
  Nesse momento o amigo vira o rosto para esconder um risinho meio irônico.
- Pai. Presta bem atenção: não podemos demorar aqui. O que você escreveu? Se estiver bom fechamos o conto assim.
- Vou falar uma coisa muito séria. Eu sou perfeitamente normal. Este é um grande problema para você, não é mesmo? Sei que pretende me manter aqui pelo resto dos meus dias. Eu sou um artista, um escritor... Todo escritor tem de ser um pouco maluco para concatenar as ideias de forma inteligível e que outros entendam. Se você não me tirar logo daqui, fugirei para tão longe que nunca mais poderá me encontrar. E adeus o seu bem-bom!
     Minha musa, ele ficou me olhando sem entender o significado daquela afirmação categórica. Coçou o queixo e percebeu que eu não estava mais sendo submisso à vontade dele.
- Pai, não fique irritado que piora o seu estado. Eu sei que você é um artista, um belo escritor, mas não precisa fugir para provar. Todos nós sabemos do seu potencial.
- Você sabe do meu potencial? Bem imagino que sua conta bancária saiba mesmo do meu potencial! Já pensou o que seria de você se eu fizesse como alguns artistas que cometem suicídio para ficarem famosos? Lembra que fim teve Rembrandt? Quem sabe não aconteça o mesmo na nossa família? No meu pensar não faz diferença o tempo que demore até eu receber algum reconhecimento digno. Agora para você... Nem sei dizer o que será, já que nem sabe juntar uma consoante com vogal. E mesmo assim usa o meu nome como se fosse o seu, se aproveitando que temos nomes iguais com a diferença do Junior no final. Eu não sou preguiçoso, mesmo metido à força nesse cárcere. Mas você... kkkkkkk... Eu juro, só queria que Deus tivesse me dado essa vocação mais cedo. Pois o fato de ter “amigos verdadeiros”, como se fosse uma família, me faz alguém mais alegre do que a sua visita aqui. De certa maneira o destino me ajudou. E ao mesmo tempo em que era consumido pela dor, ao saber do filho interesseiro que tenho, eu rezava todos os dias para que alguém me mostrasse o caminho. Há muito tempo cheguei a pensar em escrever, mas era mais um sonho que uma possibilidade. Muitos anos se passaram, e depois que você cresceu eu tentei algumas vezes, mas não deu certo. Eu sabia que não podia desesperar e fui em frente. Só não atentei ao tipo de armadilha que cairia depois de velho. Pelo menos posso dizer que sou outra pessoa quando estou escrevendo. Quase nem me reconheço quando me misturo a todos personagens. Fico tão cheio de pensamentos nas cenas para realizar que acabo envolvido em mim mesmo por um logo tempo, mal vejo os dias passando. Sim, uma vez eu tive um bom filho; você foi um bom filho enquanto ainda estava livre de ambições e influência negativa de amigos como ele; você um dia foi um filho melhor do que eu sou para minha mãe. Alguém que seguindo os meus passos também queria ser escritor, mas não tinha a menor aptidão. E agora recebe os louros do meu trabalho. Você é o grande autor de sucesso, aclamado publicamente como gênio das letras. Eu vi a sua entrevista na televisão. Nem sequer citou o meu nome...
- Por favor, pai, você está imaginando coisas. Nunca fui em programa de televisão. Pare de se referir à vovó como se ela estivesse viva!
- Ahhhh tá... Cococorócocó... Tenho algumas moedas no bolso. Precisa de trocado para pegar ônibus? Com toda certeza, não! A BMW está lá fora, né filhinho?
- Não é minha!
- Acha que sou tonto? É mesmo muita esperteza da sua parte. Você e o cara-de-suíno não passam de sanguessugas. E eu sou um otário em continuar lhe entregando os meus escritos na esperança que um dia me tirará daqui. Vou ligar para Miss C ainda hoje. Vou convida-la para uma viagem sem destino pelo mundo afora. Outro dia eu vi várias imagens dela na cordilheira dos Andes. Ela brindava tranqüilamente com as irmãs. Que coisa mais linda aquela cena familiar; taças de Casillero Del Diablo refletindo o reflexo do sol na neve dos primeiros dias da primavera. Ela gosta tanto de viajar. Acho que mora nos Estados Unidos, quem sabe já chegou ao Brasil e está num cruzeiro indo para Angra dos Reis.
- Meu pai... O horário de visitação está acabando. Precisamos ir embora. Pode me dar os papéis? – Já bem mal-humorado
- Sim, eu posso. Você terá que juntar as cinzas.
- Como assim?
- Essas folhas estão em branco. O verdadeiro rascunho eu queimei durante a viagem. Lá em Salesópolis, na beira da estrada, existe um casarão abandonado, usei as folhas da agenda numa fogueira para me aquecer durante a madrugada.
- Não acredito... Puta que pariu, isso não é justo! Bem... Acho que tem um jeito. Já que fez de pirraça, só para me provocar, então reescreva com calma que amanhã no fim da tarde virei buscar.
- Não mais. Eu não escreverei uma só linha enquanto for mantido aqui. Eu sei muito bem que entrou na justiça com um pedido de interdição temporária, alegando que sou um incapaz, um débil-mental.
- Não fiz nada disso. Você não tem mesmo jeito, continua delirando e inventando coisas. Eu pensei que tivesse feito progressos com o tratamento e logo poderia sair daqui, mas infelizmente está ficando cada vez pior. Em menos de um ano esse já é o terceiro lugar que contrato para cuidar de você. Nunca se adapta, briga com todo mundo e cria caso, agride as enfermeiras e médicos. Ninguém suporta o seu jeito.Terei que contratar por mais três meses o serviço dessa clínica para esperar um resultado melhor. É o que posso pagar adiantado. E dessa vez pedirei a sua mudança para a ala de segurança, onde não tem as regalias da sala de recreação com tv e internet. Isso se eu não resolver manda-lo de volta para Itapira. Você sabe muito bem como é lá, não sabe?
- Pode fazer o que quiser. Mas não terá o que veio buscar. Faça assim: escreva você o final do conto. Cansei dessa ladainha. Acho melhor irem embora e não voltarem nunca mais. Se não retirar o pedido de interdição judicial, passar os direitos dos contos para o meu nome e me tirar daqui definitivamente, vou chamar a imprensa para contar o que tem feito. Vou desmascarar você e essa trupe de usurpadores do meu talento!
- Você acha que eles acreditarão em alguém que está internado numa clinica?
- Se isso não resolver chamarei Miss C para lhe cobrar os direitos autorais. Ela sabe direitinho como fazer tortura psicológica em alguém.
- Que saco! Miss C não existe.
- Existe sim... Outro dia ela apareceu na internet beijando um cachorro.

