sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Dear Miss C Part 16

     Antes de dormir escrevi os detalhes do dia que passou dividido - um dia cheio de situações que nunca imaginei que viveria. Nada mais importante aconteceria que não fosse o descanso do corpo para a nova jornada logo cedo. A noite parecia bem mais tranqüila depois das duas horas passadas em total delírio - quando o espírito deixou o corpo por um tempo. Olhava o teto da barraca e pensava em todas alucinações que tive e nos desgastes mentais que sofri - principalmente nos últimos dois longos anos longe de você, minha musa. No passado – tempos depois do que vivemos junto - tive visões estranhas enquanto caminhava pela rua. Via pessoas que nunca existiram, e aquelas que existiam tentavam censurar tudo o que eu pensava sobre você. A minha impressão era que eu não tinha com quem desabafar aquilo que acontecera conosco. Era uma carga muito grande para que eu carregasse sozinho. Ficava com tudo dentro da cabeça me fazendo perder o restinho de cabelo e toda paciência que tirava não sabia de onde. Eu tinha medo e continuo tendo; medo de me envolver novamente numa coisa pior e perigosa. Eu pensei até em dizer fatal, mas acho essa palavra pesada demais para a situação que me encontro agora e me lembro disso sem noção do tempo exato que tudo aconteceu. Ah, minha musa, eu tentei escrever várias vezes novas cartas endereçadas aos seus cuidados, porém, reparava que as cartas iam ficando chochas com o passar dos meses. Fui adiando, deixando para trás, fazendo rascunhos imensos, mas nunca completava uma só que pudesse traduzir todo o meu sentimento. Independente disso, eu achava que talvez as confissões significassem cada vez mais o fortalecimento e não o afastamento de algo que um dia nos uniu. Sinceramente, cheguei a pensar que aquilo tivesse sido verdadeiro – mesmo que fosse por uma simples amizade. Tinha essa firme opinião que tudo um dia poderia mudar, ainda que demorasse anos. Esse tempo viria quando finalmente parasse de me acusar de ter cometido um crime. Você nunca soube que eu tinha medo de ir embora. Mas que mal há em ter medo e não domina-lo? Eu estava apenas tentando achar uma equação exata para compreender melhor as coisas, observando detalhadamente situações que acontecem quando alguém luta longa e trabalhosamente para desenvolver uma visão diferenciada do mundo. Estava sempre tentando confrontar informações, sugerindo visões e redesenhando quase totalmente o que já era tido como concreto e absoluto. O que fiz na maioria das minhas cartas, fosse consciente ou inconscientemente, foi não sonegar informações - por mais dramáticas que pudessem ser. Muitas vezes esse ato pareceu tão agressivo que acabei ignorado - isso já era de se esperar e não era mais novidade no seu tratamento dirigido a mim. Como forma de consolo eu tentava especular em meus pensamentos, que o fato de ter me ignorado nem era tanto por eu ser quem era, e sim pela dolorosa série de desapontamentos que passou na vida - o que fez com que tirasse a mais terrível conclusão que não podia valorizar mais ninguém. Com grande intransigência e relutância acabou jogando alto e caindo tão baixo que nem você mesma conseguia acreditar. Ninguém imaginava o que poderia estar por detrás do seu rosto calado e das sobrancelhas cerradas. E nem toda tristeza provocada pela doença da alma que acometeu aos poucos um por um dos seus familiares  - justamente quando ninguém, exceto eu, conhecia ao certo a sua outra face e aquilo de pior que poderia fazer da sua própria vida.
    Quanto a nós, no nosso tempo: entramos num jogo estranho que não se tinha a menor ideia de como acabaria. E no final apenas restou o exílio de ambos, cada qual enfrentando as próprias circunstâncias do que ficou de toda cena tórrida. E pouca gente sabe o que é estar exilado dentro do próprio lar, no ceio da família que rodeia a gente com olhares desconfiados. Ou ainda, falar a mesma língua, sentir os mesmos cheiros, comer a mesma comida e dividir assentos da sala sem nunca poder falar algo que as pessoas acreditem piamente, sem antes se questionarem intimamente. Ou, sentar-se à mesa e tentar sair rapidinho dali, para não se desesperar caindo em prantos; sentindo-se o