sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma Breve Vida Parte 12

   “Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la”. ALBERT EINSTEIN.
    Depois de assoviar e cantar sinto que estou muito bem por dentro. Mesmo assim imagino que qualquer coisa que tenha de ser esperada interminavelmente torna-se uma grande tortura. Deveria sentir-me satisfeito por Shine e Dig terem inventado um meio para que eu saia daqui. Jesus, se eu tivesse juízo seguiria os seus conselhos e com certeza lembraria melhor de tudo o que preciso para completar a missão, usaria de um esforço que nunca imaginei pudesse ter, tudo para saltar do escuro para luz sem a possibilidade de jamais regressar ao lodo. Para aqueles que pensam que estou louco digo que nunca estive mais são em minha existência. Seja como for, ainda não vejo muita razão para que tudo isso continue acontecendo assim. Há uma desesperança que carrego dentro de mim, algo que me sufoca todo o tempo. Como é difícil aceitar a morte como ela é. Olhando para o passado me vejo de novo diante de um túmulo no qual o morto que se encerra sou eu. Sentada na beirada da construção está a fada, ela continua permanentemente enlutada em seus trajes escuros. Ela parece tentar alguma espécie de comunicação comigo, isso enquanto chora e lamenta. Logo ela que parecia não dar a menor impressão que se importava com alguma coisa. Logo ela que demonstrava não ter cérebro e no lugar dele carregava um par de ovários eternamente ardendo em chamas. Logo ela, alguém de quem nunca tive nada o que esperar, exceto dispersar toda minha energia na luxuria do sexo fácil, está aqui refletindo sobre tudo que passou. Via essa pessoa assim: alguém que era completamente cega às minhas necessidades e vivia todo o tempo em busca dos seus desejos exclusivos, fazendo com isso que eu me considerasse um tolo a cada nova situação. Muito mais que isso, um verdadeiro idiota com o mundo virado de cabeça para baixo e com tudo fora de sincronia. Agora, quando lembro de novo, não consigo acreditar que aquele rosto contemplativo e sem expressão, derramaria lágrimas por minha partida, sinto-me impotente para buscar um significado que nos ligue com tanto sentimento de ausência, uma explicação que pode estar presente entre o sexo selvagem que praticávamos e a morte incondicional de nossas vidas terrenas. Talvez o que eu mais gostasse nela fossem suas fraquezas. Como toda mulher que demonstra um excesso de vontade em fazer qualquer coisa, ela sabia disfarçar bem que era mole por dentro, principalmente quando tocada de desejo profundo ou paixão, mas isso era muito raro, tão raro que acho nunca cheguei verdadeiramente a presenciar. Eu notava que estava sempre preocupada com algo que nunca dizia, era como se tentasse aperfeiçoar o seu espírito através das longas horas de sono profundo e agitado. Ela, por dentro e secretamente, estava cheia de fatos. Coisas que quando reveladas pareciam totalmente absurdas e incongruentes. Todo o tempo se mostrava determinada a provar para alguém, que a vida que levava valia pelo esforço que fazia na busca dos seus prazeres. O jeito como se dirigia às pessoas aparentava um ar de indiferença que assumia diante das adversidades. Por isso eu gostava dela, o seu sentimentalismo era introspectivo e maduro. Havia dentro de si um respeito pelo saber, mesmo que esse conhecimento fosse de coisas inúteis ou de pouco uso na vida prática. Então continuava vivendo sempre assim, agindo de uma maneira impessoal, interessante e indireta, principalmente ao lidar com as pessoas. Era quando eu me perguntava: “Será que ela nunca precisará ter um amigo na vida? Será que continuará agindo com toda essa presunção pelo resto dos seus dias? Até quando agirá como se fosse superior ao seu semelhante? Será que não imagina que o futuro é incerto e nunca se sabe onde se poderá estar daqui a cinco ou dez anos? Que talvez passe por momentos na vida em que esteja tão indefesa quanto eu, então, só assim saberá o grande erro que cometeu em ser tão teimosa e birrenta. E sua intolerância e agressividade, então? Puxa vida, como foi triste agir assim, tendo tudo e não tendo nada....” Eu pensava todo dia a respeito da pessoa mais teimosa que já conheci em todos os tempos, cabeçuda talvez fosse o termo que melhor definisse sua personalidade. Parece tão estranho que, a música que tocou tão ritmada por um tempo, tenha se transformado em apenas sexo. Mas que droga! De que adianta sempre falar nisso. Que idiota eu fui! Todos já sabem disso. Tudo já passou assim como a vida passa. Mas e agora? Agora sou obrigado a pensar que foi um equívoco, que