terça-feira, 27 de novembro de 2012

Dear Miss C Part 7

   Minha adorável Miss C.
   Antes de continuar preciso contar o sonho que tive na noite passada. Foi assim: "Eu estava deitado na cama e escutava distintamente as rajadas de vento vindo de cima para baixo com o cair da chuva. O gancho da tranca da janela ficou frouxo, batia fustigado pela fúria do ar veloz, começou tilintar como se fosse um sino. Eu, ainda meio sonado, tateava no escuro em busca da causa do distúrbio para fazê-lo calar-se de vez. (Tenho que acabar logo com isso!), murmurava furioso. Quando estiquei os dedos senti um aperto gélido; o que me fez cada vez mais mergulhar no sono do qual eu não havia acordado de verdade. Uma voz melancólica dizia: - Deixe-me entrar... Deixe me entrar, por favor!
   - Quem é? – perguntei sem deixar-me tomar pelo medo.
   - Sou eu... A sua Miss C. Vamos relembrar os velhos tempos? Deixe-me entrar logo, vai!
   - É mentira! Você não pode estar aqui de verdade, isso é um sonho. Você já se foi há tempos, lembra?
   - Por favor, Re, abra a janela e me deixe entrar para ficarmos novamente a sós!
   Enquanto você pedia, percebi que o seus olhos observavam pelas frestas da janela. Nessa hora o terror tomou conta de mim como se eu fosse possuído por um desejo cruel. Outra vez a sua voz praticamente gemia sensualmente:
   - Deixe-me entrar... Por favor, Re, deixe-me ficar perto de você. Eu preciso disso agora mais do que precisei antes. Você melhor que ninguém entende o que quero dizer.
   - Não posso deixá-la entrar, você não faz mais parte do meu mundo. – eu dizia firmemente.
   Os dedos foram deslizando e o aperto na mão afrouxando, o que me possibilitou tampar os ouvidos e fechar os olhos no mesmo segundo. Eu queria a todo custo fugir da sua voz me perseguindo como se eu fosse o ultimo homem na face da terra. Então gritei:
   - Que o diabo a carregue, mulher medonha. Não quero nunca mais ouvir a sua voz!
   No mesmo instante o meu corpo flutuou levemente, perdi a noção do lugar onde estava e tudo mudou. Tive a sensação que já amanhecera, mas não eram nem três horas da manhã. Bati com os nós dos dedos de encontro à janela me certificando que estava trancada. Temente a Deus pedi paz de espírito numa pequena oração silenciosa. Sonhei que voltei a dormir e quando pensei que havia acordado de verdade, apareceu uma pequena marca de sangue no lençol. Durante um tempo meditei sobre o que poderia ter acontecido, já que nenhum tipo de ferimento havia em mim".
   Ah, Miss C, como eu me sinto cansado de coisas inexplicáveis relacionadas a nós dois!
   Relembrei nesse minuto a minha própria voz pedindo no sonho:
   "Venha! Venha comigo, minha adorável Miss C! Volta... Só mais uma única vez espreite a minha janela. Você é a querida do meu coração. Vem amor, vem! Você me ouve? Eu vou apagar a luz e sussurrar no seu ouvido como nos velhos e saudosos tempos de ilusão. Vem amor, estou em delírio numa explosão de angustia e dor. Tenha compaixão, deixe que esqueça o quanto eu era louco por você. Dê-me um sinal de vida mesmo que seja para fazer esse vento entrar como um rodamoinho destruindo a casa. Venha amor, desminta esse aparente bom senso que se esforçou tanto em manter intacto. Ah, minha adorável Miss C, sinto-me tão envergonhado por descrever os motivos que vão além da sua compreensão e que o tempo estagnou. Fico sem saber se me ressinto diante dessa linguagem atemporal que tomou conta dos meus pensamentos ou, se de tanto pensar em você, a sua imagem se personificou na minha imaginação e somente me apercebi desse conflito quando era tarde demais. É bom que saiba que agora a minha boca espuma como a de um cachorro louco e os meus braços se estendem acima da cabeça como se eu estivesse pronto para um mergulho ao além. Venha agora, minha adorável musa, chegue mais perto e conheça a força dessas mãos que descem como o martelo do juízo final".
Nesse momento, minha adorável Miss C, seguiu-se uma pausa onde o meu pensamento ficou completamente vazio.
   Na cena seguinte eu cheguei mais perto e você estava ajoelhada lendo um livro. Parecia tão atenta à leitura que só a interrompia para afastar o focinho gelado da cachorra de raça no seu braço. Ao perceber a minha figura estática, imediatamente se pôs de pé ficando de costas enquanto gritava: - Miserável! Depois fechava aquele volume de folhas jogando em cima da cadeira com tamanho desprezo como se quisesse livrar-se das palavras para sempre. Foi quando o meu sonho teve uma segunda etapa onde tudo parecia mudado. Eu abri a janela e penteei os seus cabelos. Os cabelos iam se quebrando em tufos enroscados na escova; rolando aos montes por cima do ombro. Em seguida eu deslizava suavemente as mãos sobre os seus olhos tentando saber se estavam abertos ou fechados, mas você queria dormir. Eu tentei a todo custo apagar a expressão pavorosa que você carregava, e que o sorriso novamente aparecesse. Mas o tempo passou... Foi em vão... O seu olhar contemplativo de sempre não mudou. O meu desejo havia dado certo pela metade e o diabo carregou a sua alma esquecendo a carcaça diante de mim. Isso ainda a mantinha viva de forma opressiva, triste e dolorosa. Então, novamente deixei que apertasse a minha mão e beijasse a face tomada por intensa mágoa saída de um coração generoso. Você ficou perplexa e arrematou numa voz sinistra: - Voltarei depois... Você agora vê em mim o demônio em pessoa! Não se perturbe com isso, o nosso passado está esquecido!".
