terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dear Miss C Part 18

   Devo dizer logo de início, nesta nova carta endereçada aos seus cuidados, que nesse exato momento não tenho do que me queixar. Tudo o que me queixo é passado. Hoje, eu me sinto como se estivesse numa gaiola e do lado de fora houvesse feras famintas espreitando uma oportunidade para me destroçar - o que não é nada diante daquilo que vivi ao seu lado. Talvez a única permissão genuína que tenho agora é de me masturbar compulsivamente pensando em nossos velhos tempos - aquela época única de loucura, falsa paixão e de jogo sujo perpetrado por você nas sombras . Quando faço isso, todas as cenas que vivemos retornam como flashes que seguem pontuando a calamidade do que me trouxe até aqui. E, exatamente como eu previa em minhas cartas, esse é o momento que faço a revisão de todas as catástrofes que poderiam ser evitadas, mas que não o foram por pura incredulidade em meus relatos. Eu apreciaria tanto ter sentado com os seus pais para ouvir o seu nome mencionado com orgulho, mas, infelizmente, no meio da constante atmosfera de calamidade que sua mente criativa gerou, isso só aconteceria por um milagre dos céus. Pobre desses pais! O que os pais não fazem pelos filhos, não é minha musa? Eles acreditaram no seu renascimento dando-lhe uma nova chance. Nunca suspeitaram que esse seria o pântano mais fétido da vida de cada um. Posso ver agora o quanto a ideia de renascimento toma a mente de certas pessoas - mesmo estando num atoleiro onde tudo o que se gera é confusão. É difícil imaginar que essa seria a filha que um dia sonharam. Boquiabertos e sem saber o que dizer - diante da filha querida envolvida numa situação sórdida movida por tantas mentiras - acabaram arrastados para dentro do círculo imaginário onde nunca se conseguia distinguir a diferença entre fantasia e realidade. A postura e a maneira tão convincente que tudo foi justificado a esses pais, deixou um mau gosto na boca como uma bílis enfurecida. 
    Eu sei, minha musa, que eles não acreditaram em uma só palavra sua tentando justificar o relato das cartas, mesmo que aparentemente fizessem de conta que sim. Uma coisa eu garanto: se fossem mais precavidos talvez ficassem entrincheirados como eu fiz. Protegidos num abrigo seguro que permitisse apenas observar por um pequeno buraco o movimento do inimigo infiltrado; você era o inimigo invisível aos olhos deles e não eu! Eles não sabiam que continuar vivendo como se nada tivesse acontecido seria o maior erro de suas vidas. 
   Pois bem, de qualquer forma, não havia solução, o seu caminho já estava perdido mesmo antes que alguém pudesse perguntar por que. Lembro com nitidez o dia que você chegou até mim praticamente chorando: dizia não merecer a vida que tinha, que não agüentava mais perceber que ninguém compreendia os seus sentimentos aparentes. Eu acabei concluindo que talvez a demonstração de algum orgulho ou melancolia de sua parte, fosse algo ofensivo àqueles que não entendiam o seu jeito de enxergar o mundo. Isso tornava nulas todas possibilidades vindouras e positivas, e diante de tão pouca esperança lhe restava tão somente a retração. E ante essa situação pude notar as diferenças que existiam entre nossas personalidades. Se um dia eu estivesse em seu lugar e você no meu, jamais ousaria fazer o que fez. Eu preferiria morrer aos poucos a arrancar um único fio de cabelo da cabeça de pai ou mãe. Mas com você nunca foi do jeito normal, não é, minha musa? Você nunca foi tomada de qualquer escrúpulo em destruir vidas, esperanças ou sonhos de quem um dia a amou de verdade. Saiba de uma coisa muito importante: embora eu a continue odiando com um ódio que me encheu de fel depois dos acontecimentos relatados aqui, toda a nossa história é o que me serve para passar mais um dia imaginando se fiz bem ou mal acreditando no que considerava certo. Mas qual desgraça é essa tão incapaz de satisfazê-la plenamente depois de anos? 