nada aconteceu, nada vezes nada nas rédeas do tempo passado. Mesmo assim, de repente sem o menor motivo, ainda me lembro das manhãs de sextas-feiras, dos sábados empolgantes e domingos intermináveis. Muitas vezes no meio do nada mantínhamos acesa a semente de luz que alimentava o nosso desejo mais devorador. Era o principal mundo em que sabíamos habitar com alguma noção. O sexo pelo sexo, e de acordo com a contingência de cada momento, era esse o verdadeiro mundo sem fim. Era desse jeitinho que eu ia conhecendo cada parte do seu corpo, mesmo que ela estivesse rodopiante e saltitante. Um corpo que se alimentava de ódio e fascinação. Eu conhecia cada poro daquela superfície lisinha, olhava cada fenda em close up. Explorava os lugares onde eu podia agir violentamente em busca do prazer comum ou, na maioria do tempo, ser tão sutil quanto o diabo que cutuca e provoca desejos inconfessáveis. É espantoso como aprendi rapidamente a tatear suas pétalas sedosas, que eram tão puras quanto pétalas de rosa desabrochando na volúpia do prazer, logo, elas emanavam uma fragrância irresistível de fruto do mar. Admirava aquela metamorfose pela qual passava sua mente e seu corpo quando me deitava rolando em seu colo. Ficava com a boca desesperada em busca do alimento vital, em seguida vinha o lábio no bico duro do seio que insistia em demonstrar todo desejo. Era quase uma luta de lábios com lábios e sexo no sexo. A vida na eterna conjunção dos planetas Marte e Vênus, o guerreiro e a deusa do amor vivendo uma paz e um confronto por alguns instantes. E no final olhávamos nos olhos um do outro e notávamos o quando ficáramos tomados de um calor cósmico indescritível. Logo em seguida permanecíamos fechados durante toda a longa noite escura num ambiente de proporções reduzidas, esse era o lugar onde finalmente constatávamos que um tipo de sentimento estranho nos juntara e só a morte poderia nos separar. Por isso no meu túmulo carrego todas essas memórias que remetem a essa criatura. Sinto que está tão perto de mim, mas não posso toca-la. Vejo que tenta se libertar na tentativa de eliminar a dor, mas está sufocada pelas paredes que estão caindo pelos cantos da casa que fede. Está presa em sua própria armadilha, isso desde o dia em que joguei bombas incendiarias naquele lugar, sei bem que virei autor e testemunha, tudo na mesma cena. Fiquei ali estaticamente tomado de um prazer incontido enquanto, do lado de fora, via as paredes ruindo sem parar. As bombas revelaram fatos incontestáveis, coisas indefensáveis da podridão do pensamento em que a fada monstro estava mergulhada. Depois disso, ela foi se recompondo aos poucos, durante muito tempo precisou catar os cacos e refazer sua vida. O seu túmulo foi bem diferente do meu, porque teve que encarar durante algum tempo a desconfiança silenciosa nos sorrisos sem sinceridade daqueles que a cercavam, tudo porque ela sepultou com desprezo todo amor que existiu nessa vida. Nunca esqueci de como a avistava diante dos meus olhos nos tempos de ilusão, nunca esqueci do perfume que exalava e principalmente de como transava bem. Era esse o único momento em que eu conseguia alcançar o mais profundo buraco do seu ser, mesmo que ali nada encontrasse além de um liquido leitoso escorrendo num intenso desatamento ou, em outros momentos, uma inesgotável fonte de suco natural lubrificando e que ia protegendo as partes mais delicadas do seu corpo. Nunca encontrei uma mulher assim. O tempo passou e agora eu a perdôo por tudo que fez a mim, eu a perdôo por que sei o que significa ser humano e carregar as fraquezas do espírito, ou do desespero de não ter o que sempre se deseja. Essa é a minha verdade, foi ela que me encaminhou a um determinado tipo de compreensão dos fatos, e não importa como cheguei até o fim. Compreendo nesse instante que isso não é a fantasia da minha imaginação, é sim a vivência nua e crua pela qual chorei e acabei aqui. O ambiente em que vivo está novamente iluminado por cores sortidas. Flashes coloridos que cegam os meus olhos vão cruzando pelo corpo inteiro. Sinto os meus amigos se aproximando devagar.
Shine diz: - Vejo que o senhor já está preparado para a luta. Saiba que esse será um grande desafio. O maior de todos.
Dig diz: - O seu estágio de aprendizado está acabando. Vou lhe dizer coisas que nunca imaginou que aconteceria depois de vir para cá. Você vislumbrou imagens dos protegidos em suas vidas terrenas, viu suas famílias em ambientes de confraternização, também aprendeu a rotina de cada um. Já que tudo foi bem gravado em sua mente, então pularemos agora para o passo seguinte .