   A paz chegou quando acordei com a luz do sol batendo na janela. Nenhuma tempestade assolou a madrugada. Eu acho tão estranho que os efeitos dos remédios controlam o meu pensamento de um jeito inverso ao indicado para o tratamento. São coisas da medicina avançada, não é? Bem... Vamos ao relato da hora do chá:
   Permaneci sentado e bem decidido a mais escutar do que falar; elas se serviam sozinhas enquanto mil pensamentos passavam pela minha cabeça. Eu estava gostando muito de ouvir a sua história desde criança. Pareceu-me uma criação comum dentro de uma família simples, onde os conflitos permanentes em nada fogem daquilo que acontece em 99% dos casos aonde existem rivalidades e egoísmo. (Apenas um detalhe diferente de toda descrição chamou a minha atenção. Senti que sempre manteve a cabeça erguida mesmo quando acusada de trair os princípios básicos da educação que lhe foi dada. Dependendo do ponto de vista isso poderia até ser algo a favor de si. Agora finalmente eu estava tendo a chance de ver outras cartas do baralho escondido na manga por tanto tempo. Saber das suas mudanças repentinas nem me deixava tão surpreso, pois isso eu já sabia, o que importava mesmo eram os detalhes que pudessem me surpreender positivamente. Certezas que trouxessem, por algum motivo, uma nova linha no horizonte de possibilidades para o entendimento de tudo o que aconteceu depois desse encontro, mesmo que interiormente eu mantivesse a convicção que por sua rigidez, resistência e frustração, eu nunca conseguiria enxergar verdadeiramente o motivo de tanta falta de adaptação e angústia demonstrada nos seus atos". Sabe de uma coisa, Miss C? Toda vez que eu me via tomado por pensamentos sombrios pensando que iria morrer por isso, tentava transferir esse sentimento para as cartas que sempre lhe escrevia, para que, de alguma forma, pudesse passar tudo aquilo para fora de mim. Eu entendo que os meus pensamentos pareciam uma verdadeira desordem para o seu entendimento sistemático. Entendo, é claro que entendo... Mas, apenas imaginar que você não entendia tudo aquilo não me era suficiente. Porque tudo o que eu tinha por dentro era imenso, sólido e instável. Era o meu eu, um lado diferente de mim que você nunca conhecera, que dava vazão às formas de sentimentos conflitantes tão necessárias à minha cura e transformação. E lá estava o seu maior admirador com a experiência de vida prevalecendo com grande sentimentalismo. Eram naquelas linhas tortas em que rasgava o verbo se mostrando um completo desajustado. Eu não cabia mais em mim, confesso que estava descontrolado sem saber me colocar na roupagem que criei. As cartas da primeira remessa pareceram loucas e descabidas. Formavam uma a uma o retrato fiel do meu estado de espírito daquele momento. Eu lançava sensações e sentimentos de ira sem muito pensar em consequências trágicas. No fundo eu esperava por um socorro, que uma mágica qualquer viesse de você ou dos seus mais profundos sentimentos; apenas para reunir os caquinhos reorganizando a vida. Nunca nutri qualquer expectativa que você pudesse entender todas as reflexões que fiz da minha vida ou da sua, partindo da segunda ou terceira carta. Justamente porque abri mão de tudo quando escrevi a primeira - acreditei que deveria investir no vazio e no silêncio, isso, obviamente, por ter sido completamente ignorado por você durante mais de vinte e quatro meses, mas o meu vício me levava para outro caminho. Eu escrevia sem parar, movido por uma vontade maior encontrando o espaço certo para me desenvolver, mesmo sem saber ou querer, através de um ato que teve origem numa atitude intuitiva e meio desesperada. Somente assim consegui esvaziar o meu coração carregado de rancor, ódio e vingança; atingindo um momento especial surgido da espiral de novos sonhos alimentados pela dor.
   - O chá está quente? – pergunto eu.
   - Sim, está perfeito. – responde a mãe.
   - Espero que estejam gostando. Eu procurei criar uma atmosfera perfeita aqui nesse encontro, justamente para que se sentissem bem à vontade. A minha família tem a tradição de hospitalidade. Os meus pais me ensinaram desde pequeno, que quando convidamos alguém à nossa casa nos tornamos responsáveis pelo conforto e segurança do visitante, tanto na chegada, na permanência ou na saída.
   - Muito bem! Parece ter recebido uma boa educação dos seus pais, não é mesmo? – disse a mãe.