tempo inteiro invisível aos olhos de todos. Isso deprime mais do que tudo, mais que a falta de iniciativa em nunca ter ido definitivamente embora. O que talvez tivesse sido a única forma de transformar as coisas - só assim tudo o que aconteceu jamais aconteceria de verdade. O que é mais engraçado é que nenhum homem pobre quis se casar com você, mesmo com todo o dinheiro que o seu pai tem. O candidato ficaria rico, bastaria ter filhos com você. Usufruiria parte dos bens do velho com gosto. Talvez esse fosse o sonho dele, já que só teve filhas e queria que a família fosse continuada, mesmo pagando um alto preço pela opção. Ele aceitaria qualquer um de bom grado, até mesmo aquele que precisasse de dinheiro para trabalhar por conta própria. Que coisa, hein? Nem assim o ex-amado-namorado-noivo quis enfrentar a dura tarefa de desposá-la. E sua mãe então? Parece que morrerá completamente frustrada, pensando que jamais pôde ter no facebook uma linda fotografia da vovó levando netinhos à escola, ou, quem sabe, atravessando novamente a Abbey Road com ao menos um herdeiro no colo e outro puxado pela mão. Ah minha musa, estou detestando você por ter feito o que fez comigo, ou será que a detesto pelas coisas que eu fiz a mim mesmo? Que confusão! Deve ser ainda o restinho do efeito da bala que Zé Louco me deu.
    De repente ouço música no estilo indiano nas grandes caixas acústicas ao lado do palco. Abro um pedaço do zíper da barraca para olhar o que acontece lá fora. A trilha sonora é Loreena McKennitt ( http://www.youtube.com/watch?v=jv5UEp4d0HQ). O público corre para mais próximo possível quando Nina, que gosta de ser chamada de Mary Shiva, começa a dança com ritmo de sensualidade. Ela põe uma perna à frente e balança os quadris, os braços sobem e descem sobre a cabeça, as mãos se juntam no alto e descem devagar enquanto o corpo se movimenta em ondas. A barra da saia longa é jogada de um lado para outro no giro do corpo, com passos para frente e para trás; tudo feito com perfeita elegância na dança dos véus. A pedra vermelha pregada na testa emana energia positiva de equilíbrio.Os peitos durinhos balançam enchendo a meia-blusa feita sob-medida em tecido transparente. São três números longos de dança que deixam homens e mulheres boquiabertos com tamanha destreza de movimentos. No último, o grand-finale, um giro num pouso triunfal ao som de Ravi Shankar. Com assovios e palmas se fecha a apresentação mística. Conheci Nina uns cinco anos antes de conhecer você, minha musa. Ela veio até mim por intermédio de Zé Louco. Tudo aconteceu num festival de rock, dança cigana e artes plásticas (de estilos variados); um evento realizado na cidade de Várzea Paulista. Naquela ocasião se reuniu ali um grupo dos mais diferentes artistas, alguns que já teriam participado de exposições em feiras e pequenas galerias de arte, e outros, iniciantes, aproveitando a oportunidade para mostrar o seu dom ao público. Por bastante tempo a nossa amizade se resumiu a cumprimentos com beijinhos no rosto e poucas palavras. Mas desde o primeiro instante passei a admirar sua beleza. Os traços físicos eram muito parecidos com os de Mila Kunis, o que fazia com que todos a olhassem de um modo diferente quando estava em trajes de dança. Pouco tempo depois ela começou namorar Billy, até então, um colega meu e amigo mais próximo de Zé Louco - que com o puro dom de convencimento acabou fazendo os dois se tornarem namorados. Billy era um motociclista estilo anos cinqüenta com rock-a-billy na veia e estilo incomum de falar jogando o topete para trás; bem americanizado. O penteado era típico do final da década de cinqüenta com roupas pretas no estilo James Dean. Talvez ele se parecesse com Brian Setzer. Numa noite de sábado, - um ano e pouco depois do tempo que conheci Nina – por volta de vinte horas, quando iam de moto para o camping em Guararema, acabaram se acidentando numa curva perigosa - devido ao excesso de areia e cascalho na pista. Por uma coincidência, nessa ocasião, eu acampava sozinho nessa cidadezinha que fica bem próxima de Salesópolis. Billy pouco se machucou, mas Nina perdeu alguns dentes e teve luxação no ombro. Foi encaminhada ao pronto-socorro da cidade, e logo em seguida ao hospital em Mogi Das