sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CAPTAIN BEYOND

Toda vez que vou escrever meus comentários a respeito de uma banda, prefiro sempre colocar para ouvir um CD ou LP que represente um trabalho de destaque do grupo em questão. 
Ouvindo agora os primeiros acordes de “Sufficiently Breathless”, segundo trabalho do grupo que hoje vou comentar aqui, eu sinto um "Q" de nostalgia no ar.

      CAPTAIN BEYOND: Existe uma grande mística em cima do seu primeiro trabalho lançado em 1972, considerado por muitos críticos como um dos melhores discos de hard rock daquele tempo.
O grupo era um quarteto formado por ex-integrantes de grupos que estavam em ascensão na época. No vocal estava Rod Evans (ex: Deep Purple), guitarra: Rhino, (ex: Iron Butterfly), no baixo: Lee Dorman, (ex: Iron Butterfly) e na bateria: Bobby Caldwell (ex: Johnny Winter Band).
Deve-se o fato da banda ter sido pouco valorizada  naquele tempo, o pouco caso que a gravadora fez com o trabalho do grupo, o talento dos integrantes e qualidade sonora desenvolvida era impecável, porém, a Capricorn records era uma gravadora preocupada em lançar grupos no estilo Southern Rock, e como o estilo do Captain Beyond não atendia os interesses comerciais da gravadora, foi deixado relegado a um segundo plano a divulgação dos seus trabalhos, nunca recebendo um suporte adequado.
Além do descaso da gravadora os caras também eram muito azarados, levaram muitos calotes dos empresários na turnê de divulgação do seu primeiro disco, acumularam prejuízos. Por este motivo, houve o primeiro rompimento dentro da banda com a saída do batera Bobby Caldwell, que foi tocar na banda do guitarrista Rick Derringer e para seu lugar recrutaram um batera experiente chamado Brian Glascock que já havia tocado com Bee Gees, porém Glascock não ficou porque seu estilo não se encaixava na proposta de som e então eles chamaram outro batera Guille Garcia. Os caras ainda estavam presos a gravadora Capricorn e foram obrigados por contrato a gravar um segundo disco, este que estou aqui curtindo enquanto escrevo a matéria. Não foi um trabalho tão maravilhoso quanto o debut da banda. Eles mudaram um pouco o estilo, acrescentaram percussão, em algumas faixas lembrando o estilo de som do guitarrista Santana nos anos setenta. A sonoridade da banda mudava e o relacionamento entre os integrantes também. Em meio às gravações do segundo álbum Rod Evans fica de saco cheio com os conflitos entre os integrantes e resolve debandar. Larga tudo para trás indo se refugiar em sua casa em Los Angeles. Ele ainda não havia completado as partes vocais do disco e então Rhino e Dorman ficaram numa sinuca de bico, sendo pressionados pela gravadora para terminarem logo o trabalho, pois, o dinheiro que havia sido disponibilizado para manter o grupo no estúdio estava acabando. Rhino resolve procurar Rod Evans e após várias discussões e bate-bocas intermináveis, Rod foi convencido a voltar e terminar suas partes vocais em um estúdio da gravadora em San Francisco, Califórnia.
Acontece que desgraça pouca é bobagem! Os empresários da banda marcaram alguns shows para divulgar seu segundo trabalho, mas novamente por crises internas (de novo!) os caras simplesmente não apareceram no primeiro show da turnê. Que gente complicada! Nova tentativa foi feita pelos empresários e marcaram novas datas. Finalmente poderiam estrear seu novo line-up e seguir no rumo certo para o sucesso no mundo do showbusiness. Seria assim se não fosse o Captain Beyond.  Eles tocaram para 250 testemunhas em um evento que abriam o show para Clímax Blues Band e Electric Light Orchestra.
Em 31 de dezembro de 1973 Rod Evans decide abandonar de vez a banda e então se encerraria assim o ciclo Captain Beyond na história do rock. 
Quase encerraria... ”Tinha que ser o Captain Beyond!” 
                Alguns poucos anos depois, exatamente em 1977, Rhino e Dorman resolvem chamar o antigo baterista Caldwell e recrutam um novo vocalista, Willy Daffern, para a produção de um novo trabalho intitulado, “Dawn Explosion”.
Ai sim então a banda acabou de vez, “Ufa.” nem houve tempo para uma turnê de divulgação do novo trabalho.
       Rod Evans em 1980 inventou de fazer o retorno do Deep Purple, mas sem que os outros integrantes originais fossem informados. Evans recrutou vários músicos desconhecidos e começou uma turnê pelo México com um Deep Purple fake. Acontece que Ritchie Blackmore e Jon Lord, integrantes fundadores da banda não gostaram nada da ousadia do rapaz e o processaram por danos morais, uso indevido do nome e mais um calhamaço de acusações. Rod Evans foi obrigado a parar a turnê por ordem judicial e após anos de batalha nos tribunais, foi realizado um acordo entre as partes, na qual Rod foi considerado culpado por todas as acusações.
Rod Evans sumiu nos anos seguintes, formou-se em medicina e reapareceu trabalhando como médico em um hospital de Los Angeles nos anos noventa.
A música “Everything´s a circle” fecha com chave de ouro este post com esta banda muito legal, mas complicadinha na sua curta trajetória na história do rock.

4 comentários:

  1. Renato, esse seu blog é um espetáculo, deveria ter entrado antes pra me interar um pouco mais sobre esse universo! Parabéns! Lecão.

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  2. Olá Renato,
    brigada por seguir o Senzala de Madame, ficamos contentes que vc também tenha gostado do conteúdo.
    Parabéns por esse trabalho que vc faz no seu blog, de promover conhecimento acerca dum universo tão vasto como o rock, super bacana!

    Abraços;)

    senzalademadame.blogspot.com

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  3. Fiquei conhecendo essa banda maravilhosa através do post! Renato, continue sempre nos informando com essa qualidade! Long Live Rock N' Roll!

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  4. Amei seu blog!
    Dá vontade de saber sempre mais (deve ser o efeito: informação de qualidade, que o André falou.
    Parabéns! Vou passar mais por aqui.
    Um abraço.

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