   - Sim, eles me ensinaram respeitar a todos igualmente. Procurando sempre ter uma convivência harmoniosa com as pessoas, inclusive com os que pensassem diferente de mim. O meu pai é de origem humilde do nordeste brasileiro e minha mãe descente de italianos. Isso me deu uma grande bagagem de aprendizado no contato com modos diferentes de pensar e agir. Acho que o mesmo aconteceu com vocês e com tantas outras famílias aqui de São Paulo, não é? Bem... Digo isso me baseando nesse núcleo familiar de vocês que é muito parecido com o meu.
   Antes que a mãe pudesse responder a filha atropelou a conversa de uma forma ríspida:
   - Olha Re, presta atenção! A sua origem não nos interessa e não viemos aqui para isso. A minha mãe fica enrolando o assunto, fazendo de conta que isso é uma visita amistosa quando não é. Nós estamos cansadas de receber suas cartas, eu já falei e insisto. Desde o rompimento do namoro você nos enviou mais de trinta “recadinhos”. E não contente com isso, resolveu mandar cartas para o  meu escritório, para o meu pai, para minha outra irmã e também no e-mail da minha mãe; tentando a todo custo colocar todos contra a minha irmã, e claro, enquanto você se fazia de vítima.
   A mãe olha incrédula a atitude hostil da filha. Rapidamente tenta botar panos quentes na conversa:
   - Célia, não seja grossa. Ele está nos recebendo com a maior boa vontade do mundo. Não viemos aqui para criar confusão e sim para tentar ajudar. Lembre-se que a sua irmã precisa de ajuda. A única pessoa que verdadeiramente teve coragem de se expor, esclarecendo tudo o que nunca soubemos, foi ele.
   - Mãe, por favor... Nós já havíamos conversado sobre isso. Chegamos à conclusão que iríamos denunciá-lo à polícia e processá-lo para que apodrecesse na cadeia. Ele não podia ter exposto o problema dela dessa forma, lembra disso? Você esqueceu o dia que falou que papai conhece um monte de advogados de “bacana” e que seria a coisa mais fácil do mundo fazer isso, já que o Re não é ninguém? Você mesma disse que a única vantagem que um homem sem posses tem é poder servir os bem-aventurados. E disse mais: que além de estudar a pessoa precisa ter dinheiro e status para se manter. Nós sabemos que ele não é nada, nem sei o que estamos fazendo aqui. Na conversa pelo telefone eu contei da viagem que fiz com Roberta para que ele visse que nós “podemos”. Que com a gente não se brinca e nem aceitamos que o nome da nossa família fique sendo colocado na berlinda. Se ele escreveu insistentemente a todos nós, também poderia espalhar tudo o que aconteceu pelo mundo via internet. Eu juro que pensei que essa visita fosse para dar um ultimato a ele, mas vejo que me enganei, não é mãe?
   - Sim filha, você se enganou! Agora a situação é outra e você não sabe de nada do que estou pensando. Aliás, ela nem vive mais conosco, esqueceu?
   - Desculpe perguntar dona Marli, mas onde está a sua filha? – apartei a conversa das duas, movido pela curiosidade repentina.
   - Olha... Nós decidimos junto, o pai dela e eu, que seria melhor que ela saísse do país até a encrenca esfriar um pouco. Ela está na Califórnia. Achamos que seria bom para o seu progresso profissional, e principalmente para a segurança pessoal de todos nós. Pensamos que depois de tantas cartas contando aqueles fatos horríveis, algo de muito ruim pudesse acontecer com ela. Pensamos mal a seu respeito no momento inicial, nem tanto por aquilo que demonstrou enquanto frequentou nossa casa, mas sim por sua dose de inconformismo com as ações da minha filha. A gente que é mãe pensa loucuras numa hora dessas, sabe como é... Tínhamos que nos precaver e fizemos isso. Nós entendemos que o que ela fez não foi certo. Foi um choque para nós... Nunca esperamos isso dela. O pai não se conforma até hoje e nem se comunica como antigamente. Eles pouco se falam por telefone ou internet.
   - Bom, minha senhora, nunca ameacei ninguém. Eu queria apenas que vocês tomassem ciência dos fatos e a encaminhassem a um tratamento para transtorno de humor. Lamento dizer, mas eu tenho a nítida sensação que ela se parece muito com pai, não apenas fisicamente, principalmente no comportamento. Não sei se a senhora está lembrada... Foi numa ceia de ano novo que eu estava na casa de vocês como convidado da sua filha - era a primeira data de importância que participava com todos. Durante todo o tempo ele não me dirigiu a palavra, fez de conta que eu não estava lá. No jantar ele conversou com as filhas e com senhora, menos comigo. No final todos saíram da mesa após a sobremesa, exceto ele e eu. Ficamos ali um olhando para outro enquanto ele bebia o seu tradicional vinho tinto. Então o silencio foi quebrado quando veio a pergunta fatal: "No que você trabalha? Quando respondi que ganhava a vida como um pequeno comerciante, pois não tinha formação acadêmica para exercer outra profissão, ele simplesmente pediu licença e deixou a mesa seguindo para a cozinha, demonstrando uma expressão de total incredulidade no olhar. Fiquei ali sozinho tendo como companhia as paredes, meio sem entender o que acontecia, até que minutos depois, vendo que ninguém aparecia, resolvi me levantar seguindo para sala vazia onde a televisão estava desligada. Ali fiquei por um tempo até que Miss C aparecesse. Achei uma tremenda falta de educação ele ter feito aquilo com o convidado que era o namorado da filha. E ela então? O fato de ter me deixado lá sozinho por tanto tempo, e nem ter aparecido depois que ele saiu, também foi uma gafe, se é que não foi feito de propósito.
