terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Dear Miss C Part 10


                                                                             Dear Miss C

        Enquanto terminava a carta havia movimentos lá embaixo. Um entra e sai com portas batendo e burburinho de conversas soltas. Todo meu equipamento estava preparado para fuga imediata. Ouvi alguém dizendo: - A senhora precisa ir até a ambulância preencher o formulário!
        Todos foram até o portão. Aproveitei o momento, coloquei a tralha pendurada nas costas e subi escondido pelos fundos da casa até a rua de cima. Levei comigo as últimas notas de dinheiro que escondera dentro do livro – O morro dos ventos uivantes de Emily Brontë –, era pouca grana para o destino esperado, mas nunca precisei de muito para sobreviver. Subi num ônibus no terminal rodoviário que me levou para a pequena cidade de Salesópolis. O telefone celular chamava e eu não atendia. Reconhecia o número de casa, o do celular da mãe e dos parentes próximos. “Ah, minha musa, aprendi com você essa estratégia de nunca atender quem se preocupa com a gente; ou nunca dar satisfações para onde se vai”. Já era noite quando caminhei pelas ruas solitárias em busca de um abrigo; procurava um lugar onde pudesse ao menos dormir em paz. Fui andando por uma rua de chão bruto sem qualquer casa dos lados. A névoa fria começava cair enquanto um chuvisco meio gelado deixava o meu humor péssimo. Assim, a passos firmes, com a mochila dando a sensação que pesava o dobro, cada vez mais eu me embrenhava para dentro da escuridão. Os pés doíam muito quando do lado esquerdo avistei um casarão abandonado caindo aos pedaços. A trilha até a porta era de mato alto, e aquilo que eu achava que era uma porta, ao olhar mais aproximado, era apenas uma tábua velha solta, parcialmente encostada. Iluminei o caminho com a pequena lanterna que também servia como isqueiro. Fui sala adentro, com muito cuidado, até chegar no corrimão de uma escada que não existia mais. O chão de tijolo era gasto e úmido; muito sujo por enchente recente. Havia muitas folhas de papelão enrugado empilhado na parede, estiquei alguns no chão, bem no cantinho, desdobrei o pequeno colchão, mais o cobertor de campanha e, por segurança, recoloquei a tábua / porta bloqueando a entrada principal pelo lado de dentro. Era um lugar bom e protegido para ficar até de manhã. O meu objetivo era a caverna que conheci na época de adolescente; tempo em que andava em busca de aventuras com uma turma de moleques e meninas roqueiras. A fome apertava quando fui obrigado a abrir a lata de salsichas. Retirei as botas surradas que apertavam os dedos mindinhos; foi com grande alívio que pude esticar e estalar todos dedos dos pés. Eu levara comigo o ipod para distrair a mente nas horas de solidão, isso até que a bateria se esgotasse de vez (um dia coloquei uma foto sua como papel de parede dele e você me perguntou por que eu tinha feito aquilo, lembra-se? Eu disse que era para olhar o seu rosto enquanto ouvia nossa música preferida - IN MY OWN WAY (THE MARSHALL TUCKER BAND). Então, você torceu o nariz e disse que eu não deveria fazer aquilo.). Naquele ipod sempre rodava a mesma trilha sonora repetindo sem parar GUIDING LIGHT (TELEVISION), DOUBLE DARE (BAUHAUS), AIN´T NO CURE FOR LOVE (LEONARD COHEN), SURROUND OF YOUR LOVE (3–11 PORTER).  Ah, minha musa, o que aconteceu a seguir foi surpreendente. De tanto cansaço caí logo no sono e os sons que ouvia eram muito reconfortantes. Algo vagamente delicioso e ligado às nossas primeiras descobertas; momentos das únicas e definitivas verdades que conhecíamos e que libertou a mente para um desejo compartilhado. Quando, o mais importante disso tudo, nesse jeito simples de ser, entregues a nós mesmos, era que não havia limites na oportunidade de explorar cada detalhe que guardávamos em silêncio. Era sexo vivo; nossa primeira e única coisa a ser praticada e sonhada com ternura. Era algo tão novo para nós