sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Uma Breve Vida PARTE 4


     Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus ferrolhos e portas, e disse: até aqui virás e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?
Acaso, desde que começaram os teus dias, deste tu ordem à madrugada ou fizeste a alva saber o seu lugar, para que se apegasse às orlas da terra, e desta fossem os perversos sacudidos?
A terra se modela como o barro debaixo do selo, e tudo se apresenta como vestidos; dos perversos se desvia a sua luz, e o braço levantado para ferir se quebranta.
Acaso, entraste nos mananciais do mar ou percorreste o mais profundo dos abismos?
Porventura, te foram reveladas as portas da morte ou viste essas portas da região tenebrosa?
Tens idéia nítida da largura da terra? Dize-me, se o sabes.
Onde está o caminho para a morada da luz? E, quanto às trevas, onde é o seu lugar, para que as conduzas aos seus limites e discirnas as veredas para a sua casa?
De certo tu o sabes, porque nesse tempo tu já eras nascido e porque já era grande o número dos teus dias! (Jó 38: 10-21)
          Tudo isso parece um grande enigma à espera de alguém que o solucione. Sei bem que poderia exprimir todas as emoções que permanecem aqui nesse relato, de uma forma muito mais clara. Mas devido às circunstâncias não quero que minhas intenções sejam percebidas facilmente, mesmo sabendo que toda essa descrição pareça uma coisa completamente ilógica e cheia de mistérios. Saibam que o fundamento principal de tudo isso existe e está diante de cada um de nós, basta pensar um pouco. E o pior é que ele tem uma solução tão simples e obvia, que de tão simples e obvia não conseguimos enxergar no olhar vazio. O mais importante agora é saber que, no meu caso em particular, alguma coisa ficou para trás de um jeito irrecuperável. Por isso agora vivo nessa privação que me dói muito. No entanto, estou sabendo que fui imbuído de uma grande missão. A maior de todas as missões que passei em todas as vidas que já vivi. Gostaria tanto de eliminar meus sofrimentos recuperando tudo o que perdi. Mas como fazer isso se as memórias nunca se apagam? Queria que uma solução justa, única e definitiva amainasse a minha angustia e multiplicasse a minha fé. Só que não consigo, porque quando saio do meu ninho de repouso, digo, por um tempo longo, acabo encontrando a fada e nós lutamos sem que haja vencedor. Tudo é tão vivo e evoluí tão rapidamente dentro de mim que volta sempre ao mesmo ponto: a imagem dela. Essa imagem da fada se perpetuando dentro de mim, mesmo que de uma forma rebuscada, me incomoda. Sei bem que ela está em alguma parte lá fora esperando que eu apareça na escuridão. Está escondida por detrás de portas, janelas e trancas. Cada dia que passa ela se assusta mais e não sabe explicar porque. Logo entrará em pânico nos seus pensamentos medrosos, isso ao notar a verdadeira situação que a cerca, quando perceber que os seres que a acompanham não mais confiam em sua lealdade. Ela sabe que ainda nada mudou de uma forma definitiva, ainda não existe o caos total em sua vida, tão somente um tipo de desarranjo estrutural. A grande dúvida que carrega é da eterna incerteza do amor verdadeiro. Ela imagina, em seus pensamentos confusos, quem poderia amá-la de uma forma tão incondicional, a ponto de agüentar o calor intenso do seu ambiente natural e das intempéries dos guardiões estranhos que a protegem. Olhando para o futuro dessa maneira ela tem praticamente a certeza que passará o resto da eternidade sozinha. Digo, sozinha por não ter amor compartilhado, porque escravos ela amealhará aos montes. E quando desejar um pouco de diversão, nunca lhe faltará companhia para um momento fulgaz.