   - Você não tem o direito de falar nada da minha irmã. Não é da sua conta se ela tem o não tem problema psicológico. Até do meu pai você fala? Nem ele você poupa com sua mania de ser perfeitinho. Você tem essa coisa feia de analisar os outros querendo que as coisas sejam somente do seu jeito! Mãe... Vamos embora daqui não aguento mais isso. Façamos o que já tinha sido combinado. Ele é igual a todos que passaram na vida dela. Os homens são todos iguais!
   - Filha! Silencio, por favor. Você está com o olhar tão torto quanto da sua irmã. Deixe-nos conversar que isso é importante.
   Célia respira fundo. Fecha a cara. Enfia um pedaço de torrada na boca e se cala.
   - Ah Re, isso é bobagem. Esse é o jeito do meu marido. Outro dia ele até me confessou que gosta muito de você. Que apesar de tudo, ele tem certeza que cuidou direitinho dela enquanto estiveram juntos. Sabemos que ela que não soube dar valor a você porque pensava no ex-namorado. O meu marido é do tipo ciumento e egoísta. Para você ter ideia ninguém dirige o carro dele. Olha... Tudo bem que é um carro grande, diferente... Mas... Eu ou minhas filhas nunca entramos nesse carro que não fosse como passageiras. Nas coisas dele ninguém toca sem autorização. Até mesmo para fazer a limpeza é um tormento, porque depois ele reclama que está tudo fora do lugar. É um saco, isso! Ele, naquele jeito de senhorio, sempre manteve uma aura de distância da gente por estar muito preocupado com o sucesso profissional e financeiro. Carreira, negócios, viagens e status sempre foram mais importantes que a felicidade de qualquer uma de nós. O modo de viver dele é singular e tivemos que nos adaptar a isso desde cedo. Eu mesma aprendi a lidar com esse jeito reservado sem emanar nenhum tipo de demonstração sentimental pelos outros, mesmo quando encontrando algum conhecido que há tempos não via. Ele nunca gostou de festas ou excesso de agitação em casa. Isso eu já gosto muito. Se não fosse por mim nunca haveria uma única festa ou reunião de família. Eu adoro movimentação, música e barulho; gente para conversar supre a minha solidão. O meu marido acha que a gente tem que se fechar para o mundo, que não é necessário ter amigos e muito menos demonstrar que gostamos de alguém; nem podemos participar com alegria de qualquer coisa diante do seu olhar de censura. A recomendação é que sejamos sempre comedidas e muito atentas ao que vem de fora. Na verdade, em seu orgulho rústico, ele só gosta de conversar com homens que pensam e agem como ele, ou trazem algum benefício numa dessas coisas que tanto almeja. Talvez por isso a troca de gentilezas recíprocas não seja a sua melhor qualidade. Nós mulheres somos um capitulo a parte em sua vida, principalmente por uma frustração que carrega: a de não ser pai de um menino – essa é outra coisa que me culpo quando ele olha furioso em reprimenda aos atos das filhas. O modo de ser dele passou para elas durante o crescimento, eu tenho consciência disso, e é mais uma entre tantas culpas que carrego por não tê-las influenciado do meu jeito. Talvez eu pudesse fazer alguma coisa que as tornasse mais expansivas, menos inseguras e mais felizes. Com tantas barreiras e limitações as meninas cresceram pensando que algo feito errado geraria um castigo forte; o castigo invariavelmente sendo sempre desproporcional ao ato cometido. Com esse tipo de distanciamento passaram a tratar a todos que conheciam indiscriminadamente - fosse amizade, namoro ou relação de trabalho. Isso travou tanto as “crianças” que até o hoje o meu sonho de ser avó não foi realizado, mesmo todas elas já passando dos trinta anos de idade. Eu me sinto frustrada com isso e brinco perguntando quando será; tendo o conhecimento que nada posso fazer que ainda não tenha feito. Essa mesma que está aqui é noiva faz não sei quantos anos. Está esperando, esperando, esperando... Espera algo que não sabemos o que é para poder casar. Cada vez aparece um motivo para adiar as coisas. Eu vejo que vou morrer sem nunca ter o prazer de ver um neto nessa vida. Pensei que a filha mais velha fosse a primeira a me presentear com um lindo menino. As circunstâncias apontavam para isso no começo de tudo, quando aos vinte e tantos anos ela dizia que queria um lar confortável e uma vida feliz ao lado do seu amor. Foi quando me convenci que ela realmente merecia ter um lar só seu e