naquela forma de entrega, que não definíamos ao certo se era um sonho real ou a representação dele nos corpos se movimentando na penumbra. A derradeira coisa que sei agora, é que eu via apenas o que era vivo e se mexia, não captava a essência e o poder daquela coisa estranha que passava por dentro de nós como se estivéssemos um ligado ao outro pela eternidade. Não havia sangue, nem de menstruação e nem de ferimento, apenas um rastro marcado lá em casa, não havia mais vida porque estava tudo se coagulando e tornando-se uma geleia  uma massa estranha e disforme fazendo aos poucos uma consistência rústica por dentro e por fora. Não havia nada além de nada naquela normalidade. Apenas a sabedoria de alguém que deveria reconhecer os perigos de enraizar-se nesses momentos, esperando daquele ato um significado perpétuo do milagre nunca alcançado. Na minha trilha sonora não havia comfortably numb (Pink Floyd), mas eu a ouvia como música de fundo sobre as outras, e tudo misturado. “Hello can you hear me? Hello is there anybody in there? Just a little pin prick.... ahhhhhh. There is no pain you are receding....
Do I, Do I?                         I dare you
belong to the night?          To touch a flickering flame
Only only                           The pangs of dark delight
Only tonight.                      Don´t cower in night fright
All the ladies                      Don´t back away just yet
Stay inside.                        From destinations set
Time may freeze,     I dare you to speak of your despise
A world could cry.             I dare
  Ah Miss C, tudo andava tão complicado na minha mente naquele tempo. Eram imagens do céu e estrelas em confronto com a escuridão que me rodeava. As galáxias se chocavam nos princípios do meu eclipse notívago momentâneo e sublime; era a pura distração nostálgica dos nossos tempos. Essas imagens não eram tão comuns e nem mais uma história aventuresca sem sentido óbvio. A única e verdadeira música que escutava era da sua voz pedindo mais, mais, mais... Chovia lá fora, nós ali juntinhos dentro do carro; nus e disposto ao confronto do prazer. Ao redor barracas de camping com capas de chuva movimentas pelo vento feito bandeiras e bandeirolas, os vidros embaçados do carro eram como cortinas dos nossos movimentos. Sexo... Fúria, loucura e paixão. Corpos nus rolando e batendo nos cantos... Molas rangendo, chuva batucando no teto ao ritmo da nova dança. O suor descia no ambiente que esquentava cada vez mais; suas pernas se entrelaçavam sobre a minha cintura e era o céu. Você me puxava mais forte para dentro, cada vez mais dentro e fundo, cada vez mais os corpos apertados e grudados um no outro como as duas faces de um velcro. E quando suas pernas afrouxavam e eu subia, saía de dentro... Ficava de joelhos para você chupar e lamber todo o seu líquido que ficara impregnado em mim. Segurando com a ponta dos dedos, muito carinhosamente, com a pontinha da língua tocando na mistura da nossa essência. Em seguida, incontrolavelmente, me punha de novo entre suas pernas, erguia a pélvis me agarrando com as duas mãos pela cintura. Enquanto eu ia rápido você dizia: - Eu gosto mais devagar e depois mais rápido. Assim, assim, assim... Isso... Força! Mais força!
    A chuva não parava; raios, trovões e ventania. Nos corpos nus vergões cada vez mais avermelhados no aperto interminável. De novo mudando de posição. Agora você vindo por cima. Eu: o seu cavalo de raça. Um animal que pode ter a elegância olímpica ou a eloquência selvagem; você: a domadora no momento decidindo como querer. Nos seus movimentos o instinto da natureza e a graça do prazer. Enquanto as coxas vão num sobe e desce, o seu olhar em busca do infinito; como se fosse aquele momento da consagração da vida eterna no céu e na terra. A nossa poesia não foi escrita e nem declamada, foi feita de imagens silenciosas nas impressionantes atuações. Na verdade tudo aquilo faria mais sentido quando visto em várias dimensões; de onde se