domingo, 11 de março de 2012

Uma Breve Vida Parte 11

Breve
Foi a felicidade que trouxe o breve amor
Breve
Como a mais breve estrela que no céu passou
Breve o instante comovente da paixão
Instante que redime
E faz sofrer e faz chorar o coração
Breve
Como a perdida flor
Que longe floresceu
E o homem não colheu pra o seu amor
Breve foi a felicidade
Como longa essa saudade
Como triste o nosso amor

                      (Geraldo Vandré)

     Acordei. Todas imagens agora são perfeitas. Lembro de tudo. Afirmo com certeza absoluta que estamos todos mortos. Depois da sessão de cinema de ontem, recebi uma carga de informações durante o repouso obrigatório. Coisas que nem sequer imaginaria que pudessem ter acontecido. Um dia eu senti amor, agora eu tenho certeza. Mas a luz do sol se esvaiu depressa. A bela e misteriosa noite caiu com uma habilidade geométrica. Isso pareceu uma coisa tão caprichosa que por uma fração de segundo me senti tomado pelas leis que se formaram dentro de mim e foram conduzindo adiante esse espírito inelutável. Mas logo tudo mudou, sob essa sombra seguiram-se pilhas de cadáveres lançados pelo mundo afora que logo viriam para uma morada igual a minha. Cada um em seu pequeno poço nojento e pegajoso me fazendo companhia. Muitas vezes pode parecer, a um passante exigente e desavisado, que esse lugar onde eu moro tem um aspecto sombrio e mal cheiroso. Eu nem me importo mais com essa impressão. As figuras estranhas espreitando o meu estado espectral ainda não notaram que estou contido em lembranças entrecortadas pela alegria. Que estou completamente tomado por um tipo de  dor descoordenada que nunca termina. Sei que de vez em quando parece que sinto um tipo de amor nostálgico. Vagarosamente a terra começa a girar em seu eixo supremo, tudo sempre voltando a mesma velha rotina. Enquanto isso, todo o esgoto das imagens revoltantes continua gorgolando furiosamente pela geografia dos continentes imaginários, onde tudo é a pura essência daquilo que sempre se torna depois de ingerido e digerido. Todos passantes que visitam essa gente estranha que mora aqui, param para me ver, mas a tampa está bem pregada, as portas aferrolhadas e tudo nessa vida se tornou apenas uma poesia débil. Essa vida que falo continua sendo construída sobre um poço vazio onde fervilham vermes que devoram toda racionalidade. Parece que assim nasci e assim me criei. Aqui, onde uma raiva cega devora o meu cadáver na cama da eternidade, há coisas que não posso compreender, por isso, olho de novo ao redor com olhos mansos. Só assim percebo que tudo aquilo que parece estranhamente sufocante enobrece a alma com esperança. Esse é o lar ao qual pertenço, não há mais dúvida. Mas quando durmo me sinto como se fosse um morto sendo alimentado por lembranças soltas. Uma alma sem qualquer noção de tempo e espaço. Os meus pensamentos continuam se espalhando pelo mundo, enquanto isso, algumas ações fogem de mim fazendo com que eu permaneça completamente ausente de tudo. Por um motivo qualquer, sinto que não há mais nada a esperar que possa refletir algum efeito nessa emoção. Durante meses e anos, dentro da realidade de sonhos, vivi a vida esperando que algo acontecesse, que algo alterasse o meu tempo de espera e o meu lugar dentro dele. Mas, na mais absoluta desesperança fiquei com tudo de ruim que tomou conta de mim, e o que restou foi o instrumento para destruir ilusões. O que restou de mim foi aquilo que a fada me tornou. Queria poder alterar um único elemento dessa natureza. Algo que fundamentalmente mudasse toda a história que ainda não foi contada. Como homem, um dia eu fui traído pela fada na minha crença. Sem saber dessa sina cheguei até os extremos de limites imagináveis para preservar as migalhas do que restou. Mas minha resistência chegou em seu ápice, então tive que saltar na tentativa de encontrar Deus do outro lado. Mas o meu salto não foi suficientemente grande. Abandonei um mundo e me enjaulei em outro intermediário, só soube disso quando me dei conta que emocional e espiritualmente estava morto. O mundo que abandonei ressurge todo dia numa nova aurora. É um mundo de rivalidades e inveja onde as almas famintas avançam para engordar-se embevecidas de orgulho. Elas gostam disso. Isso as conserva como são: perversas e sem humildade. Essas almas se perdem numa futilidade esmagadora achando que o sexo que se pratica vale muito mais que a lealdade que deveria ser oferecida. Meu