Adeus minha adorável Miss C.
Desejo que os seus caminhos estejam sempre iluminados.
Do seu mais profundo admirador.
                                              Re

          
NOTA DO AUTOR: A SAGA DE MISS C E RE NÃO TERMINA AQUI.  
ACOMPANHE OS PRÓXIMOS LANCES NOS CAPÍTULOS 21 AO 26!


6 comentários:

  1. Bom dia! Um final que me chamou muita atenção seu autor! O conto de Miss C e Re. foi tudo imaginação do personagem desconhecido que está internado! A história aqui relatada cada passagem e momentos foi de uma realidade que me emocionei e me chocou ao mesmo tempo. Mesmo assim fiquei atenta esperando cada capítulo, pra saber o que iria acontecer com a triste história do admirador Re. E foi nesse final que teve a real versão dos fatos o filho do desconhecido personagem, que na verdade sempre que cuidou dele, indo a clínica pra saber se ele tinha terminado o último capítulo de Miss C! E foi aí a minha surpresa como leitora, ele vivia no mundo dele de paranóia e fantasias, e criou "amigos imaginários" e o caso de amor com Miss C e colocou tudo isso no papel, depois da morte de sua mãe. Bem que Zé Louco avisou que Re. vamos assim chamar passaria por uma grande provação voltar a realidade dos fatos que estava ali internado preso passando por um tratamento que se teria cura ou não, pelo menos poderia amenizar o transtorno psicológico dele. O desconhecido não entregou, realmente o último capítulo dessa história ao filho, pois se chocaria no final, preferiu guardar esse segredo com ele. Deixando nós também curiosas. Mesmo assim, amei esse final Renato! Obs. Será que é final mesmo!!! Até.

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  2. Nossa que final!!! Re. na verdade nunca existiu e Miss C então! Foi tudo tirado e elaborado por um paciente que tem problemas psiquiátrico? Nunca podia imaginar isso, apesar que no decorrer desse conto tinha coisas que não faziam sentido. Falam que pessoas com distúrbios não batem bem da cabeça mas, se enganam tem uma inteligência fora do normal e é esse o caso desse paciente mesmo com seus momentos de puro desespero e alucinação escreveu uma história linda, se foi verdade ou não ficaremos na dúvida. O filho foi o que mais me chocou, se aproveitando do talento do pai querendo o último capítulo, fez bem ele não ter dado será um segredo só dele. Parabéns!!!! Adriana.