    Durante um tempo eu queria que soubesse que eu motivei todo o seu sofrimento e reconhecesse por quais motivos tudo acontecia. Só deste modo eu poderia lhe perdoar me aliviando na vingança de olho por olho, dente por dente; arrancando lamentos de agonia dos seus pulmões ao infligir-lhe tormento igual, e reduzi-la ao nível que fiquei. E como foi você a provocar toda a situação, então deveria ser a primeira a pedir perdão, e então, só então, eu mostraria alguma generosidade em perdoar alguma parte dos seus atos insanos. Contudo, foi impossível me sentir vingado diante do que fez e com a gravidade que fez. Cheguei a triste conclusão que nunca abriu a bíblia em sua vida ou qualquer outra inscrição sagrada. Mas depois, e obviamente mais calmo, ternamente guiado pelas palavras sagradas de arrependimento e fé deste que me guia, uma pálida chama de otimismo em relação a sua recuperação continuou ardendo no meu coração; caso contrário, por que haveria de estar contando tudo isso depois do que foi feito? É bastante estranho e difícil para os outros verem tudo como eu vejo. Sei muito bem que sempre usei uma maneira figurativa de falar sobre o que ainda não pôde ser mencionado abertamente. O que eu posso revelar é o que sempre foi dito muito claramente: não havia nada melhor que o jeito das fodas com nossos corpos pingando de suor e o formato da sua buceta depois de cada uma dessas penetrações, – mesmo que todas imagens pareçam muito iguais olhando assim tão friamente – era esse mundo que nos mantinha unidos; como aprendi com a mais amarga experiência da minha vida. Mas, o que a unia à sua família era pior. Era como um sonho ruim ficando cada vez mais tenebroso. Tudo se resumia ao lar, a velha fortaleza ruindo aos poucos. Lugar onde a família toda ficava refugiada, levando uma vida desolada e ilhada, sentindo-se todo o tempo como eternos perseguidos de fofocas e intrigas ou em outros instantes, envergonhados e desprezados. Os vizinhos começaram a fazer distinções com vocês, achando cada um dessa família meio maluco e pouco humanizado: ou em sua maioria, nada decentes, sem simpatia e incomunicáveis. Para mim era angustiante estar diante do seu portão a cada final de semana de viagem para o camping, enquanto os vizinhos apenas nos observavam com grande curiosidade das janelas altas ou baixas dos seus terraços. Bem, eu conto tudo isso só para mostrar a confusão mental e psicológica que reinava naquela época. Alguém poderia me perguntar: por que escreve sobre Miss C? Eu diria que escrevo sobre e para você, minha musa, porque durante toda minha vida conheci milhares de pessoas, mas nenhuma elaborava tão bem assim maldades. As pessoas que conheci eram mais inteligentes que você, porque a inteligência delas era feita de sabedoria. Algumas chegavam a ser brilhantes em suas atividades, o que comparado a você seria justamente o oposto. Mas você, minha musa, você era inesgotável. Era como um pedaço de pedra radioativa que mesmo enterrada não perdia o poder de emitir energia maléfica. Eu já vira antes algumas pessoas com esse tipo de energia, tomadas com esse poder todo, mas nunca um reservatório tão grande e repleto até o topo. Como algumas pessoas têm esse poder de criar uma reserva tão grande de energia pura e ruim? Talvez isso seja uma nova revelação que Zé louco pudesse me contar. Sim, em sua forma enigmática de explicar coisas, seria a única maneira de encontrar dicas do que seria verdadeiramente importante em sua vida além da maldade. Ah, Miss C, da noite para o dia todos os meus valores de antigamente foram jogados fora. De repente, sem mais nem menos eu deixei de me mover como as pessoas se movem normalmente por esse mundo. Ao pisar no freio me coloquei no alto de um pedestal observando o desenrolar dos acontecimentos; ou se antes, assim como outras pessoas, eu achava que tinha de ir a algum lugar; agora sei que algum lugar é lugar nenhum e, portanto, o lugar onde estou é o meu lugar. Então concluo, perguntando a você minha musa: quem foi que disse que precisamos ir a algum lugar na tentativa de esconder-nos do dano provocado? Todos os destinos geram uma incerteza, mesmo que as escolhas pareçam definitivas. Enquanto você brinda com champanhe ou vinho chileno o seu brilhante intento, eu apenas observo tentando provar que tudo foi uma farsa. E embora a sua velha casa - aquela onde a família vive se esbarrando aos cotovelos - continue muito limpa e arrumada, ela ainda fede de tal forma que reviraria o estômago da pessoa mais insensível. Em que medida você se sente culpada pelo que fez? Imagino que jamais se sinta culpada de alguma coisa, não é mesmo? Pode me dizer como está se sentindo hoje? Idiotice perguntar isso para uma pessoa frívola e sem consciência genuína do que é caráter. Pulemos essa parte agora e vamos outra vez às belas lembranças daqueles momentos maravilhosos no camping; é melhor assim para ambos, por enquanto.