pudesse movimentar os ângulos e as energias atemporais que comandavam o nosso desejo. Ahhh Miss C, a graça que citei passou a ser negada por você no momento seguinte. Tudo novamente caminhava em torno do mesmo propósito apoteótico de renegar o amor para alcançar a felicidade. O nosso tempo natural era o nosso tempo sem fim na entrega dos corpos e dos carinhos que poderiam ser perfeitos - único lugar onde nos encontrávamos reconciliados e preenchidos pela dança da esperança de um novo alvorecer. A fé e a vida numa eterna dualidade que se movia por sinais divinos do mundo que criamos. Projetos humanos e intuições poéticas preenchiam o momento em que Deus esteve presente em nossos pensamentos. E a visão de Deus profetizou o apocalipse dos nossos sonhos na eternidade. Então fomos levados para transcendência de um tempo que jamais compreenderemos; porque ir além da lógica nos atingia diretamente a alma em trânsito. Nonsense absoluto em seus atos, minha musa. A sua origem cristã nunca compreendeu a verdade do caminho da graça e do perdão. Você novamente me foi revelada de forma consciente e sutil nos sonhos; reconheci sua presença na sombra oculta da vaidade humana e no verdadeiro significado do paradigma da vida. Veja só como eram as coisas:
    - Re. Estou aqui. Olhe para mim. Sinta o meu corpo tremendo. Reeeee. Toque em mim e aperte. Alise o meu sexo como se fosse o veludo mais macio (Reeee... Eu odeio o barulho de roçar veludo). Aperta mais forte! Coloque o dedo em forma de gancho... Assim, assim... Isso... Mais para cima, toque mais em cima. Não pare! Passe o dedo nos meus lábios... Quero um beijo... Um beijo longo... Eu gosto do cheiro do sexo... Reee, eu vejo a cavalaria chegando. A chuva nunca pára... Isso... Toque o bico do meu peito... Aperte sem machucar... Estou molhada por dentro e por fora; é êxtase e tesão... Venha mais uma vez, quero te travar dentro de mim como uma cadela no cio... Assim... Mais um pouco... Vou fechar as pernas... Eu te machuco? Diga se apertar ... Agora. Assim, assim, mexe devagar para não sair... Mais um pouco... Força! As minhas coxas te apertam agora? “Ele” desliza bem sem sair de dentro? Quer que eu abra as pernas só um pouquinho? Hummmm que delícia!!! Eu quero... Por favor, pare agora... Fique quietinho por um instante. Não se mexa. O meu céu está repleto de fogos de artifício e estrelas cadentes. Estou numa viagem onde se vê o sol numa planície além do mar e todo o cosmo. Não existem mais fronteiras, nem razão para o sofrimento, apenas a razão em si norteia minhas sensações. Eu sou sua agora, meu amor!  
    Minha musa, minha musa...Você mentiu, iludiu... Transformou o meu arroubo poético nunca coisa irregular, descontínua e incapaz de ser levada adiante. Ignorou que a necessidade de vivência poderia ser o maior símbolo do nosso sucesso, você negou a tudo com o seu rigor extemporâneo.
      Ah Miss C, não há nada aqui que já não saiba, mas minhas palavras podem ajuda-la um dia - mesmo depois da pior cena que nos envolveu separando nossas vidas como em uma tragédia. Eu fui assim... Segui assim e me tornei o que sou diante da sua imagem distorcida. Caminhei na lembrança de estradas, ruas e parques floridos. Viajei pela marginal Tietê, Edgar Facó, Casa Verde e Imirim. Segui tantas vezes pela avenida engenheiro Caetano Álvares rumo ao horto florestal - a Serra da Cantareira e seus bares de namorados no meio da mata. E o trânsito da Zaki Narchi e Cruzeiro do sul? Eu queria tanto chegar perto de Guarulhos no horário marcado... O metrô e suas estações... A última estação era o seu pecado... Eu andei no bairro Jaçanã, Vila Galvão, cheguei até a Fernão Dias. A prima da minha mãe morava no largo Jaçanã, pertinho da rua da feira de domingo. Eu fui e voltei pela Dutra, passei na Marechal Tito, no largo de São Miguel e segui até o Itaim. Eu vi a faculdade lá no alto do morro. Eu voltei e caí de novo na serra da Cantareira de onde avistei a avenida Paulista e suas torres piscando