terça-feira, 27 de dezembro de 2011

NEW YORK DOLLS

                  Estava eu aqui a pensar em um post sobre uma banda de rock.
                 Uma banda que fosse bem polêmica e cheia de escracho.
                Veio-me a lembrança uma música que gosto muito chamada “Personality Crisis”. Ela foi a minha trilha sonora nas fases de rebeldia pós-juvenil. 
    Então vamos agora contar esta breve história, retrocedendo lá no comecinho dos anos setenta.
                Naquela época as bandas inglesas de rock tomavam conta das rádios americanas algumas tocando um rock insosso, na velha pegada Beatlemaníaca que ainda emita seus derradeiros suspiros ou então a nova linha pesada que vinha no estilo Deep Purple, Black Sabbath e Led Zeppelin.
                O grande boom naquele momento na América era o novo formato da soul music, renovada e puxada para um estilo mais denso que se chamaria de funk, o funk original,  que então desembocaria na "Era Disco Music", poucos anos depois.
                Era necessária uma revitalização do rock americano genuíno e criativo.
                Muitos grupos com o estilo de banda de garagem espocavam naquela época, tínhamos em seus finais decadentes, os controversos MC5 e The Stooges. Ambos fora do apogeu e da grande mídia.
                 Uma nova banda de rock com um visual agressivo e contestador deveria surgir para revigorar o estilo. Então nasce o NEW YORK DOLLS. A banda era totalmente absurda em seu estilo visual, beirava a androgenia e o deboche total em suas caretas e expressões visuais e comportamento no palco. O estilo lembrava os trejeitos debochados de Mick Jagger, bem mais salientes, e a agressividade escalafobética de Iggy Pop.
                  O estilo glitter berrante era inspirado em David Bowie e Marc Bolan( T. Rex). As Dolls usavam bijuterias e roupas femininas como forma de protesto ao preconceito às escolhas sexuais alternativas de homens e mulheres.
                   Em termos musicais eles foram essenciais na influência de bandas como Ramones, Talking Heads e Television.  
                   Uma fúria primitiva na sonoridade simples e direta. Antítese ao rock progressivo e psicodélico.
                   As suas apresentações cercavam-se de um clima andrógino e sombrio em alguns momentos e em outros uma rebeldia visceral dos espectadores, que poderiam arremessar todo tipo de objetos ao palco.
                   No ano de 1972 em sua primeira turnê pela Inglaterra, o baterista Billy Murcia, morre de overdose em Londres. Então eles retornariam a ativa no ano seguinte com Jerry Nolan nas baquetas.
                   Após o fracasso comercial, apesar de bem aclamado pela critica, do primeiro álbum chamado New York Dolls (1972), eles gravam o segundo trabalho chamado “TOO MUCH TOO SOON” de 1974, também um fracasso comercial, porém semeador de influência importante dentro do cenário posterior do rock do final dos anos setenta.
        Seguido do lançamento deste segundo trabalho, eles então passam a ser empresariados por um curto período de tempo, pelo famoso Malcolm McLaren, futuro descobridor e empresário dos Sex Pistols.
                   Malcolm não conseguiu fazer o grupo decolar e então se fecharia ali o ciclo produtivo, as bonecas de nova York entram para história como mais um ícone de estrelado curto, porém gerador de influências.  
                  Uma história que marcou uma época pelo total despojamento musical, influenciando ao estilo punk. 
        Esta história continua sendo contada até hoje na sonoridade de grupos como Green Day e Forgotten Boys. 
       E a nós resta reforçar a imagem que as boas idéias nunca morrem mesmo que modifiquem a roupagem e massifiquem o estilo.
                O reconhecimento é importante e o aprendizado sobre o passado é a nossa melhor medida para reconhecer o talento artístico e criativo dentro do universo musical contemporâneo.

Um comentário:

  1. Bem lembrado, muito bom o NYD, vou rolar sabado no ROCK É ROCK MESMO, e no mesmo bloco vou por Television. Não esquece www.rntfm.com.br sabado as 13 horas. Arnaldo.

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