segunda-feira, 30 de abril de 2012

AVISO 3: UMA CONCLUSÃO

  Certa vez em minha vida passou uma personagem, alguém que mais parecia o fruto de um enredo baseado numa criação trágica. O poder dessa personagem não estava no fato de ter se tornado uma mulher perversa, mas sim na ação que praticava ao tentar fugir do estereótipo daquela mulher meio-burguesa e assexuada ou, por outro lado, de forma disfarçada, meio-burguesa e completamente maluca por sexo. Usando dessa arma, que atrai os homens na simbologia da conquista e do prazer, essa mulher diabólica, mentirosa, pecadora e com artifícios hábeis para manipular pessoas, foi quem se apossou da minha mente sem maiores pretensões. Eu a via com carinho, achando que poderia reconhecer todas energias e aspirações dessa mulher. Na minha experiência de vida, mulheres poderosas sempre foram vistas como insuportáveis e diabólicas. Mulheres que agiam como homens, usando da racionalidade ao invés de emoção, e desse jeito iam se tornando marginalizadas dentro de qualquer contexto familiar ou social conhecidos. Vendo por esse ângulo acabei percebendo que a aceitação, por meio da curiosidade daquilo que era diferente para alguns homens, poderia ganhar mais espaço no meu entendimento a respeito de relacionamento e com a garantia quase explicita de trazer progresso intelectual. Bem, mesmo sabendo que tinha grande chance de sentir que essa mulher poderia me rejeitar a qualquer momento, continuei caminhando por caminhos tortos dentro de uma ação que levaria a uma falsa conquista, justamente uma falta de interação na vida que criei. Continuei assim mesmo, ainda que, com esse contato, fosse mais um tipo de sentimento simbólico que resultaria num envolvimento misterioso e cheio de contemplação. Isso foi me fez aprender novas maneiras de lidar com a multiplicidade de expressão a qual não estava habituado. Com o passar do tempo, fiquei extremamente perturbado com recorrentes situações constrangedoras existentes na vida dessa mulher. Notei que os seus valores familiares e a sua forma de conduta diante dos percalços da vida, eram facilmente perdidos num ambiente onde se constatava a falta de todo e qualquer princípio lógico de bom senso, tornando-a assim cruel e insensível aos sentimentos alheios. Comecei a perceber que a busca de uma sensação de felicidade só poderia ser alcançada por ela com um tipo de experiência triste e dolorosa, onde o circular entre os contrários mostraria o quanto a sua dinâmica, digo, no universo das relações interpessoais, acabaria criando uma infinidade de sentimentos perturbadores. Essa cena me fez perceber que usando a inteligência com generosidade, esses vazios poderiam ser preenchidos com o autoconhecimento na valorização do pensamento e do sentimento do outro, caso cada personagem estivesse disposta a se abrir para essa possibilidade. O perfil dessa mulher era o de insistentemente induzir e provocar situações maléficas aos outros. Ela utilizava uma forma de manipulação calcada no domínio que possuía das fraquezas humanas, tudo para que as pessoas que a cercavam satisfizessem sua vontade sem contestação, ao mesmo tempo em que não perdoava quem estivesse em contraposição ao seu desejo mais intimo e fútil. Com a instalação desse poder nunca admitia receber um não como resposta, porque a sua vontade deveria ser soberana em qualquer instância da vida. Por isso, percebi que ela carregava em si essa grande expressão trágica do medo impondo o terror, uma expressão claramente herdada de gerações passadas. Esse foi o meio escolhido para alcançar o que desejava, mesmo que tudo parecesse contrário às leis divinas ou do homem. Muitos dos seus atos poderiam ser legitimados através de uma explicação freudiana ou até filosófica de Shakespeare. Explicações essas que estariam baseadas na sua falta de fé pela vida, nos seres humanos, na religião dos seus consanguíneos, na traição dos amigos e parceiros, e inclusive dos seus próprios valores descritos como justos. Independentemente de qualquer coisa, a sua valia era fazer uso da maldade para atingir objetivos torpes. No final compreendi que ela, no fundo, era o vetor articulando todo o mal que tomava conta da mente das pessoas ao seu redor, isso, através de disfarces totalmente críveis moldados em mentiras. Era com certeza uma fada-monstro bem descrita nas linhas iniciais do conto que escrevi recentemente, principalmente nas partes dois e sete. Essa mulher não demonstrava em nenhum momento ressentimento por tantos atos ruins que praticava, ela acreditava que o sofrimento que praticava a qualquer pessoa era culpa daquele que recebia. Notei que a imagem dessa mulher era perfeita para se tornar uma fada-monstro nos meus pensamentos, uma bruxa insaciável que carrega livros de magia negra e, em outras vezes, poderia ser uma mulher fascinante dotada de beleza e encantos sedutores. Assim com o seu poder e fascínio sobre a minha imaginação, principalmente por ter esse dom da sedução tão inerente ao seu gênero, mexia com a fantasia erótica de um homem atormentando pela angustia de não poder ter qualquer pretensão amorosa com ela, justamente porque esse homem procurava alguém que o respeitasse e que carregasse em seu comportamento o mínimo de humildade e senso de lealdade. As determinações racionais impostas por essa mulher eram trabalhadas diante de uma especificidade masculina, o que o confundia muito por estar tão acostumado com meiguice e afetos no trato amoroso. Ela conseguiu tirá-lo do ponto de equilíbrio, levando-o até a beira do abismo de onde viu as trevas pela primeira vez, isso enquanto ela ocupava  ingenuamente o centro do seu pensamento com grande maestria e desenvoltura. Talvez, até quem sabe, usando novos disfarces, caracterizados em seu comportamento diferenciado para o confundir ainda mais. Ao final, ele aprendeu na convivência com esse ser, que muitas vezes qualquer um pode estar sujeito a falsas interpretações perante situações que confundem ou intimidam. Foi nessa experiência de vida que ele finalmente conseguiu entender que nem sempre o bem e o mal são colocados como único meio e fim de um conflito numa relação. Aprendeu, isso a duras penas, que existe uma terceira opção que deixa em dúvida se cada um de nós não age carregando um pouco de tudo isso dentro do próprio pensar, e de como se porta ao considerar o outro “um ser diferente”. Com certeza todos nós temos consciência que nunca admitimos que pensamos assim, porque a dúvida do que somos e do que podemos ser, ou até do monstro que nos tornamos diante de certas situações, sempre irá nos corroer por dentro, até que o grito final de libertação dos preconceitos chegue em nossos corações trazendo a triste conclusão que pisamos feio na bola.