sem parar. Ah, minha adorável Miss C, com você eu vi caminhos que levavam para norte, sul, leste e oeste. Eu vi ônibus e carretas passando ao nosso lado, eu vi estradas desertas e curvas audaciosas no escuro da noite. Eu vi o arco-íris no horizonte. Eu vi numa noite a lua e seus continentes imaginários diante dos nossos olhos. Eu vi a roda gigante e o toboágua no parque de diversão mais conhecido do estado. Eu senti com você aquele calafrio na barriga quando descemos a montanha russa e o seu rosto batia no meu ombro. Eu vi a via Láctea e os helicópteros sobrevoando os incêndios florestais. Eu vi o seu lanche do McDonald´s na bandeja. Eu vi o seu corpo nu... Conheci o seu sexo por dentro em cada parte. Eu vi o monte Fuji no discovery channel e a esplanada dos ministérios. Eu ouvi vozes repetindo: 
“Nós ignoramos você!”, 
“O que você quer é colocar a gente contra a nossa irmã!”, 
“Eu ainda amo o meu ex!”, 
“Vá embora da minha casa agora!”, 
“No que você trabalha mesmo?”, 
“Vamos denuncia-lo à polícia!”, 
“Você expôs a todos a intimidade da minha irmã!”, 
“Não nos interessa a sua origem”! 
“Cale-se, canalha”! ......... 
“Não é da sua conta se ela tem problemas psicológicos!”............
"Re, eu não posso ver sangue que desmaio". 
I dare you to touch a flickering flame. I do I do .... lá lá lá lá láááá.....
Estou tão decepcionado com o que você fez - aquilo tudo nos uniu para sempre no mesmo pensamento. A soberba é a casca de banana em que você escorregou. Onde você errou? Foi dura e inflexível com coisas subjetivas, não é minha musa? Agiu com tanta dureza por bobagens. O velho Severino poderá dizer muito sobre isso; principalmente quando usou energias violentas e desproporcionais em relação às suas intenções de felicidade. Agora ele sabe que gastou energias à toa. Ele sabe onde errou jogando toda agressividade em cima daqueles por quem tinha responsabilidade. Ele errou sabendo que não precisava disso. A lista de erros é grande, mas ele ainda reconhece que o sábio é aquele que aprende com os erros dos outros primeiro, e que no fundo ele precisa aprender e ensinar o que significa liberalidade com responsabilidade; são lições do significado de humildade ao servir e respeitar o próximo. Servir, que eu digo, não é apenas obedecer cegamente a alguém, e sim servir a essa pessoa com alegria. Ah Miss C, os meus amigos nos serviam. Eles nos procuravam dia e noite para nos trazer comida e bebida ou para que nos uníssemos para desfrutar um passeio ou conversa fácil. Eles serviam a você também porque estava comigo. Sabe por que eu era tão servido e querido? Era porque eu tinha humildade e sabia respeitar às pessoas. Um dia, minha musa, talvez tenha alguém que também a sirva com alegria. Na nossa relação eu tive o prazer de servi-la porque eu estava honrando a sua presença ao meu lado. Mesmo sabendo que você e sua família tinham condições financeiras melhores, dez ou vinte vezes - ou muito mais que isso -, nunca deixei que pagasse qualquer coisa. Eu honrava a sua presença e dava proteção com o conforto que estava ao alcance. Se eu a levava em algum restaurante de preço mediano, era o que eu podia pagar e você nunca reclamava. Ao menos isso! Dirigi muitas vezes noite após noite enquanto você dormia, porque eu gostava de carrega-la para muitos lugares diferentes. Eu fazia o máximo, isso em qualquer lugar que parasse, para que não tirasse dinheiro do bolso nem para pagar o café expresso. Eu tinha orgulho e prazer em abrir a porta do carro para você. E indicar aos seus belos olhos, os novos conhecimentos de coisas que não sabia - detalhes da vivência dos homens numa sociedade solidária. Eu sempre tive esse prazer porque era a minha natureza. Pena que mesmo assim você não tenha aprendido que nem tudo na vida é dinheiro. Os pequenos e grandes atos valem muito mais que isso. A lealdade, a verdade e o carinho valem muito mais que carros importados, motocicletas americanas e viagem para pisar na Abbey Road. Eu quero