sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dear Miss C Part 12

   Dear Miss C.
  Olhando esse passado do prisma em que estou agora, tudo parece muito cômodo e aparentemente tranqüilo. Os meus dias têm sido arrastados. A vida mantida num tom de cinza. Bem diferente daquele tempo em que estávamos juntos e lembro aqui com transparência. Novamente respiro fundo para um mergulho nos fatos anteriores à tragédia que marcou nossas vidas para sempre.
      A caminhada debaixo do sol - cada vez mais no meio do céu - é árdua. Estou suando em bicas. Praticamente me arrasto pelo acostamento da estrada que vai até o local onde os motociclistas se reúnem para acampar. A placa na estrada indica que faltam três quilômetros. Motos e mais motos passam em alta velocidade deitando em cada curva.
O telefone chama sem parar; cheguei num lugar alto onde o sinal é forte. É o número de casa.
- Alô...
- Re... É você?
- Sim, mãe.
- Filho, volta para casa. Estamos preocupados. Onde você está? Nem levou os remédios que precisa tomar de quatro em quatro horas.
- Mãe. Estou numa missão. Preciso encontrar o lugar onde estão as respostas dessa vida.
- Diga onde está que iremos buscá-lo. Você precisa continuar o tratamento que o médico indicou. Se parar é pior. Volta filho.
- Mãe. Não posso.
- Você ainda está pensando naquela vadia riquinha que não lhe dava a mínima? Ela que o fez ficar assim, não é? Está fazendo isso por ela... Eu sei bem como você é. Teimoso como uma mula. Igualzinho ao seu pai. Você não continua escrevendo as cartas, continua? A minha agenda novinha sumiu. Ela está com você?
- Mãe, não fale assim dela. É feio tratar as pessoas desse jeito. A agenda está comigo, sim. Mas não escrevi nada.
- Filho, aquela bisca não vale nada, você sabe disso. Deixa perguntar uma coisa: de vez em quando aparecem umas ligações esquisitas aqui no telefone de casa. Número não identificado. Vou correndo atender pensando que são notícias suas, mas quando atendo a pessoa do outro lado desliga. Aconteceu ontem na parte da tarde e uma vez na manhã de hoje. Você sabe alguma coisa sobre isso?
- Não, mãe. Eu nem imagino quem seja. Como estão os meus meninos e as esposas deles?
- Ah, filho. Eles estão tão preocupados com você. O mais novo queria ir até à delegacia de polícia registrar queixa de desaparecimento. Eu não deixei. Ele acabou ficando de bico comigo por isso. Volte para casa! Faça isso por sua mãe. Estamos muito tristes, sem saber o que fazer. Você nem levou agasalho de frio.
- Mãe... Não se preocupe, por favor. Eu sei o que estou fazendo. Quando tudo terminar eu voltarei, pode acreditar.
- Ah, meu filho... Você é praticamente tudo o que restou desde que o seu pai morreu. Eu me sinto muito mais segura quando estamos juntos. Venha logo para casa.
- Você diz isso agora... Eu vi a ambulância e os enfermeiros chegando para me levar. Você ia me internar de novo.
- Era só por uns dias, filho. Era para o seu bem.
- Está bem mãe. Fique tranquila  Assim que eu puder ligarei para vocês. Diga a todos que estou legal. Agora vou desligar. Tchau. Beijos.
     Os três quilômetros pareceram trinta. Finalmente cheguei na cachoeira da porteira preta. Deparei-me com uma turma de rapazes montando o palco na beira de um pequeno córrego. Do outro lado, a área de camping onde os campistas puxavam e enfiavam varetas nas lonas das barracas. Bem de frente, um bar onde alguns motociclistas vestidos em jeans surrados, coletes de couro e botas tipo coturno, comemoravam com cerveja e mortadela fatiada. Sabe, Miss C? Eu não reconheci ninguém daquela turma. Estou me referindo ao tempo que acampávamos com o pessoal desse estilo e todos nos recebiam com muita alegria.
    Fui até ao balcão pedir sanduíche de pernil com uma latinha de coca-cola. Foi quando senti dois dedos me cutucando nas costas, bem no meio das costelas. Sabe quem era, minha musa? Era Tom. O velho amigo do tempo dos nossos acampamentos. Tom estava com a sua namorada inseparável: Nanda. Ah, Miss C, você nunca se interessou muito em saber dos meus amigos, por isso vou te contar alguns detalhes que nunca soube: esses dois sempre foram meus parceiros desde os tempos que comecei a gostar de me aventurar por cidades diferentes, isso antes de conhecer você. Nanda é do tipo espevitada que não para um minuto no mesmo lugar. Filha de um diplomata americano com uma representante da elite Argentina. Nanda nasceu em Buenos Aires e veio bem novinha para o Brasil. Ela mora com os pais nas proximidades da Avenida Paulista, um prédio muito luxuoso onde tive o prazer de ir uma vez. A avó mora em Nova Iorque para onde ela viaja pelo menos duas vezes por ano. Coitada dessa minha amiga... Quando na época da copa do mundo de futebol, ela desfilava pelo meio do camping vestindo a camiseta da Argentina; pulava e gritava gol toda hora, mesmo quando não era gol. Dava