 Shine interrompe e diz: - O senhor pensa que acontecerá o que para ver-se livre dessa missão?
Respondo: - Hummm... Creio que terei que ir atrás dos protegidos, buscar um jeito de alcançar a fada monstro e Úrsula: a bruxa pedante que adorar afrontar e ameaçar os meus pensamentos. Depois buscar e destruir Virginia que sempre têm planos elaborados para a fada executar com precisão. Não é isso?
Dig diz: - Não!
Respondo: - Não? Como assim?
Dig: - Os protegidos estão vivendo a vida deles, não podem ser incomodados em suas súplicas intimistas. O destino de cada um está traçado e não pode ser mudado. A fada e guardiãs também seguem o caminho para o qual foram programadas. Elas estavam incumbidas de cumprir uma tarefa, Shine e eu concluímos que a tarefa delas já foi cumprida, isso com grande êxito.
Respondo: - Não estou entendendo mais nada. Qual o verdadeiro motivo da minha existência? Por quê me mostrou tantas coisas e me orientou com regras absurdas que nunca entendi? Pode me explicar?
Shine diz: - Foi um teste de audácia e paciência. Precisávamos atestar sua sanidade filtrando os seus sentimentos mais puros. Tudo feito para eliminar o lado sombrio das sensações perturbadoras, tudo o que o fazia aparentar uma falsa tranqüilidade no comportamento, tanto antes quanto depois da passagem. A raiva, o rancor, o ressentimento, a intolerância, a nostalgia, e por ultimo: o amor em forma de apego material. Essas manifestações foram observadas e controladas por nós enquanto você aparentemente dormia ou perambulava pela noite. Nenhum fato foi ao acaso. Era necessário concluir com profunda exatidão a intensidade da sua disposição emocional para perdoar aqueles que o ofenderam, você não sabe, mas, está numa fase de transição onde não existe tempo e espaço, onde todo ceticismo cai por terra diante da realidade do mundo ao qual pertence agora. Tudo são lembranças de coisas marcantes da vida recente, inclusive sonhos que viraram pesadelo nas imagens que povoaram o seu sono todo o tempo. Sabíamos que questionaria nossos métodos, então para aprender mais sobre tudo isso, venha, lhe proponho um passeio. Venha conosco, pode confiar. Na verdade vamos muda-lo de casa porque sua jornada de conscientização acaba aqui, o seu próximo destino será um novo lar por uns tempos, um reino de purificação. Suba em cima da carapaça, coloque Shine em seu ombro direito. Vamos viajar. Vamos voar e respirar novos ares.
As longas asas de Dragão se estendem e abanam vagarosamente ganhando ritmo rápido. O céu não parece ser o limite para esses dois. Vejo o chão ficando cada vez mais distante. A lua e o sol estão juntos no mesmo céu. O único ruído é o do barulho das asas de Dig agitando o vento das laterais. Várias manobras fantásticas num céu que mostra constelações, planetas e várias pequenas luas silenciosas. Passam por nós barcos que voam lotados de pessoas dando tchauzinho. Estamos diante de uma grande ilha, um lugar cheio de luz e cores calmas. Pessoas usam roupas largas, circulam naturalmente como no mundo que já vivi. Descemos até um grande pontilhão que liga duas partes de um grande abismo enevoado no fundo. Do lado oposto um grande arco parecido com o arco do triunfo em Paris. Pousamos em terra e seguimos vagarosamente por cima da enorme ponte feita em aço e concreto. Sob o grande portal existe uma passagem iluminada por luzes no chão. Shine desce do meu ombro e monta na carapaça de Dig. Dig olha dentro dos meus olhos, emite focos coloridos de luz e diz: - “Aguarde aqui. Sente-se naquela pedra grande, espere até voltarmos com novas instruções. Não saia daqui de jeito nenhum!” Antes que eu tenha tempo de responder qualquer coisa eles somem pela estrada iluminada. Descem por um ponto em que o olhar não alcança.
O tempo passa. A luz do dia se vai. O escuro, a que tanto fiquei acostumado, cai sobre minha cabeça, os pensamentos caminham por dúvidas e incertezas do que seria tudo isso. Chega uma grande chuva com rajadas de vento. Uma estranha sensação incomoda bastante os pensamentos, isso tudo que está acontecendo me faz ficar com raiva dos dois. Não há lugar algum onde eu possa me esconder do banho gelado da chuva que vai ficando fina. Shine e Dig me abandonaram a mercê do tempo e num lugar completamente desconhecido. Um novo dia está quase nascendo. As árvores balançam com a brisa do alvorecer. Os pássaros cantam com entusiasmo, o azul do céu tem um tom que nunca vi.