     Durante mais de meia hora ficamos observando a mudança de cenário no céu do quase amanhecer. Zé louco entrou numa tagarelice sobre seres extraterrestres e galáxias distantes. Quando ele tentou abordar o assunto sobre nossas origens oceânicas, acabei cochilando de tão cansado. Já entediado com a conversa, pedi licença e voltei à barraca para pelo menos mais uma hora ou duas de repouso. Nina não havia se mexido, então aproveitei para abraçá-la até que o corpo relaxasse outra vez. O próximo momento da minha lembrança, minha musa, é a hora do café da manhã coletivo. Praticamente todos acampados se dirigiram à mesa onde havia bolos, pães, frios, margarina e frutas de época - cortesia dos organizadores da noite do rock and roll. Ficamos assim dispostos: Nina do meu lado direito (abraçada comigo e só ouvindo a conversa), Nanda do lado esquerdo e em seguida dela Tom. Na frente: Zé louco, Simone e os dois amigos de São José do Rio Preto que nunca lembro os nomes.
- Caralho! Quanta coisa! O pessoal caprichou nesse café da manhã – admira Zé Louco.
- Tem lugar que a gente vai e o povo nem se preocupa se estamos com fome. Outro dia no camping em Arthur Nogueira tivemos que procurar uma padaria – Simone completa o raciocínio de Zé Louco.
- Essas coisas acontecem... Tem lugar que recebe bem os visitantes e outros nem tanto. Essa vida da estrada é assim mesmo. Ah, uma coisa: acordei no meio da madrugada com uma falação perto da minha barraca. Reconheci a sua voz, viu Zé? – diz Nanda.
- O Re e eu estávamos olhando as estrelas. Mostrava a anã branca para ele.
(Todos riem até quase engasgar)
- Você estava mostrando a sua anã branca para o Re no meio da madrugada? – Tom não perde uma piada – Vem cá! Conta pra gente. Ele admirou bastante a anã branca?
(Novas risadas).
- Admirou sim, meu véio! Tanto que quase tocou nela com a pontinha do dedo. Mas foi só numa viagem astral. Você também quer tocar a anã de verdade? Se quiser eu mostro onde ela está.
- Não Zé! Vamos esperar a noite chegar, aí tudo fica mais romântico – Tom arremata ironicamente com risadinhas no final.
- Cadê a caminhonete? – pergunta Zé.
- Não tenho mais caminhonete.
- Vendeu?
- Sim. Precisava do dinheiro para pagar a clínica.
- Ouvi dizer que esses tratamentos são caros.
- Verdade. Gastei quase quinze mil reais.
- Pelo visto você já está recuperado. Esse passeio está sendo uma boa terapia. Não acha?
- Está sim. Saí de casa praticamente com uma mão na frente e outra atrás.
- Meu véio, você precisa voltar à sua vida normal. Seria legal se voltasse a andar com a gente. Venha para nossos acampamentos de fim de semana. O próximo é daqui quinze dias no Guarujá.
- Ô Re, uma coisa. Não foi no Guarujá que andamos mais de dez quarteirões procurando uma farmácia? – aparta Nanda.
- Foi sim.
- Procuraram Farmácia para que? – pergunta Zé.
- Ah, você não estava com a gente desta vez. Posso contar, Re?
- Pode sim.
- Naquele fim de semana quando o Re e Miss C chegaram no camping, nós já estávamos lá com nosso equipamento montado. Eles se ajeitaram num espaço que havia do nosso lado. Ela estava com febre e mal-estar. Depois da barraca armada ela se deitou, e o mal-estar não passava. O Re começou a ficar preocupado e me chamou achando que mulher entende melhor o sintoma de mulher. Ela anotou num pedaço de papel o nome de um remédio e saímos em busca da farmácia mais próxima. Na primeira que chegamos não tinha o tal remédio, fomos para outra indicada pelo balconista, também não tinha. Depois de mais de meia hora encontramos uma drogaria grande que tinha a medicação. Retornamos ao camping esbaforidos da caminhada. Ela continuava deitada e parecia dormir. Não a incomodamos. Não sei se ela tomou o remédio. Ela tomou Re?
- Não tomou. Quando acordou disse que não precisava mais – Respondi.
- Foi isso!
- Caraca, meu véio. Essa mulher só deu trabalho!
- Ahhh.. Sei lá. Uma pessoa pode passar mal por pressão baixa ou tpm - considero normal. Eu não ligava de cuidar do que fosse preciso. O que eu não gostava era quando ela me fazia de palhaço.