um show de entusiasmo e gafes engraçadas. Ela fez psicologia por dois anos na Puc, mas acabou desistindo. Depois concluiu em designer de moda pela Anhembi Morumbi. O que deu grande orgulho ao velho diplomata. O homem odeia Hitler pela perseguição aos judeus e maçons. Certa vez ela me convidou para um almoço no domingo junto de sua família. Adorei! Um povo hospitaleiro que me deixou tão surpreendido que logo a timidez natural foi embora. Com essas pessoas gentis me senti completamente à vontade. O diplomata, senhor Smith, conversava comigo como se já me conhecesse há anos. Falava do tempo da segunda guerra mundial e da guerra fria, das perseguições dos nazistas aos maçons alemães e da literatura maçônica queimada em várias bibliotecas daquele país, também da pilhagem desse material cultural na França, Holanda, Bélgica e Noruega. (Ah, minha musa, que contradição sobre ética e censura a sua família vive agora, não é mesmo?). Sr. Smith deu mostras de não gostar muito dos comunistas. Praticamente desfilou todas teorias de conspiração e textos de Lênin que achava controversos. Também ouvi dele trechos de Goethe que nunca ouvira falar. Nossa! Que homem culto, educado e sociável. Falava do futuro genro com orgulho; dizia que a filha escolhera o homem certo para compreende-la e acompanha-la. Foram horas agradabilíssimas que passaram tão rapidamente que nem dava vontade de ir embora. Mas a boa educação reza que é melhor partir antes que abram a porta e te chutem para fora – o que jamais aconteceria nessa família, imaginando a educação e respeito dessas pessoas pelo seu semelhante – fui embora com um gostinho de “quero mais”. Infelizmente a vida tomou outros rumos e pouco vi Nanda e Tom depois dessa ocasião. Ah... O meu amigo Tom veio de uma pequena cidade do estado de Alagoas. Sua família vive lá até hoje onde arrendaram um pequeno pedaço de terra de onde tiram o sustento com a agricultura e a criação de algumas cabeças de gado. Tom não se formou em nada. Pouco estudou, pois trabalhou desde os sete anos na lavoura, mas gostava de música e aprendeu tocar violão e bateria. Ele é grande fã de Ronnie James Dio.
- E aí Re? Você sumiu... O que houve? Por que desistiu de acampar com a gente todo final de semana?
- Nossa! Que alegria em encontrar você aqui. Onde está Nanda?
- Ela está terminando de montar a nossa barraca. Perdi a paciência com aquelas varetas que não se encaixam. Mas, então... O que aconteceu com você? Cadê a namorada?
- A gente terminou. Faz um bom tempo. Mais de dois anos. Brigamos e nunca mais nos falamos.
- Como o tempo passa e a gente nem percebe, já foram dois anos? Caramba!
- E vocês já se casaram?
- Sim, sim. Como sabe? A gente se casou alguns meses depois que perdemos contato com você.
- Eu imaginei isso. Vocês sempre foram ligados um ao outro.
- Venha ficar com a gente. Monte a sua barraca lá ao lado da nossa.
- Putz, Tom... Não vai dar. Estou só de passagem por aqui. Para falar a verdade nem trouxe barraca.
- Para onde está indo?
- Vou para a caverna dos morcegos no meio da serra. Certa vez, quando eu tinha vinte anos, explorei esse lugar. Achei o máximo porque tem tudo o que uma pessoa precisa para sobreviver. A mata é sortida de frutas de todo tipo, no rio é fácil pescar, os peixes nadam bem na superfície; dá até para pegar com a mão ou com um chapéu se você for esperto. É um lugar isolado onde ninguém incomoda. A caverna é escura na entrada, mas no fundo, uns dez metros adiante, há um vão no teto por onde entra sol praticamente o dia inteiro. Olhando para cima parece ter uns vinte metros ou mais. É sequinha em algumas partes escondidas por debaixo da pedra, principalmente onde não tem bosta de morcego no chão. Essa é a lembrança que tenho daquele local depois de mais de vinte e tantos anos. Espero que esteja igual ou bem parecido com o que era. Quero ficar lá pelo menos uns dois ou três dias para colocar o pensamento em ordem. Estou estressado e com decisões importantes que podem mudar a minha vida.
- Terminou o lanche? Vamos até lá que Nanda ficará feliz em vê-lo.
    Mal demos cinco passos e Nanda aparece pulando em nossa frente. Ela dá um salto no meu pescoço quase me dobrando até o chão. Dá um beijo demorado no rosto e continua pendurada praticamente destroncando a coluna. Eu a seguro pela cintura e ponho os seus pés no chão. Ela segura o meu rosto e olha firme dentro dos olhos:
- Cara! Quanta saudade a gente tem de você. Por que você sumiu sem avisar? Tanta gente me pergunta o que aconteceu com você. Onde se enfiou? Recebeu os torpedos que mandei nas datas do seu aniversário, natal e ano novo?
- Recebi sim, um bom tempo depois. Fico muito feliz por tanta gente gostar de mim desse jeito. Eu não pude responder na ocasião porque estava num lugar onde não podia levar o celular.
- E a namorada? Ela veio com você?
- Não namoramos mais.