Deus! Como odeio essa fada monstro. Quanto mais importância se dá a ela nessa missão, maior a sua perseguição no meu pensamento. Há algo tão perverso nesse Ser. Ela é dotada de uma superficialidade intelectual que rumina um tipo de tortura psicológica avançada, alguma coisa que destrói todo e qualquer convívio em qualquer tipo de ambiente. Gostaria de não ser tão infernalmente crítico para com ela, pois um dia pensei que a amava por me imaginar também amado, mesmo sabendo que o seu interesse por mim parecesse algo tão insignificante e distante quanto uma estrela no céu. Imaginando isso é que me fortaleço no dever de continuar a missão, ainda que saiba que ela não dá a menor importância a tudo que vem acontecendo e se esconde protegida pelas guardiãs insolentes que falam apenas o que ela manda e pensam o que ela pensa. Úrsula é sua porta-voz. Ela é forte e determinada. Não apenas age como a fada, é também igual em todos os sentidos, inclusive no comportamento. Portanto, faço e continuarei fazendo das minhas palavras o diário de aberrações que a indigna tanto. É nele que relato todas as malditas coisas que me fez. E como fez! Isso de uma forma absolutamente original e perfeita, afirmo que muito bem calcada na maldade. Sei que ao tomar conhecimento desses pensamentos ficará mais desdenhosa com tudo que nunca foi revelado abertamente e agora está aqui tão presente. Hoje tudo se inverteu daquilo que era antes. Sou eu o carrasco, aquele que, sem o menor sentimento de culpa ou constrangimento, a faz sofrer e entrega para todos a sua inaptidão em ser sincera. O que há de errado em mim ao ser assim por um instante como ela foi um dia? Todos os elementos da nossa união mal sucedida estão expostos, justamente para que os além da fronteira daquelas enormes portas invioláveis que a cercam, conheçam de verdade do seu modo de ser. Ahhh... Puxa vida, como éramos íntimos! Como éramos confidentes e cúmplices de revelações! Que privilégio eu tive em assistir de camarote todas as vidas erráticas das suas guardiãs, sempre sendo vistas em imagens tão vivas que desfilavam a verdade diante dos meus olhos, numa narrativa emocionada e profunda. Muito bem... Talvez nem fosse tanta paixão o que nos unia. O que era engraçado porque tudo parecia uma coisa de louco que despertava muita curiosidade ouriçando os sentidos. Acho que precisamente nenhum de nós tinha paixão alguma um pelo outro, era apenas um estado de guerra constante e intensamente recheado por sexo e monotonia. Éramos como duas engrenagens cheias de dentes onde uma corrente sincronizava o movimento, mas de vez em quando essa corrente escapava e era o caos. Nenhum toque de mão divina ou humana poderia conserta-la. Só o tempo poderia fazer com destreza. E quando recolocada no lugar tudo voltava a ser exatamente igual ao que era antes. E dia após dia nós poderíamos dormir e acordar tendo a certeza que a engrenagem estaria azeitada, juntamente com todos elementos inalterados que não faziam parte do mecanismo de aproximação, mas eram fundamentais. As explosões, colisões e catástrofes acabavam sempre controladas pelo sexo. Essa era a chave de tudo. Sexo sem parar, de manhã, de tarde e de noite. Sexo com vírgula e ponto e vírgula. Sexo com café da manhã, almoço e lanche da tarde. Sexo na claridade e na escuridão. Sexo sob aquela mesa com hastes e pernas de ferro ou sobre a grama fria de uma noite de primavera. E depois vinha um imenso vazio, mesmo que tudo ainda mantivesse uma aura romântica numa sombria satisfação. Lembrando disso começo a pensar se faria alguma diferença caso não tivesse escolhido o caminho que trilhei, ou se faria alguma diferença ter essa criatura irrequieta ao meu lado por mais algum tempo. Ela sabe bem que eu a conheci profundamente, talvez melhor que ela mesma. Quando eu dizia: “Venha aqui, me beije carinhosamente”! Ela me beijava e eu sentia no seu carinho a súplica do desejo, mesmo que ainda dissesse: “Não vamos tão rápido”. Então eu a apertava bem e implorava aquele pouquinho de amor que nunca teve por mim. Por isso que agora, quando sinto que está desprezada e com a imagem despedaçada, tudo por ter sido fria e mercenária, é que imagino o sofrimento e a miséria interior que vive. Talvez hoje já não lhe agrade mais abrir a porta e botar alguém para fora aos pontapés, ou  humilhar o semelhante com palavras de superioridade. Quem sabe os seus métodos sejam outros hoje em dia. Quando lembro disso sempre me