- Acho tão engraçado quando você conta o que passou e ainda fica defendendo – ironiza Tom, com risadinhas no final.
- Ela foi sua namorada? Por quê ela fazia você de palhaço? – pergunta Nina, sentindo-se fora do assunto em questão.
- Humm... É muito chato contar coisas quando fazem a gente de bobo. Preferia não falar mais.
- Conta, conta, conta, conta tudo... Tom começa bater com a palma da mão na mesa e arremata – Isso é como “causos”. A gente gosta de saber para ficar esperto e dar muitas gargalhadas com a tragédia dos outros. Conta aí vai... - e dá risadas.
- Assim vocês não me ajudam. Nunca vou esquecer dela se ficarem toda hora falando. Puta-merda, heim! Essa é a última papagaiada que vou contar a vocês.
- Re, se não quer contar, não conte – sussurra Nina.
- Tá bom gente! Vamos lá! Já que falei que contaria, então eu conto. (Todos ficam em silêncio para prestar atenção na narrativa). Foi assim: a mãe daquela doce criatura trabalhava com objetos de arte e costura. Ela foi convidada para um tipo de vernissage na Vila Madalena, era num sábado durante o dia. Mandou duas filhas como representantes, Miss C e a outra mais nova. A minha adorável musa me contou no msn o horário que terminaria a tal apresentação, mas não sugeriu que eu aparecesse por lá. Bom... Fiquei meio triste, já que sempre a convidava para tudo o que eu fazia - ainda que recebesse negativas e desculpas esfarrapadas na maioria dos convites. Como já estava me habituando com suas invenções, meias-verdades e subterfúgios, relevei mantendo a calma. E, sem que ela soubesse, resolvi fazer uma surpresa no fim da tarde quando já estivesse saindo do vernissage. Passei no shopping Villa Lobos e comprei uma lembrança muito meiga de uma daquelas lojas de presentes alternativos e caros. Quando cheguei ao evento elas já tinham saído (resolveram ir embora mais cedo). Estavam dentro do carro colocando os cintos de segurança e prontas para seguir em frente. Quando Miss C me viu não esboçou qualquer reação, tampouco saiu para me dar boas vindas - nem ao menos abaixou o vidro para falar comigo. Quando senti que ela não iria se manifestar, apertei a maçaneta e a porta abriu. Fiquei parado de cócoras feito a estátua do pensador - eu era uma “persona non grata” ao lado da porta do motorista, esperando alguma atitude dela. Ela continuou imóvel, olhando para frente e com as mãos sobre o volante, - permaneceu agindo como se eu não estivesse ali - enquanto isso a irmã sorria e dizia “Oi” com uma cara muito sem graça. Miss C mal-humorada e com a cara amarrada me perguntou: “O que está fazendo aqui?” Respondi: “Vim para apoiar vocês no evento que estão participando e aproveitar a oportunidade para convidá-las a dar um pulinho lá no shopping Iguatemi; - que é bem pertinho daqui – podemos lanchar ou jantar, vocês escolhem”. Ela demorou um pouco a responder, - enquanto a irmã me olhava com cara de paisagem - e a seguir deu o veredicto em poucas palavras: “Estou cansada e com dor de cabeça, nós não queremos ir a lugar algum. Estamos indo embora para nossa casa!”. A irmã aproveitou a “deixa” e botou pilha na conversa: “Vamos logo que está escurecendo e garoando!”. Miss C puxou a porta do carro o mais rápido que pôde, o que me fez levantar meio desengonçado e no susto, dei um passo atrás enquanto ela dava partida e ia embora. Caminhei até o meio da rua e fiquei ali parado observando o veiculo dobrar a esquina no final da descida. No dia seguinte, no msn, questionei o seu mau-humor e a total falta de consideração, ela respondeu: “Eu odeio surpresa. Você não me avisou que iria aparecer, poderia ter telefonado...”. Eu retruquei: “Pouco adiantaria tentar ligar, já que você nunca atende quando sabe que sou eu. E mesmo que atendesse diria que seria melhor que eu não fosse. Quero que saiba que comprei um presentinho para você. Mas, com muita raiva do que fez, acabei dando para uma pedinte quando voltava para casa. Ela ficou tão feliz que me deu um sorriso enorme”. Diante da noticia Miss C nada respondeu; novamente me deixou no vácuo no msn, ficando off após alguns segundos. Voltou a dar sinal de vida alguns dias depois - data próxima da viagem para um camping que já havíamos combinado. E novamente, se comportando de maneira incrível e indiferente, agiu como se nada tivesse acontecido, ou se não tivesse importância alguma o que ela fez. Foi assim que tudo aconteceu. Agora chega, né?
