terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma Breve Vida PARTE 1

        O mundo é um inferno! Qual é a função do que acontece nele? É feito de tal maneira que um sofrimento traz outro consigo. Desde que a terra existe, acontece uma reação em cadeia de sofrimentos e horror. Mas talvez não seja melhor em outros lugares, nos planetas distantes, nas estrelas, e na via Láctea... Quem sabe? Contudo o ápice de tudo o que há de feio nesse Universo e nos universos desconhecidos é com certeza o ser humano. Os seres humanos, eles são assim... São maus, cruéis, astutos, egoístas, gananciosos, terríveis, loucos, sádicos, oportunistas, sanguinolentos, têm prazer em prejudicar os outros, são infiéis, hipócritas, invejosos, e – acima de tudo – burros que nem uma porta. Os seres humanos, eles são assim. Mas e os outros?                                            (Akif Pirinçci)
           A partir de certo momento, de uma breve vida, os fatos que se seguiram foram de um jeito tão surreal, que revendo agora, isso de um vértice superior e extremamente poético, noto que foram longos tempos de um pesadelo que parecia sem fim. Recapitulando tudo, percebo o quanto fui jogado em um turbilhão de enormes cenas de horrores. Ficava tão paralisado com aquilo que mal conseguia andar. Quem me visse notaria o quanto o sorriso desaparecera do meu rosto. Talvez com essas palavras alguém se recorde de algum caso em sua própria vida, ou de alguém que parecia uma coisa e era outra durante meses ou até anos.
      (Se vocês realmente quiserem continuar lendo essa minha história triste – e eu recomendo persistentemente que o façam - peço que se acostumem com a ideia do que vem pela frente não é nada agradável).
         Foram esses acontecimentos misteriosos que disseminaram um tipo de ira interior, esses acontecimentos, repito, fizeram com que aquela harmonia pacata tão desejada sumisse no meio dos laços que eu julgava definitivos. Hoje eu sei que ninguém está a salvo dos horrores das maldades humanas e, muito menos, dos tenebrosos abismos que separam ou unem amor e ódio. Eu tenho um culto maluco para contar; são cenas fortes cheias de rituais e manias esquisitas, imaginando sempre que alguém tivesse invadido o meu pensamento na hora que me rebelei para partir. Lá no meu pensamento essa pessoa veria uma imagem fluindo, totalmente feita de substâncias químicas que se evaporam no ar. Sentiria a mesma sensação que eu sinto; a de que o mundo é repugnante e cheio de escombros que desmoronaram há tempos. São os restos de uma triste construção na qual fui jogado e que está tomada pelo fedor de mofo. Como eu queria que alguém enxergasse essa imagem que vejo assim tão nitidamente. A pessoa que a visse teria uma sensação bem diferente: seria como uma personagem da tragédia humana, a mesma que faz da vida de cada pessoa um draminha comum, que é muito presente no momento daqueles que entregam suas almas a Deus.  É muito sério isso que estou contando, sem brincadeira! Coloque-se por um instante no meu lugar e tente saber o que penso. Vou contar mais para esclarecer melhor. Seria como aquele momento da morte que só os poetas sabem descrever, ou como o grande milagre da passagem e desejo pelo desconhecido que seduz e amendronta. Então, por isso, a transformação dessa expressão em meu rosto continua repleta de ódio e dor. A escolha que fiz foi errada, agora sei bem por que vejo no fundo da alma coisas estranhas. Mesmo sabendo que tudo isso já não tem a menor importância e toda medição de tempo parece indiferente à minha necessidade de sobrevivência.