imagino dentro de um poema artístico de Matisse, uma obra de cores e formas em cima da matéria disforme que ganha expressão. Pois, mesmo morto, rejeito a consumação do tempo. Por causa da vida desse poeta das linhas fluidas e originalmente cruas, é que vivo a minha maior realidade, sempre reconhecendo que todo artista é um poeta na essência de captar gestos, fisionomias e sentimentos . O milagre da natureza se expressa no efeito de sobrevivência e amplitude. Todo o meu Ser ainda respira. É impossível continuar sem sentir a elevação da memória dos cheiros, dos toques e dos momentos inesquecíveis de aconchego. Todo homem possui o dom de dissolver sua figura, perpetuando a sua própria imagem por detrás de tantas minúcias que vão do orgasmo ao caos. Muitas vezes ouvi longos recitais dos musicais fantasmagóricos perambulando por dentro da cabeça, não era só música eram descobertas em cada passagem por reinos intermediários que se revelavam no sono. Eu via um mundo que ia adoecendo e morrendo aos poucos, tal qual a eterna criação do cosmos que depois de pronto continuou em constante mutação e se deteriorando passo a passo. Assim, embora instintivamente, o meu intimo me dissesse para parar a caminhada à toa, isso em busca do amor sem amor daquela criatura triste e de aspecto estranho, eu insistia em marchar adiante, uma marcha batida e determinada. Profundo, não? Liga não. Eu sou assim mesmo, meio contraditório... Porém saiba que são os meus pensamentos confortadores que me trazem de volta a tudo isso. É realmente fascinante ser apanhado desse jeito. É uma onda de nostalgia quase anacrônica e fora de propósito. Onde toda confusão, desordem, pensamentos devastadores, vibrações malignas e sentimentos ilusórios carecem de significação plausível. Sei que o fato de parecer um estúpido me desalenta um pouco. Mas no estágio em que me encontro existe uma identidade básica e indissociável que se estende pelas garras do tempo. Todo o contorno dado a essa missão se norteia por motivos específicos que foram criados por palavras, olhares, atitudes, desinteresses e traições. Tudo foi baseado na falta de compromisso da fada com a verdade, regras e códigos de conduta. Agora sei que estou atuando através de uma demanda concreta que partiu de atos agressivos, também concretos, que sofri. Mesmo que toda essa missão esteja ocorrendo de uma forma totalmente simbólica, o que também pode ser visto por outro ângulo para quem interessar, talvez para fada-monstro interesse entender por outro ângulo, eu tenho que seguir em frente. Não faço questão alguma de demonstrar o menor esforço para tentar convencer a fada e guardiãs de toda transformação que precisam passar para alçarem o outro plano. O contato gradativo e determinado será pontualmente marcante nessa missão que estou praticamente pronto a executar com heroísmo. Durante um período de tempo imprevisível todas ofensas dirigidas a mim serão as motivadoras desse jogo dramático, um jogo que culminará no cumprimento daquilo a que fui incumbido. Mesmo que o olhar da fada carregue um ar inerte e frio, como daqueles que estão hipnotizados ou tomados de um espírito obsessor. Eu garanto que tornarei esse dia inesquecível em suas memórias, ainda que isso seja uma cena muito desagradável para ser guardada em qualquer canto. Sou eu que, criando tudo isso, conhecerei os caminhos por onde essa alma percorrerá depois de salva. Olhem só que cruel decepção me trouxe aqui e ainda tenho que salva-la! Uma decepção tão grande que nem foi capaz de me destruir totalmente, e no final me jogou nessa missão inexplicável. Estou enojado com esse destino cruel. Eu quero ouvir música, escrever tudo num livro ou sonhar com as ambições do passado. Por quê essa existência não me permite nada disso? Que vantagem há em vaguear de lugar para lugar ou conversar com bichos da terra? Por quê não fui destinado ao mesmo caminho de todos os outros? A minha origem está se perdendo na obscuridade de um ser vagante que nunca consegue completar a missão. Eu queria tanto voltar ao mundo comum da vida moderna. Queria tanto sair de onde o vento gelado sopra e tudo se torna obscuro e deserto no pensamento. Eu quero a transição, viver o sonho que ainda não conheço. Dissolver-me no ar e desaparecer definitivamente. Agora sou um Ser sem casa com conforto ou amigos presentes. A minha casa de verdade não pertence a esse mundo, nada do que mais valorizei pertence a esse mundo. Tudo de bom