(Todos permaneceram imóveis ainda por alguns segundos, como que hipnotizados pela história e querendo ouvir mais).
- Olha, Re. Tudo o que eu comentar será repetido – diz Nanda – Sempre achei essa mulher louca. No fundo não é que ela não gostava de você, ela não gostava de ninguém que causasse contrariedade. Ela era uma desequilibrada emocional e isso alterava tudo. Gente assim é melhor manter distância. Quanto mais distante, melhor. É gente que usa o jeito reservado de ser como disfarce. Ela aparentava ser muito tímida e reservada, porém era do tipo “sem sentimento”, os valores apreciados por ela nunca chegaram perto dos seus valores mais comuns. Em gente assim falta a famosa ética que desenvolve as regras morais que conhecemos. No entender dela tratar mal alguém é o mesmo que comer, beber ou trocar de roupa. Esses tipos zombam da inteligência da gente porque se acham mais inteligentes e poderosos. Não por que sejam de verdade, e sim, porque eles sabem usar em 100% o rendimento do raciocínio lógico. Provalvemente ela foi contaminada por um tipo de deformação de caráter em família – acho que já falei algo assim ontem, mas repito em outras palavras. E também aconteceu um “modus operantis” do jeito inverso, isto é: contaminando a todos com o seu mau-humor - causado em parte pela vivência de cada experiência negativa que ela aprendeu dentro e fora de casa. Esse modo de ser passou a fazer parte da vida dela, da família e até dos agregados. Tenha certeza que nada a atinge, ela não se aflige por nada e por ninguém. Nunca existiu e nem existirá na mente dela o fenômeno conhecido como catatímia, mesmo de uma forma mais leve - situação onde poderia prevalecer um pouco de emoção sobre a razão. Ela é fria, gelada. É um beco sem saída, até mesmo para pessoas românticas e insistentes iguais a você, ou que acreditam que exista uma solução para o caso dela. Esqueça disso, não há chance! Pode ter certeza que mais cedo ou mais tarde ela repetirá os seus malfeitos de um jeito pior. Se o fato de alertar a família por cartas fez com que ela tivesse algum arrependimento, pode crer que não foi pelo mal que causou a você, e sim pelas conseqüências que ela mesma sofreu, como por exemplo: perda de confiança dos familiares, restrição para algo que gostasse de fazer e não faz mais, ou até, quem sabe, alguma limitação de liberdade. Ela vive num vazio existencial que nunca será preenchido, uma vida de tédio infinito que desemboca na perversidade gratuita com quem se arrisca com ela. Ela será sempre uma figura desagregadora e imprudente. Falará da vida alheia com a maior naturalidade como se tudo fosse banalidade. Ela entregará o pai, a mãe, irmãs, ou quem for, só para justificar os seus atos inconseqüentes. Comentará da vida íntima de cada um abertamente a qualquer pessoa que encontre pelo mundo. É alguém que desconhece o que é compaixão ao próximo. Tá me entendendo? Você deveria ter saído do caminho dela muito antes do que saiu. Fique esperto, pois com o que fez a ela acabou ganhando uma inimiga para vida toda. Ela arrumará um jeito de se vingar de você para arruinar a sua vida. O seu grande erro foi tentar identificar se a cobra era venenosa. Não cruze mais o caminho dela. Evite qualquer forma de contato. Se ela ligar, não atenda. Se mandar e-mail pedindo encontro, não vá. Não pague para ver. Ela acabará lhe apunhalando pelas costas se você fraquejar. Ela agirá sempre e tão somente em nome da vergonha que a fez passar. E fará o pior que puder até destruí-lo totalmente. Esteja certo disso! Acho que falei demais outra vez porque estou “naqueles dias”. Apenas pense e não fraqueje! Esse é o meu conselho.
- Nanda, o que significa catati... caca... catito... Essa palavra feia que você falou aí? – Tom não perde uma!
- Meu amor: é quando uma pessoa tem sentimentos fortes que suplantam a razão a ponto de deixá-la insegura ou muito excitada. Gente que aparenta emoção verdadeira diante do inusitado. Lembra quando me conheceu, e no nosso primeiro encontro suava e esfregava as mãos? É isso! É um estado emocional. O jeito que você me ama também se pode dizer que seja um tipo de catatímia. Pois demonstra os seus sentimentos de uma forma muito comovente e maluca, entendeu?