Cruzes. Quando eu soube do acontecido, fui rapidamente auxiliar os amigos. Passei praticamente a madrugada inteira tentando liberar a moto de Billy na delegacia, enquanto ele esperava noticias de Nina no hospital - o delegado não queria entregar de jeito nenhum a motocicleta, tudo porque o vidro do farol havia quebrado no acidente. Às cinco horas da manhã Billy apareceu com a noticia que ela ficaria internada pelos menos um dia, e então pudemos ir embora para o camping e finalmente descansar. Nina só saiu do hospital na quarta-feira. Nem cheguei a encontrá-la, mas, dias depois me agradeceu por telefone, dizia que estava de viagem marcada para concluir um curso de dança na Índia. Por lá ficou pouco mais de dois anos e depois seguiu para a República Tcheca, a sua terra natal, onde ficaria estudando dança cigana enquanto se apresentava em espetáculos solos nos bares de Praga e toda região da Boêmia. Hoje o casal de namorados não está mais junto porque ela ficou muito tempo distante. Billy completamente transtornado virou um bêbado inconseqüente, passava o tempo se drogando e não reconhecia mais os amigos; acabou como um porra-louca intragável e impertinente com quem logo rompi amizade, principalmente por sua falta de consideração em nem me agradecer pelo socorro no caso do acidente. E ela, no seu retorno ao Brasil anos depois, criou má fama por namorar um e outro em cada festa que aparecia para dançar. Reparei, de longe, que Zé Louco conversava com Nina ainda nos degraus de acesso ao palco. Uma conversa muito próxima e aparentemente íntima, revelada, a quem quisesse ver, por um sorriso permanente no rosto da moça. Notei que o amigo apontava as barracas, enquanto ela olhava por cima das outras à minha frente, na insistente tentativa de identificar onde eu estaria. Foram saindo aos poucos do meio da multidão, que se dividia em cumprimenta-la pela perfomance majestosa e outros solicitando a atenção de Zé Louco, que praticamente a arrastava pelo braço em minha direção. Fechei o zíper rapidinho para não ser incomodado, fiquei mais imóvel do que se estivesse morto. Zé Louco começou a balançar a barraca pelo teto e chamava o meu nome:
- Re... Acorda meu véio! Veja quem está aqui.
- ----------------------- (Silêncio)
- Meu patrão... Acorda caralho! Nina quer ver você.
- Está bem... Já vou, aguarde um momento.
   Sai da barraca pensando em como seria a reação dela ao notar tantas diferenças em mim. Mal fiquei de pé e Nina jogou os braços nos meus ombros,  imediatamente colando a boca na minha como se fossemos namorados. Não desgrudou até que eu mesmo me desgarrasse dela. O seu cheiro era bom. Cheirava ervas com um leve toque de bebida doce no rosto suado; um suor gostoso com aroma cativante. Isso me excitou tanto que na hora fiquei de pau duro. Ela me olhou e disse: “Nunca tive a oportunidade de agradecer pessoalmente tudo o que fez por mim na noite do acidente. Durante meses pensei como seria quando nos encontrássemos novamente. Eu sei que segui outro caminho e você sumiu, mas agora estamos aqui de novo. Finalmente posso agradecer do meu jeito. Você aceita?”. Zé Louco soltou um sorriso safado e nos deixou a sós. Ela novamente me abraçou silenciosamente e foi se apertando em mim, grudando inteirinha no meu corpo, enroscando a perna na minha e tremendo como se estivesse com frio. Sem trocarmos outra palavra, enfiou a língua na minha boca, fazendo a minha língua se enroscar na dela. Agarrei no mesmo instante um dos seus peitos - ela nunca usava sutiã para o número de dança, o que deixava tudo mais fácil. Ajeitei os seus braços ao redor do meu pescoço, para sentir cada vez mais o seu corpo ardendo de desejo num aperto mais longo. Ela entrou comigo na barraca. Enquanto eu puxava o zíper com uma das mãos, com a outra procurava arrancar a blusa transparente, ela foi mais rápida que eu e os peitinhos saltaram. Peitos parecidos com daquelas estátuas mitológicas. A saia cigana já rolava pelo canto enquanto nos entrelaçamos formando um arco. O cheiro de suor agora estava misturado com o de colônia fresca e grama molhada. Nós dois ali girando sem parar e violentamente excitados ao som da batida forte de Deep Purple e Led Zeppelin.
- Re. Estou perplexa com você. Como consegue demorar tanto sem tirar de dentro?
