terça-feira, 25 de julho de 2017

O Princípio Da Recíproca


     Pode parecer o máximo conduzir, ao seu bel prazer, uma relação com alguém que admira pacas e você não está nem aí para a pessoa. Esse seria o relacionamento dos sonhos de muita gente que não se sente presa a um sentimento mais forte com esse alguém. Nesse relacionamento dos sonhos você poderia enfim ter as rédeas da situação. Ditaria como e onde as coisas devessem acontecer. É bem provável que não se sentiria usada e muito menos ansiosa esperando o telefonema do dia seguinte, não é mesmo? Seria uma situação maravilhosa se fosse tudo tão simples assim. Mas, pena que certas coisas existam somente na teoria. Ao invés de ser uma situação que faria bem para o seu ego, isso poderia fazê-la sentir-se um lixo na hora que a ficha caísse, percebendo tardiamente o quanto fez mal frustrando as expectativas do outro e, principalmente, a si mesma por se julgar superior ou dona da situação.
            Infelizmente, quando se trata de relacionamento amoroso, não somos nada racionais. Pois, mesmo que não haja qualquer paixão envolvida nessa cena, acabamos nos corroendo em remorsos quando bate aquela sensação horrorosa de vazio ou sujeira. Justamente porque o sexo não é simplesmente um processo mecânico desvinculado do sentimento; é preciso que exista cumplicidade com uma dose de desejo pelo outro nessa ação. (Bem... Pode até ser independente de algum sentimento, mas só para psicopatas ou profissionais do ramo). O sexo raramente funciona bem por muito tempo, digo: como instrumento de dominação dentro de uma relação dita normal. Mas, ainda nos dias de hoje, tem gente que insiste em achar que isso causa efeito positivo. Mas esse engano pode acabar tragicamente, principalmente para aqueles que são adeptos ao tipo de relacionamento iô-iô. Um tipo de relação que na primeira discussão uma das partes resolve “dar um tempo para refletir”. Quase sempre um tempo sem data prevista para acabar. Então, essa pessoa que age assim some do mapa, rompe com toda forma de contato. Desaparece do orkut, facebook, msn e para completar não atende suas ligações. Caso, ao se preocupar com o sumiço, porque você nutre sentimentos bons por esse alguém que não está nem aí pra você, resolva bater na porta dessa pessoa insensível, saiba que ela simplesmente mandará alguém avisar que não quer conversar com você, ou pior, mandará dizer que não está em casa. Uau! Isso é mesmo o máximo para o ego dessa pessoinha perversa, não é? Tá certo... Mas depois de uns dias, talvez semanas, essa caricatura de gente abre os canais de comunicação, isso como se nada tivesse acontecido. Então ela lhe chama para um passeio porque mudou de ideia e quer reatar o namoro, e você aceita. Depois de uma maratona sexual, com direito até aquela famosa posição do canguru perneta, essa personagem caricata vira e diz: “Quando der a gente se vê de novo”. Isso quer dizer: “Quando eu sentir vontade de transar te chamo”. Xiiiii... Parece que ficar na horizontal, vertical, perpendicular, côncavo e convexo não foi uma boa ideia. Você é apenas uma muleta! Sinta-se num circo, você merece porque se deixou usar. Você agora sabe que essa transa só existiu porque não havia ninguém mais à mão. Quanto tempo pretende continuar fingindo que gosta do que lhe faz mal? Ainda vai continuar representando que é alguém que não é na vida dessa pessoa? Ou mais, que esse comportamento não afeta em nada a sua vida, porque o que importa é estar ao lado de quem você acha que ama? Que droga de autoestima você tem! Lembre-se que o ato de fazer amor é um instrumento medindo todo o tempo como o casal funciona, não só na cama, mas na vida fora dela também. Muitas vezes, a prática do bom sexo com quem temos algum tipo de afeição, pode realmente significar fazer amor, e desse fazer amor vem o compromisso e o companheirismo recheado de respeito e admiração. Mas, tem coisas que nunca acontecem sozinhas ou por acaso, concorda? É justamente por isso que é necessário ter a maneira certa de se posicionar sobre aquilo que realmente quer manter no momento presente ou adiante da sua vida amorosa. Tudo por que, para chegar até o estágio seguinte, que é o de fazer amor e ter cumplicidade, é preciso que exista confiança. Essa confiança vem da certeza de que esse alguém que está ao seu lado, nunca irá trair estando com outra pessoa, seja pessoa recém-chegada ou, quem sabe, até mesmo um tipo de flashback com ex - isso durante os períodos de ausência nas falsas brigas, com a desculpinha de “dar um tempo para refletir”. Quando se tem ao lado alguém sincero, partilhando dos mesmos desejos e fantasias, tudo transcorre de uma forma muito mais harmoniosa e confiante. Quando se faz amor é importante ter a convicção que não existe nenhuma dúvida. Que não existe nenhuma comparação ou ameaça de qualquer pessoa do passado emocional, seja com a presença constante na lembrança ou, até mesmo, na vida prática atual. Somente transmitindo essa convicção e recebendo o mesmo em troca, é que será possível ter a segurança que ninguém sairá machucado ou enganado. Pois quando confiamos coisas tão particulares a alguém, e deveras valiosas, - que são os sentimentos e todos segredos mais íntimos guardados a sete chaves por anos a fio - é por acreditar que pelo menos uma parte do que nos cabe foi feita do jeito certo. Esse ciclo só poderá ser rompido caso alguém constate ter sido traído, principalmente no princípio básico de qualquer relação; o princípio da recíproca do outro naquilo que sentimos e acreditamos.   

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