O Toca-Discos

        Essa é uma história muito engraçada que aconteceu certa vez aqui em casa. Foi quando um amigo passou para me visitar e trouxe seus dois filhos - meninos curiosos na faixa dos 11 e 12 anos de idade. Meu amigo ficou super empolgado com meus CDS e os famosos LPs organizados na estante da sala. Naquele dia eu estava limpando alguns discos, então começamos a comentar da qualidade de gravação dos discos de vinil. Falamos da banda Grand Funk, Led Zeppelin e as capas dos discos do Yes. Enfim, um monte de som legal e capas artísticas sob-encomenda, com incríveis trabalhos de desenhistas muito conceituados nos anos 60 e 70.
     Peguei mais álbuns na prateleira e continuei a limpeza com uma espojinha macia e anti-estática para tirar manchas de dedos. Os garotinhos ficaram de olhos arregalados e muito atentos, não entendendo o motivo daquele ritual. Então fui explicando que aqueles "bolachões" tocavam música e deixei que segurassem pegando pelas bordas. Expliquei que estragavam fácil e deveriam ser tratados com carinho. Aquele ritual era o que gente do meu tempo passou a vida toda praticando. E o segredo era pegar os discos com muito cuidado, num verdadeiro malabarismo quando fosse virar de um lado para outro. Só assim durariam anos sem riscos ou chiados. 
      A maior surpresa veio a seguir, justamente quando levantei o pano que cobria o toca-discos e apareceu o equipamento GRADIENTE com cápsula Axxis, dotado de braço com contrapeso e controle de rotação com luz strobe; aí os meninos piraram de verdade e os olhos saltaram um pouco mais. Nem piscavam de tanta surpresa pela novidade - eles nunca tinham visto algo parecido com aquilo e perguntavam tudo e um pouco mais de cada detalhe. 
     Mostrei a agulha delicada e expliquei como funcionava; conferiram o braço e os contrapesos e giraram o prato. Então coloquei um disco do DEEP PURPLE, e lá veio Burn...Tchamm! 
     Quando toda aquela sonzeira saiu das caixas Lando, eles ficaram espantadíssimos. Até então só conheciam cds e dvds na vidinha deles. Tudo virou um show com uma experiência nova, que depois foi motivo de comentarem orgulhosamente com todos amiguinhos. Alguns dias se passaram e meu amigo me encontrou na rua por acaso; aproveitou a chance e perguntou se seus filhos podiam levar alguns amiguinhos deles à minha casa para conhecer um trambolho que tocava música. Eu dei muitas risadas com o pedido inusitado. E acabamos rindo juntos de como o tempo passou para gente. E, com certeza, teria dado mais risadas ainda se eu mesmo tivesse ouvido a explicação que os filhos dele deram aos amiguinhos.

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