incentivei o meu marido a ajudá-los para desenrolar a situação que já durava muito tempo. Quando minha filha soube dos meus esforços os seus olhos ganharam uma linguagem de felicidade que qualquer idiota repararia. Parecia que tudo teria um final feliz e logo a nova casa, maternidade e muitos mimos para o bebê seriam a motivação principal para todos dessa família. Até que no final, depois de anos de uma situação que nos esforçamos para mudar, o pai de saco cheio de tanta indecisão dele e dela, discutiu, expulsando aos berros o pretendente a marido de nossa casa. O olhar que ela tem hoje veio desse momento. Um olhar que se tornou gélido e cada vez mais para dentro de si como um caracol. Nenhum de nós soube lidar com a situação no decorrer dos anos seguintes, muito menos o pai dela. Ele, a pessoa que sempre foi tão presente nos momentos mais difíceis da vida, agora estava impotente e tomado pelo orgulho ferido por se sentir enganado por aquele rapaz. Sabe, Re, ela sempre ouviu tanto o pai... Mas desse momento em diante parece que se tornaram inimigos de um jeito velado. Lembro de uma cena importante dos dois. Aconteceu quando ela se tornou mocinha. Desde muito novinha ela não podia se machucar porque ao ver sangue desmaiava, cresceu assim... Quando da primeira menstruação desmaiou ao constatar sangue na calcinha. Passou dias repetindo desmaios, já não sabíamos mais o que fazer. As minhas conversas de nada adiantavam. Foi com a conversa do pai que ela passou a entender que aquilo era uma coisa natural que haveria de aprender a conviver. Depois de muitas orientações ela foi melhorando e superou o trauma. Hoje, aquela pessoa apegada ao pai, não existe mais. Muito mais por culpa dele e minha do que dela mesma, eu reconheço...
   - Mãe? Isso ainda vai demorar muito? – indaga a filha impaciente.
   - Não filha... Nós já vamos embora.
   - Bem... O motivo da visita é para dizer que a minha filha voltará em breve dos Estados Unidos. Só para variar, ela não se adaptou por lá e já arrumou encrenca onde mora. A primeira dificuldade foi por causa do idioma inglês que ela não sabe uma palavra e achou que se arranjaria falando espanhol; depois foi a saudade que sente do seu quarto lá em casa. Você acredita que ela nos telefona praticamente todos os dias chorando e pedindo para voltar? Depois de conversamos com o psicólogo da família, sobre tudo o que aconteceu, ele nos aconselhou que sugeríssemos a ela um encontro entre vocês. Isso se você aceitasse, é claro. Ele achou que isso seria bom, já que o fizemos entender que você gosta muito dela. Os nossos aconselhamentos nunca adiantaram de nada para qualquer mudança. Foi com você que ela mais se abriu, soubemos disso quando lemos as cartas. Obviamente pensamos que ela poderia ter novamente em suas palavras um modo para se conduzir melhor na vida; é o que esperamos com esse incentivo e esforço. Mesmo achando que existe algo diferente em você, a gente gosta do seu jeito de ver as coisas. Ela certa vez nos confessou que aprendeu muito com o convívio que tiveram. Isso é um ponto ao seu favor, eu garanto! Se topar, poderemos combinar no retorno dela. Enquanto pensa sobre isso iremos amadurecendo a ideia na cabecinha dura que ela tem. Tenho certeza que ela cederá concordando em ao menos conversar uma vez com você. O que acha disso?
   - Puxa vida... Para dizer bem a verdade eu não sei se seria uma boa coisa. Ela alimenta um verdadeiro ódio devido às cartas que enviei. Mas isso na minha visão já é passado. Vamos fazer o seguinte: vou pensar em tudo o que foi dito aqui e vamos conversando nos próximos dias...
   Elas se levantam.... Abro a porta e as acompanho até a calçada. Ao retornar à sala fico imaginando o quanto é espantoso o jeito como me sinto tão bem atendido agora, já que veem em mim algum interesse. Como me sinto sociável e hospitaleiro comparado àquele homem rude que foi tão indiferente aos meus valores de vida.
  Miss C, novamente essa história me deixou muito tenso emocionalmente. Sei que a verdade essencial talvez nunca seja revelada nessa grande emboscada na qual me meti. São apenas flores versus falsidade. Pobre de mim.... Estou tentando arduamente manter as mãos limpas de sangue nesse jardim com ervas daninhas, mas está muito difícil. As minhas aflições se tornaram fúteis. Ora, ora... Meditando sobre isso um pensamento me feriu lá no fundo: "O amor se findou e o único objetivo que existe agora é o de compreender o seu sofrimento. Mas como se pode compreender um sofrimento quando se sofre ainda? Um coração de mulher depois de fechado jamais poderá se abrir de novo, seja por amor ou orgulho".
Eu me sinto complemente descontraído e em paz com o mundo depois desse encontro.
Fiquei extremamente tolerante com essa personalidade que está sendo mantida viva através de orações e injeções e sempre atenta para não perder o aprumo.
   Até a próxima, minha adorável Miss C.
   Do seu mais profundo admirador:

                                                Re.

12 comentários:

  1. Vim aqui fazer meu comentário desse conto de Miss C,como o Re.está ligado nela hein!!Chegou a sonhar que parecia real,Deus!!Penso que é efeito dos medicamentos e lógico do amor que nutre por ela ainda.Digo que está fugindo do controle,não consegue mais sair disso.Agora com a visita da mãe e da arrogante da filha,fiquei surpresa com o pedido de ajuda,sim pelo que noto nem mandando ela pro exterior teve resultados.Mas o que mais me chamou atenção foi a diferença que a irmã fez com Re. em relação a posição social incrível né como se isso trouxesse felicidade,pelo jeito Re. foi bastante humilhado não só pela sua amada como pela família também.Eita falta de amor-próprio desse admirador viu,parece que gosta de sofrer,apesar que busca respostas pelo modo tão intolerante da sua amada.Sangue frio dele,apesar de tudo,mandando cartas pra família revelando coisas que eles nem sabiam!!Agora a mãe quer marcar um encontro entre os dois,o que quer com isso!!Ajudá-la ou empurrar o problema pra Re!!!Vejo que enquanto o admirador não colocar tudo em pratos limpos não vai sossegar.Parabéns Renato.Bjs!!!

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  2. Bom dia!!Nossa como o admirador Re.está hein, cada dia mais fascinado pela sua Miss C até sonhou parecendo real que ela estivesse presente no seu quarto,fico aqui imaginando até quando tudo isso é angustiante ver tanto sofrimento do Re.Agora o que me deixou louca da vida foi a irmã que pessoa petulante humilhando ele deixando claro que não era nada,aff que nojo de pessoas que tem poder aquisitivo alto,acham que tem o direito de pisar.Mas a mãe,que pelo visto pensa diferente sobre o Re. pediu ajuda???Com que intenção tudo isso???Que mulher mais complicada essa Miss C,cheia de mistério,tudo por causa de misterioso "ex",que pelo jeito ainda o ama.Parabéns!!!Bjs!!!Adriana.

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  3. HUM ESTOU ACHANDO QUE O ADMIRADOR RE.NUNCA VAI SE RECUPERAR VIU!!!JÁ NÃO BASTA AS LEMBRANÇAS AGORA A MÃE DELA QUER UM REENCONTRO ENTRE OS DOIS!!PELO AMOR DE DEUS SÓ SE ELE FOR MUITO IDIOTA PRA ACEITAR,DEPOIS DE TUDO QUE PASSOU,EU PELO MENOS MANDAVA INTERNÁ-LA.NÃO ENTENDO PORQUE TANTO ÓDIO DA PARTE DELA??O QUE O ADMIRADOR FEZ PRA QUE ACONTECESSE ISSO,POIS SE FOI ELE O MAIS PREJUDICADO.QUE FAMÍLIA MAIS CONTURBADA ESSA DA MISS C RE. DEVERIA FICAR LONGE DISSO,PODERÁ SE MACHUCAR MAIS AINDA.FICO AQUI NA TORCIDA,ABRAÇO.

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  4. Olá tudo bem!!Vejo que as coisas se complicam pro lado do admirador né,vai ser difícil resistir ao reencontro da sua amada Miss C,srrsrs.Pode ter uma recaída brava e ser internado de novo,sinto pena pelo sofrimento dele se entregou demais a uma mulher sem escrúpulos.O destino prega peças na gente,mas aceitamos se quisermos temos escolhas,tomara que o admirador não aceite isso,poderá sofrer mais ainda.Bjs.Letícia.

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  5. PELO AMOR HEIN!!!QUE COISA DE DOIDO É ESSA SEU AUTOR,ALÉM DO ADMIRADOR TER ALUCINAÇÕES COM SUA AMADA,A MÃE QUER MARCAR UM ENCONTRO ENTRE OS DOIS!!!AGORA DANA TUDO SE ELE FOR VÊ-LA NÃO AGUENTA,PIRA DE VEZ,SRSRSRSR.QUE FAMÍLIA MAIS SOBERBA É ESSA SE ACHAM,COISA MAIS REPUGNANTE.O MUNDO DÁ VOLTAS ELE FOI HUMILHADO E AGORA PEDE AJUDA???TOMARA QUE NÃO VÁ,DEIXA AQUELA LOUCA SE TRATAR.ATÉ.