- Você acha que demoro?
- Sim! Os caras com que eu saio parecem galos.
- Talvez seja experiência. E também porque eu gosto de fazer. Vou tirar agora, posso?
- Ai, não tira, não! Agora começou a música que eu amo. Mexe mais e toma cuidado para não gozar dentro.
- Já estou ficando cansado dessa posição. Os meus joelhos doem. Vamos ficar de ladinho.
- Vamos mais um pouco assim, por favor. Mexe no ritmo da música. Já está no meio. Vamos acabar junto com a música. Adoro stairway to heaven.
- Certo, então vamos. Vou tentar seguir o ritmo.
- Não tira de dentro, hein!
- Não tiro.
- Espera. Agora pare um pouco. Fica embaixo que eu vou por cima. Quero galopar no final e te ensinar uns truques. Já ouviu falar em sexo tântrico?
- Só de ouvir falar mesmo.
- Pouca gente sabe como é. E por mais que eu tente ensinar, esses homens nunca aprendem que não podem agir como galos. Existe uma posição, um eixo de energia onde não devemos sentir cansaço. É a nossa união física e espiritual que dita o ritmo. É preciso concentração e desapego nessa hora. É muito importante sentir devagar os movimentos internos e externos do corpo da mulher, para que a troca de energia seja satisfatória para ambos.
- Entendi, então venha. Solta o corpo em cima de mim, você é leve. Mexa com se estivesse num balanço.
- Não Re. Não é assim. Seja mais sutil. É algo abrangente e erótico em busca do melhor que podemos desfrutar nesse momento. Percebo que você está um pouco cansado, então não vou exigir muito. Mas precisa entrar em conexão comigo para sentirmos coisas idênticas.
   Ela se ajeita e encaixa perfeitamente o pau dentro até o fim. Fica parada. Tomba o tórax um pouco para trás e apóia uma das mãos sobre a minha coxa, com a outra, tampa na frente aparando antes que o pau escorregue para fora. Mexe devagar. Movimentos internos que parecem como se os nós dos dedos massageassem todo o pau. Ela se apóia num sobe e desce até quase o limite. Apara com a mão quando ameaça sair e empurra para que fique firme lá dentro. Os músculos internos se mexem de cima abaixo numa sensação que nunca senti. Noto que os músculos do seu abdômen se movimentam na mesma energia que flui de dentro para fora e de fora para dentro. A cavidade vaginal é apertada apesar da fama que carrega. A parte interna parece ter vida própria com movimentos contíguos e prolongados.
- Nossa! Re. Há quanto tempo não me sinto leve assim. Que gostoso você é! Não goze agora! Podemos ficar assim por horas.
- Pode deixar...
- Mas quando for gozar, goze com vontade. Avise antes e tire de dentro para que eu chupe cada gota.
- Farei isso.
- Vou mudar de posição. Quero inverter. Vou sentar olhando para os seus pés.
- Certo.
- Agora vai... Encaixa devagar. Mexe e mete bem fundo. O mais fundo que puder. Vou prender o seu pau lá dentro até sentir latejando.
- Pode ir saindo de cima que depois dessa enfiada estou quase gozando.
- A música do Led entrou no trecho final, mas não quero que goze agora. Segura mais um pouco! Não tenha pressa!
- Então pare de rebolar. Tira e mexe nele com a mão até o fim, mas faça devagar.
   Depois de algumas caricias toda energia que vinha de dentro explodiu direto em seu rosto. De pronto ela abocanhou e foi delicadamente passando a língua em cada ponto do suco leitoso. Engolia com gosto e em seguida lambia o que escorria pelos lábios. Sugou até que não restasse uma única gota.
- Caracas, Re! Nunca imaginei que viria coisa melhor depois de meia hora de dança. A dança sempre me deixa muito excitada. Essa hora de sexo nesse ritmo torna tudo muito perfeito. Faz tanto tempo que eu te desejava. Você nem imagina o quanto pensei nesse momento.
- Pensava o que?
- Pensava em agradecer. Mesmo ainda quando eu estava com o Billy.
- Mentira.
- Juro por Deus.
- Que legal saber disso. Eu sempre fui louco pelo movimento dos seus quadris. Quando eu a via ali no palco ficava imaginando como seria nessa hora. Não me conformava do desperdício de uma pessoa como você na mão daquele babaca. Agora, finalmente, já sei como você é. Antes tarde do que nunca, não é mesmo?
- Queria te pedir uma coisa. Posso?
- Peça.
- Quero dormir aqui com você.
- Por mim tudo bem. Mas amanhã saio cedo.
- Não me importo, também quero acordar cedo para ir embora.