- Caracas! Finalmente! Ninguém merece passar pelo que ela fazia com você. Ainda lembro como hoje aquela vez lá em São Vicente quando ela aprontou.
- É mesmo. Aquilo foi demais, mas... Puxa vida... Eu gostava tanto dela que não sabia como contornar certas situações.
- O Tom nem ficou sabendo direito da história. Conte para ele como foi. Você não se importa em lembrar disso agora, não é?
- Claro que não. Já passou. Você quer mesmo ouvir isso Tom? Está com saco para saber de pecuinhas de casal? Quero sim. A Nanda nunca soube me contar direito tudo o que aconteceu, agora acabei ficando curioso.
- Certo! Foi assim: você se lembra que naquele final de semana chovia muito. Quando chegamos na sexta-feira no fim da tarde para montar a barraca havia dado uma estiada. O solo estava encharcado e fomos obrigados a pegar pedaços de madeira, ripas largas e tábuas de andaime; tudo que desse para forrar o chão no tamanho certo de montar a barraca em cima. Íamos dormir praticamente com a umidade subindo do chão umedecendo o colchão. Nesse meio tempo, em que eu encaixava tudo, a moça foi tomar banho no chuveiro quente destinado aos acampados. Ela deixou a sua mala marrom, imitação de couro, e uma blusinha de frio pendurada na única cadeira que tínhamos para sentar. Com medo que a blusa escorregasse da cadeira e caísse no chão enlameado, eu, delicadamente, dobrei em duas partes e enfiei dentro da mala. Quando ela retornou notou que a blusa não estava no lugar que deixara. Imediatamente eu disse que havia guardado para não sujar. Então, numa explosão de fúria exclamou: “Eu não te autorizei a mexer nas minhas coisas. Você amassou toda a minha blusa. Não dou o direito que abra a minha bolsa e mexa nas minhas coisas!”. Então saiu pisando duro pelo meio do camping, quando eu disse: “Por que está tão irritada por bobagem? Tem alguma coisa para esconder ali dentro?”. Nesse momento ela virou-se e mostrou o dedo do meio no tradicional gesto obsceno de “vai se foder” e continuou pisando duro, agora se dirigindo para fora do camping. Fui atrás pedindo que voltasse, mas ela não me deu ouvidos. Pois bem. Algumas horas depois ela voltou. Eu deixei a arrumação do jeito que estava no começo. Ela vendo que nada havia sido feito pediu as chaves do carro. Disse que iria descansar e quando eu terminasse a chamasse para dormir comigo. Dei as chaves e ela foi. Muito contrariado por ter sido ofendido, continuei a arrumação para que tivéssemos algum conforto. Ao terminar, enchi o colchão inflável, estiquei o lençol, puxei o zíper da barraca e deitei. Ela ficou no carro. O dia clareou. Eram oito e meia da manhã e o sol já estava estorricando. O carro estava no mesmo lugar e completamente fechado, vidros levantados. Fui ao banheiro escovar os dentes e encontrei Nanda na volta. Convidei-a para irmos até a padaria mais próxima, distante quatro quarteirões. No caminho contei o que havia acontecido. Chegando na padoca, pedimos café e pão com manteiga e em seguida sentamos numa mureta do lado de fora. Ali abri o meu coração para Nanda. Chorei de raiva pelo que a moça vinha constantemente fazendo. Se fosse essa a primeira vez, tudo bem... Mas não... Tudo estava piorando. A minha pressão arterial caiu. Fiquei mal, muito mal. Nem conseguia beber o café. Diante da minha total impotência, o conselho que ela me deu foi que eu deveria desistir. Mas isso eu já sabia e não queria acreditar. Quando eu me recuperei e voltamos ao camping, já eram dez horas e o carro continuava fechado debaixo do sol quente. Decidi não me aproximar. O tempo passou. Já era quase meio dia quando a moça resolveu dar o ar da graça. Veio até mim e perguntou: “Por que você não foi buscar?”, eu respondi: “Porque você não merecia”. Desse dia em diante entendi que não podia mais me submeter aos caprichos e chantagens emocionais dela. Ao voltarmos para São Paulo, ela ficou quinze dias sem qualquer contato comigo. Quando eu ligava não atendia, se mandava e-mail: nada, se entrava no msn: nada também. Um belo dia ela apareceu no msn e disse: “Oi”, eu disse: “Oi”. Era como se nada tivesse acontecido e tivéssemos que começar do zero outra vez. Tudo era muito natural para ela quando tinha o domínio da situação. Foi assim que tudo aconteceu.
- Olha Re, nem sei o que dizer. Não pensei que fosse tão grave. Que mulherzinha complicada e mal educada! Ainda bem que ela não faz mais parte da sua vida. Logo você arruma alguém que vai valer a pena.
- Obrigado Tom. Espero que sim. Deus te ouça.
    Nanda arremata:
- Até hoje não compreendo o que você viu nela. Ela nunca valorizou o seu talento e esforço. Nunca te apoiou ou incentivou em nada. Nunca fez crítica construtiva ou qualquer palavra que lhe pusesse para cima. O esforço dela era baseado nos interesses que ela tinha em se manter fora de casa depois de brigar com todo mundo. Mas você é tão persistente e teimoso que nunca percebeu que ela te usava, que mentia e manipulava. Eu nunca gostei de ver a forma como ela te tratava. Aquilo de sair mostrando o dedo no meio de todos os nossos amigos foi ridículo, tanto para ela quanto para você também. Não adiantava falar nada naquele tempo. Você não ouvia a gente. Ela era uma pessoa sem senso de respeito, responsabilidade e compromisso - a ideia de compromisso fazia com que ela sentisse arrepios -, no nosso ambiente ela estava livre das pressões da família que exigia disciplina; a desordem de caráter dela é bem aparente no comportamento - aprendi a observar esse detalhe nas pessoas quando fiz psicologia. Você se deixou envolver pela ilusão do sexo fácil, bom e relaxante; mas sexo não é amor, e os homens entendem melhor disso que algumas mulheres. Ela se comportou com você como homem, e você foi perceber isso tarde demais. Um dia você me disse que as principais reclamações dela eram por solidão e isolamento, mas que mesmo se julgando muito inteligente não conseguia se sentir popular. Veja bem: ela se sentia culpada por ser assim e descontava em quem não tinha nada a ver com o motivo que a levava a tudo isso. Ela sempre será indecisa, sem poder de escolha e nunca, nunca mesmo admitirá estar errada. Eu lembro bem que toda vez que você a convidava para um passeio fora das viagens ela respondia: “eu vou ver”, “se der eu vou”, “preciso me programar” e assim por diante. Isso demonstra que ela não se considerava dona da própria vontade. Todas suas ações estavam relacionadas com situações que implicassem a influência de outras pessoas. Se ela não precisasse atender outros compromissos - mesmo que insignificantes - “talvez” ela saísse com você. Ela jamais conseguira distinguir as maiores responsabilidades das menores, ou as responsabilidades dela mesma e do mundo. Só com o amadurecimento ela poderia ganhar esse discernimento, estou me referindo ao amadurecimento emocional, entende? Sem esse amadurecer ela continuará estragando a própria vida e a vida dos outros. Justamente porque quando algo não atender aos seus desejos mais caprichosos, com certeza, a culpa será do outro e nunca dela mesma. Ela tem um problema, você teve um problema enquanto esteve com ela. Todos que a cercam têm um problema agora. Isso é contagioso. O mau humor desse tipo de pessoa contamina o ambiente deixando a vida escura e sem perspectiva. Ela nunca parará para avaliar a dor e as conseqüências desse comportamento nos outros.
- Eita nóis... Você está inspirada hoje. Tudo isso é alegria pelo nosso reencontro? Acho que deveria concluir o curso de psicologia logo.
- Eu fiquei revoltada com a situação. Por tudo que me contou. Pensei nisso durante meses, tentando entender o comportamento dela. E quanto mais eu tentava entender menos chegava a qualquer conclusão. Ela tinha o prazer sádico de ver você implorando para que ela voltasse e, por um tempo, reconhecesse a superioridade “moral” dela. Era como se provocasse a briga e você que tivesse que pedir desculpas, então, na seqüência dos fatos, ela provaria que tinha um tipo de benevolência espontânea enquanto decidia se o recebia de volta ou não. O que era mentira. No fundo ela nunca queria ficar distante de você. Mas ela precisava provar a sua lealdade de tempos em tempos, mesmo que para isso fosse obrigada a humilha-lo publicamente. No fundo a opção de vida dela era para a vingança. Muito provavelmente foi humilhada na infância e como resultado disso cresceu desconfiando de tudo e todos. Ela passará a vida em busca de vingança porque julga que o mundo não a trata bem. Provavelmente dirá: “Todos os homens são iguais!”, ou, “Ninguém me entende”. Sempre haverá uma tendência exagerada para generalização e banalização de ações dos sentimentos comuns. Ela é do tipo que considera que submissão aos maus-tratos – o comportamento que ela esperava que você tivesse – deve ser a motivação básica da vida. Isto é, na mente dela o ódio nunca será a negação do amor e sim a afirmação dele. Então, que o outro tolere maus-tratos e ofensas, é o sacrifico esperado por ela em qualquer circunstância da vida. Pode parecer meio abjeto isso, mas é assim mesmo que funciona.
Nesse momento Tom aparta e conversa:
- Hoje você vai ficar com a gente. Vou arrumar uma barraca, um colchão de dobrar e o que mais precisar. Mais tarde vamos fazer churrasco, depois assistiremos o cover do Raul Seixas subindo ao palco. Não aceito não como resposta.
- Vou ficar por hoje. Mas amanhã continuarei a caminhada. Tem algum lugar onde posso carregar o celular e o Ipod?
- Tem sim. Atrás do bar tem um quartinho seguro onde a gente deixa nossas tralhas. Pode tomar banho lá se quiser, tem um banheirinho com ducha quente ao lado, mas cuidado que lá dentro dorme um cachorrinho aqui do camping. Ele é manso quando não pisam no rabo dele.
- Ok. Deixa comigo.