- Ahhh ta... Obrigado, meu amorzinho. Você é uma enciclopédia ambulante. – Tom não toma jeito com as gozações.
- Então Re... Espero de verdade que tenha entendido que eu quero o seu bem. Nós torcemos por você sempre. Reforço o convite do Zé: venha andar com a gente por uns tempos.
- Olha, Nanda. Vou pensar... A prosa está boa, mas agora preciso ir. Vou desmontar a barraca, arrumar tudo direitinho para seguir o caminho até a caverna dos morcegos.
- Não vai mesmo desistir dessa aventura? Fique mais um pouco aqui conosco – insiste Nanda.
- Não posso, tenho que aproveitar o dia. Hoje está mais fresco que ontem, será bom para andar.
- Quando pretende voltar? – Nanda preocupada.
- Não sei.
- Leve a barraca e o colchão. Você vai precisar. Liga no meu celular, no do Tom ou do Zé. Avisa a gente quando chegar lá. No caso de se perder no meio da mata a gente vai te buscar. Suba numa árvore se for preciso achar um sinal para o telefone.
- Não vou me perder. Eu ligo sim. Quando eu voltar para casa ligarei para cada um de vocês.
(Nesse momento Nina se soltou do meu braço olhando diretamente dentro dos meus olhos para dizer o inesperado)
- Posso ir com você?
- Por quê?
- Por que gosto de aventuras. Adoro conhecer lugares que nunca fui. Já ouvi falar dessa caverna e faz tempo que queria ir até lá. Dizem que a sua abertura principal é no formato da genitália feminina. Fiquei curiosa. Aceita minha companhia? Vou tomar banho e volto logo, ok? Por quê não aproveita e toma banho também para tirar essa nhaca noturna?
- Boa ideia. Vou fazer isso.
- Ainda não respondeu se posso ir junto com você.
- Não sei... Não sei mesmo! Vou pensar. Que tal me ajudar desmontar a barraca e dobrar tudo bem dobradinho antes do banho?

Minha musa; fico por aqui. Até a próxima.
Desejo que Deus ilumine os seus pensamentos.
Do seu admirador
                             Re.

7 comentários:

  1. Vejo que o admirador Re. pensa que já esqueceu Miss C?? Será?? Acredito que não, pois não ficaria se masturbando ou pior indo pra cama com alguém pensando nela, lamentável. Por mais explicações que dê aos fatos ocorridos pelas humilhações e perdidos no msn, não a esquece. Mesmo com todo o apoio dos amigos do camping, Re. segue sua direção a caverna dos morcegos, e sua amiga Nina está querendo ir junto!? Será bom pra ele, ter uma companhia. O que sua amiga Nanda disse, ou melhor, aconselhou é fato atingir ou desmascarar uma pessoa desequilibrada como é Miss C foi como mexer em casa de marimbondos. Acho que Re. fez isso, pra chamar atenção ver se ela se comunicava de novo. Até.

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  2. Nossa, que capítulo mais triste seu autor, comentando ainda fatos que Re. passou com sua musa! Fico aqui me perguntando, depois de tudo ele a chama assim?? Parece masoquista mesmo, depois de tanto sofrimento ter esse tipo de "carinho"!! Sei lá, na minha visão como leitora não entendo muito esse tipo de reação por parte do admirador.
    Fiquei chocada, mesmo depois de uma transa mística com sua amiga Nina, ele não a tirou do pensamento. Que poder tem essa criatura!!! E quando Re. relatou mais um episódio infeliz com ela, tentando agradá-la, mas não obteve sucesso, quantas chances ele deu, por gostar demais!! É nem seus amigos do camping, não entendiam tamanha paciência que Re. tinha com aquela mulher fria e distante. Como é a vida, nunca sabemos o que vamos encontrar no caminho, pensamos em ser feliz e acontece tudo ao contrário, só dor e desilusão. Mas tem um ponto positivo nesse capítulo, sua amiga Nanda como sempre descrevendo mais uma vez a personalidade de Miss C, dizendo que Re. fique longe, pois poderá se machucar ainda mais nessa história, e aí sim será difícil ele voltar a realidade. Aguardo os próximos capítulos! Adriana.