- Combinado.
    Dear Miss C, estou contando tudo isso porque me voltou à memória o jeito que fizemos as coisas. Era sempre assim: o sexo pelo sexo no instinto natural que nos chamava de tempos em tempos. Nesses momentos com Nina lembrei de você e da forma como era importante cada movimento que fazíamos com tanta excitação. No caminho de cada situação em que vivi no camping, fui reconstruindo a nossa história pouco a pouco. No auge dessas lembranças lembrei um trecho de Henry Miller; nele está representado direitinho o nosso papel nesse curto período da vida contada em minhas cartas: “Relembro de relance as mulheres que conheci. É como uma cadeia que eu tivesse forjado com minha própria miséria. Cada elo está preso ao outro. Um medo de viver separado, de permanecer nascido. A porta do útero sempre destrancada. Medo e anseio. No fundo do sangue o puxão do Paraíso. O além. Sempre o além. Tudo precisa ter começado com o umbigo. Cortam o cordão umbilical, dão-lhe um tapa na bunda e – pronto – você está aqui fora no mundo, desgovernado, um navio sem leme. Olha para as estrelas, e depois para o umbigo. Olhos crescem em você por toda parte – nas axilas, entre os lábios, nas raízes dos cabelos, nas solas dos pés. O que é distante torna-se próximo, o que é próximo torna-se distante. Para dentro e para fora, um fluxo constante, um soltar de peles, um virar de dentro para fora. Você vagueia assim anos e anos, até encontrar-se no centro morto e lá vagarosamente apodrece, vagarosamente se reduz a pedaços, dispersa-se de novo. Só o seu nome permanece.”
   Minha musa, eu sei muito bem que critica o meu romantismo exagerado, minhas inspirações e essa loucura aparente. Mas eu preciso ser espontâneo, soltar-me e fazer disso o sentido da vida, ainda sabendo que considera os meus pensamentos como atos desprezíveis. Não preciso mais do que uma vírgula para continuar a minha busca e me sentir muito bem assim. E não me lembro, depois disso que contei aqui, que algum dia nos últimos tempos tenha me sentido tão bem como nesse momento. Acho que estava precisando de um maluco, aliás, vários malucos que mexessem com a minha emoção de um jeito diferente. Que me ensinassem pequenas coisas simples que nunca parara antes para observar. Estava a todo instante envolvido numa situação que me fazia aprender como desanuviar a cabeça, inclusive próximo da hora de dormir. Fiquei literalmente comovido com todo esse cenário, onde eu já não era mais aquele rejeitado e infeliz dos nossos velhos tempos. O seu fantasma estava me abandonando aos poucos. A minha autoestima fora lustrada.Finalmente caí em mim, e quando me imagino criticando você novamente por suas atitudes, ou a colocando como vitima de um sistema de criação, num ímpeto inesperado, volto e vejo que nunca fui muito diferente disso que critiquei em você. Nunca entendi que pensamentos tão simples poderiam ser tão reveladores. Passei muito tempo me apegando em ideias complexas que nunca revelavam a fundo à origem dos meus problemas. Sonhei a vida toda em ser uma pessoa feliz, mas me tornei insuportável – assim como você. Tentei viver uma vida diferente da que meu pai viveu, mas acabei sendo uma cópia de tudo o que detestava nele – novamente, assim como você. Desejei, do fundo do coração, ser uma pessoa mais comunicativa e festeira que a minha mãe, mas, infelizmente recebi em transferência todos os seus medos e amarguras – comportamento idêntico e comprovado ao seu. Nunca lamentei o que perdi na tentativa de cultivar novos sonhos. Não me sentia digno em ter sonhos que não pudesse realizar. Jamais poderia comprometer a reputação que tinha no meio dos meus amigos e familiares, submetendo-me a riscos desnecessários. Os meus riscos eram meticulosamente medidos.
     Houve um tempo em que fiquei vazio por dentro, não tinha novas ideias e as antigas não funcionavam como o esperado. Veio nessa seqüência a faixa de tempo que jamais gostaria de lembrar outra vez, e depois de todo escândalo acontecido, eu queria me esconder sem dar notícias, virar a página de uma só vez e nunca mais pensar na dor que tudo aquilo causou. Ou simplesmente me desligar da tola frustração que me emburreceu até o final – assim como aconteceu a você.