Na estrada iluminada, que passa pelo grande arco descendo ao infinito, existe um nevoeiro em movimento com um sobe e desce constante. A todo instante olho para lá na esperança de ver Shine e Dig retornando. A curiosidade fala mais alto que a cautela ou recomendações recebidas. Levanto-me e sigo em direção ao grande portal. As nuvens estão espessas, não avisto o que existe por detrás de tanto mistério. Paro diante do portal. Consigo perceber uma movimentação distante. Vultos caminhando na minha direção. Vejo três vultos lado a lado, caminham em passos calmos. Suas roupas são claras, tons brancos e bege parecem brilhar em destaque. Os três vultos chegam mais perto, vejo que são três mulheres. Cada uma carrega um objeto tipo bengala. Usam o tal objeto para firmar a caminhada na subida de uma trilha ainda iluminada por luzes no chão. Elas estão chegando cada vez mais perto, o nevoeiro encobre tudo de uma vez, é quando os corpos caminhantes e com cabelos envoaçantes somem por alguns instantes. Finalmente ficam bem visíveis outra vez, param do lado de dentro do portal, olham com olhar curioso para a minha postura de medo misturada com ansiedade. Observando com mais atenção reconheço esses rostos. Elas dão mais alguns passos, vão logo parando bem embaixo do grande arco. Ali, diante da minha expectativa totalmente insegura, elas enfileiram-se uma ao lado da outra. A mais baixa do grupo é a fada, ela está bem no meio e comanda a situação, logo resolve falar alguma coisa. Enquanto isso as outras apenas observam tudo em silencio: “- Olá seja bem vindo. Estávamos esperando que chegasse com certa pureza de pensamento, fizemos de tudo para que fossemos liberadas da nossa missão. Mesmo que já saiba quem somos, é necessário que eu apresente cada uma pelo nome que nos conheceu. Eu sou quem você chamou de fada, a do lado esquerdo é Úrsula, do outro lado está Virginia. Bem... Você nos reconheceu logo, não é mesmo? Então saiba que também podemos nos apresentar de outro jeito, numa forma mais agradável ao seu olhar incrédulo. Quem sabe assim possa acreditar em nossos propósitos verdadeiros. Eu sou Dig, Úrsula é Shine e Virginia vestiu-se de homem para incentivá-lo na dança. Ela fez de tudo para que seu espírito ficasse mais alegre. Você nos conheceu bem em outros tempos, não é? Não se preocupe mais, tudo aqui é muito diferente do que já passou. Agora relaxe e nos acompanhe. O último teste imposto por nós foi o do seu limite de paciência. Fizemos de propósito ao deixa-lo esperando debaixo da chuva na porta da nossa Cidade. Somente assim constatamos o quanto é forte e determinado. Você superou bem essa dificuldade. Sentimos que está pronto. Saiba que suas energias serão filtradas e revigoradas. Você será trabalhado por nossos obreiros e obreiras. Todos o aguardam, eles têm uma verdadeira missão divina para executar em sua alma, é algo que o fará mudar de estágio na evolução do ciclo vital. Tudo será explicado em detalhes no tempo certo. Antes de qualquer coisa, é importante que saiba que passará por um processo de adaptação. Isso é extremamente necessário para que viva uma nova experiência, sem comprometer o entendimento da bondade e da benevolência presentes nesse mundo. A mesma conscientização que o fizemos passar, você também realizará em breve com outro alguém. Será escolhido algum necessitado ou uma pessoa a quem magoou profundamente na vida de onde veio. Depois disso poderá caminhar como um espírito livre. Pouco a pouco desenvolverá todas as potencialidades da mente, verá tudo o que precisa aprender para o ciclo continuar em harmonia. O seu progresso para a fase seguinte dependerá do seu trabalho ao desenvolver o perdão naqueles a quem for sua responsabilidade. Um dia irá entender que tudo faz parte da lei da ação e reação, uma lei presente em qualquer dos mundos em que vivemos. Agora descanse em paz, quando acordar saberá o valor da providência divina e do amor incondicional. Durma e acorde em seguida para a uma nova vida. A nossa missão chegou ao final enquanto a sua está apenas começando. Estamos prontas para seguir novos caminhos traçados. Caminhos esses que estão cheios de novas provações e de momentos que só a vida na terra poderá nos oferecer. Um dia nos encontraremos de novo, mesmo que isso demore um pouco.Lembraremos um do outro com um sentimento bem distante, com uma leve sensação de que nos conhecemos de algum lugar. Saiba que o tempo aqui não é mais um problema para você, porque na verdade ele não existe da forma como conheceu em vida. Então até logo. É isso que sempre dizemos aos que ficam ou aos que partem. Em breve viveremos tudo de novo, claro que de outra forma, em outro lugar e vestidos de outras pessoas. Siga o seu novo caminho com o pensamento leve e o coração tranqüilo. Saiba que tudo acabará bem. Fique com Deus!” 