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  3. Patricia Ramos Sodero15 de março de 2013 21:18

    Que final!Sem dúvida nenhuma,o Autor quis fazer com que nós,leitoras,tivéssemos uma visão do protagonista,em meio a um "amor louco",marcado muito mais por momentos de mágoas,do que de felicidades,e que aos poucos,fora se "tratando" com seus amigos,para sua caminhada e libertação final.Minha surpresa,na verdade,foi ver que,nosso protagonista,realmente sofre com a morte de sua mãe,e,quando pensa que terá o apoio da única pessoa que faz parte de sua vida e que pode ajudá-lo a superar tal perda,o seu filho,acaba internado em uma clínica para tratamento de depressão.Sua sorte foi exatamente ser "dono de um intelecto sem igual",o qual faz ele criar uma estória com personagens imaginários,porém,vivos à sua própria estória,onde a figura de Miss C e sua família,representa as coisas que na verdade,ele passou.Apesar dos sofrimentos causados a ele,para os médicos,colocar tudo isso "em papéis",ajudou-o a não se entregar a doença.E o filho então?Se aproveitar de tudo o que o pai escrevia,para tirar proveito da situação e enriquecer.É o fim do mundo!Fiquei feliz em ver que,no final,Re pôde "bater de frente com seu filho",mostrando-se mais fortalecido e mais capaz.Preciso,com certeza,elogiar também esse Autor,Renato,que nos trouxe mais um texto de reflexões,mostrando que,a sociedade está mais voltada às partes materiais,do que ao SER HUMANO.Parabéns!!! Adorei e aguardo muito em breve,mais uma estória cheia de surpresas.Bjs e até...

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  4. Que pegadinha senhor autor?! Uma estória dentro de outra estória. Nem Re e nem Miss C eram as personagens principais dessa trama, eles eram frutos da mente de um homem perturbado pela perda da mãe e de toda a realidade de sua vida. Um escritor muito competente, mas que com a sua loucura, passou a viver seu conto como sua própria realidade. Nada de Zé Louco, Nina ou Nanda, todos parte de uma ilusão, acho que uma forma de tentar manter o pouco de lucidez desse homem, que pelo visto, era usado pelo próprio filho, mas isso é outra estória. Nunca saberemos o que realmente aconteceu entre esse casal e muito menos o que levou o autor desse conto à loucura, muito menos se tudo o que ele diz a respeito do filho e de seus amigos é verdadeiro. Parabéns Renato, deixou a todos nós com uma “pulguinha” atrás da orelha, mas foi muito interessante toda essa louca estória. Bjus.

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  5. Nossa, Sr. Autor! Vc não teve dó nem piedade das suas leitoras, heim?!... kkkkk (brincadeirinhaaa!)
    O q eu quero dizer é q, a principio, a 1ª impressão q o final desta estória nos dá é aquela de: "Como assim? Cadê todo mundo?"..., e aquela velha cara de interrogação, sabe?
    Imagino q a maioria, assim cm eu, ficou mirabolando a cada capítulo, cm seria o desenlace deste sórdido envolvimento entre Re e Cris... E, de repente, a cena mudou "... e td não é mais cm era antigamente...”.
    Mta astúcia de sua parte dar um final tão inesperado! Aliás, nem tão inesperado assim se analisarmos friamente toda a trama e encaixarmos as minúsculas peças deste quebra-cabeças, não é?
    Uma interessante fuga q uma pessoa psicologicamente abalada utiliza p/ exteriorizar seus temores, suas dores e suas frustrações e q, consequentemente, auxilia p/ a melhora do seu próprio tratamento!
    É curioso cm ele transporta p/ a personalidade de seus personagens imaginários suas neuras internas! Em vários momentos, ele critica sua desestrutura familiar qdo se refere à família de sua Musa. Da msm forma, vislumbra seu sonho de "família feliz" ao relatar o ambiente fraterno e acolhedor das passagens pelo camping e das viagens c/os amigos. Isso mostra sua profunda insatisfação c/ a situação na qual se encontra; a de estar à mercê de um filho aproveitador q ganha dinheiro à custa de seu sofrimento.
    As respostas q Re tnt busca em seu conto, talvez sejam as q ele necessita p/ sua própria cura, numa dura batalha c/ a inconstância de sua consciência...; mto embora ele já não esteja tão inconsciente assim, pois ele demonstra, nas conversas c/o filho, q tem noção do q está acontecendo à sua volta.
    A "falta" do último capítulo, isto é, a recusa dele em escrever o encerramento do conto, pode ser o indício de sua recuperação, de q finalmente sua busca chegou ao fim...
    Sendo assim, ele não precisará mais das "balinhas" do Zé Louco, nem das análises psicológicas da Nanda, ou dos carinhos da Nina e mto menos das amargas lembranças de sua Dear Miss C...
    Parabéns, Renato! Adorei viver as emoções de cada capítulo! - BJSSS - Edneia

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  6. Affffffffff!!! Que final mais eloquente, um conto tão interessante e intrigante ao mesmo tempo, vosso senhorio muda tudo, e de um modo radical,srsrsrsr. Tenho que concordar tem astúcia. Achei chato de não saber afinal o que aconteceu com personagens Re e Miss C!? Pois, foi inédito ter o personagem misterioso que narrou todos esses acontecimentos dramáticos que criou no momento de lucidez.Até.

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