Novamente me despeço desejando que Deus esteja ao seu lado.

Do seu admirador.

Re.

9 comentários:

  1. Vejo que esse capítulo Re. relata ainda sua dor e saudade de sua amada mesmo estando 2 anos longe e sem comunicação,isso demonstra a sua agonia e tristeza. No camping com os amigos Re. teve várias experiências que o ajudou a entender e aceitar o episódio com Miss C,querendo ou não é a vida não temos controle sobre o nosso destino. Se reencontrou com uma "amiga especial" Nina uma mulher exótica dançarina de música cigana e pra seu espanto admirava ele e passaram a noite juntos,isso ajudou a ter um pouco de consolo e auto-estima,mesmo com a noite de prazer e sexo fez lembrar se sua amada.
    Sei lá a pior coisa que tem é ir pra cama e pensar em outra (o),mesmo que Nina fosse pra cama com todos,acho sem sentido isso,mas enfim cada qual com o modo de pensar e agir.
    Re. precisa se libertar disso,tirar esse fantasmas seguir em frente e não se tornar um homem frio e vazio como Miss C.Mesmo criticando a família dela ele queria fazer parte da família queria ter se casado.Com todo o dinheiro que tem não são felizes são "mortos em sentimentos".Até.

    ResponderExcluir
  2. Nossa que vida vazia do admirador seu autor!!!! Depois do rompimento com Miss C, se entregou a pura nostalgia da sua própria dor, sem se importar entre o certo ou errado atirando pra todos os lados, buscando respostas que são nítidas,pena que ele não queira enxergar ao meu ver.
    O bom desse conto que reencontrou amigos, que de algum modo ajudaram a ver que tinha que aceitar o final do namoro,mesmo ele gostando demais dela e sofrendo. Agora pra ele tanto faz sentir amor de novo por alguém,por medo até compreensível. Mas fazer sexo por prazer me parece frio e distante, desculpe mas pra isso tem que ter afeto e afinidade, nem todos pensam assim infelizmente.
    Espero que Re. não vire igual Miss C, usando as pessoas e descartando como se fossem objetos.Abraços. Adriana.