um dia ouvir uma notícia de que você honrou o sentimento de alguém por você. Que um dia honrou a família e aqueles que a cercam. Por que comigo o que fez foi imperdoável na lei dos homens e de Deus. Somente por isso estou aqui. Um ciclo foi interrompido e uma alma humilhada. Os seus dizeres não correspondem aos atos e nem aos fatos, e todos que a protegem, arrastando o problema para debaixo do tapete e comprando com dinheiro a sua liberdade, são cúmplices dessa audácia. A música que passa na cabeça é a mesma noite e dia. Os anjos que sussurram e os diabinhos que cutucam também são os mesmos. Eu acredito em duendes e maldições. Acredito que novamente está me desejando o mal, mas é dele que me fortaleço para continuar. Alguém da família do seu ex-namorado disse que você precisava desenvolver o lado espiritual. Os espíritos obsessores tramavam contra você o tempo todo. Nunca houve um remédio para aliviar as vozes que ouvia. O seu guia espiritual exigia trabalho. A sua mente era preguiçosa e seu corpo preguiçoso. Foi-se a oportunidade porque a sua vida afundou em lama e mazelas. Você não ouviu os conselhos das vozes que sussurravam no seu sono. A crença e crescimento evolutivo nessa fé foram barrados quando o amor dele por você cessou. Muda-se o parceiro e a crença nos dogmas vai embora. Outra vida com outras regras tomaram conta da sua rotina. E eu? Eu sonho... Eu procuro uma caverna para me esconder das lembranças que me perseguem. Eu olho ao redor meio acordado e meio dormindo e nada compreendo, apenas nascerei de novo e caminharei para a rodovia com o sol nascente no rosto. Agora, vaguear praticamente sem rumo parece por si só suficiente para as minhas ambições. Eu a vejo sempre e sempre fazendo parte de mim. Abrindo as pernas para mais um orgasmo ou sufocada contorcendo-se pelos seus medos insondáveis. Eu sei, aquele gemido de orgasmo era de angústia. Afundo-me cada vez na busca da caverna, no ventre do amor e nas lembranças daquela chama interior. Ah, Miss C, como você fodia bem, como você inspirava o cheiro do sexo e eu me afundava cada vez mais na sua caverna cheia de segredos. Era o cemitério da alma no sopro que saía dos seus lábios. Diga uma coisa: como você conseguia faze-la expandir-se tanto? Eu ouvia, vindo lá de dentro, os seus sonhos murmurados em gemidos e açoites. Eu ouvia o meu próprio nome sendo chamado e ampliado a cada estocada.
     Minha adorável Miss C; assim andamos, dormimos e comemos juntos. Íamos para cama praticamente no amanhecer e acordávamos enfiados um no outro. Era quando o planeta parava de girar e o sol ficava coberto por uma nuvem espessa. E através de um buraco no céu cantávamos delirantes e desafinados, era a cantiga das mais baixas profundezas onde a vida estava regrada por uma grande foda do rato no coelho. Eu observava com a máxima fascinação como a sua fenda se abria e fechava a todo vapor, e quando finalmente os lábios cansados ficavam separados. Logo em seguida, bem do meio, escorria um fluxo de esperma como se um touro tivesse copulado com você.
     Minha musa; lá fora persiste o escuro e meus pensamentos não param de girar na cabeça. A música não desiste de tocar em repetição. Eu sei que se um dia ousasse dizer essas coisas a algum estranho, ele me chamaria de louco. Talvez com razão fugisse de mim. Que saudades eu sinto de você, minha adorável Miss C. Mije um pouco agora depois da nossa foda, faça à vontade e com prazer, corra até o banheiro e seque direitinho essa fenda que nenhum chumaço grande de algodão conseguiria tampar. Esse é o seu campanário. Faça amanhã de novo, comigo ou com outro, tanto faz... Faça até fartar-se de tanto foder. E faça o mesmo depois de amanhã e no dia seguinte. Um dia, eu lhe digo com convicção, ainda sentará novamente no meu colo e buscará a posição do encaixe perfeito do seu mundo sem fim.
   O dia quase clareou, vou procurar dentro da mochila algo para comer e um lugar na beira do rio para me banhar nas águas geladas.