            Aqui de onde estou vejo a cidade. As ruas vão se enchendo cada vez mais de luzes, ficam congestionadas e intransitáveis. Uma multidão caminha em sentidos opostos e cruzados. Cada nascer ou pôr do sol é assim, sempre a mesma coisa. No entanto, as minhas noites são tranqüilas porque o meu bairro ainda não foi tomado por essa bagunça de seres inferiores. Aqui de cima só sinto a brisa congelante e os espectros que deslizam pelo meio do céu. Os meus vizinhos, das quadras que ladeiam a minha, nunca aparecem. São casais que viveram juntos antes e vivem juntos agora. Por muitas vezes, quando passo diante dos seus portões, só vejo a escuridão. Isso talvez porque eles sempre viveram bem e agora descansam na paz do silencio eterno. Outras vezes, em minhas passagens rápidas, eu paro ali e perco um tempo observando. Aquele ambiente silencioso me enche de culpas. Eu preferia que eles estivessem se arrastando, gemendo, gritando, brigando entre si, ou quem sabe cada um buscando um novo caminho, assim como faço agora. Eles não ousam nem me prestar miníma reverência ou olhar de piedade, preferem ficar lá escondidos. Eu confesso que depois de um tempo preferi não mais olhar para os lados quando saio para os meus passeios. Deixei para que o silencio fosse cúmplice dessas entidades silenciosas para todo o sempre. Volto à casa da fada-monstro por um instante. Subo outra vez a escadaria, agora ela é cor de rosa. Viro á esquerda e estou diante das portas fechadas, aquelas onde vi pessoas com rostos desfigurados e peles queimadas. Uma questão ficou me atazanando as ideias por longo tempo, falo dos meus sonhos. Que pessoas eram aquelas? Paro diante de uma das portas, a porta daquele quarto que tem um pequeno degrau do lado interno. Ontem esse lugar era reluzente e arrumado, agora está frio, úmido e escuro. Todos os pontos luminosos do corredor se foram, estou completamente isolado aqui dentro; com isso me sinto mais à vontade. Olho para o lado e vejo meias e sapatos pelo chão, gavetas abertas de uma escrivaninha que acumula dois dedos de pó, há marcas de copos por cima da mesinha. Nada aqui reativa a minha lembrança, exceto as fotos que ainda continuam pregadas na porta do guarda-roupa. Sei que deve haver uma ligação daqui com o lugar onde a fada se escondeu. Parece que não existe nada além de paredes descascadas, sinto um desanimo brutal. Nem sei ao certo quantos anos se passaram desde a última vez que estive aqui. Os pensamentos se atropelam a cada segundo. Estou bem certo que se, ainda em vida, fosse contar essa história a alguém, jamais saberia como colocar cada coisa no seu devido tempo. Nem sei mais quantos anos carrego comigo. As únicas etapas vencidas que tem alguma significação são das lutas travadas com a fada. Foram batalhas de semanas, meses e anos. Essa lembrança me causa uma dor de cabeça horrível, digo dor da alma. Diante de mim vejo um baú com uma enorme chave dourada pendurada. Abro a fechadura e me deparo com montes de livros de receitas e um envelope branco com um bilhete dentro. Nesse instante ouço barulhos da rua, passos na escada... Fico atento e pronto para sair voando pela janela. Escondo-me atrás da porta, passo as mãos sobre os cabelos. Minha nossa! Há quantos dias não penteio os cabelos? O tempo passou, já estou atrás dessa porta faz muito tempo. Como o tempo voa quando estou passeando ou procurando energia para me alimentar. A luz da lua está ficando cada vez mais fraca, o dia logo irá amanhecer e eu não consigo mover um passo daqui. Sinto um frio na barriga. A posição da lua faz com que um feixe de luz fraca entre pela janela, melhor dizendo, onde foi uma janela,  agora é só um buraco na parede com tijolos expostos. Vejo que os móveis estão bem destruídos e não tem nenhuma marca dos cadáveres que apodreceram nesse chão. Os objetos de plásticos estão retorcidos como se tivessem sido jogados em uma fogueira. Essa luminosidade durou pouco, uma grossa nuvem negra cobriu o reflexo do luar. Aproveito, tomo coragem, saio para o corredor de onde só vejo portas fechadas, o chão queimado e um tapete de cinzas forrando o velho piso azulejado. Sinto que não sou o único aqui. Existe uma presença ou, quem sabe, várias presenças no ambiente. Tenho a nítida sensação que estou sendo observado todo o tempo. Surge uma vontade repentina de chamar e conversar. Contar com naturalidade para quem estiver aqui, o porque tenho todas essas impressões e qual é a minha verdadeira missão. Onde estão aquelas pessoas que vi na noite passada? O tempo do passeio noturno se esgota rapidamente, preciso retornar ao meu leito. Mas antes preciso abrir aquela porta esquisita. Ao faze-lo dou de frente com um banheiro com muito papel higiênico jogado no chão, há marcas amarelas de urina no pé do vaso sanitário. Lembro imediatamente da fada-monstro. O quão monstruosa seria a sua cara quando visse o estado desse banheiro. Sigo para a outra porta, que balança em movimentos de ondas para dentro e para fora. Parece que tem alguma coisa de muito errada com essa casa. Algo que ainda não sei explicar. Talvez porque as paredes ainda estejam apinhadas de um tipo de ódio seco e alucinante contra todos que um dia enfrentaram a fada e seus guardiões. Talvez seja só um tipo de implicância que guardo para sempre a respeito desses seres de outra esfera. Abro a porta, e qual a minha surpresa ao deparar-me com uma cena esquisita.