    ResponderExcluir
  3. EITA NÓS!!!!! QUE LOUCURA ESSA VIDA DO RE. NESSA CAMINHADA DO SEU DESESPERO POR UMA SOLUÇÃO A TANTAS LOUCURAS QUE PASSOU AO LADO DE SUA MUSA, ELE TEM FINALMENTE UM RECOMPENSA UMA AMIGA NINA QUE O ADMIRAVA E DESEJAVA TAMBÉM. E FOI UMA NOITE E TANTO HEIN!!!!
    DEIXOU NÓS LEITORAS CURIOSAS,SRSRSRSR. NEM SABIA QUE EXISTIA ESSES LANCES. PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  4. Patricia Ramos Sodero9 de fevereiro de 2013 21:13

    Acredito que,a cada episódio que nosso protagonista vive,sem sombra de dúvidas,é um passo em sua evolução espiritual,em seu entendimento íntimo.Seus amigos estão sendo muito importantes,pois,cada um deles,têm lhe dado ajuda,conforme a experiência que possuem de vida.Nesse momento,mais uma vez,é relembrado o quanto Zé Louco se preocupa em ver o Re bem.Através dele,conhece o casal Billy e Nina.Ele,um "boy" metido a besta,que só queria se mostrar,por estar ao lado de uma moça linda,dançarina típica da região em que nasceu,e que,com todo seu encanto e sensualidade,após um acidente tido com Billy,se encanta ainda mais com Re.Após longas viagens feitas por Nina,o "boy",sem seu "apoio",vira completamente sua vida.Homem fraco.O suficiente para que acontecesse o esperado:Nina procura Re,para viverem momentos intensos e importantes para ambos.Para ele,o reconhecimento como HOMEM,que nunca teve nem de sua musa,nem de sua família....Para ela,mais uma experiência,tendo em vista que,o sexo,ao seu ver,era uma forma de bem estar,e não envolvimento particular,por mais que falassem ou criticassem.Para finalizar,Re faz na carta mostrada,um "deboche" com a figura de Miss C,dizendo que,nem o mais pobre dos homens,ia querer um compromisso sério,com uma pessoa que só aprendeu a ser arrogante,em meio à sua família,que também era igual.
    Mais um capítulo de reflexão,Sr.Autor,para pensarmos o valor que tem as pessoas que passam por nossas vidas.
    Adorei....lindo mesmo! Parabéns e aguardo os próximos capítulos,com ansiedade.
    Bjs e até.

    ResponderExcluir
  5. Pelo visto esse reencontro com velhos amigos abriu novas perspectivas, para que Re consiga finalmente por um ponto final nesse relacionamento tão pernicioso, que praticamente aniquilou com sua autoestima. E ele achando que nada mais aconteceria naquele dia tão cheio de loucuras e novas descobertas, que lhe trouxeram alívio para a alma, eis que mais uma vez surge Zé Louco, trazendo a ele a chance de uma experiência renovadora, agora para seu corpo, completando o círculo de alma e corpo em verdadeira sintonia, acho que agora ele irá encontrar o que realmente procura na caverna dos morcegos e seguir adiante com sua vida.
    E por fim ele mesmo reconhece que não era melhor que sua Miss C, que cometera os mesmos erros que ela e isso tudo para manter as aparências diante da família e amigos, que mesmo de forma diferente da dela, que tratava a vida e as pessoas como inimigas, ele também tentava se vingar da forma como fora criado. Acho que é o que todos nós procuramos fazer, seguir caminhos e ter atitudes diferentes das de nossos pais, achando que sabemos muito mais que eles e por fim, descobrimos que nem sempre isso é possível.
    Fica a pergunta: qual crime ele terá cometido, além de amar essa mulher mais que a ele mesmo?
    Mais um ótimo texto Renato. Parabéns!!