   Miss C, novamente me despeço desejando que Deus esteja presente no seu coração.
   Na próxima carta revelarei novos fatos.

   Até breve.

8 comentários:

  1. “... na mente dela o ódio nunca será a negação do amor e sim a afirmação dele”
    Começo meu comentário com este trecho do texto que me chamou muito a atenção, principalmente por saber que isso é algo pertinente em muitas das relações existentes. Muitos homens e mulheres pensam exatamente isso, que a manipulação, a indiferença, o descaso, o desprezo e a falta de respeito ao outro, o tornará dependente e submisso, tendo em vista acreditarem que são verdadeiramente amados e que nada do que fizerem levará a outra pessoa a desistir do relacionamento. Ledo engano, um dia o outro cansa, ou acorda para a realidade, acho que foi exatamente isso que aconteceu ao Re, ele finalmente se deu conta do poder destrutivo que ela lhe causava, mesmo porque, foi isso que o levou a total falta de controle de sua própria saúde mental.
    Gostei muito desse casal amigos dele, muito sábia a Nanda, achei muito interessante e razoável a análise que fez de Miss C, acho que essa é exatamente a personalidade que ela tem. Acho também que tudo teria sido diferente se Re não tivesse se isolado dos amigos e da família, que nesse capítulo me pareceram ter muito carinho por ele, ele não era um ser só, tinha pessoas que o amavam de verdade e que se importavam, mas ele se deixou levar por um falso amor e se dedicou totalmente a uma pessoa que por ele não tinha se quer o respeito que se deve ter pelo ser humano.
    Fica a pergunta: o que terá sido essa tragédia que o fez acordar e se libertar desse relacionamento que tanto mal lhe causou? Aguardemos como sempre, os próximos e esclarecedores capítulos.
    Mais uma vez, parabéns Renato, por mais esse ótimo texto!!! Bjus.

