domingo, 23 de outubro de 2011

LOU REED

Esta talvez seja a minha missão mais difícil desde a criação deste blog.
Retratar de uma forma compreensível as minhas observações a respeito de Lou Reed. Artista que nasceu em nova Iorque no dia 2 de março de 1942.
Não irei me estender muito porque da vida e carreira deste cara poderiam ser escritos vários livros. Vou aqui relatar do meu jeito, com a minha escrita, com as minhas palavras e com meu sentimento no momento em que penso como fazer este texto fluir.
Muito complicado definir seu estilo musical ou a forma de expressar-se através das letras.
Ele sempre teve uma força intrínseca de dissecar a realidade crua das ruas, as emoções inclassificáveis das pessoas no mundo que vivemos.
As drogas, a sexualidade desviada, a homossexualidade, o sadomasoquismo, os assassinatos e a critica política ao estado opressor.
       Seus parâmetros são infindáveis, sua abordagem curiosa e perfeita, sem ter o estigma de um contestador ou revolucionário. Em suas letras, nas mais singelas palavras escondem-se toda a sua ferocidade, sua raiva encarnada em versos simples, ocultos em mensagens poéticas.
        Destacadas da verve das notas musicais, soam como a mais pura realidade do submundo da devassidão e da rebeldia.
       Talvez, os mais incautos ao ouvirem as canções: “Walk on the wild side” e “Perfect Day”, não atentem para o real significado de cada palavra, de cada nuance nas canções.
Em “Walk...” O tema caminha pela vida de travestis e sexo oral e em “Perfect...” A dependência de drogas, mais exatamente a heroína.
        Lou não só flertou com mundo da arte, da moda e dos “pirados”, fez parte dele. Foi, e é um artista na soma dos valores que revelam seu grande dom.
Retrata em palavras a autoconsciência da própria complexidade. Cria um clima em suas letras/poesias, que são acompanhadas por um fundo musical denso e sonoridade rigorosa.
      Com sua inspiração ajudou a construir muito daquilo que hoje conhecemos como cultura pop dos anos sessenta e setenta. Ele transformou a letra da música no item mais importante da obra. Mexeu com os neurônios dos seus ouvintes, colocando-os num estado de reflexão quase catatônica, sem serem estereotipados.
      Destacar a dimensão intelectual e criativa do gênio é um árduo trabalho de interpretação das intenções no parâmetro das mensagens ocultas em cada frase, em cada tonalidade da voz em determinado trecho do texto cantado.
       É o paradigma na superficialidade de uma palavra solta fora do contexto e atribuída como libelo libertário, e/ou crise existencial que torna em multifacetária suas gotas de sabedoria em sua retórica poderosa.
        Seria eu ingênuo ao pensar que ele é apenas um astro do rock que teve sua ascensão e queda através das décadas? Seria muito austero ao pensar que ele também foi um produto e subproduto daquilo que tanto criticou ou critica?
Posso sim afirmar, que talvez o lado comercial afronta-me e o lado intelectual me seduz em sua conduta diferenciada. Mas como eu conheceria sua obra sem a máquina de fazer de dinheiro? Complicado ser utópico.
          Meu grande fascínio por este cara veio da sua forma impactante. O jeito como aplica suas metáforas à imperfeição do viver e às ciladas do acaso. Toca na sensibilidade de todos os nossos sentidos conhecidos ou ocultos como um dedo toca na ferida aberta. Ele quebra toda linearidade sem qualquer constrangimento de se contrapor ao costume estabelecido como regra na conduta de um padrão social engessado e manipulado.
         Chama a atenção quando entra em assuntos que envolvem a passividade entorpecida do seres humanos conformados, quando clama às pessoas que se interessem por literatura, por quadros, por esculturas e por arte em todas as suas formas, torna-se quase um obsessivo ao exigir cultura, erudição e liberdade.
           Com Lou Reed o rock deixou de ser a música com falta de pretensão poética e artística em sua forma mais conceitual. O rock deixou de ser a trilha sonora dos namorados ou dos rebeldes narcisistas e burgueses. O rock deixou de ser um ritmo quente para torna-se um ritmo fervente em informação, erotismo, inteligência e erudição.
         Na obra de Lou Reed encontraremos as mais distintas passagens, várias citações, os grandes mestres da escrita, os grandes líderes políticos populares e artistas do submundo, do underground, alguns sequer citados nos alfarrábios que retratam a arte através dos tempos.
          Os vários artistas do mundo foram influenciados pela temática de Lou Reed, por sua forma de escrever, cantar e poetar. No Brasil temos exemplos vivos desta influência nos trabalhos da LEGIÃO URBANA, Renato Russo desfilando seu grande poema, FAROESTE CABOCLO, numa infindável soma de 159 versos.
Ou ainda nos versos de Kurt Cobain ou de Tom Yorke da banda Radiohead, todos com sua veia poética e com crueza nas linhas tortas. Com tudo a dizer aqueles que acham que o rock não estende seus tapetes à erudição. Ledo engano dos incrédulos.
          Com Lou Reed a estética do rock mudou, o público mais exigente, passou a ver o ritmo como um complemento da arte, que pode ser ouvida para o corpo balançar e para outros apenas um exercício de pensar.
         Não citei aqui nenhuma obra em especial de Lou Reed, sua carreira desde o Velvet Underground e sua caminhada como artista solo fala por si só. Toda e qualquer obra desde grande artista deve ser ouvida com atenção e com especial cuidado nos requintes da natureza de suas letras.
 
