quinta-feira, 13 de agosto de 2009

KING DIAMOND VOODOO

Lançado em 1998, “Voodoo” é o 11º álbum de King Diamond, que além de sua ativa carreira solo, mantém uma não menos ativa banda paralela, o Mercyful Fate (que já tem 11 discos editados). A diferença entre elas, musicalmente falando, é pouca, mas na carreira solo os discos lançados são sempre conceituais. Ouvi-los é uma experiência não muito diferente do que assistir a um filme de terror/suspense, daqueles cheios de clichês, feito com baixo orçamento, mas ainda sim muito divertido e cheio de sustos.
“Voodoo”, para a alegria dos muitos fãs de King Diamond, continua nesse mesmo esquema, e vai além, pois certamente seu conceito é um dos mais cativantes criados pelo vocalista até então. Estão lá os personagens enigmáticos, os acontecimentos sobrenaturais e a atmosfera sinistra. Resumidamente falando, em “Voodoo” King conta a história de uma velha casa (“A mansion if you will”, diz ele na segunda faixa, “LOA House”) que é comprada por um casal – os Lafayette – que está prestes a ter seu primeiro filho. Perto da velha casa existe um antigo cemitério onde acontecem rituais de magia negra e vudu, e tão logo os novos moradores chegam, resolvem destruí-lo. E aí começam os problemas do casal. Os acontecimentos se desenrolam em 1932, em algum lugar às margens do rio Mississipi, no estado americano de Louisiana.
Musicalmente falando, é um típico disco de King Diamond: guitarras altas, cheias de riffs empolgantes e solos cortantes (a cargo de Andy La Rocque e Herb Simonsen); cozinha eficiente (com Chris Estes no baixo e John Luke Hebert na bateria) e teclados discretos criando climas macabros (tocados pelo próprio King Diamond e Andy La Rocque). Mas o destaque fica por conta, claro, dos vocais. Por causa deles, King é amado por muitos, ao passo que também é odiado por outros tantos. Com todas aquelas variações - ora sussurrados, ora graves, ora extremamente agudos - ou você adora o cara ou o odeia.
O disco começa com uma vinheta bem sinistra, com zumbidos de insetos na noite silenciosa e uma narração introduzindo a história, enquanto o casal Lafayette dorme na mansão recém-comprada. Depois disso, as músicas vão se seguindo, cada uma representando um período dos dias da semana em que tudo acontece, enquanto a história vai se desenrolando e os personagens vão aparecendo. É bem mais coerente analisar o disco como um todo, pois todas as músicas tem ligação entre si e fazem mais sentido se ouvidas e apreciadas juntas, uma com a outra. Mas individualmente, podemos destacar a faixa “Voodoo”, que descreve um ritual que acontece em um sábado de noite (com direito a batucadas e solo de Dimebag Darrell, do Pantera), e “A Secret”, que narra a ocasião em que, no domingo depois do ritual, os Lafayette decidem dar um fim ao velho cemitério. O destaque final fica por conta do encarte, que possui ilustrações dos personagens, mapa da região e uma belíssima capinha, com uma imagem da mansão e parte do cemitério, onde alguns seres misteriosos rondam furtivamente a área.
Claro que não é música para ser levada a sério. O negócio é colocar o disco no aparelho de som, botar o fone no ouvido, diminuir a luz e ficar acompanhando o encarte, enquanto King Diamond narra/canta a infortunada passagem dos Lafayette pela velha casa à beira do Mississipi. É diversão na certa!

Nenhum comentário:

Postar um comentário