           ------------------- FIM -------------------

12 comentários:

  1. Adorei o começo..realmente se não houvesse a "crise" não haveria o desafio,e sem o 'desafio"não haveria o crescimento como pessoa...Realmente o nosso amigo tem razão deve ser muito dificil mesmo aceitar a morte como ela é e se ver sozinho e sem ninguém ao seu lado que verdadeiramente vc conheça de uma vida que tenha vivido.Parece que a fada percebe que o seu fim está perto e agora chora perto de quem um dia também foi o seus escravo ,,que foi o seu objeto sexual e que um dia em sua vida carnal usou sem dó ,sem ao menos mostrar um pingo de respeito ou sentimento qualquer,a não ser o de ser uma pessoa fria ,manipuladora ,e que nada atingia,essas pessoas nunca pensam que um dia tudo passa e que tudo acaba,e que jamais ao seu lado vão ter um amigo verdadeiro.É uma pena para o nosso amigo descobrir que o sentimemto maior que ele conseguia ter de sua amada em vida carnal,era o do prazer ,só nessas horas ele conseguia ver o que ela sentia e como ela se entregava,,mas enfim com tudo o que passou nas mãos da fada ,consegue com todo seu coração perdoa-la,e que com tudo o que se passou ainda consegue sentir algum sentimento por esse ser tão ruim.Em fim senhor autor me admirei com esse final que no fim não exitia nenhuma missão a ser comprida e sim ajudar o nossso amigo aprender a controlar seus pensamentos ,a saber perdoar e assim conseguir sair de um plano para o outro e lá começar uma nova missão,só que com o coração aberto e sabendo que seus amigos continuam ao seu lado em outra forma e em outro plano.E assim nossso amigo sem saber cumpriu sua verdadeira missão ,aprender que da vida não se leva nada ,e sim os sentimentos de raiva ,rancor e dor ,e que só nos livrando de todos esses sentimentos ruins conseguimos despertar para a eternidade sem sombras...adorei ,mais uma história sem igual...bjus até o próximo....

