segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O BOM OUVINTE DE ROCK AND ROLL

   É interessante observar como o ouvinte de rock em seus vários estilos sente a necessidade de se situar. É sempre interessado na procura de informações da origem, procura referências. Sempre que se ouve ou se comenta sobre alguma banda pouco conhecida, logo vem uma pergunta: "É parecida com o que?" Uma definição unilateral do estilo de cada banda sempre pode cair na armadilha de ser restritiva, já que uma característica comum entre todos os grupos de rock seria a tendência de fundir o maior número de linguagens possíveis, mesmo em um estilo de som repetitivo. O rock faz parte desta salada tanto quanto o blues, o country, o pop, a música erudita, variações da música européia e indiana ou qualquer outro estilo musical.
Muitas letras se desenrolam abrangendo o ocultismo, teosofia ou literatura (Ex: The Doors). Outras falam de amor ou crítica social. Há uma grande variedade de temas. Mas temos que compreender que expressões como "rock progressivo, heavy metal, hard rock" e outras denominações, surgiram muitos anos depois, fruto da mídia que precisava rotular as tendências. No fundo, todo som deve ser só um bom e honesto rock sendo apresentando através de suas raízes e influências no tipo de sonoridade que faz e o ouvinte recebe. E aquele que ouvir tire suas próprias conclusões. Muitas capas trazem ilustrações que mesclavam o surrealismo puro, arte clássica e verdadeiras obras de arte, também inspiradas em clássicos da literatura ou símbolos religiosos e pagãos. Isso é às vezes rotulado como contracultura ou cultura pop. Surgido nos Estados Unidos na década de cinqüenta e em seguida indo parar na Inglaterra e Alemanha nos anos 60, o rock acabou sendo herdeiro direto das transgressões sonoras do psicodelismo, dos movimentos sociais e das criticas políticas, o rock virou hino dos desempregados, dos humildes, dos mendigos, dos drogados, da burguesia, da corte inglesa que sempre premiou com condecorações por mérito e medalhas os astros pop por décadas. O rock virou hino de todos os movimentos, das passeatas gays, hino dos motociclistas, dos democratas e dos republicanos, o rock virou lenda, o rock virou ofensa para as religiões e ao mesmo tempo tornou-se o ritmo dos cultos ecumenicos. Se pensarmos o quanto abrangente é este estilo escreveriamos um livro com vários volumes.
Melhor não definir com exatidão os estilos, pois assim ficamos livres dos preconceitos e também ficamos livres para descobrir novas propostas e tendências. Todos tem suas preferências e eu as minhas, isto é óbvio, mas o foco da minha preocupação sempre vai ser em trazer a informação e através dela uma reflexão daquilo que realmente achamos quando prestamos atenção no que estamos ouvindo, seja pelo ritmo da melodia ou qualidade dos músicos.
Devemos ouvir todos os trabalhos com respeito, considerando o período em que foram gravados, tentar informar-nos sobre quais os estilos predominantes na época e as suas propostas e também as dificuldades técnicas que encontravam.
Acredito mesmo que o ouvinte de rock, aquele que se interessa, presta atenção e corre atrás de detalhes, seja um privilegiado, pois tem uma mente aberta para as mais diversas linguagens musicais, exigindo apenas que o trabalho seja inspirado e de qualidade de acordo com suas próprias definições. E que acima de tudo atenda sua necessidade de lazer, de recordações ou mesmo de prazer em estar em primeira mão ouvindo algo novo e contagiante.

3 comentários:

  1. Isso que vc disse: " O rock virou hino de todos os movimentos... o rock virou ofensa para as religiões e ao mesmo tempo tornou-se o ritmo dos cultos ecumenicos." É uma coisa que me intriga muito na história dessa música, na verdade é essa peculiaridade a respeito do ritmo rock que me faz, hoje, tentar entender quais os caminhos e descaminhos desse lugar cultural... Complicado, tudo muito complicado!!!

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  2. Nunca fui uma admiradora e ouvinte do rock.
    Na realidade a minha educação foi que rockeiro era vagabundo, drogado, maltrapilho, e nisso o autor esta certíssimo, o rock era visto em protestos pela liberdade, pela igualdade entre outras tantas coisas, na religião então era desaprovado totalmente, melhor nem entrar no assunto.
    Mas claro que na época de adolescente escutei vários sons, mas sempre escondido da minha mãe. Então a vida seguiu, mais adulta arrisquei a escutar um pouco mais, nem todos os sons entravam de uma maneira agradável aos meus ouvidos, até pela minha inexperiência em buscar as músicas.
    Então conheci pessoas que me mostraram um pouco, muito mais do que um pouco, de um outro ângulo, de uma outra forma, conheci bandas maravilhosas, sons deliciosos de escutar, me emocionei, viajei, sorri em alguns desses embalos, como uma boa ouvinte em geral e curiosa, sempre vou buscar musicas, escuta-las e conhecer um pouco mais deste tão famoso rock, que no passado foi me tirado sem me pedir licença, afinal não tínhamos liberdade para nada.
    Hoje curto muitos sons diferentes, acompanho meu filho com seus sons de guitarra, escuto as músicas quando ele me chama e pede minha opinião. Ai eu pergunto:
    Se eles usam drogas?
    Se se prostituem em orgias sexuais ou banais?
    Se eles se vestem horríveis e usam cabelos extravagantes?
    O que eu tenho com isso!!!!!!!!!!!!

    Na realidade estou para escutar o som, todos esses julgamentos nada muda na qualidade da música, na essência do sentimento ou naquilo que eles querem passar...

    Então viva o rock......
    Gostei muito da forma que este texto foi passado ao leitor...muito bom.

    Bjs no coração.

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  3. Bom não sou fã de rock,mas respeito cada um tem seu estilo,apesar desses cantores levarem uma vida louca tem seu potencial,pena que não durem muito por causa tantos vícios que acaba destruindo uma belíssima carreira.Infelizmente distorcem tudo pode ver que o passados deles sempre tem algo "podre" na infância e ficam revoltados quando adultos,triste isso não superam o que aconteceu no passado.Deveriam aprimorar suas qualidades e ser exemplo e não se afundarem como muitos.Bjs!!Andréa Cardoso.

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