está numa realidade que não existe ainda, mas vai existir quando a missão se completar. Ahh... Se eu pudesse jogar uma bomba poderosa e reduzir a pedacinhos insignificantes o lar da fada. Com certeza o faria para acabar logo com essa agonia que toma conta de mim sem que eu queira. Se eu pudesse lançar sobre esse trio um olhar assassino que as fizesse mijar de medo, como covardes que são, com certeza o faria também. Ai sim, eu ficaria leve como uma pluma, poderia até dar um passeiozinho no parque com um ar alegre e excitante. Lembraria daquela fogosidade em nome do desejo insaciável. Ela sabia muito bem oferecer o ato sexual como premio de consolação por tantas ofensas desprezíveis. Traria outra vez a imagem da sua silhueta se desenhando no escuro, cavalgando em cima de mim ao som dos ossos rangendo e dos estalos molhados do sexo cheio de desejo. Era isso que eu gostaria que ocupasse o meu pensamento depois que finalmente me livrasse de suas perseguições. Penso muito nessas coisas porque fiquei apegado ao único ato que ela fazia com desejo e emoção. Que droga! Se eu sequer imaginasse o que poderia acontecer comigo teria desistido a tempo. Por quê não fiz isso na hora certa? Lembro bem que um dia ela disse que estava ansiosa para estar comigo de novo. E cada vez que eu a via era a mesma coisa que saía dos seus lábios. O tempo foi passando, então notei suas mudanças. O seu corpo mudava, a sua personalidade mudava, os seus trejeitos de bruxa se acentuavam. Ela era como um camaleão que ia passando por modulações. Em cada nova mudança tornava-se uma pessoa diferente. Depois de algum tempo eu já nem sabia mais com quem estava conversando ou dormindo. Logo descobri que ela se achava de pouca beleza, então resolveu tornar-se bela com adornos e maquiagens importadas da França. Renunciou à muitas coisas em nome da beleza e do encanto que julgava não possuir. Entre essas renuncias estava a família e amigos. Estudava diante do espelho cada movimento, cada combinação de roupa. Mudou o modo como se dirigia às pessoas porque sempre foi estupidamente bruta. Passou a conduzir-se com uma habilidade que nenhum homem poderia resistir. Não tinha necessidade alguma de maquiar suas mentiras, porque o seu único objetivo era ser fiel aos seus propósitos. Mas logo vinha outra realidade, então ela se fechava em seu buraco negro. Nessa hora todos viravam rivais, eram adversários prontos para esmaga-la ao lembra-la das poucas virtudes que possuía em seu âmago. Ainda assim ela era obediente a única coisa que imaginava conhecer: o seu próprio destino em ser cruel!  Acabei de perceber que não posso continuar negando a verdade. Não existe mais tempo, a vida é indestrutível, só existe o presente no qual imagino essas cenas. Todos os continentes geográficos imaginários foram violados e roubados. As imagens revoltantes que povoam essa mente criativa viraram o esgoto da alma. Não há como seguir e nem como parar. O que foi dito não volta mais, o que está a caminho não tem como ser evitado. Descobri que sou um assassino em potencial pronto a encarar um destino fatal, usando dos meios mais diabólicos para causar agonia e dor na fada monstro perversa. Como pode ser possível empregar tantas coisas na mesma sensação? A guerra prossegue. A missão está à vista. No meio de toda essa demonstração, com um intento espiritualmente destruidor, me torno um ignorante diante de todos inimigos. Se eu tivesse dito a ela que tudo isso um dia iria acontecer desse jeitinho, com certeza não me acreditaria, mas eu disse. Eu disse, sim! Fiz da melhor forma que pude. Isso quando fomos generosos um com o outro e não compreendíamos o significado de ser o que éramos. Ah, se ela tivesse me ouvido eu estaria livre agora. Então descubro que a melhor maneira de lembrar de tudo, ou até entender o significado dessa missão, é buscar no fundo das memórias aquilo que foi vivido. E para ter um alento melhor, imaginar como deveria ter sido se eu não tivesse dado o salto fatal. Nesse momento tudo é bem diferente, existe uma coisa temerária a ser feita, algo que ainda não entendo. Alguma coisa que não seria pelo simples prazer de fazer por maldade, com certeza nada semelhante aos atos dela em relação a mim. Essa coisa de agora foi gerada por um grande conhecimento de uma realidade cruel. Uma realidade que caminhou paralelamente ao desprezo destinado a mim. Enquanto penso em tudo isso, assovio uma canção que diz mais ou menos assim:

Vim aqui só pra dizer
Ninguém há de me calar
Se alguém tem que morrer
Que seja pra melhorar
Tanta vida pra viver
Tanta vida a se acabar
Com tanto pra se fazer
Com tanto pra se salvar
Você que não me entendeu
Não perde por esperar.

 (Geraldo Vandré)

7 comentários:

  1. É, parece que nosso amigo finalmente se lembrou de tudo o que aconteceu e de como ele chegou onde está agora. Teria ele optado pelo caminho mais fácil e desistido de viver, esperando encontrar alívio ao seu sofrimento? Ele não consegue se libertar de toda a dor que a fada e suas aliadas o fizeram sentir.
    O arrependimento por não ter saído de toda essa situação a tempo, o tortura, o desejo de poder voltar e reviver tudo de forma diferente, como se isso fosse possível. Em determinado momento ele me faz pensar que a única coisa que o unia a fada era o sexo, que o amor realmente não aconteceu e que tanto ele quanto ela se entregavam somente ao prazer carnal e que esses momento pareciam valer a pena, mesmo que o custo de tudo isso fosse sua própria vida.
    Agora essa missão, que até certo ponto poderia ser mais uma vingança, mas ao mesmo tempo uma forma de salvar a fada de toda essa maldade que a cerca e torná-lo um herói, estranho isso né? Salvar alguém que te fez tanto mal, muito nobre! Mas isso não parece ser o real motivo dessa missão, como ele mesmo diz:
    “Mas é diferente, existe uma coisa temerária a ser feita, algo que ainda não entendo, mas que parece que não é pelo simples prazer de faze-la, como foi com seus atos no passado em relação a mim. Essas coisas de agora foram geradas por um grande conhecimento. E também por um grande mistério que caminhou paralelamente ao desprezo e a abominação destinados a mim. “
    É, muita coisa ainda a descobrir...

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  2. Quero completar meu comentário anterior. Não poderei deixar de citar mais um trechinho do texto que muito me impressionou e entristeceu:
    "Sem saber dessa sina cheguei até os extremos de limites imagináveis para preservar as migalhas do que restou. Mas minha resistência chegou em seu ápice, então tive que saltar na tentativa de encontrar Deus do outro lado. Mas o meu salto não foi suficientemente grande. Abandonei um mundo e me enjaulei em outro intermediário, só soube disso quando me dei conta que emocional e espiritualmente estava morto."
    A dor e o sofrimento muitas vezes podem nos levar a atitudes que nunca imaginaríamos ter, e isso as vezes pode nos trazer arrependimentos e um sofrimento ainda maior.
    Embora triste, um capítulo muito bom esse! Parabéns Sr.Autor!!!

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  3. Após assistir ao filme, nosso herói parece adquirir a consciência de que está morto e que viveu realmente um amor.
    De que muitos como ele, diariamente formam esse mundo paralelo existente, de poços nojentos, gosmentos e cheios de vermes, onde a raiva é uma das maiores caracteristicas nessa vida pós morte.

    Em seguida aparenta não estar exatamente morto fisicamente, mas sim emocionalmente e espiritualmente, já que não suportando mais as traiçoes de suas crenças e tampouco viver com as migalhas com que tentava segurar-se ao lado da fada, sai da relação tentando salvar-se e encontrar Deus, mas para sua tristeza percebe que mesmo abandonando sua vida não encontra a paz, não esquece seu passado, e passa a viver de raiva, amargura e desesperança, praticamente um morto vivo.

    Compara seu dias com a vida que tinha, cheio de superficialidade, perversidade, futilidade.
    Acredita que sua missão lhe é atribuida por ter conhecido muito intimamente a fada e suas guardiãs e ter convivido no mundo delas em busca de amor e afeição, mesmo quando percebia a falta de amor existente naquele mundo, e ainda por ter visto esse mundo desmoronar e se deteriorar dia a dia. Rebela-se contra o destino que lhe é reservado, entende que sua missão inclui salvar as 'almas' de quem lhe fez tão mal, e que independente da forma e do sofrimento que vai causar, no fim das contas acabará por salvar a fada.