    ResponderExcluir
  2. “ O tempo passou e agora eu a perdôo por tudo que fez a mim, eu a perdôo porque sei o que significa ser humano e carregar as fraquezas do espírito e do desespero de não ter o que sempre se deseja. Essa é a minha verdade, foi ela que me encaminhou a um determinado tipo de compreensão dos fatos, e não importa como cheguei até o fim. Compreendo nesse instante que isso não é a fantasia da minha imaginação, é sim a vivência nua e crua pela qual chorei e acabei aqui.”
    Pois é, a missão era a de aprender a perdoar para encontrar o caminho e a salvação. Não era a fada, muito menos suas aliadas, que precisavam que ele as salvassem e sim ele próprio e só o verdadeiro desapego, o verdadeiro perdão poderia fazê-lo encontrar o caminho. Tanto a fada monstro como Úrsula e Virgínia precisaram tomar novas formas para que pudessem ajudá-lo a completar sua missão, que ao meu ver era mais uma missão delas, pois elas necessitavam de perdão pelos atos que o magoaram e acabaram por matá-lo. Os protegidos seguem suas vidas, acredito que pelo fato de eles não terem optado pelo modo “mais fácil” de escapar de todos os sofrimentos terrestres, como o fez nosso amigo e que por isso teve que passar por todas essas situações até encontrar o caminho certo a seguir. Agora ele terá uma nova vida, terá verdadeiras missões a cumprir e seguirá evoluindo como todo ser vivo tem que fazer, ajudando aqueles a quem ele fez sofrer, a encontrarem o caminho do perdão e desapego.
    “Em breve viveremos tudo de novo, claro que de outra forma e em outro lugar, vestidos de outras pessoas. Siga seu novo caminho com o pensamento leve e o coração tranqüilo que tudo acabará bem. “
    Parabéns Sr.Autor, belo texto, bela abertura, belo encerramente!!! Surpreendente!!!

    ResponderExcluir
  3. Patricia Ramos Sodero23 de março de 2012 23:27

    Bem, chego a conclusão que, nosso personagem finalmente encontra seu caminho. Tudo isso porque compreende que, em sua vida terrena, não houve um mundo de mágoas,ódios, ressentimentos, por ter algum sentimento...amor.Era muito mais parte carnal....sexo...luxúrias.Quando aceitamos os desafios que nos é dado, tudo fica mais fácil.Como o autor explicou bem,citando o texto de Einstein.
    Nosso "caminho espiritual" fica cheio de luzes coloridas, cada qual com seu significado,fortalecendo ainda mais nosso espírito.
    O autor se expressa muito bem e nos deixa bem claro o recado: vamos passar nossa missão terrena com sabedoria, para que possamos seguir e aceitar a morte, pois cada ciclo, é um ciclo.
    Adorei o desfecho do conto.Muito bem escrito, como sempre o fez.
    Espero poder muito em breve, ler um novo conto, cheio de mistérios, para que possamos,juntos com o autor,compartilhar o que sabe fazer com muita sabedoria.
    Bjos...
    Parabéns....

    ResponderExcluir
  4. Patricia Ramos Sodero24 de março de 2012 12:36

    Quero fazer uma nova análise em meu comentário, visto que, no anterior, não estava totalmente envolvida com o texto, e acho que não fui feliz.
    Penso que nosso personagem encontra seu caminho, por perdoar todo aquele passado lembrado. E para isso, os envolvidos mostram-se de uma forma diferente, para ajudá-lo,e por sua vez, poder caminhar em suas missões.
    Creio que para eles, foi mais fácil seguir, porque aceitaram o modo de vida terrestre que tinham e não enfraqueceram.
    Com nosso amigo, foi diferente, pois o levou a morte.E agora, a missão é exatamente ajudar àqueles que ele fez sofrer...a encontrar seus caminhos.
    Na vida, devemos procurar caminhar, aceitando nossos erros e acertos, pois, quando vamos para o "outro lado",as pendências nos farão voltar, quantas vezes forem necessárias, até alcançarmos nossa verdadeira missão.
    Aguardo com muito anseio, um novo conto desse autor que se expressa muito bem, e, ao meu ver, nasceu para isso.
    Grande bjo...
    Parabéns...