Que Deus esteja sempre com você acalentando o seu espírito. 
Do seu mais profundo admirador.

                      Re.

9 comentários:

  1. Como estava previsto se Re. fosse internado de novo fugira e foi o que aconteceu pobre admirador não sabe o que é pior fazer tratamento a longo prazo ou ficar preso ao passado relembrando da sua Miss C.Que desespero pra família sua mãe então??Mesmo assim Re. não pensou duas vezes e fugiu deixando tudo e todos na sua angústia só querendo paz e sossego pra melhor refletir o que fazer daquela situação.E mesmo longe e procurando um local seguro,onde pudesse descansar,era só fechar os olhos que logo veio a imagem de sua adora musa!!!!Nossa,fiquei impressionada com os detalhes que ele relata no momento de intimidade,o que ficou não só na mente dele mas também na pele cada momentos juntos vividos cada loucura...é uma saudade que chega a esmagar ele por dentro,penso que vai ser difícil esquecê-la.Parabéns Renato muito envolvente,srsrsr.Bjs!!

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  2. Que coisa hein!!!Não teve jeito o admirador foi embora ou melhor fugiu pra longe.Mas está super complicado isso,o que adianta fugir se ele não consegue se resolver,ou melhor,enfrentar a situação vejo que sua mãe não sabe mais como lidar com isso,vendo o filho sofrendo dia e noite por uma mulher que não quer mais saber dele.Ele não vive vegeta na ilusão,nas lembranças do passado,apesar que bem nítidas,pôxa que amor é esse???Quando fala dela parece que sente sua presença incrível.Realmente essa Miss C deixou nosso pobre Re. atormentado pelas lembranças da intimidade!!!É seu autor como será o desfecho desse conto???Lilian.

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  3. Opa!!!Que capítulo mais quente seu autor,srsrsrsr.Nossa está ficando um tanto explícito!!!Nada contra mas nós leitoras ficamos imaginando a cena do Re. e sua musa Miss C...Hum que emoção apesar dela ter feito ele sofrer,viveram bons momentos que pro Re. ficou inesquecível,fico com pena dele por estar nesse dilema.Fugiu pra não ser internado,será que fez a coisa certa??Tem pessoas que entra na nossa vida só pra bagunçar,brincar e usar.Ela foi tão manipuladora que tirou proveito do amor do Re.Espero que eles se reencontrem e acertem os ponteiros pra acabar de vez com isso.Re. sair desse pesadelo,viver de novo.Parabéns adorei,srsrsr.Adriana.

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  4. Delicioso capítulo, Sr. Autor! Aguçou a imaginação e provocou sensações!...
    Gostei da narrativa sexual, com profunda sensualidade, qdo relatada na visão amorosa do Rê, e c/ toques apimentados nos adjetivos tentando vulgarizar sua musa como se quisesse dar o troco por tudo q ela lhe causou!
    Por mais q ele tente não lembrar, parece q tudo traz de volta lembranças boas e ruins. Apesar do sofrimento, os momentos de êxtase vividos intensamente tbém deixaram marcas profundas e importantes em sua vida.
    Esta fuga talvez seja o caminho q ele precisa percorrer para q possa encontrar as respostas q tanto anseia e assim definir e entender essa estranha ligação de amor e ódio q os mantém conectados.
    Parabéns e continue assim!... BJSSS - Edneia

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  5. COMO ESTAVA PREVISTO SEU AUTOR RE. FUGIU,INFELIZMENTE NÃO TEVE CORAGEM EM VOLTAR A CLÍNICA UMA PENA,PODERIA SE DAR MAIS UMA CHANCE QUEM SABE FICARIA RECUPERADO E AÍ SIM IR ATRÁS DAS SUAS EXPLICAÇÕES.COITADA DA MÃE DELE QUE SOFRIMENTO.E AS LEMBRANÇAS VEM DE UMA FORMA COMO SE REALMENTE SUA AMADA ESTIVESSE ALI PRESENTE!!RELATANDO DAS AVENTURAS E SUAS INTENSAS NOITES DE AMOR COM SUA MISS C.MOSTRANDO QUE FAZIA TUDO PRA AGRADÁ-LA E MESMO ASSIM FOI ABANDONADO.SERÁ QUE MISS C VAI QUERER CONVERSAR COM RE.??ATÉ.