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  3. PELO AMOR HEIN!!!!! QUANTO DRAMA A CADA CAPÍTULO SEU AUTOR!!!! É REVOLTANTE LER E VER QUE O ADMIRADOR RE. AINDA A AMA!!! QUE FALTA DE DIGNIDADE POR PARTE DELE, DESCULPE AS PALAVRAS, MAS ACHO O CÚMULO DO ABSURDO TER UM HOMEM OU MULHER QUE SE SUJEITE E ACEITE CERTAS SITUAÇÕES, PORQUE GOSTA OU AMA!!! NINGUÉM É DONO OU DEPENDENTE DO OUTRO PRA SER FELIZ. ACHO QUE O ADMIRADOR JÁ TEM UM DISTÚRBIO E DEPOIS DO ENVOLVIMENTO COM MISS C SÓ DESENVOLVEU O PROBLEMA.
    TEMOS QUE POR SEMPRE ME MENTE SER FELIZ INDEPENDENTE DE QUALQUER SITUAÇÃO, NUNCA PERMITIR QUE TIPOS COMO ESSE ENTRE E ACABE COM NOSSA AUTO-ESTIMA E ALEGRIA DE VIVER.

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  4. Patricia Ramos Sodero27 de fevereiro de 2013 21:55

    Bem....o que tenho a dizer desse capítulo,é que já penso diferente de minhas amigas leitoras....Acho que nosso protagonista,Re,está forte o suficiente agora,para relatar suas estórias com Miss C.Digo isso porque,nos capítulos anteriores,víamos uma certa "agitação"....indignação....provocações....feitas por Re.Consigo enxergar agora,que,apesar de ter lembranças,não o incomoda,a ponto de levá-lo a loucura como antes.Com a ajuda de seus amigos no Camping,cada qual,como já disse anteriormente,com sua experiência de vida,teve a evolução que necessitava para continuar sua caminhada,rumo a Caverna dos Morcegos.
    Nina,sem sombra de dúvidas,talvez seja uma grande companhia ao Re.Isso porque tem toda uma energia positiva que é "trocada",que o faz sentir-se muito melhor em todos os sentidos.E Nanda,mais uma vez lhe dá uma lição de vida,falando a respeito do caráter de Miss C....São características mostradas neste capítulo,da personalidade fria,impetuosa,calculista,excêntrica,que a "tal" é....Não enxerga e nem respeita ninguém....acho que nem a si mesma!!!
    Bem,Sr.Autor,estou cada vez mais me surpreendendo com seus capítulos....um mais interessante que o outro.
    Aguardo com muita ansiedade o desfecho da estória.
    Parabéns....até o próximo.
    Bjs...

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  5. Ao q parece, Re tem consciência de q ainda não conseguiu desatar o nó q o prende a sua Musa, mas já sente q isto não mais provocará prejuízos como os q o levaram a descer tão fundo a ponto de chegar à beira da loucura. Sua força já lhe dá a segurança necessária p/ manter-se firme e até mesmo protegido das prováveis ameaças q ainda possam fazê-lo cair em tentação, considerando q o sexo é ainda uma força misteriosa q mantém essa ligação, mesmo q regada a sujeira e falsidade.
    Aquele velho ressentimento de não poder ter feito algo p/ ajudar ou p/ mudar a situação, mesmo c/ o sinal de socorro das cartas, ainda traz um pouco de melancolia. Tbém fica no ar um pesar pela descoberta tardia desses pais q não conseguiram perceber q estavam criando uma cobra p/ picá-los. Esse é um erro comum dos pais, pois a intenção na criação dos filhos é a de acertar, de serem os melhores exemplos e ensinarem as maiores lições! Só q mtas vezes eles esquecem q suas atitudes funcionam como espelhos nos filhos e q elas falam mto mais e mais alto q as próprias palavras!...
    Tamanho é o prejuízo provocado por Miss C q Re deseja se ver tão perverso qto ela a ponto de fazer-lhe o mal tal qual o q recebeu. Mas, tamanha tbém é a sua Fé q o detém e acalma e não deixa q ele seja dominado pela energia negativa irradiada por ela. Voltado p/ sua consciência, ele percebe q por mais q tente fugir ou se esconder dos problemas, eles sempre estarão ali ao seu lado, acompanhando-o onde quer q ele vá. Então, o melhor a fazer é enfrentá-los, ainda q a batalha mais difícil seja aquela q ele enfrentará contra si mesmo...
    Mais uma vez, Nanda descreve mto bem as diferenças de caráter q separam Re e Miss C. Ela alerta seu amigo para q se mantenha longe daquela q, seja por doença ou por pura maldade, provavelmente esteja querendo se vingar pelo prejuízo q ELE provocou...