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  2. Patricia Ramos Sodero5 de janeiro de 2013 22:38

    Esse capítulo mostra nosso protagonista,Re,num semblante melhor.Ele já se interessa em atender os telefonemas,saber da mãe,de "seus meninos",procura dar notícias e dizer para que ela não se preocupe,pois está bem....só quer cumprir a missão que precisa,para depois voltar para casa.Interessante o contraste feito pelo autor, relatando a diferença de tratamento que tem na família da amiga antiga,Nanda,e seu namorado Tom,também seu grande companheiro de estradas,com a família de Miss C.Para o pai de Miss C,o que vigora,é a inteligência da pessoa,independente de ter estudo ou não....o caráter!Sr.Smith,sem sombra de dúvidas,é um mestre em assuntos morais...e isso tudo faz bem ao Re....afinal,expõe muito bem suas palavras,e agora está mostrando bem mais isso,porque "nós",leitoras,entendemos o fato dos conselhos em cartas para Miss C.Infelizmente,essa se mostra de uma forma arrogante,sem limites e escrúpulos,na frente de quem quer que seja.E o Re ainda a defende.....ai está a diferença!
    Espero que nessa caminhada ao local desejado, a Caverna dos Morcegos,ele encontre o seu verdadeiro "querer"...faça suas reflexões,no que vale a pena realmente em sua vida,e que no final, seja feito o que acha melhor para o seu VIVER...
    Amei esse capítulo,Sr. Autor...quando se fala em família e amigos,é muito bom!E nesse capítulo podemos ver o quanto o Re é querido pelos seus!
    Parabéns....um grande beijo e estou no aguardo dos próximos acontecimentos...

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  3. Vejo que temos novas revelações seu autor,me chamou atenção o fato do admirador Re. ser um homem maduro já com um passado filhos, com experiência de vida e mesmo assim cair numa armadilha de uma mulher que pelo jeito mais jovem simplesmente pelo "sexo".Isto é o que está demonstrando,porque se fosse amor de verdade por mais que estivesse sofrendo não estaria no fundo do poço.Quando amamos de verdade temos confiança,paz e não foi isso que a admirador Re. senti.Ele está preso nos momentos de intimidade que viveu com ela,porque fora isso eram dois estranhos.Ele suportava a indiferença dela,sumia e procurava quando queria pra fugir da família que era hostil e insuportável e transferia tudo ao provado e tolerante Re.Até os amigos dele ficavam admirados com a conduta dela.Uma pena que Re. largou de viver deixando de lado sua família que se preocupa tanto, sua mãe inconformada com a atitude de seu filho.
    Essa misteriosa Miss C tem um poder de destruir uma pessoa tirando seus sonhos e objetivos muito triste isso e que perdura 2 anos!!!!Nos dias de hj não existe mais o romantismo,companheirismo que eu acho fundamental num relacionamento.Um texto de muita reflexão isso nos ajuda a pensar se vale a pena se arriscar em ter uma pessoa ao nosso lado.Até.

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  4. Hum Re. continua na sua viagem,mas a pé,srsrsr????Bastante interessante onde mostra mais um pouco da personalidade de sua amada,nada agradável perante seus amigos Tom e Nanda deixou uma coisa esquisita meia que paranóica,sei lá.O que me chamou atenção foi sobre a religião maçonaria,que pra mim muito estranha meio que misteriosa por demais pouco se fala dela.Tenho pena é da mãe dele coitada,depois que Miss C entrou na vida do filho virou de pernas pro ar.Ele procura respostas mas indo pra gruta do morcego vai achar o quê lá???Por isso digo devemos ser cautelosos pra namorar,pra não dar nisso.Viver de fantasmas se esquecendo que a vida é tão curta.Ótimo texto seu blogueiro.Bjs.Ana Lú.

