Enganos

   Eis aqui fatos baseados nos enganos que cometemos quando acreditamos demais... Amamos demais... Sonhamos demais...
     É uma história que poderia começar como qualquer outra história de amor, mas não aqui... Não assim...
    Na verdade essa história começa com olhar de uma jovem desiludida.
    Mas... Sempre existe um “mas” na história, não é mesmo? 
   A vida mostraria um lado cruel dessa jovem.
   Começou quando o relacionamento com alguém que a entendia começou desandar, desandar, desandar...  
      Surgiu depois um homem; um homem se violentando naquilo que achava certo diante da vida - nos bons modos que havia aprendido.  
     Esse homem otimista com a moça achou que o tempo a faria mudar.
    E ela aprenderia boas atitudes diante da nova realidade, com exemplos diante dos seus olhos...
Ele a levou para conviver num ambiente cheio de solidariedade e valorização do ser humano.
Desse momento em diante algo pareceu mudar dentro dela...
Experimentou a socialização, participação por um tempo.
Mas não se adequava ao ritmo natural das coisas.
Usava como desculpa a timidez para a fuga.
Porém, ele, ao vê-la agir assim, começou a pensar no plural, imaginando o exemplo de outras pessoas que passaram pelo mesmo problema.
Ele começou a sentir algo castrador e violento em seu olhar.
No entanto, existia dentro dele uma força interior que causava algo bom.
Algo que o fazia carregar a certeza que de alguma forma iria conseguir regenerar aquela pessoa de comportamento retraído.
Ele lutava com a esperança que possuía.
A ideia da solidão não lhe caía bem - mesmo que o tempo todo se sentisse abandonado pela falta de cuidados dela. 
Toda sua determinação não funcionou e ele falhou em todas tentativas.
Por ter falhado foi esticando o relacionamento... Mas a pessoa só lhe causava frustração...
Notando essa fraqueza que não dava para esconder, ela perdeu a noção de boa educação, gentileza e acima de tudo consideração.
    Por mais incrível que pareça, ele acabou notando que surgiu outro tipo de personalidade na moça, quase uma aberração da natureza. Talvez hipocrisia recheada com arrogância.
   Com o tempo foi ficando cada vez mais forte a convicção que a jovem fingia ser o que não era.
 Vendia uma imagem que não tinha.
  Mantinha-se intocável com comportamentos misteriosos e que dizia não tinha a obrigação de explicar. Exigia a conduta inversa - que ele sim fosse transparente e lúcido.
Existia uma distância enorme entre o discurso que ela pregava e aquilo que praticava. Geralmente não assumia adiante compromissos que considerara válidos. E o relacionamento ia de mal a pior, já que para ele era complicado decodificar onde começava a má índole e terminava a coisa normal.
    Então, como fazem os amantes mais crédulos, ele preferiu ir dando chance e mais chance. Acreditou novamente que haveria mudança. Que um dia ela se colocaria adequada e respeitosamente diante dele.
O mais triste é que a forma da moça agir não mudou.
 Para piorar, o seu jeito era considerado normal na opinião dos que a cercavam.
  Ele abriu os olhos ao perceber que esse tipo de pessoa - que não tinha lá um caráter elogiável - não alimentava nenhum tipo de preocupação com a tristeza de qualquer outro igual.
E bem menos com olhar aparentemente triste dele diante da situação.
É natural que uma história assim não poderia mesmo acabar bem.
Foi quando ele seguiu adiante.
Mas... Sempre existe um “mas”, acho que já falei isso aqui.
A verdade é que ele acabou se sentindo frio e duro por dentro.
Ficou com medo de viver um novo amor como o amor deve ser vivido.
A cautela virou excesso de exigências...
Ninguém jamais conseguiria cumprir tudo aquilo.
No final descontou em quem não tinha nada a ver com o pato...
Alguém que acreditou que ele estava com o coração “limpo”.
Ninguém imagina o quanto doeu ter agido assim...
 Mas ele não conseguia esquecer.
Diziam que isso passaria... O tempo curaria.
Acontece que não conseguia perdoar a dor que sentiu.
Ele se lembrou do que passou e culpou a moça por seus desajustes.
Repetiu insultos e humilhações.
Elaborou algum meio que fizesse devolver com juros e correção.
Buscou um jeito de aliviar suas dores... Deu opiniões públicas.
Mas ele precisa mais, muito mais...
 As farpas voaram praticamente às cegas...
Um grande escândalo tomou contornos inesperados... As tramas foram desvendadas...
Pessoas indignadas diziam: “Como assim? Que absurdo!”
Elas se apiedaram... Solidarizaram-se ao sofrimento fingido da moça.
Acompanharam os protestos...
 Novas informações com o desenrolar dos fatos.
Tudo parecia uma perseguição do homem clamando vingança.
Não foi bem assim e nem só isso.
A vida daquela moça se tornou pública.
Sentiu como uma dura lição para uma nova visão do futuro.
Eram fatos baseados nas verdades aprendidas com o “comer o sal” junto.
Cada um sabia o que viveu, cada um sabia o tamanho da dor... 
  Quando ele provou o que dizia com os meios que possuía, nada mais foi questionado...
 Diante daquilo veio o ensinamento básico da vida: respeite para ser respeitado.
Coube a quem tenha lido tais relatos comparar e tirar às próprias conclusões.
Em algum momento da caminhada todos foram vítimas ou algozes, cúmplices ou desafetos.
Agindo por um instinto básico se defenderam, mas, essa constatação de forma alguma eximiu cada um de culpa.
Ninguém é capaz de imaginar a força interior cheia de maldade que um indivíduo carrega.
 E muito menos, a força de vontade que tem em atacar por injustiças sofridas.
Os pensamentos se libertam com grande revolta, geram comportamentos piores...
Fica o ensinamento que é sempre bom ter cuidado com aquilo que fazemos aos outros...
Um dia nunca será igual ao que passou.
E as pedras sempre rolam...

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