    ResponderExcluir
  5. Ora, ora...boa reviravolta.
    Enfim a missão não era dele. As vilãs não eram vilãs e o oprimido na verdade era um aprendiz.
    Muito interessante a mensagem do perdão como caminho para a elevação da existência humana. Merecer a paz, o descanso, o crescimento da alma, atraves da compreensão, paciência, perdão.
    Independente de que mundo se habita, seja numa existência que desconhecemos, imaginamos e acreditamos após nossa morte, seja neste mundo em que seguimos sem certezas, sem garantias, sem conhecimento do nosso próximo segundo... seria essa a formula da felicidade? ou pelo menos do merecimento do conforto espiritual?
    Seria a nossa caminhada um grande espelho refletor a nos devolver ampliado aquilo que jogamos no Universo?
    Disse São Franciso de Assis, "é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado.."
    Quem sabe.....
    Alguns ditos populares e provébios sugerem também que depende de nossas ações as reações que o mundo nos manda....Aqui se faz, aqui se paga...Quem semeia vento colhe tempestade...
    Bem, acho que isso vale uma reflexão de cada um.
    Quanto sofrimento e angústia nosso heroi teve que enfrentar para chegar ao perdão. Mas enfim o merecido descanso e o próximo passo rumo ao crescimento e aprendizagem.
    Parabéns Renato, gostei muito do desfecho e também da mensagem.

    ResponderExcluir
  6. Surpreendente!!! Melhor assim.
    O conto todo foi muito mórbido, pesado. Todo o rancor e mágoa que o falecido nutria, me causava tristeza, tinha uma carga muito grande de melancolia e dor.
    Fiquei muito aliviada quando, no capitulo anterior, ele conseguiu perdoar as pessoas por quem ele nutria todos os sentimentos negativos e destrutivos. Fiquei outra vez aliviada e feliz com o desfecho, que ao contrário do texto todo, foi leve, bonito... simples é a palavra, como a vida deveria ser (e nós complicamos) e como são as coisas de Deus. Perdoar é divino mesmo.
    O sr. autor sempre se utilizando de elemento surpresa, rs, sendo criativo e nada previsivel.
    Amei o final.
    Parabéns!!!!

    ResponderExcluir
  7. Estou de boca aberta que final surpreendente!!!!Nossa foi uma história linda mostra a superação,o desafio de nunca desistir da sua missão apesar de vários obstáculos,tudo na vida tem um "por que" não é mesmo,possa ser que não temos a resposta na hora,mas o tempo se encarregar de dar.Finalmente ele conseguiu se libertar do que estava atormentando preso ao passado.Vejo que passamos por isso também não precisamos estar mortos.O tormento estava com ele mesmo.Você citou um trecho do grande Albert Einstein dizendo que na vida tem seus obstáculos devemos enfrentá-los sem medo é verdade concordo pois ele foi um gênio apesar quando criança taxavam ele de "burro",imagina fosse inteligente aí mostra a superação,quando ninguém acredita na nossa capacidade é aí que dá mais vontade.Está de parabéns Renato belíssimo conto,onde mostrou que temos que superar as nossas dificuldades em todos os sentidos.Espero que eu não tenha escrito besteira,srsrsr.Bjs!!!Andréa Cardoso.

    ResponderExcluir
  8. Ola que conto mais sinistro no começo,srrsr.Juro que pensava que estava contando de ser vivo e não de alma perdida.Muito interessante como pode uma coisa não acabada aqui na terra atrapalhar depois de morto não tendo paz pior não aceitando a real situação.Eu digo o mundo é um mistério temos que plantar coisas boas pra colhermos o bem.Tudo é um aprendizado.Mas ainda bem que teve um final feliz se libertou pra se seguir seu caminho de luz espiritual.Bjs.Adriana.

    ResponderExcluir
  9. BOM DIA,LI O CONTO E ACHEI PARTICULARMENTE MEIO QUE ANGUSTIANTE NÃO ESTAVA ENTENDO A MORAL DA HISTÓRIA.TIVE QUE LER 2 VEZES PRA PODER FAZER MEU COMENTÁRIO.SEU CONTO É DUPLO SENTIDO MAS LÁ NO FINAL QUE ENTENDI.PENSO QUE NÃO PRECISAMOS MORRER PRA CARREGAR UM FARDO JÁ VIVEMOS NUM.APESAR QUE NINGUÉM SABE O QUE ACONTECE DEPOIS DA MORTE.MUITO INTERESSANTE SEU CONTO APESAR DE DIFÍCIL.ATÉ.