3 comentários:

  1. Patricia Ramos Sodero30 de abril de 2012 18:52

    Sr.Autor....
    Adorei o resumo do que realmente é o conto:"Uma Breve Vida". Desta forma,a interpretação passa a ser muito mais clara.Nosso personagem queria viver com alguém que o respeitasse como ser humano, e fora atraído por uma mulher,considerada fada monstro,por seu jeito maquiavélico de planejar maneiras de seduzir,conduzir e convencer que,nosso personagem era o culpado pelo jogo de medo,traição,vinganças....tudo para que fosse levado ao abismo.
    Realmente,encontramos pessoas em nossas vidas que,podem fazer o mesmo papel sim.Infelizmente,o ser humano é assim....carregamos um pouco do bem e do mal.Resta saber qual é capaz de assumir o erro,pedir perdão,ser humilde....coisas fáceis,para quem tem a visão da experiência vivida....mas,difícil para quem sempre apontou o próximo como culpado.
    É,Sr.Autor,belo texto...adorei...sem dúvida nenhuma,surpreendeu-nos novamente.
    Vamos ver o que virá...
    Bjs....até.

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  2. Certa vez, escutei uma frase: "Todos nós, carregamos dentro de nosso ser, um anjo e um demônio, cabe a nós escolher qual reinará" Tenho impressão que esta personagem da sua vida usou os dois. Você se encantou e deixou fluir. Quando percebeu que estava lidando mais com o demônio do que com o anjo, imaginou que pudesse reverter a situação. Afinal aprendemos que o amor supéra tudo, modifica tudo e o bem prevalece. Engano seu, engano nosso. Nem sempre essa é a realidade. Existem pessoas que o demônio é mais forte do que ela e domina.
    Nem sei se o tempo apaga as marcas deixada....
    Nei sei se um novo amor age como remédio aliviando a dor e curando as feridas...
    Só você saberá querido Autor.
    Um texto sofrido, quase uma confissão. Bjks no coração mocinho.

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  3. Bom ao ver nenhum homem gosta de ser usado,sempre são eles que fazem isso e quando conhece uma mulher que tem os mesmos poderes ficam sem ação,não sabendo como lidar com aquela situação.Ficam magnetizados querendo sair e ao mesmo tempo ficar pra ver o final desse enredo de ódio e prazer ao mesmo tempo;É o tal jogo de sedução atração fatal.

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