    Que ironia o seu destino, para cumprir sua missão e salvar quem tanto mal lhe fez, hoje vive angustiado, vagando, sem poder gozar as coisas agradáveis e saborosas da vida, ou seja, TENTOU FUGIR DO SOFRIMENTO, E PARA O SOFRIMENTO RETORNOU, PARA SALVAR QUEM NO SOFRIMENTO O JOGOU????
    Diante desta pseudo compreensão do seu passado e presente tem urgência de acabar logo com tudo isso.

    Bem, qual seria a moral desse trecho da história? O que o autor tentou passar?
    Seria que nada acontece ao acaso e não adianta tentar fugir do seu destino? Você pode dar voltas, mas no fim a estrada vai te levar para onde estiver predestinado a estar?
    Será que não temos o controle de nossas vidas e destinos nas rédeas em nossas mãos?
    Cada qual que entenda de acordo com suas crenças...

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  4. Patricia Ramos Sodero15 de março de 2012 19:16

    Nosso personagem, por mais que tente, e mesmo já tendo a consciência de que está em outro plano, não mais material, continua vivendo uma grande verdade: a de ter tido uma grande decepção amorosa e a raiva das traições vividas.
    A todo custo,tenta abandonar a vida material que teve, de sofrimentos, para alcançar definitivamente sua paz e missão espiritual.Não consegue.
    Continua em seu passado,não encontra seu caminho e acredita que, a fada e suas guardiãs,conviveram tão intimamente com ele,que é isso que o atrapalhou na caminhada.
    O personagem precisa entender que,sua missão é de "salvar" almas....almas essas que fizeram-no sofrer.É a ironia do destino de muitos nós.
    Acredito que o autor quis nos passar exatamente isso: NADA É POR ACASO EM NOSSAS VIDAS.....seja material ou espiritual.
    Quero parabelizar o autor,pois seus textos são colocados de maneira tão inteligente que,pode ser analisado de diversas maneiras....sentimental,espiritual e material.
    Parabéns por mais um capítulo, que apesar de triste, muito bem escrito, como sempre.
    Bjos...

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  5. Patricia Ramos Sodero16 de março de 2012 18:23

    Quero acrescentar algo em meu comentário, onde, em minha concepção, é realmente firmada a idéia que,nosso personagem realmente acordou para sua missão espiritual:
    "....Mas logo tudo mudou,sob essa sombra seguiram-se pilhas de cadáveres lançados pelo mundo afora e que logo viriam para uma morada igual a minha.Cada um em seu pequeno poço nojento e pegajoso me fazendo companhia...."
    Todos aqueles que morrem e não conseguem de imediato se "encontrar",deixando o que viveu em Terra pra trás,permanece no Vale dos Suicídas,como eu chamo o local falado nesse trecho do texto,até que encontrem sua luz e caminho espiritual,bem como, principalmente,aceite que tem outra missão:a de amar mesmo quem lhe proporcionou o mal.
    Na verdade,nosso personagem só viveu uma grande atração carnal, onde o sexo era tudo... o consumia dia e noite.Não era amor!E acabou morrendo por isso.
    Mesmo que a fada continue obcecada por fazer o mal a ele, o mesmo já se deu conta do bem que precisa fazer, para seguir seu caminho, em outro local.
    Parabéns!!!
    Bjos...espero o próximo capítulo.

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  6. É finalmente nosso amigo caiu em si e percebeu a sua real situação....Percebeu que realmente viveu um amor com a sua fada ,mas um amor cheio interesses,mas interesse sexual,cheio de falsidades e embora não aceite a verdade ele que se deixou envolver e se enganar,porque na minha opinião em uma relação se deixamos enganar só se quisermos...E pelo que se passa além de ter se enganado chegou ao ponto de entregar a vida carnal para entrar em uma vida espiritual..como pessoas assim se enganam achando que essa é a melhor solução...Ai quando nosso amigo acordou estava em outro plano,mas agora colocado a prova,e essa prova é vencer todas as suas alucinações e cumprir sua missão,acabando com a fada que um dia foi sua amada em sua vida carnal..que ironia do destino não é mesmo..mas enfim parece que nosso amigo vai conseguir cumprir a sua missão....Parabéns pelo texto bjus..

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  7. Nossa Renato,que história hein!!!Parece que nosso amigo até que enfim caiu na real que está morto.Fico pensando será que todos que morrem antes do tempo ou com algum problema aqui na terra,não tem paz.É o caso dele viveu um amor não correspondido que o atormenta mesmo depois de morto.Mas parece que vai ter uma solução vai poder se libertar pra prosseguir seu caminho e descansar em paz sair da escuridão em que ele vive.Bjs!!!Andréa Cardoso.

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