É isso... Nem foi tão difícil assim...

10 comentários:

  1. Enfim, passei por aqui como o combinado, e devo parabenizá-lo pelo conteúdo do blog. Tudo de muito bom gosto. Parabéns de verdade pelos posts. Seguindo-te. Beeejo,beeejo.

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  2. Me perdoa pela ignorância?É que não conheço(ou conhecia né?rs)Lou Reed,mas gostei da forma que o retratou(Faltou só uma música dele pra ficar perfeito)
    Gostei da forma que escreve,vou dar mais um "fuçada" por aqui.
    Xero

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  3. Adorei essa parte: Lou não só flertou com mundo da arte, da moda e dos “pirados”, fez parte dele. Foi, e é um artista na soma dos valores que revelam seu grande dom.

    Eu adoro Velvet Underground e, a releção que eles tinham com o Andy Warhol( sou fã),a influência e a amizade(um pouco mais, haahaha),música de boa qualidade,um verdadeiro artista.

    Muito bom o texto!

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  4. E eu, que dizia nem gostar de Lou Reed...Depois desta matéria fiquei c/vontade de conhecer melhor sua obra.Parabéns,mais um texto excepcional!!!Bjs.

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  5. O que mais me chama atenção é a singularidade na obra de cada artista/cantor/compositor.

    Temos ai, vários meninos e meninas que deram voz aos próprios conflitos, e consequentemente o conflito de muitos.

    É preciso profundidade.


    "Quem pensa por si mesmo é livre..."(Renato Russo)

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  6. Que bom que vc gostou do meu blog amei o seu tambem viu já estou te seguindo fui sua 100 seguidora beijos si

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  7. Hey BABY ...TAKE A WALK ON THE WILD SIDE.
    Foi a foto do Lou que me trouxe até aqui e ainda bem,vou voltar mais vezes. Parabéns o seu blog é muito interessante.Abraços.

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  8. Eeeee demorei mas vim!
    Luxo isso aqui, hein!

    Achei mega legal tu me visitar. Assim conheci teu espaço tb e acho q as trocas aqi,serão tremedas!
    Bjo

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  9. Renato,

    E olha que eu vou pesquisar mais sobre ele.

    Eu gosto de blogs como o seu, que dá dicas, que faz a gente conhecer coisas novas!

    Super abraço!!!!

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  10. "É o paradigma na superficialidade de uma palavra solta fora do contexto e atribuída como libelo libertário, e/ou crise existencial que torna em multifacetária suas gotas de sabedoria em sua retórica poderosa."

    Impossível não querer conhecer um pouco mais da obra de Loe Reed depois de ler algo tão eloquente como seu post...

    Vou escutar uma música dele agora, qualquer uma...estou no clima...

    Beijos da Cê

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