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  5. O TEMPO VAI PASSANDO E COM O DECORRER DOS FATOS ESTÁ FICANDO MAIS CLARO O OBJETIVO A HISTÓRIA DO RE. E SUA MISS C.COMO DIZ:NADA COMO O TEMPO PRA PERCEBER QUE O ADMIRADOR RE. ESTÁ SE ALINHANDO E SE RECOMPONDO NO SEU SOFRIMENTO,ESTÁ DESAPEGANDO DO PASSADO,MUITO BOM ISSO.MESMO QUE SUA FAMÍLIA NÃO ENTENDA PORQUE FUGIU ELE PRECISAVA DESSE AFASTAMENTO,FICAR SOZINHO SEM INTERFERÊNCIA DE NINGUÉM.NISSO ENCONTROU VELHOS AMIGOS QUE ACOLHERAM E RESPEITAM O RE.,NESSAS HORAS É O QUE MAIS PRECISAMOS APOIO MORAL UMA PALAVRA AMIGA,QUE NOS CONFORTA AJUDANDO A ENXERGAR O QUE NÃO VIA ANTES.ADOREI ESSE TEXTO,PARABÉNS!!! WAL

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  6. Dear Miss R,

    Comecei lendo do fim, algo tipico de minha personalidade quase nada ansiosa...rs
    Mas determinadas coisas são fáceis de ser entendidas pois vem da alma, saem do âmago do ser e se olhadas com mais cuidado podem dizer muito mais do que está escrito (desculpe a redundância).
    Se revelar, falar sobre a própria dualidade, dos sentimentos mais paradoxos é coisa de quem tem coragem.
    Este é o caminho mais curto para o auto conhecimento.
    Parabéns pelo excelente texto e mais do que isso, pelas reflexões da "personagem" e pela provocação das minhas quando me envolvo na leitura.

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  7. Bom saber q boas lembranças e bons amigos tbem fazem parte do passado do nosso amigo Ré! A preocupação da família é mto importante nestes momentos em q nada parece dar certo, em q os pes parecem não alcançar mais o chão e q "perdido" é a denominação q melhor se encaixa numa situação desta...
    Tom e Nanda certamente foram pssoas importantes e fundamentais, assim como sua mãe, para q ele conseguisse percorrer o arduo caminho imposto por sua Musa e chegasse ainda a tempo de dar a volta antes da impossibilidde de retorno. Eles foram seu alicerce para q permanecesse firme qdo tudo desmoronava e para q pudesse encontrar forças e se reconstruisse, catando pedaço por pedaço, remontando o quebra cabeça em q sua vida se transformara.
    Re encontrar-se numa fase da vida em q as lembranças são apenas parte de um passado sofrido em q ele tudo fez para construir um final feliz na companhia da pessoa q mais mexeu com seus sentimentos, porém em vão... Ela não soube dar o devido valor ao seu amor e dedicação e acabou por alterar o sentido q ele queria dar para seu futuro. À duras penas ele teve q renascer; como uma criança teve q aprender a caminhar novamente com suas proprias pernas; e como um herói teve q vencer uma batalha cujo inimigo era ele mesmo!...
    O q mais chama atenção nesta fase da estória é q mto tempo já se passou desde q este romance aconteceu (considerando a conversa dele com Tom em q ele fala sobre a idade q tinha qdo frequentava a Caverna dos Morcegos e os vinte anos q se passaram desde então).
    Imagino q Re deva estar já no fim da vida e um filme esteja passando em sua mente ou quem sabe ele esteja relendo o velho diário escrito durante todo esse tempo...
    Seja o q for, sei q ainda havera mtas surpresas e, como bom escritor q é, vc sabera nos impressionar no final desta estória, não é Renato? Bjsss - Edneia

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  8. Boa tarde,a vida como ela é,esse conto está nos mostrando que mais do q ficção é um exemplo de vida e superação.Vejamos o lado bom da coisa.Re. está contando seu turbulento namoro com sua amada Miss C,e que com o passar dos capítulos fica mais sereno e voltando a realidade dos fatos ocorridos.Segue sua viagem em busca de sossego e tranquilidade e no meio do caminho encontra velhos amigos que lhe dão atenção e conselho,mostrando mais um fato que até então naquela época não entendia.Não importa a idade do admirador Re. seja novo ou maduro quando nos apaixonamos viramos adolescentes de novo,e isso é maravilhoso.Devemos nos arriscar sempre.Grande abordagem seu autor,fiquei muito emocionada com seu texto. Abraços.Adriana.

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