    Parabéns pelo intrigante capítulo, Sr. Autor!!! Ao q parece, uma atitude mto grave foi tomada por Miss C e condenada por Re q, direta ou indiretamente, tbém teve uma parcela de participação, mesmo q contra sua vontade.
    Sexo, família e as Leis Divinas parecem compor a miscelânea deste ato pecaminoso! Talvez, enterrada nas profundezas da Caverna dos Morcegos, esteja a resposta deste mistério...
    Mta curiosidade e ansiedade aguardam o próximo capítulo!
    BJSSS - Edneia

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  6. Onde estará Re, após todo esse sofrimento? De onde ele conta essa estória cheia de dor, mágoa, ressentimento, tristeza, ódio e sabe-se lá mais o que? Pois são tantos os segredos que envolvem essa relação, são tantos artifícios usados por essa mulher para envolvê-lo nessa trama louca, que pelo visto prejudicou a vida de muitas pessoas, inclusive a da sua própria família. Embora ele tenha feito de tudo para chamar a atenção das pessoas, elas preferiram ignorá-lo, achando que ele era o perigo e se deixaram enganar pela própria filha, embora isso seja natural, pois ela era parte do clã e fora criada para agir como eles agiriam diante da vida e das pessoas, mas parece que os ensinamentos inescrupulosos que pelo visto ela recebeu, foram bem assimilados, pois ela não poupou ninguém. O que terá feito de tão pernicioso a todas as pessoas que acreditaram em seu teatrinho de boa moça? Como ela parece ser mestra em enganar e usar todas as pessoas que passam por sua vida, será que fez o mesmo com o único homem que acho ter realmente amado? Será que ele também não foi mais um fantoche em suas mãos, assim como Re, ou será que seu “ex”(se é que ele tem alguma coisa a ver com tudo isso...) era seu cúmplice em toda essa trama infernal?
    Re tentou uma vingança, procurou devolver a ela todo o sofrimento e fazê-la pagar por toda dor a que ele havia sido exposto, pelas atitudes dela e de sua família, usando de todo o ódio que lhe consumia para tentar de alguma forma fazê-la ter qualquer tipo de sentimento humano, fosse ele qual fosse, dor, arrependimento, remorso, retratação e até mesmo um pedido de perdão, que por ele seria recebido como um reconhecimento de todos os esforços feitos para que ela se transformasse em um ser humano de verdade. Mas acho que tudo deu errado, pois ele cutucou onça com vara curta e não é da natureza de Miss C ser desafiada dessa forma, e não usar de todas as suas artimanhas para devolver em mais que o dobro o que lhe fora feito. E pelo visto Re teve uma revanche muito pior do que ele mesmo poderia esperar. A vingança de Miss C o levou a algum lugar do qual hoje ele procura entender tudo o que aconteceu, relatando toda essa louca estória, que pelo visto nem ele mesmo pode acreditar que tenha lhe acontecido.
    Mas houve momentos em que ele pôde se sentir protegido, amparado e compreendido, graças a seus grandes amigos, que lhe queriam bem e se preocupavam com o que ele estava tentando fazer. Os dias passados no camping lhe trouxeram um pouco de alívio e autoconhecimento, ele sentiu de volta o equilíbrio, a confiança e a força necessários para tomar as atitudes que o livrariam de vez de sua ”musa”. Zé Louco seu grande amigo procurou ajudá-lo de forma mística e Nanda com suas palavras sábias e mais pé no chão, ambos procurando fazê-lo desistir da ida à Caverna dos Morcegos, parece até que ambos tinham receio do que essa atitude poderia lhe causar futuramente. Será que Nanda previu o que estava para acontecer com ele, será que tudo isso aconteceu antes ou depois do grande golpe de Miss C?
    Pois é senhor autor, são tantos “se”, são tantas perguntas, tanta expectativa, eu só fico especulando, estou curiosa em saber o que realmente aconteceu entre esses dois. A cada capítulo minha ansiedade aumenta. Parabéns mais uma vez Renato, mais um capítulo que nos põe a pensar. Bjus e que venha o próximo.

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  7. É seu autor boa pergunta da sua comentarista, por onde andas o Re. misterioso dessa história! E o que dirá de Miss C, então?? Verdade têm muitas coisa ainda a ser revelado aqui, srsrsrsr. Deixando nós leitoras super curiosas. Deixa eu dizer adorei esse capítulo muito interessante e ao mesmo tempo conflitante. Coitado do admirador quantas lembranças apesar de ter passado 2 anos, mas parece que foi ontem está forte ainda o que viveu com ela. Espero que seja um conto no final emocionante!!!!

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