  Um dia conheci uma pessoa. Um ser protegido pelos seus como uma jóia rara. Imagino que eles devem se identificar bem um com o outro, já que essa família parece formar uma trupe bem engraçada - que coisa mais triste é falar assim, essa é uma constatação cruel. Por detrás da janela dessa gente triste existe um mundo sórdido e confuso. Mas, o meu ponto de vista é estúpido, vocês não acham? Nesse momento vejo tudo como é. Confesso que é tão grotesco viver assim como eles vivem; e eu também. Eles me ignoram e ignoram a todos! Ipi ipi-urra!! A vida segue tão voraz. Hum... Vejo o alçapão se fechando outra vez. O detalhe mais importante dessa natureza morta, é que os loucos continuam vivos entre nós. Para piorar a situação tive dois pesadelos durante a noite passada. Sendo que quando aconteceu o segundo eu já estava acordado e com os olhos pregados no teto. Chovia forte, parecia com uma tempestade de verão. Trovões e relâmpagos iluminavam o céu do meu sonho. Tive medo por um instante. Pois imaginei que era um aviso. Eu tentei ser forte, sabia que não deveria temer nada, afinal o medo só quem tem são criaturas fracas. Contudo eu vi uma fada descendo, em segundos ela parecia uma bruxa e em seguida se transformou em um monstro. Tentava me seduzir com o olhar. Ela, - prefiro chamá-la de fada, por enquanto -, soltava raios que eu julgava divinos que penetravam nos meus olhos; uma visão sedutora e ao mesmo tempo aterrorizante. Em seguida ouvi uivos em duplas, gemidos contínuos... Meu Deus! Devo estar com uns bons parafusos a menos na cabeça. Esses sons parecem tão reais. Os gemidos, depois de um tempo, são tão melodiosos que desejo não parar de ouvi-los. Vira um vício que não consigo largar, mas só enquanto a escuridão reinar. O horrível fedor continua incomodando um pouco, parece que ficou mais intenso depois da chuva. É o odor da minha cama. Quero que saiba que vivo nessa escuridão sendo o único morador desse local. Parece que nenhum sofrimento pode mudar uma alma condenada. Nos últimos tempos venho me dedicando ao enobrecimento da alma aprendendo coisas novas, mesmo que esteja um tanto desnorteado. (Como vocês podem perceber não há muita ordem nessa narrativa, nem menções nebulosas que sigam uma lógica perversa. Há apenas a verdade da minha história). Para a vizinhança eu sei disfarçar bem tudo aquilo que realmente sou e, a bem da verdade, eles nem demonstram se importar comigo. Pode ficar tranqüila quando eu me aproximar. Sei que agora estou um tanto desfigurado, talvez você mal me reconheça nesses trajes. Eu sei que a sua imaginação é tão fértil quanto a minha. Permita-me demonstrar, com o meu charme, o quanto você é fraca de espírito. A sua mente está perturbada agora? Por acaso perdeu o rumo da lógica e do bom senso? Vejo que seres humanos de verdade nunca fechariam os olhos à tragédia daqueles que um dia foram íntimos. A pior cena que um ator pode encenar é a cena da insignificância na vida de alguém - por isso você está comigo no meu mundo novamente - e é bem agora que precisa mudar de posição. Justa causa, em nome de tantas maldades. Talvez palavras fáceis e poucas metáforas fossem mais palpáveis ao seu raciocínio preguiçoso, mas recuso-me a fazer isso aqui. É tão engraçado imaginar que agora você olha o que eu penso. E até sente um zumbido quando apareço diante dos seus olhos. Não adianta mais desejar que isso aconteça pela última vez. Pena que eu não soubesse que você já tinha a fama de cobra antes de aparecer por um acaso nessa existência. Já posso contar que rolei pelo chão e me deixei ficar como sua presa. Foram tantos momentos em que riu como nunca rira antes em toda a sua existência, não é mesmo? Foi tão espantoso o riso que deu, quase tão ensurdecedor quanto o meu baque imaginário. Nesse momento você novamente sorri, sorriso zombeteiro, dá outra vez, descaradamente, aquele sorriso sem dentes que conheci um dia. Faz muito bem como um carrasco que ri por debaixo do capuz erguendo o seu instrumento pontiagudo.
     (Eu compreendo que pode parecer um tanto amalucada essa história dita assim; é o jeito que sei contar). Na recente visão que tive da fada, o seu espírito andava descuidado, fazendo questão de estropiar e matar a minha vontade de descansar em paz. Uma pena que quisesse matar o gênio que existe dentro de mim, tornando essa bela arte de viver na paz eterna um inferno. A fada me fez ver tudo novamente como se fosse a inscrição da minha certidão de óbito; feita em letras tortas desde que a conheci. 