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  6. Boa tarde,discordo completamente que o admirador Re. esteja sendo idiota se aceitar o encontro com Miss C,ao contrário está em busca da verdade querendo solucionar de vez esse tormento.Vamos assim dizer botar os pingos nos "is",tenho certeza que de bobo não tem nada.Mesmo que passou uma temporada internado deu pra avaliar que se não for em busca do aconteceu,entender porque Miss C o usou de uma maneira sórdida e jogou depois as traças, com certeza não iria deixar barato né.Mesmo ele amando ainda sabe que não iria dar certo,pois ela pertence ao tal "ex".A mãe sabe muito bem o que a filha fez,só prejudicou com sua conduta nada exemplar.Gostei muito espero que esse reencontro seja o motivo do Re. se libertar de vez desse amor doentio que sente por Miss C.Bjs.Ana Lú.

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  7. Muito interessante este capítulo! Muitas dúvidas ainda estão no ar, mas o que parece certo, como o velho ditado diz: filho de peixe, peixinho é, não só Miss C tem um gênio forte e soberbo,mas as outras irmãs seguem a mesma cartilha feita pelo próprio pai, com o consentimento e a omissão da mãe. Família difícil essa na qual o Re tentou ingressar, cheia de orgulho e muito preconceito, tão distante da realidade dele, não consigo entender como Miss C se envolveu com uma pessoa tão diferente deles, terá sido para provocar o pai?! Talvez por isso não tenha dado certo e o Re tenha se machucado tanto. Difícil, ser tão humilhado e tão desprezado e mesmo assim continuar apaixonado pela pessoa que lhe causou tanto mal. Fiquei curiosa, qual será o troco que Miss C recebeu para ficar com tanto ódio assim? Tanto Re quanto Miss C estarão dispostos a se encontrarem, para de uma vez por todas por um ponto final em toda essa situação? Muitas perguntas aguardando respostas. Terei que aguardar os próximos capítulos.

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  8. OLÁ FAÇO AQUI VOTOS PRO ADMIRADOR RE. RESOLVER ESSA QUESTÃO DA MELHOR FORMA POSSÍVEL,INDEPENDENTE SE FICAR JUNTOS OU NÃO.MESMO ELE DEBILITADO AINDA SERÁ QUE VAI TER FORÇAS PRA AGUENTAR A VERDADE????POIS MISS C FICA NO PENSAMENTO DELE 24HS POR DIA,A MÃE DELA UMA PESSOA DE POUCAS PALAVRAS MAS ADMITIU QUE A FILHA NÃO TEM CARÁTER ALGUM,MODO COMO PEDIR DESCULPAS AO RE.UMA FAMÍLIA TOTALMENTE DESUNIDA É ESSA,POBRE DO RE. QUE SE INFILTROU NISSO.COMO SERÁ A VOLTA DELA AO BRASIL???MUDADA OU PIOR QUE ANTES???ATÉ.

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  9. Patricia Ramos Sodero29 de novembro de 2012 21:25

    Vejo que nosso grande Re,deseja contar tudo para sua adorável Miss C,para que possa dar um desfecho,finalmente nessa estória.É "alucinante" seu amor por ela...agora,ele a vê,pedindo-lhe socorro...pedindo-lhe uma última vez...que a deixe entrar e que tenha seu afago...Nossa! Pena que seja um sonho...sonho tão real que podemos vivenciá-lo.Agora,fica um pouco mais claro,ao meu ver,o porquê Miss C é tão fria...coração de pedra.Sua mãe,figura feminina que é tão importante no crescimento de um filho, principalmente quando se trata de mulher,não participou em absoluto, de nada em sua vida...até mesmo assuntos relacionados a nós,mulheres,quem a ouvia e dava explicações,era seu pai.Sempre foi "rude",não admitindo fazer o que queria...mas também,muito sem educação.É neste ponto que toda a família "peca".O Re,pode ser sim,de família humilde,sem rendas,simples comerciante....mas a partir do momento que Miss C o escolhe,o mínimo que se pode dar a uma nova pessoa que ingressa na família, é o respeito.Não é sua roupa,sua profissão,seu jeito simples,que faz a pessoa...e sim o caráter!E como o Re tem caráter!Só em tratá-las diferente em sua residência...diz tudo.Parece que o pai,mandando Miss C para o exterior,para estudos e tratamento,despertou um sentimento diferente....sentiu-se só,não gostava de nada lá....e pede para voltar.A proposta da mãe,Dna.Marli,em Re marcar um encontro com Miss C,assim que ela chegar,nos traz grande suspense mesmo....Será que ela vai aceitar?Será que algo mudou em seu pensamento?Será que ao menos,finalmente ela reconhecerá tantos "desaforos" feitos a quem tanto a ama?Bem...existe uma esperança ao meu ver....quem sabe essa distância não serviu para ver e sentir a falta que um faz ao outro....Quem sabe,nesse encontro,possa ser conversado sobre as cartas que,de alguma forma,só fizeram críticas construtivas,para que Miss C,fosse uma pessoa diferente de todos da família.....menos arrogante!Agora,é esperar para ver o que nosso autor vai nos preparar....Só posso dizer que é um belo capítulo,muito emotivo,que fez meu coração bater mais forte....vivenciei cada momento...cada parte do texto...
    Grande beijo e espero com ânsia,os próximos desfechos....
    Parabéns!