-         Quem são vocês; o que fazem aqui?
(Todos falam ao mesmo.) -   Éramos 4 agora somos 3. Esperamos comida, nossa mestra nos prometeu comida.
-         Que fale um por vez. Por quê estão com a pele queimada, pés acorrentados e rostos virados para a parede?
-         Não sabemos... Fomos trazidos para cá tem um tempo, um tempo que não sabemos quanto. A nossa mestra disse que irá nos encaminhar para as terras onde existem pedras grandes, quadradas e que brilham no escuro; disse ela que lá tem calor e comida. Ela afirma com toda convicção que será o nosso paraíso.
-          Por quê não fogem? Vão embora antes que ela volte!
-         Não podemos. A mestra nos colocou pingentes no pescoço e marcou a nossa pele. Disse que se fugíssemos seria pior. Falou que não estamos completamente mortos, só por causa disso temos alguma serventia. Você tem alguma comida para nos dar?
-         O que vocês comem?
-         Nos alimentamos de tristeza e agonia. Vejo que você tem muito para nos oferecer, pena que estamos acorrentados e não o alcançamos. Venha! Chegue mais perto da gente, encoste sua testa na ponta do meu dedo. Venha!
-         Preciso ir embora. Em outra noite voltarei aqui para me explicarem melhor o que significa tudo isso. Não digam nada que estive aqui. Se colaborarem trarei tudo o que precisam.
 Apresso a caminhada o mais que posso, logo haverá no céu uma luz intensa que fará arder a minha pele. Sigo pelas escadas, alço vôo até o local de aconchego. Estou tão habituado com esse retângulo confortável, que nem reparo mais se algum dos meus amiguinhos entrou e não saiu. A luz da extinção não me alcançou dessa vez, nem sei para que lado o foco está iluminando agora. Sinto um grande alivio onde estou, esse sim é o ambiente mais acolhedor que poderia existir, é onde posso me sentir totalmente à vontade desfrutando de um sono tranqüilo. Agora eu sei que depois de fechar a tampa tenho um mundo só meu. Por entre os pés esticados sinto um movimento estranho. Fico estático por um segundo, enquanto um ar gelado entra por uma pequena fresta do lado esquerdo. Percebo que um dos amigos atrevidos, se instalou no canto do fundo da caixa. Sinto um fedor insuportável vindo lá debaixo. Esse amiguinho não cheira exatamente como se tivesse tomado banho de lavanda. Será que esse cara perdeu o respeito e não conhece os limites do meu espaço? Devo estar de mau humor hoje. Sei que não deveria agir assim, afinal são os únicos amigos que me restaram. Ele sobe devagar, vem pé ante pé, chega bem pertinho dos meus olhos. Então pergunta: “Senhor da escuridão, por onde andou essa noite?”. Fiquei estupefato! Ele está se comunicando comigo por pensamento. Respondi sem responder a pergunta: “Você entende a minha linguagem”? “Sim Senhor, eu entendo e todos aqui entendem”. “Qual é o seu nome?” “Eles me chamam de Shine, Senhor!” “Shine? Por quê esse nome diferente?” “Senhor, os meus olhos brilham no escuro como se fossem duas luzes amarelas, não percebeu ainda?” “Sim, sim. Agora que falou percebi. São bonitos e assustadores esses olhos.” “Senhor, sou de uma raça em extinção, uma raça superior e dotada de poderes diferentes. A minha raça vem da tradição dos guardiões dos mortos. Nós os protegemos. Fazemos com que cumpram o seu destino natural de transição e transformação.” “Que vantagem você leva com isso?” “Ganho uma função útil na minha vida curta.” “Olha... Não estou acreditando que seja só isso. Por quê você reluta tanto em me contar o que realmente faz aqui dentro da minha morada?”. “Eu sou o guardião do seu sepulcro, isso é o que lhe basta saber. Aliás nessa noite estiveram circulando entre as cruzes 3 mulheres. Uma era grandona, outra baixinha e última gordinha. A baixinha parecia ser a líder, carregava um grande livro negro , além de um cajado com uma caveira de olhos de fogo na ponta. Buscava alguma coisa enquanto conversavam por códigos. Elas batiam os cajados em todas as cruzes. Estavam bem vestidas, usavam roupas largas, longas e escuras. Todas tinham os cabelos tingidos, maquiagem em tons escuros e adornos variados pelo corpo. Uma delas fazia questão de girar o anel de caveira todo o tempo, tinha também uma mini-cruz de malta amarrada numa corrente grossa ao redor do pescoço.”