5 comentários:

  1. Depois de ler e reler.....achei muito inquietante a estória. Amor, ódio, angústia, desprezo sempre tão presentes nos seus relatos.
    Um momento de prazer, amor, transformado (percebido?) como uma armadilha e uma eternidade de sofrimento.
    O texto é lindo e denso, embora eu tenha dificuldade de assimilar, por não conseguir ter essa visão do homem (essencialmente mau, traidor, cruel, astuto, terrível, sádico) e nem o mundo como um lugar completamente ameaçador.

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  2. Intrigante tudo isso. Mas o ser humano é capaz de muito mais...e como é.
    Por um lado, deixamos pessoas chegar e se acomodar, entram, se instalam, ocupam corpo, mente e alma. Algo sai errado, entramos em colápso total. Claro que demos permissão! Ninguém invade pensamentos de portas fechadas. Por outro lado, existem pessoas más, sujas, sem escrúpulos, brincam, quebram todos os brinquedos e se vão. O parque fica totalmente sem atividade e se fecha. Ódio, mágoa, rancor invadem nossos pensamentos e também não pedem licença. O breve momento de amor se vai e no lugar fica somente a raiva e sede pela vingança. Um texto forte e marcante. Poderia dizer até nojento. Se lidamos com seres humanos com atitudes e ações assim....só resta mesmo o nojo. Não gosto de ler coisas assim, me trazem recordações adormecidas. Mas aprendi que existem momentos para tudo, bateu...levou. Só não aceito que deixe morrer nada de bom existente dentro de vc. Valeu mocinho!!! bjs no coração.

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  3. PERCEBI Q NESSE TESTO HA UMA MISTURA DE SENTIMENTOS QUE VEM A SE MISTURAR COM ALGO Q VEM DA ALMA DO AUTOR ..NOS PASSANDO, ALEGRIA, DECEPÇAO, SOFRIMENTO...NAO SEI SE TDO ISSO SAO COISAS VIVIDAS POR ELE OU FATOS ATRAVEZ DE PESQUISAS..MESMO ASSIMQUERO DEIXAR UM GRANDE BJU

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  4. Bem...falando sobre o texto, penso que o autor misturou todos os sentimentos...do bem...e do mal..
    Medos,angústias,frustações,decepções,crueldades....vencidos por amor,seduções....sentimentos que tomam conta da alma do ser humano, que por mais que queira, não consegue vencer o outro lado,que nos consome,e faz a esperança que temos de ver um mundo melhor,ir embora.
    Sou uma pessoa que ainda acredita que o ser humano possa mudar essas expectativas....mas tem o lado da Fé também...hj em dia,não se tem mais esses conceitos religiosos.
    E concordo com alguns comentários feitos acima: Não deixe morrer nada de bom que existe em vc!!!
    Grande bjo...

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  5. Primeiramente parabéns pelo texto...Achei o texto meio sombrio,frio mas ao mesmo tempo comovente.Infelizmente na nossa vida carnal quando terminamos um relacionamento,sempre guardamos mais as coisas ruins do que as coisas boas..é difícil lembrarmos as coisas boas,de momentos felizes a raiva o ódio sempre passam por cima de tudo isso.E me parece que nosso amigo levou essa magoa essa amargura para a vida pós vida,vive duelando contra esse sonho ou pesadelo que tem com a sua amada que de fada virou monstro em sua breve vida terrena..Mais uma vez Parabéns pelo texto..vamos ao próximo bjks..

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