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  6. Patricia Ramos Sodero20 de dezembro de 2012 18:49

    Como havia comentado no último capítulo,Re não suportaria ser internado novamente!Na verdade,para nós leitores,fica fácil perceber que,apesar do sofrimento que os pensamentos do passado causam,prefere se refugiar em um lugar seguro,do que passar por áqueles tratamentos que o afastam de tudo e de todos....o torturam de outra maneira.A lembrança de Miss C, de uma certa forma, o mantém vivo em suas ações,que é dividida entre o amor e ódio.
    Ao mesmo tempo que retrata momentos de muita paixão,"tesão",loucuras,sutilezas.....no final,sempre acaba em "deboches"...."tapa na cara", como se Miss C, fosse simplesmente um objeto de uso....uma vadia....a qual podia tê-la,como e quando quisesse.
    Esta parte do texto, na minha opinião, é a mais reveladora em relação a personalidade do Re....o que me chamou a atenção, e claro, em saber se isso levará a algum "desfecho", é o relato de uma faca que é deixada em um determinado local, e o fato do Re dizer no final do texto que, Miss C precisará muito que Deus esteja com ela....Hummm....o que será, não é mesmo, Sr. Autor???
    Texto muito bem elaborado,forte nas emoções, onde vivemos cada momento escrito....Aguardarei,como sempre,muito ansiosa, o próximo capítulo...
    Meus parabéns....grande beijo!!!

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  7. De que adianta fugir? Para onde quer que ele vá, não conseguirá se libertar de algo que está dentro dele. Mesmo dormindo ele não consegue esquecê-la e descansar sua alma tão perturbada. Músicas, lugares, noites ardentes de amor, isso tudo está gravado em sua vida e ele não pode nem por um segundo deixar de relembrar. Tantas coisas desconexas... No momento do amor a entrega total, o “EU TE AMO”, tão esperado e desejado, mas que desta forma não é verdadeiro, não é real. Depois, o retorno ao que realmente existe: o nada, o desrespeito, a intolerância, o descaso.
    ...Ignorou que a necessidade de vivência poderia ser o maior símbolo de sucesso – Ele acreditou que poderia mudá-la, com seus conselhos, sua boa vontade, seu amor, mas ela não queria essa mudança, muito pelo contrário, acho mesmo que o que ela queria, era alguém em quem pudesse descontar toda sua raiva, seu rancor, seu ódio, causados por pessoas que ela amou verdadeiramente e que frustraram seus bons sentimentos: seu pai e seu ex-namorado.
    Difícil situação em que Re se encontra, será que ele terá condições de superar tudo isso e seguir adiante? E Miss C, o que será feito dela? O que realmente aconteceu entre esses dois? O que ela terá feito de tão grave a ponto de deixá-lo no estado em que está? É, esperemos os próximos capítulos. Parabéns Renato, ótimo texto!!! Bju.

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  8. Que coisa mais confusa,quando penso que o admirador vai se restabelecer,a mãe resolve interná-lo!!Mas daí ele foge e saí sem destino procurando um lugar seguro pra pensar o que vai fazer com seus próprios tormentos,será que fez a coisa certa??Noto que está muito vulnerável a respeito da sua amada,pois voltará ao Brasil.Apesar que a mãe não deu mais notícias.Que loucura que ele sente por ela,uma fixação relembrando momentos íntimos que tortura,parece que sente até seu cheiro!!Está agonizando em vida pois vegeta,de como era cavalheiro e cordial apesar das suas condições financeira fazia questão de pagar tudo.Quem sabe quando eles se encontrarem possa botar em pratos limpos.Até.

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  9. Atitude covarde.É essa postura que assumimos perante as dificuldades da vida? Fugindo do que? Do sentimento que sufoca,aprisiona e faz adoecer? Das lembranças dos momentos (migalhas) doces vividos com alguém, que insistimos em acreditar ser especial? Ou da acidez das palavras ditas por esse alguém,não tão especial assim e que não queremos acreditar?
    A verdade é que, toda vez que a vida nos coloca em xeque, corremos para nossa caverna e nos escondemos em um cantinho,úmido,escuro e ficamos por lá torturando nossa consciência e cutucando nossos monstros adormecidos.
    O pior de fugir de nós mesmos, é que um dia nos encontraremos e aí...pode ser tarde demais.

    Um abraço.
    Simone

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