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  10. OLÁ,TUDO BEM!!QUE CONTO MAIS CONTURBADO!!VIXI ESSE ADMIRADOR RE. IDOLATRANDO DEAR MISS C,PELO QUE VEJO NÃO TEM DIGNIDADE PERDEU,NOSSA QUANTA LAMÚRIA POR UMA PESSOA QUE NEM SE LEMBRA MAIS DELE.OLHA CÁ ENTRE NÓS,ISSO PRA MIM PERDEU A NOÇÃO DO BOM SENSO.FICO IMAGINANDO ATÉ ONDE VAI O SER HUMANO,IMPLORANDO POR UM AMOR QUE NUNCA ACONTECEU,BOM FOI O QUE ENTENDI,DESCULPE SE FALEI ANEIRAS SEU AUTOR.JÁ COMEÇA COM UMA FAMÍLIA QUE NÃO DEU EXEMPLO NENHUM PRAS FILHAS,POIS O PAI SÓ PENSAVA NA POSIÇÃO SOCIAL,EM PAGAR BONS COLÉGIOS,PASSEIOS,ETC.MAS FALHOU NO MAIS IMPORTANTE O AMOR,A UNIÃO E HUMILDADE SEM ISSO NENHUMA FAMÍLIA É FELIZ.O ADMIRADOR PASSOU POR TANTAS COISAS,PRATICAMENTE SE ESQUECEU,PRA FICAR NESSA TORTURANTE PAIXÃO,INCRÍVEL!!!ESPERO QUE ELE POSSA SAIR DISSO AINDA.ATÉ.

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  11. Nosso protagonista Rê, diferente da fragilidade do início, revela agora uma crescente maturidade, herdada do sofrimento, e uma grande coragem ao expor, insistentemente, suas emoções nas cartas, na intenção de exteriorizar e aliviar suas angústias, assim como sensibilizar a família de sua Dear Miss C num apelo para q eles ofereçam a ajuda q ela tanto necessita e q ele não conseguiu dar.
    Suas revelações, q mesclam realidade e sonho, confirmam aquela velha frase q diz q “o Amor e o Ódio andam juntos”, pois ao mesmo tempo em q crítica suas atitudes, ele revela uma profunda necessidade de ajudá-la e sabê-la feliz. Sofrimento e tesão são descritos de maneira a causar dúvida: amor ou ódio?
    Miss C tbém, já não parece tão vilã qto antes, chega a parecer vítima de uma família super protetora e de um relacionamento conturbado q a deixou desnorteada e c/ os sentimentos dilacerados a ponto de vitimar tbém quem não merecia.
    Talvez um reencontro, depois desse longo afastamento terapêutico, seja exatamente aquilo q está faltando p/ q ambos possam confrontar suas dores e saná-las definitivamente, p/ então poderem viver, ou não, esse sentimento...
    Como sempre, as dúvidas pairam no ar, coisa q escritor adora, não é mesmo Renato? E leitor tbém!... Então, simbora pro próximo capítulo! E..., parabéns! BJSSS - Edneia

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  12. Quando uma relação amorosa termina existe uma carga de sofrimento intenso.Os envolvidos carregam consigo uma sensação de fracasso,frustração e magoa.
    Como nos sentimos perdidos acabamos achando que seguir o antigo ditado popular:" Para esquecer um amor nada melhor do que encontrar outro" é a melhor solução.E vamos a luta.
    Essa saida pode representar uma grande armadilha.A medida que buscamos um novo amor, estamos sendo motivados pela presença do anterior sendo para nós referencia e motivo de comparação durante a busca.A imagem,comparação do antigo amor se torna um fantasma que insiste em nos acompanhar e que vai com certeza nos atrapalhar no futuro.O novo parceiro acaba funcionando como remédio para sofrimento e esse comportamento também acaba minando a futura relação.
    Essa nova pessoa percebe que alguma coisa está acontecendo, se protege e não se entrega dificultando a nova relação.
    Acredito que o melhor seja,abrir mão da busca pelo substituto do antigo parceiro,virar a página e se abrir a novas possibilidades.Dando oportunidade ao novo amor e a si mesmo.

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