    ResponderExcluir
  6. O ADMIRADOR RE. CONTINUA NAS SUAS "AVENTURAS', INDO PRA ONDE NÃO SEI...MEIO QUE PERDIDO NOS DEVANEIOS DE ILUSÕES SEXO E ROCK IN ROLL SÓ LOUCURAS. A QUE PONTO CHEGA O SER HUMANO FAZER POR FAZER E TANTO FAZ. ESQUECENDO O MAIS IMPORTANTE CURAR-SE PRIMEIRO.
    ESPERO QUE QUANDO CHEGAR A CAVERNA DO MORCEGO TENHA UMA "LUZ" E VOLTE AO SEU NORMAL E ENTERRE ESSA MULHER DE VEZ DA CABEÇA E DO SEU CORAÇÃO. WAL.

    ResponderExcluir
  7. Olha se crítica ajudasse Re. já estaria curado e quem sabe já casado com outra!! O fato é quem está passando ou passou na pele é ele e nada melhor procurar ajuda do seu jeito, já que sua família o internou e não teve sucesso só piorou fugiu de casa como fosse um adolescente desesperado e perdido na sua dor e solidão. Não estou querendo justificá-lo mas cada qual busca sua ajuda conforme aceita e foi isso que aconteceu, reencontrou grandes amigos que quando soube apenas mostrou caminhos pra que Re. entendesse melhor da sua tão traumática relação com Miss C.
    É seu autor quem já passou por isso e quase pirou por alguém, sabe angústia que dá, passando dias, semanas, meses e anos sem compreender o porque ter sido "usado" por uma mulher que aparentemente indefesa e solitária que terrível engano. Aposto muito que Re. vai se achar de novo e voltar a ser um homem feliz e quem sabe se apaixonar de novo, pois viver só ninguém merece concorda!!!
    Quero parabenizá-lo belíssimo conto, muito emocionante com partes revoltantes também, mas mostrando a realidade desse mundo onde têm várias pessoas com personalidades e caráter que só com o tempo mostra infelizmente! Abraços. Carol.

    ResponderExcluir
  8. Muitas vezes, qdo amam demais, as pessoas veem situações q não existem ou torcem para q aconteçam, mesmo tendo consciência de sua impossibilidade. O mesmo aconteceu com Re q, apesar do sofrimento, por várias vezes delira, torcendo por um reprease com happy end para seu envolvimento com Miss C.
    Os dias passados no camping, os amigos q encontrou, as conversas q fluíram, as explosões de êxtase, cada momento teve um significado especial para q Re fosse clareando sua memória, reorganizando sua mente, redimensionando seu caminho e resgatando sua dignidade e auto estima. Ele passa por um difícil duelo entre o desejo e a constatação de uma realidade em q as posições se invertem, o mocinho descobre q é bandido e q o vilão tbem é vítima da história...
    É um processo doloroso, porém necessário para q ele estabeleça um ponto-limite entre o desejo e a realidade e assim possa encontrar o verdadeiro caminho a seguir!
    Vejo q esta foi uma bela introdução para as tão esperadas revelações!
    Parabéns, Renato! Vc sabe deixar suas leitoras cada vez mais ansiosas pelo próximo capítulo... BJSSS - Edneia

    ResponderExcluir
  9. Re, com o auxilio dos amigos, começa a se sentir mais seguro e já consegue "caminhar"sozinho, sem o apoio da muleta - lembranças do relacionamento doente com Miss C.Ainda lembra dos momentos que passaram juntos, só que agora sem se lamentar com a separação e sim refletindo sobre o ocorrido de maneira racional,apresentando maturidade emocional.O envolvimento com Nina fez com que sua autoestima ficasse elevada se sentindo mais confiante e pronto para sacudir a poeira e dar a volta por cima.

    Um abraço.
    Simone

    ResponderExcluir