    Nesse momento gelei. Não deixei que ele percebesse que a notícia havia mexido comigo. Eu fui tão idiota em imaginar que ficaria seguro se não fizesse barulho, se vivesse enterrado pensando que esqueci desses seres que se guiam pelo instinto maléfico de um predador. Era a fada-monstro com seus guardiões em forma feminina. A grandona é a mais violenta, muita agressiva e pedante. A gordinha é tranqüila e obstinada, vive usando mechas coloridas nos cabelos, pinta os olhos como se fosse uma gótica dos anos 80. Conheço bem o estilo dessas personalidades enviadas pelo Senhor das trevas, são arrogantes, adoram se dar bem em cima dos outros. Provalvemente estavam no meu encalço para me fazerem de alimento para suas presas na casa abandonada. Shine percebeu a mudança em meu olhar, arremata: “Eu sei no que pensa. Sei o que pretende fazer, mas tenha muita cautela, pois aquela que você chama de fada-monstro é capaz de muitos disfarces.” Novamente fiquei de queixo caído. Como ele podia saber os meus pensamentos mais íntimos, os pensamentos que não eram dirigidos a ele em nossa conversação? Em seguida continuou: “Eu sei dos seus sonhos e medos. Conheço o seu passado, o presente e o futuro. No entanto, cabe a você decidir qual das imagens que tenho visto irá prevalecer. Saiba que aquela que você chama de fada ainda o espera. Ela traz incutido nos mais profundos caminhos da mente uma ideia que se esforça em rejeitar. Portanto, tenha atenção em seus passos, pois, ela revelará tudo de forma invertida e confusa. Ela circula por dois mundos, você já sabia disso desde o dia que recebeu as instruções finais nos sonhos. Então siga o seu instinto, afinal esse é o melhor jeito que você tem de agir e alcançar aquilo a que se propôs.” “Como sabe de tudo isso? Você é apenas um rato.” “Senhor, sou um rato sim, mas tenho uma mente sadia. O senhor está doente e remoendo rancores. O senhor está se condenando à inatividade eterna. Se não colocar imediatamente em prática o plano que foi proposto por nossa divindade maior, esse infortúnio nunca acabará”. “Sim Shine. Eu sei. É para isso que estou aqui.”. “Então, Senhor, faça com que todos nos orgulhemos do seu trabalho, vá a luta antes que a sensação de fracasso tome conta de todo o nosso universo e novamente a fada-monstro se mantenha rindo ao lado do seu mestre, aquele que ocupa o trono da perdição. Um dos meus irmãos trouxe uma parte de um livro profético dos homens, ele está aos seus pés do lado direito, leia com atenção os dizeres finais, só assim entenderá a mensagem para a próxima empreitada no enfrentamento com a fada.”. Pensei comigo: “Como poderia ter conhecido um rato tão intelectualmente instruído?”. Persiste uma grande dúvida no ar. Se ela veio atrás de mim, por quê não trouxe todos integrantes da sua família e os agregados de demônios que a cercam. Inclusive aquela que tem a cara de gatinha, com um ar de felina simpática e divertida, mas com o espírito mais voraz que de todas elas?  Uma coisa essa felina tem de bom, mantém um estilo genuíno de fidelidade. A grandona do trio é a semeadora da mente dessa dançarina graciosa. Bem... Mas felizmente ela não apareceu como mais uma guardiã da fada-monstro, isso já é um alívio para os meus amigos roedores. Melhor para eles que seja assim, afinal, todos sabem que ficariam arredios com  presença dela por aqui.”
Há um vão na tampa por onde o guardião do meu sepulcro desaparece na escuridão. Buscando o pedaço de papel citado por ele, vejo os dizeres:
     Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.
Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,
Assim será a minha palavra que ao sair da minha boca não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei. 
Isaías 55:7-11