    ResponderExcluir
  10. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  11. O melhor de suas estórias é q fazem a gente ingressar numa viagem cheia de aventuras!
    E nessa eu viajei mto e tanto q tive q mudar o rumo de norte p/ sul em vários momentos!... (Renatos's Tour...Kkkk)
    Só msm agora, no final, é q me dei conta do verdadeiro sentido da estória!... (menos mau ter deixado o comentário pro final, né?)
    Jack (nome q batizei o protagonista)viveu um relacionamento tão conturbado, cheio de altos e baixos, q findou na pior das atitudes q o ser humano pode chegar!... (ainda não cheguei à conclusão se isso é coragem ou covardia)
    Num contexto de profundo espiritualismo, Jack passa pela fase, pós morte, de conscientização e libertação de td q aconteceu c/ ele em vida, relembrando pessoas, momentos e lugares. P/ isso, precisou reviver td q o fez sofrer, revendo as pessoas q o magoaram e vagando por lugares e momentos marcantes...
    Essa passagem se fez necessária p/ q ele pudesse perceber as pessoas e os acontecimentos de um ângulo diferente, para q ele pudesse enxergar o outro lado, o lado bom de cada um e de cada situação e entender q td poderia ter sido finalizado de outra forma.
    Assim, além de purificar sua alma e pensamentos, ele pôde entender e significado do perdão, perdoando os q lhe fizeram mal e, principalmente, perdoando a si msm!
    As perturbações emocionais as quais Jack enfrentava me remeteram à Metamorfose, de Kafka, onde o indivíduo chega ao fundo do poço em suas agonias ao ponto de se ver em forma de um ser asqueroso e repugnante, tal sua baixa estima e melancolia em relação à vida. Assim, imaginei o Jack q, de tão revoltado, magoado e decepcionado c/ sua vida e seus desamores, sentia-se como se a vida não + existisse, a não ser aquela do submundo e da escuridão.
    Na verdade, essa era msm a vida q lhe restava (assim ele acreditava), tnt q ele se atirou nela de kbça, fugindo dos problemas, no desespero de se ver livre deles e na loucura de viver outra vida...
    (Aliás, devo aki abrir um parêntese, Sr. Autor, p/ parabenizá-lo pela riqueza de detalhes em suas descrições. Sua sensibilidade e sutil agressividade despertam no leitor sensações q vão desde o asco e repugnância do ambiente escroto q traduz a casa da FadaMonstro, bem como o tédio e angústia provocados pelos sentimentos underground do protagonista; indo até um calor libidinoso pela sensualidade nos momentos em q houve alguma harmonia entre ele e sua Deusa. Essas reações traduzem a inteligência e perspicácia do bom escritor!)
    Como bem disse Einstein, é na crise q surgem as novas ideias, as descobertas e as transformações! Porém, é necessário ter lucidez de pensamentos, esperança no coração e acreditar em si msm! Ter consciência de q td na vida é passageiro, até msm as fases ruins. Entender q o q vivenciamos é p/ nos engrandecer, p/ nos fortalecer, p/ aprendermos e sermos melhores q antes... É preciso tbém ter consciência de q cada um é cada um, sem generalizações, em qlqr lugar do mundo; estar preparado para esta realidade e seguir em frente c/ a certeza do NÃO, + c/ um desejo enorme e profundo do SIM!!! Se vier o Não, q assim seja, pois já estaremos preparados!...
    Obrigada pela viagem, Piloto Renato, foram ótimas as surpresas do caminho! Já comprei a passagem p/ a próxima, vê se não demora pra decolar!... BJSSS - Edneia

    ResponderExcluir
  12. Boa noite,li o conto UMA BREVE VIDA de fato não mentiu,todos nós estamos de passagem só não sabemos quando vamos partir.Uma história relatando e mostrando o quanto é importante acertarmos coisas pendentes se não for em vida é depois da morte.Estarmos em paz com nós mesmos coisa difícil hj em dia,né.Perfeição nunca chegarem mas podemos usar de boas intenções com os nossos semelhantes não prejudicando e sim praticar humanidade.Só no final que o pobre conseguiu ter paz,fico imaginando o inferno que ele passou,tentando sair daquela situação sem conseguir,teve que passar por um longo prossesso de aceitação e isso é tão difícil!!!Ninguém sabe dizer o que é vida após a morte só Deus e quem já foram.Entre o céu e a terra há muitos mistérios!!Bravo!!!Muito inteligente da sua parte colocar um tema que é tão maravilhoso vida após morte.Até.

    ResponderExcluir