segunda-feira, 26 de julho de 2010

MARIA BETHÂNIA - PÁSSARO DA MANHÃ

       Foi a primeira vez que me apaixonei quando ouvi Maria Bethânia, uma emoção diferente tomou conta do meu leve e reprimido coraçãozinho ainda pouco surrado pelos ardores dos falsos deslumbres. Naquele instante algo novo pairava no ar, em meio às permanentes notas musicais de Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, que freqüentavam com insistência meus tímpanos resistentes a toda sonoridade dilacerante.
Literalmente parei ao ouvir as primeiras palavras do texto de Fernando Pessoa, senti então um impacto na sensibilidade da voz, na forma traduzida do timbre emocionado e nas letras apaixonadas. Estava ali, aquela era a minha única forma de interpretar o amor. Minhas sensações que naquele tempo eram indecifráveis e viviam em total sintonia com minha falta de habilidade em dominar a inteligência emocional que eu demoraria anos e anos para entender o significado.
Com todas as minhas negativas eu procurava as razões objetivas em algo que não se pode definir, o amor tomava conta do meu pensamento, nas minhas ações, no meu ser puro e até então pouco sensível a tão intenso envolvimento. Sentia um peso, culpado por não encontrar as palavras, tentava achar um jeito de explicar, desisti... Deixei Bethânia cantar por mim, declarar meu amor.
Naquele dia que meu límpido brilho no olhar tornou-se diferente, um mundo novo de sentimentos desconhecidos que imaginava dominar, apossou-se de mim sem consentimento, eu atingi um limite improvável e virei o mundo de cabeça para baixo num simples pensamento. Parecia tão piegas dizer que havia delírios e mortes de paixão, que existia aflição e o impossível no amor era uma lenda. Então descobri que minha vida vazia agora era feliz, meu céu era mais azul, e meu pulso pulsava mais e eu querendo entender... Pra que entender? Eu não me continha não me detinha diante de tanta fascinação. Sei que fui feliz, sei que vivi o tempo que tinha viver e nunca mudaria o que foi feito ou recomeçado.
“Palavras são palavras e a gente nem percebe o que disse sem querer e o que deixou pra depois, mas o importante é perceber que nossa vida em comum depende só e unicamente de nós dois... Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser, mas é assim que eu sei te amar”(Isolda – Milton Carlos)
E assim o vinil foi ficando chiado, ficando cada vez mais chiado, estalando e pipocando de tanto eu ouvir e repetir os versos das canções apaixonadas que me ensinaram o que era a entrega, o prazer e o amor verdadeiro. Foram ensinamentos que desaprendi e re-aprendi de forma e intensidade diferente no decorrer da vida.

3 comentários:

  1. O que falar desta mulher que é pura magia, envolvimento e encantamento. Sua interpretação é maravilhosa e que voz!!!!!
    Acredito que ela faça parte de uma fase na vida de muitas pessoas, na minha faz.
    Uma música que adoro e amarei sempre....
    "Eu preciso de você" porque tudo que eu pensei que pudesse desfrutar da vida sem você não sei.....
    Fora Sonho impossível.....maravilhosa!!!!!
    Adoro essa mulher, muito bem colocado as palavras em seu texto, nada como suas canções para expressar as palavras de amor, coragem e sonhos.
    Lindo...lindo!!!

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  2. Patricia Ramos Sodero6 de março de 2012 22:41

    O autor disse muito bem o quanto as músicas podem expressar o nosso jeito de ser....de amar....
    Admiro muito esse lado...e achei lindo o texto colocado.
    Meus parabéns!!!
    É por isso que vou te seguir sempre....
    Bjos...

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  3. Quando li meu Deus lembrei do meu pai já falecido era fã de carteirinha de Maria Bethânia.Tenho os discos dela guardo com carinho pois quando estou com saudades do meu pai ponho na vitrola e escuto essa música lembrando também da nossa juventude quando íamos passear na Bahia era maravilhoso a família reunida bons tempos aqueles que infelizmente não voltam mais.Bjs.Adriana.

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