5 comentários:

  1. Essa parte do relato me fez pensar na luta do bem e do mal, do céu e do inferno, de "Deus" e o "Demônio".
    Me pareceu ser a fada realmente uma emissária do mal, aprisionando aquelas pessoas de rostos queimados, possivelmente no que conhecemos no cristianismo como purgatório. A promessa para esses seres, que não estão completamente mortos, é de que se alimentem de tristeza e agonia, e que ganharão a terra prometida , um local de pedras que brilham no escuro, calor e comida, certamente o inferno, com seu fogo, tristezas, angustia e dor.
    A fada e suas guardiãs buscam entre os mortos almas que estejam perdidas, sem luz para arrebanhá-las ao purgatório, buscam também nosso herói, que aparentemente luta entre a vontade de libertar-se dela e o fascínio que ela lhe desperta. Sua dor o faz aproximar-se da emissária do mal, num eterno ir e vir, vai buscá-la, mas esconde-se dela.
    Mas aparentemente ele tem uma missão de lutar contra o mal, tem seu guardião que promete ajudar em sua transformação, de senhor das trevas (espírito ainda perdido entre o bem e o mal?) para um ser de luz, que deve se aproximar do Senhor e levar sua palavra transformadora adiante.

    Bem, não sei se é nisso que pensa nosso autor, mas se estiver certa minha linha de raciocínio, fiquei intrigada com a questão de nosso herói imaginar a fada angustiada e temerosa pela falta de um amor e pela certeza da solidão eterna.
    Se ela realmente arrebanha almas para o purgatório e posteriormente para o inferno, teria alguma necessidade de amor? Estaria ela a serviço do mal de certa forma também aprisionada? Será que nosso herói conseguirá fugir dela? Ou quem sabe libertá-la?
    Será que a fada foi sua companheira em vida e pelas suas atitudes foi arrebanhada pelo inferno, e nosso herói não encontra seu merecido descanso porque deseja libertá-la. Esse seria o motivo de incomodar-se com o silencio dos casais que se amaram e hoje descansam em paz em seus jazigos?
    Perguntas, perguntas, perguntas....só aguardando o próximo capítulo para tentar obter as respostas.

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  2. Por quê tanto sofrimento? O que aguarda esse homem/vampiro que tanto teme a fada monstro e seus guardiões? Qual será sua missão? São tantas perguntas aguardando respostas, a cada capítulo surgem novos e enigmáticos personagens, não vejo a hora de todos os pontos se juntarem e essa solução tão simples e óbvia que o autor nos alerta, venha à tona, para que eu possa descobrir o segredo que cobre a vida de todos esses seres.

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  3. Patricia Ramos Sodero31 de janeiro de 2012 21:16

    Bem....meu comentário sobre esta parte, é bem mais simples....o autor já não vê mais sua fada monstro como nos outros episódios....e é simples, ao meu modo de ver:as guardiãs que o autor acha que seriam más,ordenadas por esta fada monstro, nada mais são do que anjos...Anjos que vieram anunciar que está na hora do autor parar de tantas misturas de sentimentos...ora bons...ora ruins...
    E mais....isto é anunciado porque,Shine,um simples ratinho considerado intelectual, na minha opinião, é o próprio Deus representado neste animal, dando as instruções de como perdoar, esquecer o que foi passado em sua vida terrestre, e procurar viver a espiritual...
    Espero do autor, um desfecho final, onde tudo possa ser esclarecido...

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  4. Pelo que entendi nosso amigo tem uma missão a ser cumprida e conta com a ajuda de seu guardião,o ratinho Shine.E quando será que nosso amigo vai se lembrar de tudo o que passou, e nesse constante sofrimento vive em conflitos com seus próprios pensamentos e em guerra mental com a fada monstro..Mas e agora tbm tem que tomar cuidado com as guardiãs que pelo jeito estão rondando a sua morada.Mas enfim vamos esperar o desfecho dessa história e ver tbm o pq a fada monstro prendeu aquelas almas na casa e qual a serventia deles para ela,vamos aguardar tbm o que realmente aconteceu com nosso amigo enquanto tinha uma vida carnal,e o pq desses conflitos todos na vida pós vida..vamos torcer que nos próximos capítulos nosso autor nos conte esses mistérios....

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  5. Acredito que a fada/monstro é uma mulher que se desencantou com o amor e com a vida em algum momento. Envolveu e usou pessoas para destilar este amargo profundo que guarda dentro de si. Seus feitos para o lado obscuro da vida foram tantos, que acabou se jogando ao inferno. Imagino que o personagem masculino se envolveu de alguma forma neste labirinto de penúrias e amarguras. Então esse medo todo de enfrentar de frente algo que lhe sugou toda energia. Penso eu que para qualquer pessoa é muito confuso lidar com seus medos e bichos. Apesar de não gostar de coisas obscuras e monstruosas, o texto é interessante e surpreende. O autor passa mistério e isso é excitante. Parabéns mocinho!

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